Posts com as Tags ‘Comportamento Humano’

A sacolinha cheia de cada um

3 de fevereiro de 2012

Paulo Saab

Vou por um pouco de pimenta no debate que se criou em torno da questão das sacolas plásticas para transportar as compras de supermercado. Como cidadão comum, e com o prazer de paulistano, há mais de três décadas frequento supermercados para fazer as compras de minha família. 

Vivi o tempo da inflação, da estabilização, e de algum modo sinto que de dois anos para cá as gôndolas (e o caixa) desses estabelecimentos se tornaram meu referencial de inflação – sempre acima dos índices oficiais. 

Antes de prosseguir, é bom que se frise : sou a favor da preservação do meio ambiente e desde eras priscas aderi, em meu condomínio, à coleta seletiva de lixo. 

É verdade que isso foi votado há muitos anos e só agora tive notícias de que será implementada a tal coleta. 

Eu já separo material reciclável de orgânico. 

Isso posto, para não deixar os ambientalistas amuados, e engajado nas campanhas ambientais, posso perguntar ao leitor (afirmar seria temerário) se ele (e ela, principalmente) entendem como o fato de os supermercados decidirem não mais adotar a tal sacolinha não-biodegradável vai de fato contribuir para algo que não seja o eventual aumento do faturamento – porquanto passou a vender sacolas, carrinhos e que tais? 

Até disso eu duvido um pouco, leigamente, porque, tomando meu próprio exemplo, reduzi para menos da metade as compras que fazia, para ter condições de carregá-las. Ainda assim, a primeira caixa de papelão que tentei levar para o carro rompeu -se e minhas compras foram todas ao chão. 

E chegando (como cheguei) cada morador do meu prédio e de todos os prédios cujos condôminos fazem compras em supermercados, com quantidade semelhante de caixas de papelão (que entupiram a lixeira do meu andar), como ficará a montanha de caixas pela cidade afora? Mais despesas para os condomínios… 

Enquanto isso, os supermercados, além de não oferecer mais as sacolinhas, estão vendendo sacolas, carrinhos de feira e que tais, tudo a título de colaborar com o meio ambiente. 

Mas pergunto de novo: e as sacolinhas plásticas em que embalamos os queijos, as carnes, as demais compras? Estas continuam existindo, ou vamos embrulhar o peixe e a carne no jornal velho? 

Sou a favor da livre empresa, da economia de mercado, do lucro, da racionalidade, da criatividade, enfim, de tudo que faz girar a economia, o desenvolvimento na vida do País. 

Como consumidor, porém, não gosto de me sentir regredindo, ou enganado. Sem considerar também

que se trata – a abolição das sacolinhas – de um acordo entre os supermercados, e não uma exigência legal. Acordo que beneficia quem vende e prejudica quem compra, em larga escala, e faz o faturamento do estabelecimento, me parece, ser algo da competência de aplicação do Código de Defesa do Consumidor. 

Repito: sou a favor de medidas que ajudem a preservar o meio ambiente. Esta, a das sacolinhas, me parece muito mais uma esperta jogada de marketing, que poderia se aliar à preservação do planeta, não trouxesse tão ostensivo o desrespeito há décadas de hábito de consumo, sem alternativas adequadas. 

Se sobra caixa de papelão agora, em casa, no supermercado logo será disputada a tapa ou abandonada pelo consumidir – como abandonarei, de hoje em diante, o programa quinzenal de ir ao supermercado e comprar parte das coisas por impulso, sem necessidade objetiva. 

Não gosto de espertezas na vida pública. E nem na privada. 

*Paulo Saab é jornalista e escritor

Publicado por: Diário do Comércio

Presidente Dilma, a senhora não tem vergonha?

3 de fevereiro de 2012

João Bosco Leal

Sim “Presidente”! Uso esta palavra porque estudei em ótimas escolas públicas, que já não existem mais, e nelas, como todos aprendíamos, independentemente do sexo de quem o exercia, essa é a palavra certa para esse cargo, apesar da senhora ter tentado, no início de seu governo, por mero capricho, ser chamada de Presidenta.

Os puxa-sacos de plantão – apesar de saberem que a palavra presidente é um substantivo de dois gêneros, válida tanto para o masculino quanto para o feminino – até tentaram ajudá-la a mudar a nossa língua, mas não conseguiram, pelo menos não na prática, pois, por coerência, teríamos que começar a chamar uma pedinte de pedinta e assim por diante. Mas os novos “doutores”, Presidente, estão saindo das centenas de universidades particulares sem sequer saberem conjugar corretamente os verbos empregados no seu teste para o primeiro emprego.

