Posts com as Tags ‘Distrito Federal’

Joaquim Roriz protocola recurso contra decisão do TSE

4 de setembro de 2010

Correio Braziliense 

O ex-governador Joaquim Roriz (PSC) fez nova tentativa para continuar concorrendo ao pleito de outubro. Por volta das 16h10 desta sexta-feira (3/9), o postulante ao Palácio do Buriti protocolou recurso contra a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que barrou sua candidatura ao Governo do Distrito Federal (GDF). Na última terça-feira (31/8), seis ministros do TSE enquadraram Roriz na Lei da Ficha Limpa por ele ter renunciado ao cargo de senador, em 2007.

Coligação de Roriz, Esperança Renovada entra com recurso no TSE Mais cedo, a Coligação Esperança Renovada, de Roriz, protocolou recurso contra a mesma decisão. O Ministério Público Eleitoral (MPE), que deu entrada na ação no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), terá a oportunidade de se manifestar mais uma vez em relação ao tema. Depois disso o processo segue ao Supremo Tribunal Federal (STF), instância máxima do Poder Judiciário.

Não há prazo estabelecido para os magistrados do STF darem a palavra final sobre o assunto. Enquanto isso, Roriz pode continuar a campanha eleitoral. “Acredito que até semana que vem o recurso vá para o Supremo”, estima o advogado do candidato, Eládio Carneiro.

Publicada:  Correio Braziliense

 

TSE julga recurso contra impugnação de Roriz nesta terça-feira

31 de agosto de 2010

Correio Braziliense

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) agendou para esta terça-feira (31/8) o julgamento do recurso do candidato a governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz (PSC). Ele busca contornar a decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-DF) que vetou o registro de sua candidatura.

No dia 4 de agosto, os juízes eleitorais negaram por quatro votos a dois o registro da candidatura de Roriz, com base na Lei da Ficha Limpa.

A ação de impugnação do pedido de registro da candidatura de Roriz teve três autores: o Ministério Público Eleitoral, o Partido Socialismo e Liberdade (PSol) e Júlio Cárdia (PV). A alegação era de que o candidato teria renunciado ao cargo de senador, em 2007, para fugir de cassação.

Memória

Em 28 de junho de 2007, o PSol apresentou representação contra o então senador Joaquim Roriz (na época no PMDB) no Senado Federal. O partido se baseou no vazamento de uma conversa telefônica, interceptada pela Operação Aquarela, na qual o ex-governador tratava com o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Tarcísio Franklim de Moura sobre a partilha de um cheque de R$ 2,2 milhões, emitido pelo empresário Nenê Constantino.

A alegação do PSol foi de suspeita de negócios espúrios envolvendo o ex-governador. Para fugir de uma possível cassação, devido a um clima político desfavorável a ele, Roriz deixou o mandato em 4 de julho do mesmo ano. Segundo o ex-governador, a conversa particular tratava de um empréstimo pessoal para a compra do embrião de uma bezerra.

Publicada por:   Correio Braziliense

Para procurador-geral eleitoral, Roriz deve ser barrado pela Ficha Limpa

26 de agosto de 2010

Estadão

Candidato ao governo do Distrito Federal renunciou ao mandato de senador em 2007 para fugir de um processo de cassação

Carol Pires, estadão.com.br

BRASÍLIA – O procurador-geral eleitoral, Roberto Gurgel, se posicionou contrário ao registro de candidato de Joaquim Roriz (PSC) ao governo do Distrito Federal, em parecer enviado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta quarta-feira, 25.

Joaquim Roriz teve a candidatura barrada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Distrito Federal com base na Lei da Ficha Limpa. Ele renunciou ao mandato de senador em 2007 para fugir de um processo de cassação. Roriz era acusado de recebimento de propina e se fosse julgado culpado pelo Senado poderia perder os direitos políticos. De acordo com a lei da Ficha Limpa, quem renuncia para fugir de processo disciplinar fica inelegível por oito anos.

Em recurso ao TSE, os advogados de Roriz alegam que, enquanto senador, sequer foi notificado sobre a abertura de processo disciplinar contra ele. “A renúncia em 2007 era um ato lícito e não teria sido praticada se o autor [Roriz] tivesse a percepção extra-sensorial que três anos depois seria ilícita”, afirmou o advogado dele Pedro Gordilho, durante o julgamento do caso no TRE, no último dia 4. Ainda segundo a defesa de Roriz, a lei não pode retroagir para prejudicar o réu.

