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Receita confirma que procuração de filha de Serra é falsa e envia documento ao MP

2 de setembro de 2010

Estadão

Secretário do Fisco, Otacílio Cartaxo, fez rápido pronunciamento sobre violação do sigilo de Mônica Serra

FÁBIO GRANER E ADRIANA FERNANDES – Agência Estado

O secretário da Receita Federal, Otacílio Cartaxo, reconheceu que é falso o documento apresentado por suposto procurador de Verônica Serra, filha do candidato do PSDB à Presidência da Republica, José Serra, solicitando cópias de suas declarações de renda. Em pronunciamento na tarde desta quarta-feira, 1º, Cartaxo informou que o documento já foi entregue ao Ministério Público Federal (MPF), que irá investigar a fraude.

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De acordo com o secretário, o requerimento foi apresentado à Receita Federal em 30 de setembro de 2009 com uma procuração em nome de Antonio Carlos Atella Ferreira, suposto procurador de Verônica. “Aconteceu a falsificação de documento público federal e cabe à Polícia Federal (PF) a apuração do fato, realizando perícia grafotécnica e investigando todos os demais aspectos da matéria”, disse.

Mais cedo, o tabelião de notas que supostamente teria reconhecido firma do documento afirmou ser falsa a procuração. “A falsificação é grotesca”, afirmou Fabio Tadeu Bisognin, cujo sobrenome aparece com grafia errada no papel. Ainda segundo o tabelião, não consta na procuração o número de cadastro da firma no cartório, que é obrigatório. Falta também a frase ‘em testemunho da verdade’.

Cartaxo explicou que foi apresentado à delegacia da Receita em Santo André, na Grande São Paulo, documento padrão com o requerimento das declarações de Verônica por parte do suposto procurador Antonio Carlos Atella Ferreira.

O secretário disse ainda que o documento com firma reconhecida e sem sinais de fraude ou adulteração deve ser acatado por servidor, nos termos da lei. Mas diante da negativa de Verônica de ter assinado o documento de procuração a Ferreira e também da negativa do cartório de ter reconhecido assinatura, Cartaxo considerou que houve falsificação, o que é crime federal.

Menos de 3 minutos. O pronunciamento de Cartaxo durou apenas 2 minutos e 55 segundos. Cartaxo leu um documento e se recusou a responder a qualquer pergunta dos jornalistas. Pela manhã, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, também se esquivou de falar sobre o assunto.

A procuração foi divulgada após vir à tona dados da investigação feita pela corregedoria da Receita, que revelaram que o sigilo de Verônica foi violado em 2009. O acesso ocorreu em Santo André (SP), onde é lotada a funcionária Lúcia de Fátima Gonçalves Milan, autora da coleta dos dados fiscais de Verônica Serra.

A funcionária entrou no sistema e, segundo os documentos da corregedoria a que o Estado teve acesso, coletou as declarações de Imposto de Renda dos anos de 2008 e 2009 da filha de Serra. A informação foi revelada na noite de terça-feira, 31, com exclusividade, pelo portal estadão.com.br.

Na noite de terça, a assessoria do Ministério da Fazenda disse ao Estado que a corregedoria da Receita possuia um documento mostrando que a funcionária Lúcia Milan acessou os dados fiscais a pedido da própria Verônica Serra. O documento seria a a procuração divulgada nesta quarta-feira.

Outras violações. A violação dos dados fiscais de Verônica Serra antecedeu os acessos, igualmente ilegais, aos IRs de outras quatro pessoas, todas ligadas ao PSDB ou próximas do candidato José Serra. O portal estadão.com.br antecipou, também com exclusividade, na semana passada, que no dia 8 de outubro de 2009, semana seguinte à violação dos dados de Verônica Serra, foram acessadas, sem justificativa legal ou funcional, informações fiscais do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, do economista Luiz Carlos Mendonça de Barros; de Gregorio Marin Preciado, empresário casado com uma prima de Serra, e de Ricardo Sérgio, ex-diretor do Banco do Brasil, no governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).

Depois de ter feito dois indiciamentos na delegacia de Mauá (SP), antecipados pelo Estado, a corregedoria da Receita Federal formalizou também, na segunda-feira, a acusação contra mais duas funcionárias: Ana Maria Caroto Cano e a própria Lúcia de Fátima Gonçalves Milan. Elas passaram de testemunhas a acusadas.

