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A pessoa que estamos

13 de abril de 2012

Sheila Christina Sant´Anna  

Ao participar de um encontro profissional, minha surpresa foi o momento dedicado às pessoas que, formadas por histórias maravilhosas, aproveitaram a oportunidade e se deixaram conhecer.

Quando falamos do profissional, indicamos nossa opção de carreira, o tempo que estivemos em uma determinada empresa, o cargo que ocupamos nela, a quantidade de cursos que fizemos e os eventos nos quais participamos. É através desse “currículo”, que somos qualificados, valorizados e aceitos na sociedade. E talvez até por nós mesmos. É por isso que nos deixamos levar.

Esquecemos que a pessoa que somos agora, é o somatório da que trouxemos ao nascer, com a que nos tornamos pelas influências externas de nossos pais ou de quem nos criou, com a cultura que absorvemos do lugar onde nascemos ou moramos, juntamente com os conhecimentos acadêmicos adquiridos por nós através de nossas escolhas.

Em um mundo capitalista, a exigência de valores tende para o lado comercial e isso nos faz acompanhar essa tendência. É preocupante, já que muitas de nossas escolhas equivocadas e que nos deixam frustrados, possivelmente se dão pela força que fazemos para atender a esse apelo, como tentativa de aceitação e inserção a um padrão que determina sucesso ou bem estar.

Somos levados a agradar ao meio, desconsiderando a pessoas que somos e aos anseios de nossa essência, o que nos torna indivíduos por vezes bem sucedidos, mas frustrados. No esforço para resolver essa questão, utilizamos algumas alternativas, que para quem já entrou nessa roda viva, é conciliar a situação atual com atividades que preencham esse outro lado reprimido ou, mesmo antes de entrar, identificar e orientar suas escolhas objetivando atender às exigências desses dois pilares procurando harmonizá-los. Você deve estar pensando, falar é fácil! E eu concordo, mas você há de convir, que consertar é mais difícil do que fazer o certo. Essa é a proposta: prevenir.

Lá nos tempos da escola, eu brincava, bordava, fazia teatro, pintava, cantava, tocava instrumento, declamava e compunha músicas que defendia nos festivais. Não que isso fosse o certo, mas com certeza, o contato com essas inúmeras possibilidades, facilitou e muito a identificação de tendências, talentos pessoais, o desenvolvimento deles e de muitos outros. Essa prática diversificada proposta pelos mestres, aumentou as chances de envolvimento por parte dos alunos nas atividades, deixando transparecer suas preferências, facilitando a percepção e escolha pela mais adequada. Importante ressaltar, que o resultado obtido através delas, tornaram-se indicadores até para outras fases que nortearam escolhas importantes ao longo da minha vida. Aprendi a conviver em grupo, a respeitar as diferenças e a compreender porque tocava triângulo e não flauta como gostaria. O processo que vivemos nessa e em várias fases da vida, ensina e amadurece. Vivê-lo nos ajuda achar o caminho do meio. Aquele que é nem tanto e nem tão pouco, sabe? O que falta hoje. Oscilamos para os extremos!

Talvez nosso maior desafio seja compreender que inovar é ter um novo olhar sobre o todo e não das partes. É ousar e ousando, encontrar uma nova forma de atender as necessidades do ser por caminhos mixados pelas tecnologias novas ou não. É utilizar com criatividade, adequação de meios e métodos, autoconhecimento e análise, de forma que possamos atingir as metas planejadas.

De volta ao encontro ”profissional”, marcado por muitos relatos, que de tão interessantes, por vezes ainda povoam minha mente, e por isso talvez justifiquem porque as vivências infanto-juvenis, acompanham nossa trajetória de vida e podem até determinar comportamentos, influenciar direta ou indiretamente nossa vida profissional. Daí, originária a idéia da total relevância no processo de construção do ser humano, do seu conhecimento e de sua história. Esses fatores, auxiliares nas escolhas nossas de cada dia, devem ser levados em consideração antes de qualquer ação, principalmente por parte da docência ou liderança que acompanha diariamente qualquer pessoa, independente do estágio ou condição em que se encontre. Seja como filho, aluno ou subordinado.

Nesse encontro, a ênfase e o destaque foram atribuídos para etapas importantes da vida: infância, adolescência e maturidade. Estavam impregnados de sensações sobre brincadeiras, medos, mitos, natureza, sonhos, bichos, liberdade, pais, avós, primos, ovos de páscoa, sóis, luas, estrelas, livros, amigos, amores, perdas, ganhos, viradas e decisões os quais compunham a história de cada uma delas, e se tornaram determinantes na formação dos profissionais não menos brilhantes nos quais elas se transformaram, bem sucedidos ou não.

A partir de então, mais identificada com algumas pessoas e simpatizante com outras, não tive mais o mesmo olhar nem sobre mim e nem sobre elas. Conseqüência do efeito especial que o exercício da docência traz. Ela permite que pelo viés da convivência, enriqueçamos pela troca e respeitemos mais uns aos outros. Caminhamos juntos, construindo o conhecimento e ficando cada vez mais ricos de histórias. Riqueza que não tem preço, pois quanto mais se convive, mais se aprende mutuamente, seja na escola da vida, na virtual ou na convencional. E no fim de cada encontro, fica o prazer em conhecer.

