Posts com as Tags ‘Educação’

Aprender a empreender

3 de fevereiro de 2012

Mara Sampaio* 

As escolas prepararam nossos jovens para conviver bem neste mundo atual?

Estamos num contexto virtual caracterizado por incertezas e mudanças constantes, um mundo com novas pessoas, novos valores, novas formas de trabalho e relacionamento.

Para lidar com o novo é necessário uma nova educação. As salas de aula atuais são lugares pouco atraentes, diferente do que acontece no mundo real.

A educação escolar ainda tem o foco no ensino e não na aprendizagem. Privilegia o conhecimento do professor e não a experiência do aluno.

Reforça a postura passiva e não estimula a iniciativa. Está na hora da educação fazer tudo ao contrário.

Aprender é natural e prazeroso. É um processo fundamentalmente individual, cada um tem um ritmo e uma forma de aprender diferente.

As pessoas são capazes de aprender sempre, aos sete e aos setenta anos. Aprender é humano, as crianças possuem uma capacidade infinita de aprendizagem, a cada minuto adquirem uma nova forma de agir com relação ao seu mundo.

Adoram explorar o ambiente, fazer descobertas e perguntar. As perguntas são essenciais para aprender. Esta deve ser a primeira mudança que os professores podem fazer na sua sala de aula, deixar de ensinar a resposta e estimular os alunos a fazerem perguntas.

A segunda é garantir a individualidade do aprendizado. Deixar a diversidade se fazer presente no ambiente escolar. Ninguém é igual a ninguém.

Aprender a perguntar é o caminho poderoso para encontrar novas formas de agir, novas soluções que serão mais adequadas ao mundo atual. Cada um descobrirá sua própria resposta. O foco está na diferença.

Aprender é um processo com um propósito, deve ter um significado pessoal. Só aprende quem está envolvido e comprometido.

O aprender não esta só relacionado à mente, está também ligado aos sentimentos e à vontade. Aprende-se com o corpo inteiro.

A escola pode ajudar os jovens a descobrir seu potencial e se preparar para um futuro incerto criando um ambiente que desenvolva suas habilidades pessoais, sua criatividade e principalmente a autoconfiança.

Os professores de hoje podem não saber como será o mundo daqui a dez anos, mas podem preparar seus alunos a acreditar na suas habilidades de enfrentar os desafios e ter senso de responsabilidade com suas conquistas.

Existem muitos educadores inspirados que criam estratégias interessantes para romper com um modelo padronizado da sala de aula. Algumas escolas utilizam metodologias fabulosas.

Apostam em professores criativos e independentes. Estimulam nos alunos a criação de projetos e metas pessoais, promovem oficinas de ideias e invenções, incentivam as atividades fora da escola como estágios e serviços comunitários, valorizam a ação e o talento.

Focam no aprender a empreender por isso são diferentes. São experiências excepcionais até chamadas de “revolucionárias” por apostarem em métodos contrários ao sistema educacional vigente.

Nossas escolas ainda formam a juventude para desejar um emprego público ou um cargo de executivo numa grande empresa.

Ao contrário do ensino convencional que educa para a estabilidade que já não existe mais, aprender a empreender é uma forma de desconstruir as respostas prontas do presente e apostar na criatividade dos jovens em investir nos próprios empreendimentos e construir seu próprio futuro.

*Mara Sampaio é psicóloga e especialista em cultura empreendedora

Publicado por:  Brasil Econômico

Presidente Dilma, a senhora não tem vergonha?

3 de fevereiro de 2012

João Bosco Leal

Sim “Presidente”! Uso esta palavra porque estudei em ótimas escolas públicas, que já não existem mais, e nelas, como todos aprendíamos, independentemente do sexo de quem o exercia, essa é a palavra certa para esse cargo, apesar da senhora ter tentado, no início de seu governo, por mero capricho, ser chamada de Presidenta.

Os puxa-sacos de plantão – apesar de saberem que a palavra presidente é um substantivo de dois gêneros, válida tanto para o masculino quanto para o feminino – até tentaram ajudá-la a mudar a nossa língua, mas não conseguiram, pelo menos não na prática, pois, por coerência, teríamos que começar a chamar uma pedinte de pedinta e assim por diante. Mas os novos “doutores”, Presidente, estão saindo das centenas de universidades particulares sem sequer saberem conjugar corretamente os verbos empregados no seu teste para o primeiro emprego.