Nunca votei e jamais votarei em alguém do seu partido político e menos ainda em uma pessoa com o seu passado, pois as ideias defendidas por seus “companheiros” já foram desmoralizadas em todo o mundo, inclusive pelo ditador e assassino Fidel Castro, de Cuba, onde a senhora esteve agora. As ditaduras de esquerda só destruíram países e populações, com a ideia utópica de estatização geral e de que o Estado supriria a todos igualitariamente.

Mas este não é o tema central que pretendo abordar aqui. O meu questionamento refere-se ao fato amplamente noticiado de que em sua viagem a Cuba, o Brasil emprestou dinheiro àquele país.

Em sua volta não deve ter sentido nenhum problema de aterrissagem com seu avião, pois como Presidente teve o espaço aéreo temporariamente bloqueado para que o fizesse sem demora ou riscos. Mas não foi o que ocorreu com os outros brasileiros que naquele momento estavam voando com o mesmo destino e que por incapacidade do aeroporto já estavam circulando sobre a cidade esperando sua vez de aterrissar.

Já em nosso solo, mudou de aeronave e, de helicóptero, dirigiu-se tranquilamente à sua residência oficial, pois, caso contrário, teria sentido na pele o que é transitar pelas ruas e estradas brasileiras, todas esburacadas ou repletas de remendos de péssima qualidade, pois a diferença de dinheiro entre o bom e o mau produto teve de ser repassada aos corruptos de seu governo.

No período noturno, quando todos deveriam descansar, teria passado defronte a um posto de atendimento ou a um hospital conveniado do SUS, e visto filas enormes, com mães segurando filhos doentes no colo, esperando o dia amanhecer para, se tiverem muita sorte, conseguirem pegar senhas para serem atendidas naquele dia. Saberia, pela imprensa, que alguns morreram nessas filas, sem sequer chegarem a ser atendidos.

Determine, senhora Presidente, que lhe seja reservado, em rede nacional, um horário nobre da televisão brasileira, para que explique aos brasileiros que pessoas diagnosticadas com doenças graves esperam meses na fila para serem operadas porque o país não possui recursos suficientes para suprir sua população com o atendimento médico necessário, mas pode oferecer dinheiro emprestado ao Mercado Comum Europeu para sanar suas dívidas e emprestar dinheiro para Cuba.

Explique aos brasileiros, Presidente Dilma, porque todos os anos brasileiros morrem soterrados nas encostas dos morros em diversos estados, porque o governo não possui dinheiro suficiente para lhes financiar, com juros subsidiados, moradias dignas, construídas em locais seguros.

Que a educação brasileira é de péssimo nível porque o país não possui verbas suficientes para preparar melhor os professores e lhes pagar salários dignos, de quem tem a responsabilidade de ensinar aos que serão o futuro do país, mas pode construir uma embaixada brasileira em Tuvalu e perdoar dívidas de países africanos em troca de votos para conseguir um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU como queria seu antecessor.

Explique coisas simples assim à população brasileira, Presidente Dilma, ou a senhora tem vergonha?

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FHC e Serra: fogo amigo. E de grosso calibre

30 de janeiro de 2012

Eymar Mascaro*

O momento é oportuno para perguntar a José Serra por qual partido ele pretende ser candidato à Presidência da República em 2014. Até seu aliado nº 1, Fernando Henrique, com quem manteve inclusive uma relação de aluno e professor, está entregando de bandeja a legenda presidencial do PSDB a Aécio Neves. 

O ex-presidente defende a tese de que o senador mineiro sabe agregar mais do que Serra, atraindo mais apoios de outros partidos importantes. 

Serra deve ter-se sentido machucado com as considerações do ex-presidente, de que não soube promover alianças nas eleições de 2010, quando foi derrotado pela petista Dilma Rousseff. 

FHC acusa Serra de ter-se isolado na campanha. Fernando Henrique, contudo, comete um erro primário: Serra não perdeu a eleição por ter-se isolado na campanha. Ele foi derrotado porque Dilma Rousseff contou com o apoio decisivo de Lula, que deixou o governo com cerca de 80% de índice de aprovação. 

Até prova em contrário, Serra parece não ter sentido o golpe, não admitindo ficar sem tentar uma terceira candidatura presidencial em 2014, por entender que dispõe de forte cacife eleitoral, com o testemunho de 44 milhões de votos conquistados nas eleições de 2010. 