Roberto Gurgel rebate, porém, que a lei da Ficha Limpa não tem como objetivo penalizar o réu, mas sim “a proteção da coletividade, a preservação dos valores democráticos e republicanos”. “A lei foi editada antes mesmo da realização das convenções e está sendo aplicada a registro de candidatura posterior a sua entrada em vigor, e não a registro de candidatura passada”, diz no parecer.

Ainda segundo Gurgel, ao renunciar o mandato, o que Roriz “realmente pretendia era preservar sua capacidade eleitoral passiva, com vista ao próximo pleito, pois, se cassado seu mandato, ficaria inabilitado para o exercício de cargo público, pelo prazo de oito anos”.

Enquanto o TSE não julga o recurso de Roriz, ele pode continuar em campanha.

Publicada por:    Estadão

Relatório da PF qualifica Arruda e aliados como integrantes de organização criminosa

25 de agosto de 2010

Corrreio Braziliense 

Débora Álvares

O relatório da Polícia Federal sobre a Operação Caixa de Pandora aponta o ex-governador José Roberto Arruda (sem partido) como chefe de uma organização criminosa responsável pelo esquema de corrupção que envolveu o alto escalão do Governo do Distrito Federal. Parte do relatório, divulgado pelo jornal “O Estado de São Paulo”, enquadra Arruda e seus aliados nos crimes “formação de quadrilha” e “corrupção passiva”.

Segundo a reportagem, o documento destaca que “José Roberto Arruda encabeçava uma organização criminosa voltada à captação de dinheiro bancado por empresas contratadas”. A reportagem do correiobraziliense.com.br entrou em contato com a Polícia Federal, mas a instituição não confirma nem desmente o conteúdo do documento divulgado pelo “Estadão”. Apesar disso, a assessoria de imprensa garante que o relatório em questão não vazou pela PF.

Saiba mais…
Após nove meses, envolvidos na Operação Caixa de Pandora podem ser punidos
Intevenção federal entra na pauta de julgamentos do STF desta semana
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Confira vídeos que desencadearam a Operação Caixa de Pandora

O inquérito com a análise de depoimentos e documentos recolhidos foi concluído na última semana. O material, agora, está no Ministério Público Federal (MPF), mas não há prazo para a subprocuradora, Raquel Dodge, terminar sua análise. Ela pode pedir mais alguma investigação sobre o caso antes de entrar com ação penal contra pessoas que se beneficiaram e promoveram um dos maiores esquemas de corrupção do país.

A reportagem do Correio entrou em contato, também, com a Procuradoria-Geral da República (PGR) mas, assim como a PF, a instituição destaca não saber detalhes do relatório e que não pode, portanto, confirmar seu conteúdo. Segundo a assessoria de imprensa, a subprocuradora responsável pelo inquérito ainda não terminou sua análise e, somente após isso, poderia haver uma divulgação do documento.

Entenda a Operação

Com a operação Caixa de Pandora, deflagrada em 27 de novembro de 2009, pela Polícia Federal, veio à tona o maior escândalo política que Brasília já viveu. A ação investigou um suposto esquema de distribuição de recursos ilegais à base aliada do Governo do Distrito Federal, na época chefiado pelo governador cassado José Roberto Arruda.

O delator do suposto esquema de corrupção, o ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, entregou à PF vídeos em que membros do governo, à ápoca, aparecem recebendo propina. Ele aceitou colaborar em troca de uma punição mais branda em outro caso de corrupção, revelado pela Operação Megabyte, ainda na gestão de Joaquim Roriz. Barbosa gravou cerca de 23 vídeos.

Raquel Dodge já ajuizou duas denúncias contra o governador cassado, José Roberto Arruda. Em uma delas, o ex-governador e outras cinco pessoas são acusados de tantar comprar uma testemunha, o jornalista Edson Sombra. O crime culminou na prisão preventiva que manteve Arruda na encarcerado por dois meses – entre fevereiro e abril. Ele também foi denunciado por falsificação de documento. A ação se refere aos recibos que atestariam recebimento de dinheiro do ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa como doação para compra de panetones para pessoas carentes.