Nunca votei e jamais votarei em alguém do seu partido político e menos ainda em uma pessoa com o seu passado, pois as ideias defendidas por seus “companheiros” já foram desmoralizadas em todo o mundo, inclusive pelo ditador e assassino Fidel Castro, de Cuba, onde a senhora esteve agora. As ditaduras de esquerda só destruíram países e populações, com a ideia utópica de estatização geral e de que o Estado supriria a todos igualitariamente.

Mas este não é o tema central que pretendo abordar aqui. O meu questionamento refere-se ao fato amplamente noticiado de que em sua viagem a Cuba, o Brasil emprestou dinheiro àquele país.

Em sua volta não deve ter sentido nenhum problema de aterrissagem com seu avião, pois como Presidente teve o espaço aéreo temporariamente bloqueado para que o fizesse sem demora ou riscos. Mas não foi o que ocorreu com os outros brasileiros que naquele momento estavam voando com o mesmo destino e que por incapacidade do aeroporto já estavam circulando sobre a cidade esperando sua vez de aterrissar.

Já em nosso solo, mudou de aeronave e, de helicóptero, dirigiu-se tranquilamente à sua residência oficial, pois, caso contrário, teria sentido na pele o que é transitar pelas ruas e estradas brasileiras, todas esburacadas ou repletas de remendos de péssima qualidade, pois a diferença de dinheiro entre o bom e o mau produto teve de ser repassada aos corruptos de seu governo.

No período noturno, quando todos deveriam descansar, teria passado defronte a um posto de atendimento ou a um hospital conveniado do SUS, e visto filas enormes, com mães segurando filhos doentes no colo, esperando o dia amanhecer para, se tiverem muita sorte, conseguirem pegar senhas para serem atendidas naquele dia. Saberia, pela imprensa, que alguns morreram nessas filas, sem sequer chegarem a ser atendidos.

Determine, senhora Presidente, que lhe seja reservado, em rede nacional, um horário nobre da televisão brasileira, para que explique aos brasileiros que pessoas diagnosticadas com doenças graves esperam meses na fila para serem operadas porque o país não possui recursos suficientes para suprir sua população com o atendimento médico necessário, mas pode oferecer dinheiro emprestado ao Mercado Comum Europeu para sanar suas dívidas e emprestar dinheiro para Cuba.

Explique aos brasileiros, Presidente Dilma, porque todos os anos brasileiros morrem soterrados nas encostas dos morros em diversos estados, porque o governo não possui dinheiro suficiente para lhes financiar, com juros subsidiados, moradias dignas, construídas em locais seguros.

Que a educação brasileira é de péssimo nível porque o país não possui verbas suficientes para preparar melhor os professores e lhes pagar salários dignos, de quem tem a responsabilidade de ensinar aos que serão o futuro do país, mas pode construir uma embaixada brasileira em Tuvalu e perdoar dívidas de países africanos em troca de votos para conseguir um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU como queria seu antecessor.

Explique coisas simples assim à população brasileira, Presidente Dilma, ou a senhora tem vergonha?

Publicado por: A Crítica ; Blog do Meireles ; Central Blogs ; Dourados News ; Eduardo Homem de CarvalhoJornal Bandeirantes News ; Libertatum ; NikyinO Cão Que Fuma ; Pedro da Veiga ;  Políticos, Partidos Políticos e Ideologias ; Prosa & Política ;  Saboeiro Existe ; Terra VivaToninho CarlosTribuna do Povo ; Tudo do MS ; Web 10 ;

Classe média, valores e política

31 de janeiro de 2012

Denis Rosenfield*

Há um evidente descompasso entre a realidade socioeconômica do País, com o aparecimento de novos valores, e os partidos políticos, presos a concepções ultrapassadas ou a práticas carentes de qualquer princípio. Acrescente-se ao contexto vigente a inteligência do governo em levar adiante uma política de tornar o Brasil um país de classe média, para que se tenha uma visão mais abrangente do quadro social e político que se delineia. 

As transformações sociais e econômicas dos últimos anos, fazendo emergir uma nova classe média, com novos valores e aspirações, estão mudando o cenário nacional. 

A dita classe C emergente já não é mais a clientela do bolsa-família que vive de benesses e dons do Estado, mas um grupo social que vive do seu trabalho, esforço, baseado em sua liberdade de escolha e no mérito daquilo que faz. Aspira a ter um maior espaço próprio de decisão, procurando progredir na vida e fornecer aos seus um padrão mais digno de vida. 