Agora, tenho uma parte daquela que chegou, mas que ao sair, levou consigo o que viu e o que ouviu. E assim se transformou. Constatação que na vida é assim sempre. Cada um há seu tempo, que convivendo, conhecendo e trocando, vai sempre estando e não mais sendo…

*Sheila Christina Sant´Anna é carioca, especialista em Educação a Distância (SENAC/RIO), pedagoga (IESA/RJ) e publicitária (FACHA).

Publicado por:  Debates Culturais

Os animais chamados racionais

13 de abril de 2012

João Bosco Leal

Historicamente as maiores lutas do homem, até por instinto de sobrevivência, foram e são contra suas enfermidades, fragilidades e a consequente extinção da raça.

Com pesquisas sobre climas, intoxicações diversas ou ataques de animais, muito já foi descoberto sobre nossas fragilidades e com roupas, calçados, moradias e remédios, criamos proteções contra a maioria delas.

A evolução na área de medicamentos foi espetacular e possibilitou a criação de milhares de drogas capazes de curar doenças que no passado mataram milhões.

Porém, ao mesmo tempo em que luta pela vida, o homem promove disputas, lutas e guerras que também dizimam milhões e permite que outros milhões morram de fome ou sede, enquanto poucos usufruem de superficialidades até inimagináveis aos bilhões de habitantes do planeta.

Sem encontrar qualquer lógica em algumas atitudes, muitas vezes questiono algo como: o que leva uma pessoa a querer utilizar um veículo já bastante exclusivo e caro como um Porsche, mas que para ela foi especialmente construído com a carroceria toda banhada em ouro branco, como o de um príncipe árabe? Existiria alguma explicação para uma insanidade dessas enquanto seus próximos passam fome? Pessoas como esta gastam milhões simplesmente para ser vistas, admiradas, uma imbecilidade delas e dos que as admiram.

Por outro lado, gênios como Einstein, Thomaz Edison, Louis Braille, Santos Dumont, Da Vinci, Michelangelo, Van Gogh, Beethoven, Mozart, Shakespeare, Albert Sabin, Oswaldo Cruz, Steve Jobs e tantos outros, aproveitaram sua inteligência e especialidade nas mais diversas áreas para criar algo que beneficiasse toda a humanidade.

Existem questionamentos muito importantes ainda não respondidos, como uma prova científica que determine com exatidão quando o homem começou a raciocinar, mas seja quando for, desde então três perguntas continuam sem respostas claras e definitivas: O que somos? De onde viemos? Para onde vamos?

Se fôssemos realmente racionais, como explicar tanta corrupção no país, principalmente as envolvendo verbas destinadas à saúde pública como recentemente divulgadas? E a demora do julgamento dos envolvidos no que ficou conhecido como “Mensalão do PT”? E ninguém na cadeia? E nenhuma devolução das verbas roubadas?

Ou a existências de homens como Adolf Hitler, Josef Stálin, Mao Tsé-tung, Muanmar Kadafi, os irmãos Castro, Idi Amin Dada, Osama Bin Laden e tantos outros governantes ou terroristas, responsáveis pela morte de milhões?

Os corruptos, as pessoas como a do carro de ouro e muitos governantes dos mais diversos países estão longe de poderem ser chamados de animais racionais, como comumente somos definidos, pois como homem do campo, já presenciei milhares de comportamentos dos chamados animais irracionais que são muito mais dignos ou racionais, que os tomados por dezenas de membros do atual governo brasileiro ou de outros países.

Os cientistas e religiosos podem explicar mais detalhadamente de onde viemos, mas sei que ambos concordam em um ponto: tivemos a mesma origem dos animais chamados irracionais e não se justifica sermos chamados de racionais se o comportamento deles diante de sua comunidade e do meio ambiente é mais racional que o nosso.

Nosso destino, entretanto, parece estar muito claro. Tratando o meio ambiente como estamos, permitindo que milhões morram de fome, analfabetos ou sem tratamento médico decente, promovendo guerras e permitindo que criminosos governem em qualquer parte do mundo, caminhamos a passos largos para a autodestruição.

Os animais chamados racionais viveriam melhor espelhando-se nos irracionais.

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Civilidade

11 de abril de 2012

Arthur Virgílio*

Quando FHC visitou Lula no hospital, houve um encontro que marcou o respeito à vida e a solidariedade que deve pairar acima de tudo.

Foi um belo gesto de Fernando Henrique visitar Lula para lhe desejar plena e rápida recuperação. São adversários que já foram aliados: o senador teve inúmeras ocasiões de apoiar o líder sindical inovador que surgia no ABC; este foi figura relevante na primeira campanha eleitoral, em 1978, do seu antecessor na Presidência da República.

A atitude de Fernando não reduz em nada as discordâncias que se acumularam entre ambos. Houve, isto sim, encontro que marcou o respeito à vida e a solidariedade que deve pairar acima de tudo.

Presenciei sessões da Assembleia Nacional portuguesa, para acompanhar o debate quinzenal entre o Primeiro Ministro Passos Coelho e os deputados, com ênfase para a participação dos oposicionistas do Partido Socialista. Diálogos duros que, em nenhum momento, deixam de ser elegantes. É amostra da beleza e da maturidade do sistema parlamentarista de governo.