Publicada por:   Corrreio Braziliense

Justiça Federal condena Roriz a devolver R$ 7,1 milhões à União

24 de agosto de 2010

Estadão

Juiz diz não haver dúvidas de irregularidades na compra de equipamentos para o Corpo de Bombeiros do DF; caso não cai na Lei da Ficha Limpa

Agência Brasil

O ex-governador do Distrito Federal (DF) Joaquim Roriz (PSC) foi condenado pela Justiça Federal a devolver R$ 7,1 milhões à União, após terem sido constatadas irregularidades na compra de equipamentos para o Corpo de Bombeiros do DF. De acordo com o juiz Itagiba Catta Preta Neto, da 4ª Vara Federal, “não há dúvida” sobre as irregularidades praticadas pelo ex-governador, que novamente é candidato ao Palácio do Buriti.

“É uma ação bastante antiga que agora tem condição de ser julgada. Não tenho nenhuma dúvida sobre as irregularidades cometidas, e falo isso tendo por base um conjunto probatório bem longo, detalhado e embasado, que inclui muitos documentos e audiências com testemunhas”, disse o magistrado.

O negócio envolvia um volume de R$ 70 milhões para a compra de equipamentos de segurança para o Corpo de Bombeiros – com dispensa ilegal de licitação e sob suspeita de direcionamento e superfaturamento. Entre os equipamentos que seriam adquiridos estavam dois carros de bombeiros que não foram entregues.

“Mais de uma empresa está envolvida no caso. Uma delas é multinacional”, acrescentou o juiz. Segundo ele, não existe a menor possibilidade de a condenação causar qualquer tipo de entrave para Roriz no que se refere ao processo eleitoral que se aproxima.

O tribunal aguarda o recurso do ex-governador. Ele tem o prazo de 15 dias, contados a partir da publicação da sentença, para recorrer. Depois, o processo retornará à 4ª Vara para que uma análise formal seja feita, a fim de verificar se houve ou não alguma irregularidade ou perda de prazo.

Um novo prazo de 15 dias será dado então a todas as partes envolvidas: o deputado distrital Chico Vigilante (PT), que protocolou em 2004 a Ação Popular que resultou no processo; a União, que representará a Controladoria-Geral da União (CGU), órgão que apresentou o relatório que serviu de base para a Ação Popular; e o Governo do Distrito Federal, que representa o Corpo de Bombeiros.

“Como o Corpo de Bombeiros não tem pessoa jurídica, ele será representado pelo GDF, que tem um prazo maior – de 30 dias – para se manifestar”, esclarece o juiz. “Dessa forma, o processo só deverá retornar ao tribunal [para que a decisão seja tomada] após as eleições. Portanto, não existe a menor possibilidade de atrapalhar a participação de Roriz no processo eleitoral”, acrescentou.

Ele explica que esse caso não deverá ser relacionado à Lei da Ficha Limpa. “Ela [Lei da Ficha Limpa] pressupõe condenação por colegiado [tribunal], o que não é o caso”, disse o magistrado.

Publicada por:  Estadão

Mais de 14 mil proposições aguardam deliberação dos deputados na Câmara Federal

24 de agosto de 2010

Correio Braziliense 

Agência Brasil

A campanha eleitoral praticamente parou as atividades parlamentares na Câmara Federal. Mesmo com o presidente da Casa, deputado Michel Temer (PMDB-SP), tendo convocado dois esforços concentrados nos dias 2, 3 e 4 e 17 e 18 deste mês, mais de 14 mil proposições aguardam deliberações. São projetos de lei (PL), projetos de lei complementar (PLP) e propostas de emenda à Constituição (PEC). Desse total, 1.292 estão prontas para serem votadas no plenário. Se forem aprovadas, a maioria será encaminhada à apreciação do Senado Federal.

Entre as matérias prontas para serem votadas estão o projeto de lei que trata do sistema de exploração do pré-sal sob o regime de partilha e cria o Fundo Social, o que altera a Lei Pelé, o que trata das cooperativas de trabalho, o que institui a igualdade das mulheres no trabalho, entre outros.

Também estão prontas para ir a plenário, as PECs do piso salarial dos policiais e bombeiros, a que cria a Polícia Penal, a que prevê a jornada de trabalho de 40 horas semanais, o PLP que regulamenta a Emenda 29 – que repassa mais recursos para a saúde e os projetos de decreto legislativo (PDC) sobre o Tratado de Itaipu, da criação dos estados de Tapajós e de Carajás.