Na terça-feira, porém, depois de dizer que a funcionária Lúcia Milan tinha um ofício mostrando que coletou os dados sigilosos de Verônica Serra a pedido da própria contribuinte, o Ministério da Fazenda informou que a corregedoria da Receita já estudava retirar a acusação contra essa funcionária de Santo André.

Senhas. Além de Ana Caroto e Lúcia Milan, a Receita já havia indiciado as funcionárias Adeildda Ferreira Leão dos Santos e Antônia Aparecida Rodrigues dos Santos Neves Silva. Foi no computador de Adeildda, mas com a senha de Antônia, na delegacia de Mauá (SP), que foram violados os dados fiscais dos tucanos.

O conteúdo das representações que a corregedoria vem fazendo contradizem o discurso da cúpula da Receita, que, na sexta-feira passada, havia dito, por meio do secretário Otacílio Cartaxo, ter indícios de esquema de venda de dados fiscais mediante “encomenda externa” e “pagamento de propina”.

Agora, a Receita trata o assunto como ilícito funcional, isto é, os funcionários só erraram ao trocar entre si as senhas de trabalho, que são sigilosas. A estratégia do órgão é despolitizar as violações.

Com informações de Ivan Fávero e Leandro Colon

Publicada por:  Estadão

PF prende quadrilha que fraudava projetos de reforma agrária, servidores do Incra estão incluídos

31 de agosto de 2010

Agência Brasil

Daniella Jinkings – Repórter da Agência Brasil

Brasília – A Polícia Federal prendeu hoje (30) 20 pessoas acusadas de participar de um esquema criminoso que fraudava projetos de reforma agrária em Mato Grosso do Sul. De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), os danos chegam a R$ 12 milhões.

A Operação Tellus, feita em parceria com o MPF, cumpriu os 20 mandados de prisão e 25 mandados de busca. Entre os presos estão o superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Mato Grosso do Sul, Waldir Cipriano Nascimento, servidores do Incra, empresários da região, líderes de assentamentos e dois vereadores do município de Itaquiraí.

De acordo com a PF, as investigações começaram há oito meses. Em 2007, o Incra investiu R$ 130 milhões na aquisição de quatro fazendas do Complexo Santo Antônio, em Itaquiraí. Cerca de 17 mil hectares foram desapropriados e distribuídos em quatro projetos de assentamento de sem-terra nos municípios de Santo Antônio, Itaquiraí, Caburei e Foz do Rio Amambai.

No fim de 2008, os lotes foram sorteados de forma irregular. Os melhores lotes foram reservados aos líderes dos movimentos sociais. Além disso, houve desrespeito ao cadastro prévio de acampados – a Relação de Beneficiários (RB), com a distribuição de 497 lotes a pessoas não habilitadas e a desconsideração de 425 pessoas habilitadas que não receberam lotes.

Segundo a PF, a quadrilha também vendia lotes ilegalmente. Alguns viraram sítios de lazer. Também houve recebimento de propina por parte de servidores do Incra para a exclusão de imóveis rurais do processo de avaliação para verificação de produtividade.

A operação envolveu 137 policiais. Além das prisões, foram apreendidas cerca de R$ 79 mil, sendo R$ 53 mil na casa dos envolvidos. Também foram apreendidas armas, veículos e cheques.

Representantes do Incra estão reunidos em Brasília para apurar as denúncias. O instituto disse que vai divulgar uma nota sobre o assunto ainda hoje.

Publicada por:  Agência Brasil

MP exige que TAM altere poltronas

30 de agosto de 2010

Jornal da Tarde

Luiz Guilherme Gerbelli

O Ministério Público abriu uma ação contra a TAM Linhas Aéreas para que a empresa aumente a distância entre os assentos e melhore a largura do encosto das poltronas de suas aeronaves.

O principal argumento é que a atual configuração dos assentos fere o Código de Defesa do Consumidor e ainda ofereceriam riscos ao passageiro em caso de pouso forçado.

Na ação, o MP pede que o espaço entre as poltronas passe dos atuais 74 centímetros para 84. Já a largura do encosto deve ser sempre superior a 50 centímetros.

Além das alterações, o ministério também exige que a empresa pague uma multa equivalente a R$ 50 milhões por indenização ao dano moral coletivo. “O valor é compatível com o lucro da empresa”, diz o promotor

Giovane Serra Azul Guimarães, autor da ação.

Caso as alterações propostas sejam descumpridas pela companhia, Guimarães ainda defende uma multa diária de RS 100 mil.