A campanha eleitoral na França, igualmente, se desenrola em torno de propostas de enfrentamento à crise da Zona Euro, que tem nesse país, a um tempo, um dos seus sustentáculos e um dos pontos mais sensíveis dessa mesma crise. Nicolas Sarkozy e François Hollande disputam, ponto a ponto, a preferência dos cidadãos. A marca, claro, é o nível elevado em que se ferem as discordâncias.

Nos EUA, que se marcam por disputas combativas, percebemos os dois planos da eleição que se aproxima (as primárias do Partido Republicano e a competição entre Barack Obama e o nome que venha a ser ungido por esse partido) caracterizados pela apresentação de propostas que completem o soerguimento da economia, definam ou redefinam a política de defesa e mantenham ou alterem, no que possível seja, a política externa ora praticada.

Entristece-me constatar as chicanas do kirchnerismo, na Argentina, ou a truculência do chavismo, na Venezuela. É contraste evidente entre estágios políticos avançados e práticas da Idade da Pedra.

Aqui mesmo, o pré-candidato petista à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, vem protagonizando cenas entre bizarras e cruéis. Bizarro, por exemplo, é ter acusado o Prefeito Gilberto Kassab de ter colocado em prática determinada ideia “apenas” para lhe tirar uma bandeira e lhe dificultar a caminhada. Cruel é haver declarado que “tem muita gente que torce contra a recuperação do ex-Presidente Lula”.

Opinando assim transmite a impressão de que ele próprio seria capaz de se regozijar com a infelicidade pessoal de um adversário e de que “torce” pela saúde de seu patrono menos por razões humanas e mais para não perder valioso cabo eleitoral.

Nosso processo político, desgraçadamente, ainda permite fraudes, abuso do poder econômico, desrespeito às leis. Assim como ainda convive com primarismos tipo tirar proveito da doença de figuras públicas relevantes.

Que a atitude de Fernando Henrique encontre eco bem amplo e caminhe para se tornar condição sine qua para o exercício da vida pública. O Brasil, que padece de agudos problemas de distribuição de renda, segurança, saúde, educação, infraestrutura, inegavelmente, experimentou avanços econômicos significativos, nas últimas duas décadas.

É, portanto, injusto e desproporcional que certos agentes políticos, à falta de programas factíveis e inteligentes de governo, ainda tentem transformar a luta pelo poder em briga de vizinhos que acaba na delegacia.

*Arthur Virgílio é diplomata e foi líder do PSDB no Senado

Publicado por:  Brasil 247

Dilma tem algo a Temer?

10 de abril de 2012

Jorge Serrão*

A Presidenta Dilma Rousseff está brigada com seu vice Michel Temer. Eis a fofoca fresquinha ouvida na capital federal da arapongagem – onde se escuta, via espionagens fora da lei, tudo o que os políticos falam, até em aparente segredo. Na versão que vaza nos bastidores do Senado, Dilma teve uma discussão séria com seu vice, no primeiro “encontrão” após a recente viagem dela à Índia.

O motivo da briguinha – que não será a primeira e nem a última – ainda não está claro. Escutou-se (e algum fofoqueiro propagou) que Dilma, em um de seus tradicionais ataques de mau humor, engrossou com o vice que lhe teria desafiado, temerariamente, a autoridade. Dilma avisou a Temer aquilo que seria óbvio e nem precisaria de um brado ululante: “Quem manda no governo sou eu”.

Dilma, certamente, acha que nada tem a temer (com ou sem trocadilho infame) se brigar com Michel Temer. Ela avisa que manda e PT saudações. O problema é que a manifestação de Dilma chegou aos ouvidos de peemedebistas da base aliada. Em clima de rebelião, eles andam muito descontentes com os rumos políticos dados aos “negócios políticos” pela “Grande Guerrilheira” (como eles a chamam, jocosamente). Dilma corre risco de sofrer alguma derrota importante em votações que interessam aos esquemas de poder da petralhada.

Apesar das aparências (que sempre enganam), a relação dela com o ex-Lula não anda das melhores. Mas o caldo não deve entornar, publicamente, tão cedo. Mais preocupado em se curar totalmente do câncer e dos efeitos colaterais do tratamento radio-quimioterápico, Lula se vê obrigado a sair mais da cena política do que deseja. Dilma aproveita para imprimir seu tom às decisões governamentais. Diferente de Lula, ela se ocupa muito de questões gerenciais, centraliza muito mais os problemas e soluções, e até pressiona seus ministros com mensagens pessoais de cobranças por e-mail.

Dilma tem uma preocupação urgente com a crise econômica que já lhe invade a porta do gabinete do Palácio do Planalto. De imediato, apela para a marketagem econômica. Mandou o Banco do Brasil e a Caixa baixarem os juros e facilitarem o crédito. Diretamente, dá um recado que o governo exige o mesmo dos bancos privados – que devem seguir a mesma receita, porque, no momento, não convém comprar briga com uma presidenta famosamente intempestiva.

A crise vem. Se será mais grave ou menos grave, eis a permanente dúvida dos analistas. A desindustrialização do Brasil é flagrante. Redundará em muito ou pouco desemprego? Se o Banco Central baixar os juros, em favor da marketagem do governo, haverá fuga dos dólares que vêm pra cá se remunerar na especulação? E se a cotação moeda norte-americana disparar, de repente, e o BC do B não conseguir segurar, o que vai acontecer? E se um fator-surpresa ou interesse externo quiserem desestabilizar a Dilma e seus petralhas para trocar seis por meia-dúzia no trono do Palácio do Planalto?