Entre as proposições mais antigas em tramitação na Câmara estão: o Projeto de Lei 1.052/83, que dispõe sobre a distribuição de leite aos trabalhadores; o Projeto de Lei Complementar 33/88 que cria proteção contra as despedidas arbitrárias de trabalhadores; e a proposta de emenda à Constituição (PEC) que trata da simplificação dos impostos (reforma tributária).

Normalmente, a maioria das proposições é apresentada à Câmara no primeiro ano de cada legislatura, em função da renovação dos deputados por causa das eleições. Em 2007, primeiro ano da atual legislatura, foram 3.215 proposições; 2.121, em 2008, e, em 2009, 2.390 propostas. Até o fim de julho deste ano, 1.174 matérias, entre projetos de lei ordinária (PLs), projetos de lei complementar (PLPs) e PECs foram apresentadas pelos parlamentares.

Só de propostas de emendas à Constituição foram apresentadas nesta legislatura, iniciada em 2007, 517 PECs. Mesmo com tantas matérias, o número de proposições aprovadas é pequeno. Em 2010, por exemplo, os deputados aprovaram em votações no plenário uma PEC, quatro PLPs e 12 Pls.

Além dessas propostas, os deputados aprovaram, em plenário, 13 medidas provisórias, 42 projetos de decreto legislativo (PDCs) e dois projetos de resolução (PRCs). No entanto, nas comissões técnicas foram aprovadas neste ano 700 matérias em caráter terminativo, ou conclusivo.

Em 2009, os deputados aprovaram sete PECs, cinco PLPs, 60 PLs, 26 medidas provisórias, 124 PDCs e sete PRCs. Já as comissões técnicas aprovaram em caráter conclusivo 1.204 matérias. No ano seguinte, o foram aprovadas em plenário três PECs, oito PLPs, 53 PLs, 51 MPs, 84 PDCs e oito PRCs. As comissões aprovaram conclusivamente 697 propostas.

No primeiro ano desta legislatura (2007), foram aprovadas três PECs, três PLPs, 25 Pls, 61 MPs, 49 PDCs e um PRC. No mesmo ano, as comissões técnicas aprovaram, em caráter terminativo, 560 proposições que foram encaminhadas diretamente à apreciação do Senado Federal.

Publicada por:  Correio Braziliense 

TCU encontrou a mesma concentração de liberação de recursos para obras

23 de agosto de 2010

Correio Braziliense

Lúcio Vaz

A concentração da liberação de recursos federais para obras nos municípios às vésperas do período eleitoral e o início de empreendimentos após a data limite estabelecida por lei já foram registradas e documentadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) nas eleições de 2006. O tribunal apontou as irregularidades, mas não puniu os responsáveis. Quatro anos depois, levantamento feito pelo Correio mostrou, em reportagem publicada ontem, que as mesmas falhas vêm ocorrendo no repasse de verbas federais para municípios.

Auditoria do TCU partiu de uma constatação inicial: houve concentração de pagamentos feitos pelo Ministério das Cidades em 30 de junho daquele ano (último dia antes do início do período eleitoral). Situação idêntica à ocorrida em 2010. A Secretaria de Fiscalização de Obras (Secob) selecionou 151 registros com possível afronta à Lei Eleitoral. Grande parte deles apresentava celeridade acima do comum nos processos de contratação e início das obras. Foram escolhidos 12 processos com essas características e mais dois que apontavam explicitamente para o início dentro do período vedado pela legislação.

Um dos casos investigou a liberação de recursos para um projeto de infraestrutura urbana da Prefeitura de Colinas do Tocantins. A Caixa Econômica Federal (CEF) apresentou documento interno com autorização de início de obra em 6 de junho, mais uma declaração da prefeitura de que as obras tiveram início no dia 30. Os auditores fizeram fiscalização no local e apuraram que a licitação foi realizada em 1º de julho, mas não apareceram interessados. A construção foi contratada em 12 de julho, com dispensa de licitação. A ata de julgamento estava datada de 10 de julho. A assinatura da ordem de serviço ocorreu dia 14.