Segundo o MP, a TAM negou-se a assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para realizar as alterações propostas sem a necessidade de uma ação judicial. “A empresa informou que segue as normas determinadas pela Anac [(Agência Nacional de Aviação Civil) e que não há nada de errado”, conta Guimarães.

Em nota, a empresa aérea afirma que não se manifestará porque ainda não foi citada na ação. Contudo, garantiu que nos voos internacionais a distância entre as poltronas da classe econômica varia entre 79 e 84 centímetros.

A Gol também poderá ser acionada. A companhia aérea analisa o termo e deverá se pronunciar dentro de dez dias, prazo estabelecido pelo ministério. As duas companhias, diz Guimarães, foram convocadas para dar explicações porque representam 90% do mercado nacional.

“O passageiro precisa de uma distância minimamente segura que o permita abaixar e proteger a cabeça em uma situação de emergência como um pouso forçado”, explica Guimarães.

Com as modificações propostas, a TAM teria 18 assentos a menos em cada jato. Em média, os aviões da empresa têm entre 138 e 168 lugares. “Há casos de pessoas que ficam muito tempo sentadas numa mesma posição, o que pode ajudar ao desenvolvimento de trombose. Tal situação fere a saúde do passageiro”, acrescenta o promotor.

No próximo mês, esgota-se o prazo para que as companhias aéreas enviem à Anac relatórios sobre a condição das poltronas.

A intenção é que, a partir de março de 2011, os passageiros possam ser informados sobre as novas configuração das aeronaves.

De acordo com levantamento do MP, das 134 empresas de aviação espalhadas pelo mundo, 124 delas têm um espaçamento entre poltronas da classe econômica maior do que o da TAM.

Segundo o professor de Estratégia e Marketing da FEI, Bráulio Oliveira, o pedido do MP é prejudicial. Para Oliveira, as companhias do setor aéreo já são altamente regulamentadas. “O que o governo precisa é estimular uma concorrência para que novas empresas apareçam no mercado. Dessa forma, o cliente vai poder ter mais opções de escolha”, analisa.

Na avaliação de Oliveira, aéreas que operam rotas no interior do Estado de São Paulo poderiam ganhar força e passar a atuar em destinos mais importantes.

“Não há competidores de peso para brigar pelo mercado. A Anac e Infraero deixaram de ter um papel de fomentar o mercado”, analisa o professor universitário.

Publicada por:   Jornal da Tarde

Corregedor da Receita diz que houve “balcão de venda de sigilos”

28 de agosto de 2010

Reuters Brasil

BRASÍLIA (Reuters) – O corregedor-geral da Receita Federal, Antonio Carlos D’Ávila, afirmou nesta sexta-feira que as violações dos sigilos de pessoas ligadas ao PSDB teriam supostamente sido feitas a pedido de agentes externos “mediante pagamento de propina”.

Ele encaminhará duas representações criminais ao Ministério Público na próxima segunda-feira.

“Há indícios de uma intervenção feita de alguém de fora da Receita Federal e de um suposto balcão de venda de informação”, afirmou, descartando, ao lado do secretário da Receita, Otacílio Cartaxo, qualquer motivação eleitoral direta para a violação do sigilo de quatro pessoas ligadas ao PSDB.

Para descartar a vinculação político-eleitoral, a Receita argumenta que outras pessoas, fora da política, também tiveram seus dados fiscais devassados, o que eliminaria, sustentam Cartaxo e D’Ávila, a hipótese.

Segundo ambos, empresários e a apresentadora de TV Ana Maria Braga estão na lista de acessos, junto aos quatro membros do PSDB: Eduardo Jorge Caldas Pereira (vice-presidente do partido), Luiz Carlos Mendonça de Barros (ex-ministros das Comunicações de FHC), Ricardo Sérgio (ex-diretor do Banco do Brasil, também no governo FHC) e Gregório Marin Preciado (casado com uma prima de José Serra, candidato do PSDB à Presidência).

“Essa vinculação, no meu entendimento, não existe”, completou. “Não identificamos na nossa investigação qualquer ilação político-partidária”.

A representação criminal que será entregue na próxima semana será contra as servidoras Antonia Aparecida Neves e Adeilda Ferreira Leão. Os acessos irregulares foram feitos no computador da segunda, com a senha da primeira, em agência da Receita na cidade de Mauá (SP).

O corregedor afirmou, ainda, que a apuração não deve ser concluída antes das eleições de outubro.