Dilma tem muito a temer (sem trocadilho infame com o vice que anda de mal com ela e vice-versa). Mas o pirão só tem chance mesmo de desandar se houver algum agravamento de crise econômica – que afete as classes C, D e E – prejudicando, principalmente, aqueles que vivem hoje uma ilusão de “ascensão social” em um País que insiste no pecado mortal de não cuidar dos fundamentos: Educação de verdade, Mais produção, ciência e tecnologia e menos especulação e usura, e uma redução de impostos. Tudo isso sem falar na improvável reforma política – que dificilmente sairá do papel no regime do Governo do Crime Organizado.

Dilma tem muito a temer e a perder. Mais que ela só os brasileiros e brasileiras (para usamos esta categoria sarneyana). Afinal, nosso Brasil desponta na verdadeira “Vanguarda do Atraso” (expressão criada pelo recém-falecido Millôr Fernandes para designar o grande Maranhense que foi Presidente graças à doença do Tancredo Neves e ao golpe militar do General Leônidas Pires Gonçalves).

O bicho vai pegar de verdade quando a crise econômica chegar para valer e a petralhada (dividida em várias facções) tiver de dar seu golpe de misericórdia institucional para se manter no poder. Quem vencer a briga reinará. O problema é: se aos vencedores restarem apenas as batatas podres de um País que sobrevive de ilusões.

*Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog e podcast Alerta Total: www.alertatotal.net  Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos.

Publicado por:  Alerta Total

Virtudes nacionais

8 de abril de 2012

Olavo de Carvalho*

Platão já observava que a degradação moral da sociedade não chega ao seu ponto mais abjeto quando as virtudes desapareceram do cenário público, mas quando a própria capacidade de concebê-las se extinguiu nas almas da geração mais nova. Trezentos jovens insultando duas dúzias de octogenários – eis a imagem daquilo que, no Brasil de hoje, se considera um exemplo de coragem cívica. 

É possível descer ainda mais baixo? É. Nenhum dos agressores se lembrou sequer de perguntar se algum daqueles velhos, a quem cobriam de cusparadas, xingamentos e ameaças, esteve pessoalmente envolvido nos episódios de tortura que lhes eram ali imputados, ou se o único crime deles não consistia em puro delito de opinião.

Militantes de grupos pró-Comissão da Verdade fazem cerco a militar aposentado, durante protesto diante do Clube Militar, no centro do Rio. – Marcos de Paula/AE

Que eu saiba, nenhuma acusação de tortura pesa ou pesou jamais contra aqueles oficiais atacados na porta do Clube Militar. O único acusado, o coronel Brilhante Ustra, não estava presente e foi queimado em efígie. Os outros pagaram pelo crime de achar que Ustra é inocente, que o governo militar foi melhor do que a alternativa cubana ou que as violências praticadas por aquele regime pesam menos do que as suas realizações. Por isso, e só por isso, foram chamados de assassinos e torturadores. 

Não apenas a “coragem” é o nome que hoje se dá à covardia mais sórdida, mas o “senso de justiça” consiste em acusar a esmo, sem ter em conta a diferença que vai entre aplaudir um regime extinto e ter praticado crimes em nome dele. 

Se o simples fato de avaliar positivamente um governo suspeito de tortura faz do cidadão um torturador, então os arruaceiros reunidos na porta do Clube Militar, bem como o seu instigador, o cineasta Sílvio Tendler, são todos torturadores, e o são em muito maior escala do que qualquer militar brasileiro, pelo apoio risonho e cúmplice que, uns mais, outros menos, por ações e omissões, têm dado a regimes incomparavelmente mais cruéis do que jamais o foi a nossa ditadura. 

Essa observação aplica-se especialmente, e da maneira mais literal possível, aos militantes do PC do B, a organização mais representada naquele espetáculo. É o partido maoísta, nascido e crescido no culto a um monstro genocida, estuprador e pedófilo, campeão absoluto de assassinatos em massa, que se zangou com a URSS por achar que o governo de Moscou não era violento e cruel à altura do que o exigiam os padrões da revolução mundial. 

Por todas as normas do direito internacional, a lealdade retroativa a um regime reconhecidamente genocida é crime contra a humanidade. A carga dessa culpa imensurável é a única autoridade moral com que a massa de jovens revoltadinhos se apresenta ante os oficiais das nossas Forças Armadas, acusando-os de crimes que talvez alguns de seus colegas de farda tenham cometido, mas que eles próprios jamais cometeram. 

O sr. Silvio Tendler diz que sua mãe foi torturada. É possível. Mas isso dá a ele o direito de instigar uma multidão de cabeças ocas para que acusem de tortura qualquer saudosista do regime militar que encontrem pela frente? Não entende, esse pretenso intelectual, a diferença entre crime de tortura e delito de opinião? 

Opinião por opinião, pergunto eu: os méritos e deméritos do regime militar brasileiro já foram examinados com isenção e honestidade, em comparação com a alternativa comunista que suas pretensas vítimas lutavam para implantar no Brasil? Os brasileiros que, exilados ou por vontade própria, se colocaram a serviço dos regimes de Havana e de Pequim não se acumpliciaram com uma violência ditatorial incomparavelmente mais assassina do que aquela contra a qual agora esbravejam histericamente? Ou será que os cadáveres de cem mil cubanos, dez mil angolanos e setenta milhões de chineses, assassinados com o apoio dessa gente, pesam menos que os de algumas dezenas de terroristas brasileiros? 