No mesmo dia

Na prefeitura de Aragarças (GO), o TCU analisou duas obras de pavimentação de ruas resultantes de um mesmo processo licitatório, homologado em 30 de julho. Na mesma data, foi assinado o contrato e expedida a ordem de serviço. Durante a inspeção, o TCU requisitou a cópia do diário de obras, cuja folha inicial somente fora preenchida em 7 de julho. Naquele dia, houve apenas a “mobilização de equipamentos”. “Esse documento comprova que a obra não foi iniciada em 30 de junho”, diz o relatório .

O ministro-relator do processo, Ubiratan Aguiar, hoje presidente do TCU, concluiu que “houve a emissão de ordens bancárias para contratos de repasse no período eleitoral sem que as obras já tivessem iniciado em 30 de junho”. Ele também apontou “falha da CEF na gestão dos contratos de repasse dos recursos do Orçamento da União. As inconsistências na alimentação do sistema de registro de dados dos contratos não só contribuíram para a ocorrência da irregularidade em exame como pode ter provocado outras que não foram objeto da amostra selecionada”. O relator apontou as irregularidades, mas não acolheu a proposta de punição de dirigentes da CEF e do Ministério das Cidades feita pela equipe técnica do TCU. O plenário do tribunal determinou apenas que a Caixa padronize o fluxo do processo de coleta e registro de dados dos contratos de repasse.

30 de setembro

Último dia para a realização de comícios e utilização de propaganda sonora

Publicada por:  Correio Braziliense

Com o crescimento de Dilma, aliados iniciam conversas sobre cargos no futuro governo

23 de agosto de 2010

Correio Braziliense 

Empolgados com a arrancada de Dilma Rousseff nas pesquisas de intenções de voto, políticos começam desde já a trabalhar com o “dia seguinte” da sucessão presidencial e conversam sobre ocupação de espaços, tanto no Congresso quanto no Executivo. Na Câmara dos Deputados, por exemplo, o líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), antes mesmo de reeleito, está em plena campanha para presidir a Casa no ano que vem, no lugar de Michel Temer (PMDB-SP), candidato a vice-presidente na chapa de Dilma. Alguns peemedebistas afirmam, inclusive, que já existe um acordo informal com o petista Cândido Vaccarezza (SP), líder do governo, para inverter o que ocorreu na atual Legislatura, quando nos primeiros dois anos de mandato, a Câmara esteve sob o comando de Arlindo Chinaglia (PT-SP) e, depois, ficou com o PMDB. Pelo acordo, Vaccarezza seria o presidente da Câmara nos dois últimos anos e Alves nos dois primeiros.

Perguntado sobre o acordo, Henrique Eduardo Alves, um dos maiores interessados, disfarça: “Não é hora de tratar desse assunto. Até porque a sucessão de Michel tem que ser discutida por todos os partidos independentemente de ser maior ou menor, governo ou oposição. O que está em jogo aqui é a instituição ao qual eu pertenço a 40 anos. Meu maior patrimônio é pertencer ao Legislativo por tanto tempo”, diz ele, com ares de candidato que evita colocar todo o bloco na rua desde já.

Enquanto o líder evita comentários, outros peemedebistas asseguram que as conversas estão em curso. O imbróglio, no entanto, é o que fazer com o Senado, onde PMDB e PT lutam pela maior bancada. Se o PMDB ficar com a Presidência da Câmara, cumprindo o plano traçado agora, a intenção da cúpula peemedebista é oferecer a Presidência do Senado ao PT. Daí, o trabalho de Lula para tentar alavancar a candidatura de Fernando Pimentel (PT), ex-prefeito de Belo Horizonte, terceiro colocado nas pesquisas de intenção de voto no estado. Pimentel foi o primeiro para quem Lula gravou uma participação no horário eleitoral gratuito e, na viagem de campanha a Minas, o presidente fez questão de ficar o tempo todo ao lado do ex-prefeito, a ponto de chamá-lo para o seu carro.

Desgaste

O interesse dos atuais deputados em oferecer o comando do Senado ao PT, no entanto, vem da constatação de que a maioria dos senadores considerados “de ponta” dentro do PMDB está desgastada no plano nacional — Renan Calheiros, José Sarney e Romero Jucá. Sobraria, no caso, para Edison Lobão, candidato a mais um mandato de senador pelo Maranhão. Lobão hoje acalenta o sonho de voltar ao Ministério de Minas e Energia, cargo que deixou em abril para concorrer ao Senado. Porém, os sonhos de Lobão não são compartilhados pelo PT.