“Nós não estamos preocupados com o calendário eleitoral”, disse D’Ávila.

O advogado do PSDB, Ricardo Penteado, disse na véspera que seria uma ingenuidade desconsiderar motivação eleitoral no caso. Políticos da oposição procuraram a Procuradoria-Geral da República para pedir por instauração de inquérito e acompanhamento das investigações da Receita.

No mesmo dia, o presidente do PT, José Eduardo Dutra, negou enfaticamente que os dados tenham sido encomendados pela campanha de Dilma Rousseff para implicar o adversário tucano por meio de um suposto dossiê.

A Receita reconheceu que esse sistema é frágil e informou que tomará medidas para ampliar a blindagem.

(Reportagem de Natuza Nery)

Publicada por:  Reuters Brasil

Ex-dirigentes da Perdigão são denunciados por sonegação de quase R$ 700 mi

26 de agosto de 2010

Folha.com

LUIZA BANDEIRA – DE SÃO PAULO

A Polícia Federal de Santa Catarina cumpriu ontem mandados de apreensão de bens em residências e empresas de três ex-dirigentes do antigo Grupo Perdigão. Eles foram denunciados por crimes de sonegação fiscal que somam quase R$ 700 milhões, ocorridos no início dos anos 90.

O sequestro judicial do patrimônio de Flávio Brandalise, Saul Brandalise Jr. e Ivan Orestes foi decretado pela Justiça Federal. O pedido havia sido feito pelo Ministério Público Federal em ação cautelar com o objetivo de garantir o ressarcimento da União em caso de comprovação dos crimes fiscais.

Os mandados de sequestro para apreensão, depósito e avaliação de bens móveis, foram cumpridos, segundo a Justiça Federal, em Videira, Joaçaba, Florianópolis e Curitiba.

A Justiça determinou ainda a indisponibilidade de bens dos empresários _mesmo daqueles em poder de outras pessoas. A medida atinge 20 pessoas e seis empresas.

Foram apreendidos e indisponibilizados todos os bens imóveis, móveis, valores e ações, participações em pessoas jurídicas e outros direitos, segundo a Procuradoria.

Segundo o órgão, os três empresários teriam montado um esquema que envolveu cerca de 30 empresas controladoras do então Grupo Perdigão, que passou a se chamar Brasil Foods depois da fusão com a Sadia. Elas seriam constituídas pelos denunciados, por seus familiares e por “laranjas”.

Conforme a denúncia, as holdings foram usadas para sonegação fiscal, desvio de patrimônio e dos rendimentos do grupo e ocultação dos nomes dos acusados como mandantes do esquema.

A Folha entrou em contato com a defesa dos acusados, mas foi informada de que o único advogado responsável pelo caso está viajando.

Publicada por:  Folha.com

CPI pede indiciamento de Arruda e Roriz por corrupção no DF

25 de agosto de 2010

Terra Notícias

Cláudia Andrade – Direto de Brasília

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou um suposto esquema de corrupção no governo do Distrito Federal encerrou seus trabalhos nesta quarta-feira, com a aprovação de um relatório que pede o indiciamento dos ex-governadores Joaquim Roriz (PSC) e José Roberto Arruda (ex-DEM, sem partido), além de outras 22 pessoas.

O indiciamento é sugerido com base em crimes como formação de quadrilha, corrupção passiva e ativa, tráfico de influência, fraude de concorrência, entre outros delitos. O documento foi encaminhado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), aos ministérios públicos Federal e Estadual, ao Tribunal de Contas da União, à Controladoria Geral da União e à Polícia Federal (PF).

O documento foi elaborado pelo deputado distrital Paulo Tadeu (PP-DF), candidato a uma vaga na Câmara dos Deputados nas eleições deste ano.

O político afirma que o suposto esquema teve início no mandato de Roriz e continuou quando Arruda comandou o executivo. Arruda teve o mandato cassado e chegou a ficar preso por determinação do STJ, acusado de corrupção de testemunha.

Roriz (PSC) lidera as pesquisas de intenção de voto ao cargo de governador nas eleições de outubro. Ele já foi governador distrital em outras quatro ocasiões. O relatório aponta irregularidades em vários setores da administração do DF, como informática, publicidade, obras públicas e coleta de lixo.