Isto implica aspirações como moradia própria, um carro, eletrodomésticos, mas, também, progressivamente, viagens turísticas, internet, computadores, aparelhos celulares, inclusive smartphones, IPad, entre outros. 

Uma pessoa que começa a ascender socialmente busca igualmente serviços de outro tipo como educação e planos de saúde particulares. Almejam formar os seus filhos, não mais em escolas públicas de baixa qualidade, mas em escolas particulares de qualidade que lhes reservem um futuro mais promissor. 

As filas do SUS querem ver pelo espelho, como um passado ao que não planejam retornar. 

Os valores que traduzem essa nova situação social já não são mais os que se veiculam a uma dependência do Estado. Posicionam-se contra a carga tributária, pois essa lhes retira recursos que poderiam ser mais bem aproveitados por eles mesmos. Valores que passam, então, a ser mais prezados são a liberdade de escolha, o direito de propriedade, o mérito, a autonomia e a recompensa do esforço próprio. São muito menos afeitos aos valores da dependência, da subordinação e do clientelismo, como esses emergem em um programa como o bolsa-família. 

O governo Dilma está perfeitamente ciente dessa situação, o que se traduz pela formulação da presidente da República de que tem como objetivo fazer do Brasil um país de “classe média”. O seu discurso já não é mais o lulopetista dos “trabalhadores contra as elites”, dos oprimidos contra os opressores, dos pobres contra os ricos, em uma reprodução, empobrecida, do discurso e da concepção marxista da luta de classes. Há uma mudança de concepção propriamente dita, voltada para essa “nova classe média” e, logo, para os seus valores. 

Uma nova classe média veicula, por exemplo, no que diz respeito a valores, uma concepção tradicional da família, assim como uma valorização da religião em seus moldes clássicos, desvinculada das tendências esquerdizantes ainda em voga na Teologia da libertação e nas pastorais da Igreja Católica. 

Preza igualmente a segurança física e a jurídica, lutando pela preservação de sua integridade física e de seus bens, manifestando pouquíssima tolerância para com a criminalidade, sendo, na verdade, uma de suas primeiras vítimas. 

Note-se que o governo Dilma, nesse quesito, está se distanciando bastante do governo de seu predecessor, que tinha como foco a clientela do bolsa-família e dos “deserdados”, não perdendo a ocasião em estigmatizar as elites, com as quais, fora do palanque, se compunha perfeitamente. Quisera aqui ressaltar uma mudança de concepção e de valores em curso entre os dois governos, a criatura não seguindo o criador. 

Se o ex-presidente Lula mantinha um discurso, divorciado, aliás, de seu “neoliberalismo” na condução da política macroeconômica, esquerdista, alicerçado na história e tradição de seu partido, tal não é o caso da presidente Dilma. Se tivesse de usar um linguajar marxista diria que o governo petista é cada vez mais “pequeno burguês” e menos “revolucionário”. 

O PT defronta-se com um dilema. Doutrinariamente, representa-se ainda como um partido socialista, fazendo abundante uso de conceitos marxistas. 

Nos últimos anos, apesar de seus sucessivos governos, não produziu nenhuma revisão doutrinária. Convém aqui observar que não se trata, apenas, de um problema de pragmatismo, embora também o seja, mas um problema de concepção que envolve valores. Na verdade, o governo petista é “pequeno burguês”, convivendo esquizofrenicamente com uma ideologia “revolucionária”. 

Pelo andar da carruagem, o governo Dilma está não só pragmaticamente enfrentando esse dilema, adotando equacionamentos técnicos dos problemas, mas segundo uma linha de valorização da classe média, devendo se adequar aos seus valores e aspirações. Acrescentará ao eleitorado já cativo do bolsa-família, o novo da nova classe média. 

Note-se que o prestígio pessoal da presidente Dilma e de seu governo está se deslocando, consoante com essa situação, para as regiões Sudeste e Sul. Um quadro desse tipo se traduzirá muito provavelmente por condições muito boas de reeleição quando do pleito de 2014. 

Os setores mais radicais do partido, queiram ou não, deverão se adequar cada vez mais a essa situação, sendo obrigados a abandonar suas bandeiras mais tradicionais, inclusive via distanciamento de movimentos sociais. O ganho, no entanto, será grande, traduzindo-se pelo crescimento partidário e por posições cada vez mais importantes de apropriação do aparelho estatal. 