Os petistas almejam ficar com o ministério ocupado por Dilma no primeiro mandato de Lula. Para isso, há no partido quem pense em indicar a atual ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, braço direito da candidata petista tanto na pasta de Minas e Energia quanto na Casa Civil. Para alguns petistas, o nome de Erenice seria a desculpa perfeita para evitar que Minas e Energia ficasse nas mãos do PMDB, uma vez que o partido de Sarney e Temer mira ainda diretorias da Petrobras e cargos nas agências reguladoras.

O deslocamento de Erenice da Casa Civil é dado como certo se Dilma vencer a eleição. Até porque a Casa Civil, dizem alguns antenados no futuro, é um cargo que Lula adoraria ver entregue a Antonio Palocci, o ex-ministro da Fazenda, que está cada vez mais próximo da candidata. Se Erenice não emplacar em Minas e Energia, avaliam os petistas, o mais provável é que fique no lugar em que hoje está Gilberto Carvalho.

Assim como Palocci vem sendo considerado pule de 10 para a Casa Civil, há quem diga que José Eduardo Cardozo, que hoje acompanha a candidata a quase todos os estados, será o nome para o Ministério da Justiça (veja quadro ao lado). Até porque, a área que comanda a Polícia Federal e cuidará ainda de programas de segurança pública é considerada estratégica demais para ficar aberta aos aliados. A ordem é manter esse cargo nas mãos do PT.

O PMDB, por sua vez, tem uma listinha de prioridades em caso de vitória da chapa Dilma-Temer. Uma delas é fincar a bandeira na área econômica, onde o máximo que o partido alcançou no governo Lula foi a vice-presidência de loterias da Caixa Econômica Federal e uma vice-presidência do Banco do Brasil. A ideia agora é jogar para pegar áreas mais estratégicas nesse campo, seja na Fazenda, seja no Planejamento, onde a intenção do PT é manter Paulo Bernardo.

Enquanto petistas e peemedebistas fazem suas apostas, o presidente Lula sempre trata de colocar todos com os pés no chão quando, ao final das reuniões, alguns começam a divagar sobre um futuro governo Dilma. “Gente, vamos trabalhar. Afinal, esta eleição não está ganha. Ainda”, lembra o presidente, confiante.

Personagens em movimento

Erenice Guerra

A atual ministra da Casa Civil é vista hoje dentro do PT como uma espécie de curinga da candidata Dilma Rousseff. Há entre os petistas quem queira indicá-la para a pasta de Minas e Energia para evitar que o PMDB continue a dominar o setor se a candidata de Lula for eleita. É cotada também para ocupar o lugar que hoje pertence ao chefe de gabinete, Gilberto Carvalho

Antônio Palocci

Único indicado por Lula para compor a equipe de campanha de Dilma, Palocci é hoje o nome mais cotado para, em caso da vitória de Dilma, ocupar a Casa Civil.

Henrique Eduardo Alves

Líder do PMDB na Câmara, o deputado está em franca campanha entre os peemedebistas para assumir a Presidência da Casa no lugar de Michel Temer no ano que vem.

José Eduardo Cardozo

O deputado paulista que desistiu de concorrer à reeleição é visto por muitos como um ótimo nome para ocupar o Ministério da Justiça.

Cândido Vaccarezza

O líder do governo na Câmara também é cotado para a Presidência da Casa, caso o PT saia das urnas em 3 de outubro com um número de deputados maior do que o PMDB de Henrique Eduardo Alves.

Publicada por:    Correio Braziliense 

ANÁLISE-Serra, candidato da oposição, usa Lula para virar

21 de agosto de 2010

Reuters Brasil

Por Natuza Nery

BRASÍLIA (Reuters) – Um presidente com indiscutível aprovação popular passou a ser usado como atestado de boas intenções pelo candidato de oposição.

O programa eleitoral de José Serra (PSDB) trouxe Luiz Inácio Lula da Silva na peça publicitária na noite de quinta-feira, deixando uns surpresos e outros apreensivos.

A estratégia pode ter efeitos positivos e inverter a corrente lógica da eleição, mas é apontada por analistas como tática muito arriscada.

“O Serra está agora fazendo uma campanha por cinco pontos (percentuais), tentando evitar que Dilma Rousseff ganhe no primeiro turno”, afirmou à Reuters Murilo Aragão, da Arko Advice. “Para obter quatro ou cinco pontos, essa estratégia, se continuar, pode dar certo.”