Havana, é verdade, fica longe, Luanda fica ainda mais longe, a China então nem se fala, e o Doi-Codi fica logo ali. Mas desde quando a gravidade dos crimes é medida pela razão inversa da distância em que foram cometidos? 

Também é fato que os mortos de Cuba, de Angola e da China nunca foram manchete no Brasil, mas devemos acreditar, a sério, que a extensão do mal é determinada objetivamente pelo escarcéu jornalístico concedido a umas vítimas e negado a outras por simpatizantes ideológicos das primeiras? 

Essas perguntas, bem sei, não se fazem. Não são de bom tom. Mas, na dissolução geral da própria ideia das virtudes, que senso do bom-tom poderia sobreviver num país cujo presidente se gaba, veraz ou falsamente, de haver tentado estuprar um companheiro de cela, e ainda diz ter saudades do tempo em que os meninos da sua região natal faziam sexo com cabritas e jumentas, se é que faziam mesmo e não foi ele próprio quem os inventou à imagem e semelhança da sua imaginação perversa? E será preciso lembrar que essa mesma criatura, indiciada em inquérito pelo maior esquema de corrupção de que já se teve notícia nesse país, reagiu com um sorriso cínico, alegando-se protegida não pela sua inocência, que nunca existiu, mas pela lentidão da Justiça? 

Será exagero, será insulto criminoso chamar de cafajeste o homem capaz de fazer essas declarações em público? E será insana conjetura suspeitar que esses e outros tantos exemplos da cafajestada oficial, copiados por milhares de incelenças, louvados em prosa e verso por uma legião de sicofantas, repassados com orgulho do alto das cátedras, transfigurados por fim em “valores culturais” e aceitos com sorrisos de complacência entre paternal e servil pelas nossas “classes dominantes”, criaram o modelo de coragem e justiça que hoje inspira os bravos agressores de anciãos? 

*Olavo de Carvalho é ensaísta, jornalista e professor de Filosofia

Publicado por:  Diário do Comércio

Parceria e investimentos

4 de abril de 2012

Marcos Cintra*

A carência de recursos não se limita apenas às necessidades infraestruturais; a deterioração dos serviços públicos, sobretudo nas áreas de educação, saúde e segurança, atinge níveis alarmantes.

A combinação entre o endividamento público, a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e as metas de superávits primários, associadas às despesas legais vinculadas à educação e saúde, gerou um quadro financeiro crítico para o poder público. A disponibilidade de recursos orçamentários para investimentos secou dramaticamente.

A retomada do crescimento da economia despertou para a necessidade de investimentos na expansão e recuperação da base produtiva do País. A carência e a deterioração das matrizes de energia e de transporte colocam em jogo a expansão econômica.

Segundo a Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), a necessidade de recursos para investimentos em infraestrutura no País é estimada em R$ 800 bilhões em um período de cinco anos. São R$ 376 bilhões em petróleo e gás, R$ 141 bilhões em energia elétrica, R$ 120 bilhões em transporte e logística, R$ 98,5 bilhões em telecomunicações e R$ 67,5 bilhões em saneamento.

A carência de recursos não se limita apenas às necessidades infraestruturais. A deterioração dos serviços públicos, sobretudo nas áreas de educação, saúde e segurança, atinge níveis alarmantes, capazes de corroer de modo acelerado a sociedade organizada.

Em suma, o País vive um estágio caracterizado por uma enorme demanda por investimentos em infraestrutura e serviços públicos frente a orçamentos dramaticamente restritivos. Não há mais espaço para impor maior carga de impostos ao contribuinte e a margem para expansão do endividamento é pequena.

Portanto, a questão que se coloca é: como equacionar esse angustiante cenário? Como o País poderia eliminar os gargalos que impedem a economia de crescer e de que forma a crise social poderia ser minimizada?

Mais do que qualquer debate envolvendo aspectos ideológicos, o encaminhamento dessa questão passa pela emergência de um novo padrão de relacionamento entre os poderes público e privado. A saída é a implementação de parcerias entre os governos, em seus três níveis, e as empresas.

Ao setor privado as evidências apontam não apenas para a capacidade técnica, administrativa e gerencial para sua incorporação na produção de bens e serviços a cargo do Estado. Há capacidade produtiva ociosa em busca de realização e liquidez que poderiam ser canalizada para financiar investimentos sob responsabilidade dos governos.

Pelo lado do setor público, desenvolver formas cooperativas de atuação com a iniciativa privada é a saída para a realização dos investimentos necessários. Essa interação se apresenta com enorme potencial para a implementação de projetos voltados à qualificação de serviços prestados pelo Estado e para a provisão de equipamentos sociais.

A convergência de interesses legítimos dos setores governamental e privado se faz necessária para o Brasil implementar os investimentos necessários para qualificar os serviços públicos e expandir a infraestrutura. Vale a tese do economista Vilfredo Pareto, segundo a qual as transações entre dois agentes econômicos ocorrem quando ambos satisfazem seus interesses. Essa ideia precisa ser difundida e deve nortear as ações relacionadas ao desenvolvimento sócio-econômico no País.

*Marcos Cintra é doutor em Economia pela Universidade Harvard (EUA), professor titular e vice-presidente da Fundação Getulio Vargas

Publicado por:  Brasil 247

Eu sou um saudosista da Ditadura!