A questão mais importante, principalmente para os partidos de oposição, consiste em como dar resposta tanto ao governo Dilma como às aspirações e valores de uma nova classe média. 

Poder-se-ia mesmo dizer que esses novos valores, ao se afastarem dos valores tradicionais petistas, criariam uma situação política propícia a esses partidos, não fosse o fato de o governo Dilma já

ter se adiantado, vindo a encarnar esses valores. Acrescente-se, ainda, a incapacidade das oposições em se posicionaram, continuando presas a esquemas que não expressam essa nova configuração econômica, política, social e, sobretudo, ética, relativa aos valores. 

*Denis Lerrer Rosenfield é professor de Filosofia na UFRS

Publicado por:  Diário do Comércio

Os falsários

31 de janeiro de 2012

Maria Lucia Victor Barbosa

Num cacoete stalinista para manter a fachada de esquerda, os petistas se tornaram falsários praticantes. Em dossiês visando acabar com a reputação de adversários, a intriga e a mentira se tornaram suas armas prediletas, em que pese não terem dado nenhum resultado. Os responsáveis pelos falsos documentos são figuras importantes da República Sindicalista, amigos íntimos do ex-presidente, Lula da Silva, ou da atual presidente, Dilma Rousseff. Nada lhes aconteceu e continuam tranquilamente desfrutando as delícias do poder em altos cargos, uma vez que o PT paira acima da lei.

O primeiro ano de Dilma Rousseff, na verdade uma continuidade do governo Lula da Silva, foi um vazio de promessas de campanha não cumpridas e de novas promessas que dificilmente se concretizarão. Em 2011, a única coisa que aconteceu por obra de parte da imprensa foi a queda de sete ministros, sendo que seis foram acusados de corrupção. De fato, deveriam cair não sete, mas doze ministros, pois sobre mais cinco foram levantados pela imprensa fortes indícios de corrupção. Entretanto, os cinco devem ser mais companheiros que os outros, pois permaneceram firmes e fortes em seus cargos. Que farsa!

Apesar do aumento da inflação e da inadimplência, recente pesquisa Datafolha mostra que 59% dos brasileiros consideram a gestão Rousseff ótima ou boa, um recorde com relação aos presidentes anteriores e ao próprio Lula. Nosso povo está cada vez mais otimista no tocante ao futuro e enquanto der para comprar a felicidade em suaves e longas prestações em lojas de departamentos, aumentarem as bolsas esmola e os lucros dos companheiros do andar de cima, a aprovação da presidente tende a aumentar. Afinal, a farsa que induz à crença na ilusão é necessária ao psiquismo coletivo.

Na esteira de farsas e fraudes começam a despontar os candidatos às prefeituras nesse ano eleitoral. Lula da Silva, certamente entusiasmado com o êxito de sua afilhada política e desejando dominar politicamente São Paulo, impôs ao seu partido a candidatura do ministro da Educação, Fernando Haddad, à prefeitura. Como ministro da Educação Haddad foi reprovado no Enem, pois não acertou nenhum. Adotou um livro que ensina crianças a falarem errado, porque “pobres falam e escrevem errado”. Ninguém objetou que falar e escrever errado em concursos para obter melhores empregos prejudica tanto pobres quanto ricos, ou seja, Haddad instalou no Brasil a democracia do atraso onde todos são iguais na ignorância. Outro livro adotado no seu ministério ensinou que 10-7=4. Algo inédito no mundo inteiro. O Brasil é o máximo, mudou até a matemática. Outra façanha do candidato de Lula da Silva, mas que acabou não se realizando por conta da interferência de deputados evangélicos foi o chamado “kit Gay”, que em nome de acabar com o preconceito contra homossexuais influenciava a opção sexual de crianças desde a mais tenra idade numa clara e abusiva interferência estatal sobre a liberdade individual.

Com relação aos direitos humanos somos campões da farsa, pois o governo petista defende e abriga assassinos e terroristas do quilate de Cesare Battisti e de membros das FARC, sem falar nos apaniguados de Mahmoud Ahmadinejad que vivem sem problemas entre nós, como já foi ventilado pela imprensa.

Ahmadinejad esteve recentemente em países latino-americanos em busca de apoio político e econômico diante das sanções norte-americanas e européias. Na Venezuela, o boquirroto e megalômano Hugo Chávez mencionou bombas e mísseis, contra os Estados Unidos, naturalmente. Ahmadinejad retrucou que “o combustível dessas bombas é o amor”. Piada tão ridícula quanto a teoria conspiratória de Chávez que atribuiu aos norte-americanos seu câncer e o de outros companheiros. Não mencionou que os imperialistas falharam miseravelmente no caso de Cristina Kirchner.