O tucano que hoje usa a imagem do presidente foi seu franco concorrente em 2002. Naquela arena, era ele o candidato da situação, mas de um governo impopular no fim do mandato. Passados oito anos, trata Lula como Midas.

José Serra, o “Zé”, tenta convencer o eleitorado de que é o candidato do pós, não do “anti-Silva”. Segue desde a pré-campanha num jogo híbrido: ataca o PT e sua candidata, mas protege e, até se aproveita, de quem avalizou Dilma no páreo.

“O maior erro que eu vejo é criar um candidato de oposição dependente do presidente. Não faz sentido”, ponderou Etevaldo Dias, da Santa Fé Ideias.

A experiência de tentar se misturar a um popular cabo eleitoral, mesmo não sendo o seu, pode ser inusitada, mas não é original. Há laboratórios que deram certo no passado.

José Roberto Arruda, por exemplo, foi eleito governador do Distrito Federal em 2006 após derrotar a candidata apoiada por Joaquim Roriz, bastante popular.

Arruda venceu Maria de Lourdes Abadia usando um elogio de Roriz em sua campanha. Chegava a rodar carros de som nas ruas da capital e entorno propagando o elogio.

Naquele mesmo ano, Jackson Lago usava declarações antigas de Lula elogiosas a ele, que disputava o comando do Maranhão com Roseana Sarney, candidata do presidente da República.

“É realmente um sinal de falta de boas opções para a campanha de Serra numa eleição em que eleitores querem mais do mesmo”, afirmou Christopher Garman, analista-chefe para América Latina da consultoria Eurasia.

Com tão poucas certezas, essa parece ser a eleição que mais vai confundir a cabeça dos especialistas. Mais algumas semanas dirão quem estava certo.

Por enquanto, Lula segue sendo o padrinho de Dilma e, Dilma, a “mulher do Lula”.

Publicada por:   Reuters Brasil

Após nove meses, envolvidos na Operação Caixa de Pandora podem ser punidos

18 de agosto de 2010

Correio Braziliense 

Nove meses após a deflagração da Operação Caixa de Pandora, que investiga esquema de corrupção no Governo do Distrito Federal, a subprocuradora-geral da República Raquel Dodge, tem em mãos o inquérito final das investigações da Polícia Federal. Após análise dos laudos dos vídeos gravados pelo delator do esquema Durval Barbosa, dos 35 depoimentos prestados à PF e de documentos apreendidos nas casas e gabinetes de suspeitos, ela poderá então pedir a punição envolvidos.

Saiba mais…

Confira vídeos que desencadearam a Operação Caixa de Pandora

Operação que causou terremoto nos poderes locais completa 180 dias com apuração ampliada

A PF concluiu nesta segunda-feira (16/8) a última parte do inquérito, com análise de material e documentos, mas não divulgou o teor do último laudo. Sem prazo para finalizar a análise, Raquel Dodge pode ainda pedir mais alguma investigação sobre o caso antes de entrar com ação penal contra pessoas que se beneficiaram e promoveram um dos maiores esquemas de corrupção do país.

A subprocuradora já ajuizou duas denúncias contra o governador cassado, José Roberto Arruda. Numa delas, o ex-governador e outras cinco pessoas são acusados de compra de testemunha, o jornalista Edson Sombra, motivação da prisão preventiva que manteve Arruda na prisão por dois meses entre fevereiro e abril. Ele também foi denunciado por falsificação de documento. A ação se refere aos recibos que atestariam recebimento de dinheiro do ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa como doação para compra de panetones para pessoas carentes

Entenda a Operação

A operação Caixa de Pandora foi deflagrada em 27 de novembro de 2009 pela Polícia Federal para investigar a suposta distribuição de recursos ilegais à base aliada do Governo do Distrito Federal, à época chefiado pelo governador cassado José Roberto Arruda.

As investigações tiveram o apoio do secretário de Relações Institucionais do GDFl, Durval Barbosa, que aceitou colaborar em troca de uma punição mais branda em outro caso de corrupção, revelado pela Operação Megabyte, ainda na gestão de Joaquim Roriz. Barbosa gravou cerca de 23 vídeos, entre eles o de deputados distritais recebendo propina.

Publicada por:  Correio Braziliense