2 de abril de 2012

Klauber Cristofen Pires*

Leio hoje na capa do jornal “O Liberal”, de Belém, uma matéria cujo título é este: “Manifestantes protestam contra saudosistas da ditadura”.

Como os leitores podem constatar, o autor já manifesta sua adesão a um dos lados pela forma com que redige sua manchete.

Eu protesto praticamente todos os dias, mas nunca joguei um ovo ou cuspi ou dei um pontapé em ninguém, como também jamais sequestrei direitos alheios, como o de ir e vir. Meu protesto é tão civilizado que nem sequer levanto a voz com um “berro de ferro” para não incomodar a quem não quem me ouvir. Eu protesto escrevendo no meu blog, para quem quiser parar aqui e ler.

Se protestar é pagar baderneiros de aluguel para intimidar velhos indefesos, então se faz necessário um novo verbete.

Mas, querem saber? Eu sou um saudosista da ditadura! Pronto, que venham dizer “- Olhem lá o Klauber, o saudosista da ditadura”, e eu acenarei simpaticamente aos que assim me elogiam e aos que contemplarem a cena.

Digo mais: Vou fazer isto com um sorriso de canto a canto e abraçadinho com o Sr Luíz Inácio Lula da Silva!

Ora, se há algo que Lula e o PT não perdoa em relação aos militares é o de estes terem feito tantas coisas que bem seriam a própria bandeira do PT: a criação da SUDAM e da SUDENE, que Lula fez questão de ressuscitar; dos bancos, centrais telefônicas e elétricas estaduais, do PIS/PASEP, e de uma infinidade de outros órgãos públicos.

Nunca fui um fã dos militares no campo econômico e sempre fui um crítico severo deles quanto à guerra cultural que eles abandonaram e privilegiaram o acesso às esquerdas. Todavia,não posso deixar de reconhecer um mínimo, que foi a competência deles em planejar seus empreendimentos estatais e os executarem com uma irritante competência, aos olhos invejosos dos petistas e as siglas moscas que voam ao seu redor.

No mínimo, os militares construíram hidrelétricas que funcionam até hoje! Construíram as maiores do mundo! Enquanto isto, hoje mesmo o Pará foi notícia no programa Bom Dia Brasil por causa do péssimo fornecimento de energia elétrica, com constantes interrupções e uma conta pra lá de cara! A Celpa, empresa privada monopolística de transmissão de energia neste estado, conseguiu ser ultrapassada por sua própria incompetência e atualmwente está em processo de recuperação judicial (antigamente chamado de “concordata”.

No mínimo, os militares multiplicaram várias vezes a malha viária, criando boas rodovias. Enquanto isto, os cidadãos dos municípios cortados pela rodovia Transamazônica amargam intenso sofrimento e prejuízos nos invencíveis atoleiros que os governos que sucederam os militares jamais tiveram o ânimo de asfaltar.

No mínimo, o Brasil chegou a ser o 2º maior fabricante de navios do mundo! Enquanto isto, o governo petista criou uma cruza de empreiteiras com sem-terras para construir um gigantesco emaranhado de ferro que simplesmente não tem condições de flutuar. Parece que o nome com que foi batizado, o líder da revolta da chibata “João Cândido”, veio bem a calhar, digo, a encalhar.

No mínimo, um pai ou uma mãe de família podia ir para o trabalho e voltar para casa com alguma expectativa de segurança! Hoje, 50 mil brasileiros morrem nas mãos de meliantes cantados em prosa e verso e estrelados nos filmes que a Ancine patrocina. 50 mil pessoas que embora torturadas e/ou assassinadas sob a cumplicidade dos que hoje desfrutam o poder, jamais receberão indenização alguma.

No mínimo, as crianças e os jovens iam pra escola para aprender – e aprendiam mesmo(!)– coisas como Matemática, Português, Ciências e Línguas, mas muito mais do que isto, aprendiam a respeitar os mestres, a cuidar do patrimônio público e a serem patriotas. Toda sexta-feira era dia de cantar o hino nacional. Hoje as escolas não passam de bocas de fumo onde os jovens sofrem o assédio sexual da ideologia gaysista e sexualista e onde a única disciplina é a luta de classes marxista.

Eu vivi um pequeno trecho da ditadura, e mesmo assim como criança. Porém, recordo-me muito bem como era o espírito de confiança no país e no trabalho dos adultos. Era algo que não precisava ser anunciado pela propaganda mentirosa do governo, pois estava nos olhos de cada um.

Sim, meus amigos, se tudo devesse acontecer de novo, eu aconselharia aos militares que evitassem a criação de tantos elefantes brancos estatais e que não esmagassem a direita como fizeram, deixando o campo intelectual livre à mão dos comunistas. Fora isto, digo sim: eu sou um saudosista da ditadura!

Publicado por:  Libertatum

As redes sociais

2 de abril de 2012

João Bosco Leal

Apesar de sempre procurar aprender e participar das novas tecnologias que surgem no mercado, muitas coisas deixam de interessar àqueles que já possuem ou já passaram dos cinquenta e muitos – como eu -, que preferem cada coisa em seu devido lugar, como um celular que seja usado para a comunicação oral e não para ficar sendo teclado o dia todo, em diversas outras atividades além da de telefonar.