“Quase todas as áreas de atuação do executivo estavam envolvidas no esquema”, afirmou Tadeu. A aprovação do relatório se deu por quatro votos dos cinco possíveis. Além do relator, também foram a favor do parecer os deputados Agnaldo de Jesus (PRB), Cristiano Araújo (PTB) e Raimundo Ribeiro (PSDB). O quinto integrante da CPI, Batista das Cooperativas (PRP), não esteve na sessão.

Publicada por:     Terra Notícias

Relatório da PF qualifica Arruda e aliados como integrantes de organização criminosa

25 de agosto de 2010

Corrreio Braziliense 

Débora Álvares

O relatório da Polícia Federal sobre a Operação Caixa de Pandora aponta o ex-governador José Roberto Arruda (sem partido) como chefe de uma organização criminosa responsável pelo esquema de corrupção que envolveu o alto escalão do Governo do Distrito Federal. Parte do relatório, divulgado pelo jornal “O Estado de São Paulo”, enquadra Arruda e seus aliados nos crimes “formação de quadrilha” e “corrupção passiva”.

Segundo a reportagem, o documento destaca que “José Roberto Arruda encabeçava uma organização criminosa voltada à captação de dinheiro bancado por empresas contratadas”. A reportagem do correiobraziliense.com.br entrou em contato com a Polícia Federal, mas a instituição não confirma nem desmente o conteúdo do documento divulgado pelo “Estadão”. Apesar disso, a assessoria de imprensa garante que o relatório em questão não vazou pela PF.

Saiba mais…
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O inquérito com a análise de depoimentos e documentos recolhidos foi concluído na última semana. O material, agora, está no Ministério Público Federal (MPF), mas não há prazo para a subprocuradora, Raquel Dodge, terminar sua análise. Ela pode pedir mais alguma investigação sobre o caso antes de entrar com ação penal contra pessoas que se beneficiaram e promoveram um dos maiores esquemas de corrupção do país.

A reportagem do Correio entrou em contato, também, com a Procuradoria-Geral da República (PGR) mas, assim como a PF, a instituição destaca não saber detalhes do relatório e que não pode, portanto, confirmar seu conteúdo. Segundo a assessoria de imprensa, a subprocuradora responsável pelo inquérito ainda não terminou sua análise e, somente após isso, poderia haver uma divulgação do documento.

Entenda a Operação

Com a operação Caixa de Pandora, deflagrada em 27 de novembro de 2009, pela Polícia Federal, veio à tona o maior escândalo política que Brasília já viveu. A ação investigou um suposto esquema de distribuição de recursos ilegais à base aliada do Governo do Distrito Federal, na época chefiado pelo governador cassado José Roberto Arruda.

O delator do suposto esquema de corrupção, o ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, entregou à PF vídeos em que membros do governo, à ápoca, aparecem recebendo propina. Ele aceitou colaborar em troca de uma punição mais branda em outro caso de corrupção, revelado pela Operação Megabyte, ainda na gestão de Joaquim Roriz. Barbosa gravou cerca de 23 vídeos.

Raquel Dodge já ajuizou duas denúncias contra o governador cassado, José Roberto Arruda. Em uma delas, o ex-governador e outras cinco pessoas são acusados de tantar comprar uma testemunha, o jornalista Edson Sombra. O crime culminou na prisão preventiva que manteve Arruda na encarcerado por dois meses – entre fevereiro e abril. Ele também foi denunciado por falsificação de documento. A ação se refere aos recibos que atestariam recebimento de dinheiro do ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa como doação para compra de panetones para pessoas carentes.

Publicada por:   Corrreio Braziliense

Garotinho, deputado cassado e mais 8 são condenados por formação de quadrilha

25 de agosto de 2010

MSN Estadão

RIO – O ex-governador do Rio Anthony Garotinho (PR), o ex-chefe de Polícia Civil e deputado estadual cassado, Álvaro Lins (PMDB), e mais oito pessoas foram condenadas pela 4ª Vara Federal Criminal no processo que comprovou a atuação de uma quadrilha que usava a estrutura da Polícia Civil para cometer uma série de crimes e facilitar negócios para o jogo do bicho.

Garotinho, que tenta se eleger deputado federal na eleição deste ano, foi considerado culpado de formação de quadrilha e sentenciado a uma pena de dois anos e seis meses de reclusão. Álvaro Lins foi condenado por formação de quadrilha armada, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Sua pena totaliza 28 anos, um mês e doze dias de prisão e multa.