Ahmadinejad desta vez não veio ao Brasil abraçar o querido companheiro, Lula da Silva, mas nosso embaixador em Teerã, Antonio Salgado, defendeu o iraniano dizendo que aquela sua famosa e abjeta frase, “varrer Israel do mapa”, tantas vezes pronunciada, foi mal compreendida. Entretanto, a intenção de tal varredura pode não ser retórica, visto que o material produzido em bunker no Irã pode se tornar material físsil para ogivas.

Em 23 de fevereiro de 2010, um Lula eufórico e sorridente caiu nos braços dos irmãos Castro, enquanto esfriava no caixão o corpo de Orlando Zapata Tamayo. Este morreu depois de ter sido torturado nas masmorras cubanas e enfrentado uma greve de fome. Tamayo pedia condições mais humanas para os demais encarcerados e liberdade para seu país.

Dilma Rousseff irá à Cuba no próximo dia 31. Dia 19 morreu Wilman Villar, que protestava com greve de fome contra a violação dos direitos humanos em Cuba. Não era um bandido, como se referiu Lula com relação aos presos políticos cubanos que fazem greve de fome, mas outro mártir e herói que deu a vida pela liberdade.

Rousseff, a exemplo de seu mestre em política, em breve estará em Cuba para abraçar e beijar o sanguinário déspota, Fidel Castro. Decididamente, direitos humanos à moda petista não passam de uma grande farsa.

Publicado por:  Ucho.info

O jeitinho que mata

31 de janeiro de 2012

 

Luís Henrique Neves Gonzaga Marques*

Malgrado o tema esteja sempre presente no nosso cotidiano, escrever sobre propina, parcialidade, enriquecimento ilícito, favorecimento, nepotismo, ou qualquer outro tipo de improbidade, se tornou clichê. A previsibilidade é a alma da monotonia. A repetição de acontecimentos pútridos não surpreende como antes. Ninguém quer ler, escutar ou ver o que está acontecendo.

É certo que nas próximas semanas algo desprezível acontecerá e tomará conta dos noticiários. É tão certo quanto ganhar presentes no natal e ovos de chocolate na páscoa. Passa ano, entra ano e o Brasil inteiro sabe o que vai acontecer. De um lado, deslizamentos de terra, enchentes e dengue. Do outro, sede, fome e prejuízos agrícolas incalculáveis. Períodos avassaladores de chuva e estiagem já fixaram residência no país. E ninguém os incomoda. São invioláveis.

Antes, o cenário era totalmente preenchido por desvios inescrupulosos de dinheiro público, destinados à prevenção e à repressão de tragédias causadas pela força da natureza. Agora, há autoridades estatais distribuindo desproporcionalmente as verbas oriundas do sacrifício diário do povo brasileiro, privilegiando seus estados de origens da mesma forma que privilegiam amigos e parentes na máquina pública. Nunca antes na história desse país, os políticos foram tão egoístas. São eles os verdadeiros culpados por tantas mortes nos mais diversos cantos da nação. É um mar de imoralidades. Os pilares do estado estão oxidando. As políticas públicas brasileiras, alicerces da ordem e do progresso, estão desmoronando.

É o “jeitinho brasileiro” matando e fazendo o povo sofrer. Não há nada mais desprezível na cultura brasileira do que esse hábito malandro que permeia todas as classes sociais. É a fonte do câncer. É a raiz de todos os problemas. O povo faz seu próprio gargalo. Até em típicas brincadeiras infantis como o “esconde-esconde” a índole trapaceadora se faz presente. Quantas crianças não aprendem desde a mais tenra idade a pular os números enquanto contam? Exemplo bobo, mas de extrema utilidade para explicar o funcionamento das engrenagens da corrupção.

Não adianta formar equipes brilhantes de economistas, realizar reparos substanciais em leis, fiscalizar detidamente os gastos e perseguir metas inflacionárias enquanto a sangria política e social continua manchando e despigmentando nossas vitórias. É como enxugar gelo. Não é pessimismo. É a realidade. A mentalidade tem que mudar imediatamente. A escuridão vem a galope. O alerta está soando para todos.

* Acadêmico de Direito

Publicado por:  Zero Hora