Os jovens, ao contrário, são capazes de se reunirem em torno de uma mesa e lá ficarem, durante horas, sem se comunicarem entre si, cada um jogando, recebendo ou enviando e-mails, ouvindo músicas através de seu moderno equipamento smartphone iQualquer, ou até mesmo se comunicando, mas com pessoas distantes dali.

Atualmente podemos participar de diversas atividades tecnológicas que sequer eram imaginadas na minha juventude, como programas de controles financeiros, internet, compras em lojas virtuais, pagamentos de contas, e-mails, sites de notícia, de buscas de músicas e de redes sociais.

Através dos diversos programas de comunicação do tipo Voip, como o Skype, nos comunicamos vendo nossos interlocutores, o ambiente onde estão e o que fazem naquele momento, mesmo que do outro lado do planeta.

No Facebook reencontramos pessoas que não víamos, ou de quem não ouvíamos falar a muitos anos, tornando essa ferramenta muito útil, além de divertida. É uma oportunidade valiosa, gratuita e de fácil acesso para todos o que explica sua popularidade mundial.

Alguns insistem em utiliza-la indevidamente, postando propagandas de seus negócios, assuntos nada interessantes como o que comeu ou comerá no jantar ou sobre programas televisivos nada culturais e bastante emburrecedores como o BBB, desvirtuando a finalidade principal do programa que é a de encontrar, rever ou fazer novas amizades, mas isso faz parte de tudo o que é realmente democrático.

Outro ponto interessante que podemos observar é como as pessoas se respeitam, cada um expondo suas ideias, suas preferências musicais ou políticas e mesmo quando existem discordâncias, isso não provoca nenhum tipo de agressividade ou respostas menos educadas. É a maturidade agindo e a democracia sendo exercitada.

Na rede podemos encontrar, ou saber o que ocorreu com pessoas queridas, que a vida afastou de nossos olhos, mas não de nossas mentes ou corações. Como estão, onde moram, se constituíram ou não família, quantos filhos, netos e tudo mais que a curiosidade humana possa nos despertar sobre pessoas de quem mais nada sabíamos.

Amizades e até amores antigos acabam sabendo da história de vida do outro e mesmo aquelas com quem durante a infância ou a juventude tivemos algum desentendimento, agora nos são queridas, pois a maturidade já nos ensinou o que realmente é importante e desavenças juvenis nada mais significam, ou sequer são lembradas.

Sempre é muito agradável o reencontro com essas pessoas, que tomaram rumos distintos, construíram vidas totalmente diferentes das nossas, mas que nos trazem lembranças diversas da nossa história, da nossa vida.

Nesses reencontros, os sentimentos de carinho, afeição e tantos outros, acabam aflorando até mesmo em pessoas de coração menos sensível, mas incapazes de fugir de sua história, seu passado.

Isso provoca uma onda de bons sentimentos nas pessoas, atualmente tão ocupadas com seus compromissos da vida moderna, que não possuem tempo para viver a vida.

O lado negativo dessas redes é que independentemente de se com amigos, parentes, namoradas ou esposas, as pessoas acabam dedicando mais tempo aos relacionamentos virtuais e menos aos reais.

As redes sociais aproximam as pessoas fisicamente distantes, mas afastam ainda mais as que estão próximas.

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Meu coração brasileiro

31 de março de 2012

Eunice Cury

Pura indignação !!!!!!!!

Assim defino hoje meu coração brasileiro, sulmatogrossense.

Ao assistir toda essa parafernália política……… vergonha, medo, assombro habitam meu coração neste momento. Mais que isso até, este coração se espreme num choro povoado de questionamentos.

O que esperar do futuro deste País ? Enquanto nos ocupamos do trabalho sagrado e suado de cada dia, nossos representantes legais se acotovelam tal qual moças pulando para buscar o buquê da noiva ( muito romantismo meu), para ver quem leva mais, para dividir o bolo dos numerários que escorrem por baixo de nossos olhos cegos.

Pior, hoje , tudo que venho presenciando nos ultimos dias no meio de nossos representantes, me lembra os filmes que assistia na minha adolescência, que retratavam as guerras pelo poder entre as famílias mafiosas É vergonhoso, sórdido, tal comportamento.

Hoje me sindo indignada, inconformada por estarmos assistindo a isso inertes, embasbacados, e EU pelo menos, sem nada fazer.

O que aconteceu conosco? Nos acostumamos com a evolução e desconstrução política ?

Mil partidos, idealismo egocêntrico, programas de governo super elaborados , super faturados, população super ocupada, correndo cada vez mas para cuidar de seus compromissos profissionais, familiares, sociais…………

E assim a coisa vai acontecendo: nosso tesouro , nosso país, nosso Brasil, a terra que deixaremos para nossos filhos e netos, abençoada por Deus quanto a natureza bela e calma, um povo dócil e que nunca aprendeu a ser político

Nos acostumamos com a mão do governo em nosso bolso, nos distraimos com o correr para dar conta do recado , o nosso pelo menos. E agora? Em quem vamos votar? quem vamos eleger para governar NOSSO PAÍS ?

Eu particularmente, estou demais estarrecida e tonta de presenciar todo esse festival de horrores em âmbito nacional e estadual.

O que sempre vivenciei em minha casa, os valores que aprendi em meu lar, junto a meus pais e irmãs, ensinamentos que tento passar todos os dias às minhas filhas e equipe de trabalho, me levam a questionar a respeito de como vou cumprir minha obrigação civil nas próximas eleições, sendo que meu coração chora neste momento lágrimas e lágrimas em VERDE e AMARELO.