O delegado Ricardo Hallack, que sucedeu Álvaro Lins no comando da Polícia Civil do Rio, também foi condenado por formação de quadrilha e corrupção passiva, com pena de sete anos e nove meses de prisão e multa. O juízo da 4ª Vara Federal Criminal ainda condenou o grupo de policiais que ficou conhecido como os ‘inhos’: Fábio Menezes de Leão, o Fabinho, que pegou quatro anos e meio de reclusão por corrupção passiva); e Mario Franklin Leite de Carvalho, o Marinho, condenado a 11 anos e três meses de prisão e multa, por formação de quadrilha, corrupção passiva e lavagem de bem.

Completam a lista: Alcides Campos Sodré Ferreira: cinco anos e nove meses de prisão (corrupção passiva); Daniel Goulart: dois anos de reclusão (formação de quadrilha); Francis Bullos: quatro anos e meio de prisão e multa (lavagem de bem); Luciana Gouveia: três anos de reclusão e multa (lavagem de bem); Sissy Toledo de Macedo Bullos Lins: três anos e dez meses de prisão (lavagem de bem)

O processo resultou das investigações da Operação Gladiador, desencadeada pelo Ministério Público Federal do Rio e pela Polícia Federal, a partir da quebra de sigilo fiscal de Álvaro Lins e de investigações posteriores de documentos colhidos pela PF. A Justiça atestou a prática de crimes como facilitação de contrabando (a exploração de caça-níqueis pelo grupo do bicheiro Rogério Andrade não era reprimida) e corrupção ativa e passiva.

Todos os condenados podem recorrer.

Completam a lista: Alcides Campos Sodré Ferreira: cinco anos e nove meses de prisão (corrupção passiva); Daniel Goulart: dois anos de reclusão (formação de quadrilha); Francis Bullos: quatro anos e meio de prisão e multa (lavagem de bem); Luciana Gouveia: três anos de reclusão e multa (lavagem de bem); Sissy Toledo de Macedo Bullos Lins: três anos e dez meses de prisão (lavagem de bem)

O processo resultou das investigações da Operação Gladiador, desencadeada pelo Ministério Público Federal do Rio e pela Polícia Federal, a partir da quebra de sigilo fiscal de Álvaro Lins e de investigações posteriores de documentos colhidos pela PF. A Justiça atestou a prática de crimes como facilitação de contrabando (a exploração de caça-níqueis pelo grupo do bicheiro Rogério Andrade não era reprimida) e corrupção ativa e passiva.

Todos os condenados podem recorrer.

Publicada por:  MSN Estadão

 

 

Arruda diz ter sido chantageado por Deborah Guerner

22 de agosto de 2010

Correio Braziliense 

Segundo ex-governador, ela teria recebido dinheiro de Durval Barbosa para segurar investigações contra Joaquim Roriz 

Ana Maria Campos

Na única vez em que o ex-governador José Roberto Arruda falou oficialmente sobre as denúncias da Operação Caixa de Pandora, o resultado foi um depoimento contundente ao Ministério Público Federal (MPF). Sob o compromisso de dizer a verdade, Arruda contou a dois procuradores regionais da República, Ronaldo Meira de Vasconcellos e Alexandre Espinosa Bravo Barbosa, ter sofrido extorsão da promotora de Justiça Deborah Giovanetti Guerner, investigada por suspeita de corrupção. O depoimento ao qual o Correio teve acesso foi prestado em 2 de julho no prédio da Procuradoria Regional da República, quando Arruda falou na condição de testemunha.

Em duas horas de relato, o ex-governador contou ter sido procurado por Deborah no ano passado, antes da crise institucional deflagrada pela Operação Caixa de Pandora. De acordo com o depoimento, o encontro ocorreu no escritório principal da residência oficial de Águas Claras para tratar do que Arruda classificou de “questões desagradáveis”. Ele afirmou que Deborah foi portadora de uma ameaça: a divulgação da gravação feita pelo ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa em que ele apareceu recebendo dinheiro quando era deputado federal, em 2005. Aos procuradores, Arruda sustentou que ficou surpreso com o tom da chantagem. Ele disse que justificou a Deborah Guerner que os recursos seriam doação de campanha e já estariam registrados no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-DF).

No depoimento, Arruda disse ainda que avisou ao então procurador-geral de Justiça do DF, Leonardo Bandarra, da conversa que manteve com Deborah por receio do que a promotora e Durval poderiam estar tramando contra ele. Segundo Arruda, Bandarra o aconselhou a extinguir a Agência de Tecnologia da Informação, área em que Durval ainda exercia influência, e a mantê-lo no governo para que pudesse ser investigado sem que percebesse.

Recusa

No encontro com Deborah, diante das ameaças, Arruda afirmou ter se negado a negociar. Deborah, então, demonstrou, segundo Arruda, “irritação e destempero”. Na mesma conversa, a promotora teria lhe dito que recebeu três parcelas de R$ 800 mil do ex-governador Joaquim Roriz, por intermédio de Durval Barbosa. Por conta desse pagamento, ainda de acordo com o que Arruda disse ter ouvido de Deborah Guerner, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) não havia até aquele momento ajuizado qualquer ação judicial contra Roriz no episódio que ficou conhecido como a “Bezerra de Ouro” (leia no Entenda o caso).

Segundo Arruda, Deborah disse que ainda faltava uma parcela a receber do grupo de Roriz. No total, seriam R$ 3,2 milhões. Com a recusa de Arruda, a promotora de Justiça teria subido o tom: “Então o senhor vai ver as suas imagens na televisão e nenhuma explicação será capaz de amenizar o impacto”, relatou o ex-governador ao MPF. Apesar do embate, a conversa prosseguiu e Deborah teria passado a tratar de interesses dela que estariam sendo contrariados nos contratos de coleta de lixo. A promotora disse, segundo Arruda, que a empresa Nely Engenharia estaria sendo prejudicada. Durante o governo anterior e até aquele momento, a Nely havia prestado serviços emergenciais, mas depois teria ficado de fora da licitação.

Na investigação do Ministério Público do DF sobre a partilha do cheque de R$ 2,2 milhões que levou à renúncia de Roriz, a Nely Engenharia teve os sigilos bancário, fiscal e telemático (e-mails) quebrados, uma vez que o dinheiro foi dividido no estacionamento da empresa que mantinha contratos de lixo com o GDF, como subcontratada da Qualix, a concessionária dos serviços de limpeza urbana durante os dois últimos governos de Roriz.

Negativas

Em depoimentos prestados nas investigações da Operação Caixa de Pandora, Durval Barbosa sustentou que a promotora Deborah Guerner e o ex-procurador-geral de Justiça do DF Leonardo Bandarra tinham interesse nos contratos de lixo e receberam propina para favorecer empresas do setor. Bandarra nega as acusações e sustenta ser alvo de uma campanha para desacreditar seu trabalho como chefe do MPDFT.

A assessoria de Roriz considerou totalmente despropositado o depoimento de Arruda. Segundo o coordenador de Comunicação da campanha do ex-governador, Paulo Fona, o Ministério Público sempre foi rigoroso na fiscalização das ações de Roriz. “O rigor sempre foi até exagerado de parte do Ministério Público”, afirmou o jornalista. A promotora Deborah Guerner não foi localizada ontem. Bandarra alegou não ter tomado conhecimento da suposta extorsão cometida pela promotora e do suposto favorecimento a Roriz no MP. Ele também sustentou que os promotores sempre tiveram liberdade de ação.

1 – PROMOTOTES INVESTIGADOS

Em dezembro, como desdobramento da Operação Caixa de Pandora, a subprocuradora-geral da República Raquel Dodge enviou à Procuradoria Regional da República da 1ª Região os depoimentos de Durval Barbosa relacionados à promotora Deborah Guerner, do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). Uma investigação criminal é conduzida pelo procurador Ronaldo Albo. Além disso, o caso é alvo de processo administrativo disciplinar no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

Para distrital, bloqueio é político

Lilian Tahan

Para o distrital Benedito Domingos, a palavra do ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa vale uma sentença judicial. É assim que pensa o deputado, presidente do PP regional e candidato à reeleição, que teve os bens bloqueados por força de uma decisão do juiz Álvaro Ciarlini, da 2ª Vara de Fazenda Pública. A medida cautelar foi concedida a pedido do Núcleo de Combate às Organizações Criminosas (NCOC) do Ministério Público do DF (MPDFT).

Benedito é o terceiro parlamentar citado no inquérito da Caixa de Pandora a perder o direito de manusear seu patrimônio em função das denúncias de participação no esquema criminoso delatado por Durval. Com o bloqueio dos bens do deputado, a Justiça tem uma garantia de que parte dos supostos desvios podem voltar aos cofres públicos.