Pelo exemplo que sempre tive em minha casa, de pai, chefe de família, homem trabalhador e duma probidade inquestionável, e que não enriqueceu ( porque sempre foi honesto e respeitou a sua integridade moral), me questiono e peço aos meus amigos que me ajudem a refletir: EM QUEM VAMOS VOTAR ?

E não adianta alimentar a máquina do VOTAR NO FULANO porque ele vai arrumar um emprego para meu filho, ou porque vai me conceder um cargo de assessor, ou porque….sabe Deus que mais……….

Hoje vou assisitr o horário político para tentar peneirar alguns candidatos que me passem um fiapo de esperança, já que não consigo sair do meu sofá.

Desculpem o desabafo, mas precisava falar.

Publicado por: Recebido da autora por e-mail

Os governos militares

30 de março de 2012

João Bosco Leal

Antes da revolução de 31 de Março de 1964, a travessia entre o Porto Tibiriçá do lado do Mato Grosso e o Porto XV de Novembro do lado de São Paulo era feita por balsas, que transportavam pessoas, veículos e mercadorias. O gado, destinado à engorda nas pastagens do Pontal do Paranapanema ou ao abate nos frigoríficos paulistas – naquela época inexistentes no então estado do Mato Grosso -, era transportado pelas balsas boiadeiras.

Somente no biênio 1953-1954, por esse local atravessaram 400.924 bovinos, 74.029 pessoas, 16.950 veículos e 48.807 toneladas de cargas diversas. Essa movimentação proporcionou uma receita de Cr$ 5.784.100,50 no transporte de animais e de Cr$ 3.880.882,50 no transporte de veículos e cargas, demonstrando claramente a importância econômica e social daquela travessia.

Buscando o desenvolvimento do Mato Grosso e das regiões localizadas ao seu norte, em 22 de Agosto de 1965 o então Presidente General Humberto Castelo Branco inaugurou a ponte Maurício Joppert, ligando o que era final da Rodovia Raposo Tavares na cidade de Presidente Epitácio, do lado de São Paulo, ao município de Bataguassú, do lado do atual Mato Grosso do Sul. Além da ponte de 2.550 metros, essa obra exigiu a construção de um aterro de 10 km de comprimento para complementar os 12,5 Km de travessia de uma área hoje inundada pelo lago da Usina Hidrelétrica Engenheiro Sergio Motta, de Porto Primavera.

Foi assistindo a implantação de obras como essa, por onde atualmente passa grande parte da produção de grãos e de carnes bovinas, suínas e de frangos de MS, MT, RO e AC destinada à exportação, é que durante minha juventude vivi pessoalmente a história dos chamados Governos Militares, que os antes terroristas e exilados políticos atualmente no poder tanto criticam, acusam de tortura e querem julgar criminalmente sem admitirem, nesse caso, também serem julgados por, em nome da sua luta ideológica e revolucionária, tantas vezes terem assaltado, sequestrado e matado.

Por mais que atualmente os atuais dirigentes do país pretendam denegrir sua imagem, foram homens como Humberto Castelo Branco, Arthur da Costa e Silva, Emílio Garrastazu Médici, Ernesto Geisel e João Batista de Figueiredo que impediram a instalação no país do regime político comunista por eles pretendido e que resultou, onde foi implantado, no que ainda pode ser visto na sua tão querida e admirada Cuba: país um atrasado, de dirigentes assassinos e de um povo que de lá só pretende fugir e na Venezuela do “companheiro” Hugo Chávez.

Foi quando administrado por homens patriotas como eles que o Brasil construiu nossas maiores rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, hidrelétricas e linhas de transmissão de energia que possibilitaram nosso crescimento até aqui e criou empresas como a Companhia Siderúrgica Nacional, a Petrobrás e a Vale do Rio Doce, até hoje as maiores do país.

Foram eles que impediram a tomada do poder pelos radicais de esquerda e após terem preparado o país para o desenvolvimento com a criação de toda a infraestrutura necessária, permitiram que esses terroristas fugitivos e exilados voltassem e fossem livremente reintegrados à vida social, a ponto de muitos estarem hoje ocupando os mais altos cargos políticos do país.

Após o afastamento dos militares do governo, nenhuma obra importante para o desenvolvimento do país foi realizada e pela incompetência dos governos posteriores até para a simples manutenção das realizadas, ocorreu um sucateamento de tudo o que antes já havia sido foi feito, como pode ser facilmente constatado pelo estado de conservação de nossas rodovias, dos constantes apagões de energia, da hoje pequena capacidade de nossos portos e das declarações dos próprios ministros do atual governo, de que o país não possui infraestrutura energética, de transporte e de portos necessária para um crescimento superior a 5% ao ano.

Entretanto, jamais ocorreu um pronunciamento sequer – mesmo partindo dos antigos terroristas hoje no poder-, acusando de enriquecimento ilícito qualquer dos militares que governaram e tanto fizeram pelo país, como diariamente a imprensa noticia estar ocorrendo com muitos dos atuais membros dos Três Poderes Constituídos.

Contrastando com os governos militares, os antigos terroristas que hoje governam o país, além de administrativamente incompetentes, saqueiam ou permitem que o país seja saqueado por seus cúmplices.

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