O deputado se defende ao dizer que nunca foi chamado nem pela Polícia Federal nem pelo Ministério Público para dar explicações. Também reclama que não teve acesso ao processo no qual é considerado suspeito. “Não fui convidado, convocado ou intimado para falar sobre o assunto. E de repente sou vítima de uma ação como essa, que me traz um imenso prejuízo eleitoral”, calcula. E complementa: “Por que não fizeram isso antes, já que esse inquérito corre desde novembro do ano passado? Faltando um mês para as eleições, fica evidenciado o cunho político”.

Mesmo sem ter prestado esclarecimentos à Justiça, Álvaro Ciarlini decidiu bloquear o patrimônio de Benedito, como aplicações financeiras, depósitos, créditos mobiliários, ações, moeda estrangeira em cofres, imóveis, carros, aeronaves e embarcações que porventura estiverem em nome do distrital como uma forma de precaução, caso sejam confirmadas as evidências contra o distrital. A intenção da Justiça é garantir a compensação de um suposto prejuízo de R$ 6.979.668,00 no orçamento do DF.

Entenda o caso

Partilha de R$ 2,2 milhões

O ex-governador Joaquim Roriz (PSC) renunciou ao mandato de senador em julho de 2007, após a repercussão nacional de conversas suas com o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Tarcísio Franklim de Moura relacionadas à partilha de um cheque de R$ 2,2 milhões em nome do empresário Nenê Constantino. Depois que Roriz deixou o Senado e perdeu o foro no Supremo Tribunal Federal (STF), o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) instaurou procedimento de investigação para apurar o que motivou a divisão do dinheiro.

Há suspeitas por parte dos promotores de Justiça de que a versão apresentada por Roriz — a de que pediu um empréstimo para realizar um negócio particular, a compra do embrião de uma bezerra — não é verdadeira. Duas frentes foram abertas: uma na esfera cível, que resultou na ação de improbidade administrativa, ajuizada em 13 de abril último, contra Roriz, Tarcísio Franklim e diretores do BRB à época. Nesse caso, o MP sustenta que houve tráfico de influência quando o então presidente do BRB usou a instituição financeira para fazer um favor a Roriz, ao sacar na tesouraria um cheque do Banco do Brasil. A ação tramita na Terceira Vara de Fazenda Pública do DF.

O caso ainda não foi encerrado. Também há em curso uma investigação criminal, na qual o MP tenta rastrear a origem do cheque e o que teria motivado uma eventual negociação ilícita entre Roriz, Tarcísio Franklin e o empresário Nenê Constantino. Mais de 30 pessoas foram ouvidas, inclusive os principais investigados. No momento, o MP analisa as quebras de sigilo bancário e fiscal de todos os envolvidos. Em abril, houve um pedido adicional de informações bancárias. (AMC)

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MPF entra com ação para que INSS seja obrigado a contratar peritos médicos terceirizados

21 de agosto de 2010

Correio Braziliense 

Agência Brasil

O Ministério Público Federal em São Paulo entrou com ação na Justiça para que o Instituto Nacional do Serviço Social (INSS) seja obrigado a contratar de imediato peritos terceirizados por conta da greve da categoria, que já dura quase dois meses.

Na petição, a procuradora da República Zélia Luiza Pierdoná pede autorização judicial para o INSS contratar, em caráter emergencial, temporário e nacional peritos médicos aposentados ou ex-credenciados, por se tratarem de profissionais habilitados a realizarem as perícias. Para regularizar a situação, o MPF solicita ainda que as perícias possam ocorrer nos consultórios e clínicas dos médicos contratados.

Com essa medida, o MPF espera que o INSS tenha condições de executar as perícias num prazo de até 15 dias após a data do agendamento. O instituto estima que cerca de 400 mil perícias deixaram de ser feitas desde o início da paralisação. Sem passar pela avaliação médica, o segurado, impedido de trabalhar por causa de problema de saúde ou acidente de trabalho, não consegue receber o auxílio.

Os grevistas cobram da Previdência Social melhores condições de trabalho, como jornada reduzida. Em junho, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) entendeu que a greve dos peritos é legal, porém determinou a volta de metade da categoria ao trabalho.

No entanto, o MPF em São Paulo alega ter recebido denúncias de que os profissionais estão em “operação padrão” e alguns segurados esperam mais de um mês para passar pela perícia. Outros não conseguiram nem agendar a consulta. A ação do MPF está sob análise da 19ª Vara Federal Cível de São Paulo.

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