Disputar uma nova eleição para a Prefeitura, como sugere o governador Geraldo Alckmin, nem pensar. O projeto político de Serra tem caráter nacional e não municipal. 

Tucanos paulistas fizeram outra leitura das palavras de Fernando Henrique. Para eles, o ex-presidente está forçando Serra a se candidatar à sucessão de Gilberto Kassab. Há quem entenda que Serra não tem melhor opção, a não ser a candidatura a prefeito, se Aécio Neves for consagrado antecipadamente como candidato do partido ao Palácio do Planalto. 

Detalhe: Serra está sem mandato e pode continuar assim por mais tempo, porque em 2014 não poderá tentar, por exemplo, o governo do Estado, uma vez que Geraldo Alckmin consolidou sua candidatura à reeleição. Restaria a Serra concorrer à vaga que se abrirá no Senado com o término do mandato do petista Eduardo Suplicy, mas que já anunciou ser candidato à reeleição. 

Apesar do momento ser desfavorável, Serra não admitiu até hoje trocar de partido. Ele é um dos fundadores do PSDB, juntamente com Mário Covas, Fernando Henrique e Franco Montoro. Mas estão tentando fechar as portas para ele no PSDB, embora o presidente do partido, Sérgio Guerra, tenha dito que concorda em realizar prévias para a indicação do próximo candidato tucano ao Planalto. 

Por enquanto, o partido tem como postulantes à legenda somente José Serra e Aécio Neves. Mesmo provocado, Serra não quis se estender em resposta às declarações de FHC, a quem ainda chama de “meu amigo”. 

Mas dois de seus principais aliados não fecharam o bico, o ex-vice-governador Alberto Goldman e o senador Aloísio Nunes Ferreira. Para Goldman, não basta ser mais agregador: é preciso que o candidato tenha mais capacidade para superar os problema do País. 

Aloísio Nunes lembra que o partido ainda está longe de ter candidato. 

O mesmo sentimento tem Geraldo Alckmin, que considera “muito prematuro” falar hoje em candidatura ao Palácio do Planalto. 

Até Aécio Neves, que foi quem mais se beneficiou com os movimentos de Fernando Henrique, procurou dourar a pílula, lembrando que o partido ainda não escolheu seu candidato. Foi além: disse que existem mais do que dois presidenciáveis no partido, mas se esquivou de citar outros nomes. Aécio revela que é um mineiro manhoso, neto que aprendeu a fazer política na escola do avô Tancredo Neves. 

*Eymar Mascaro é jornalista e comentarista político mascaro@bighost.com.br

Publicado por:  Diário do Comércio

O passado e o aprendizado

30 de janeiro de 2012

João Bosco Leal

Constantemente podemos perceber pessoas aflitas, tensas, com algo ocorrido em sua vida. Raramente se lembram que o que já ocorreu não tem mais como ser apagado, já foi. O máximo que podem e devem fazer, é buscar alternativas para solucionar algo que não saiu como esperado e acabou magoando ou prejudicando alguém ou a elas próprias.

É incrível como só com mais experiência e maturidade acabamos percebendo o óbvio, que não devemos nos repreender ou ficarmos tristes com o que ocorreu no passado, se erramos ou erraram conosco, se magoamos ou se fomos magoados, se sofremos ou fizemos sofrer. Nada disso poderá ser alterado, mas se realmente desejarmos, pode ser amenizado, tornar-se menos doloroso para quem quer que seja e servir de exemplo, que poderá impedir novos erros.

Toda experiência vivida, por pior que seja, possui um lado bom, o do aprendizado, infelizmente só aproveitado por aqueles que sempre ouvem e observam, buscando seu crescimento como seres humanos. Analisando o passado, com as experiências alheias é possível perceber atitudes mais ou menos convenientes, que provocaram diferentes resultados, em todas as áreas.

É uma ótima escola, onde podemos aprender muito, sem necessariamente termos que experimentar o que já não deu certo com outros. Entretanto, essa prática constante só é realizada pela minoria, os maduros e humildes, que conseguem, com exemplos passados, errar menos e acertar mais.

Os jovens invariavelmente ridicularizam esse passado, considerando-o uma fonte de informações ultrapassadas, e só com a maturidade perceberão como eles poderiam ter facilitado sua vida, se simplesmente tivessem tido a humildade de, olhando para trás, aprender com o que historicamente ocorreu na humanidade.

A análise histórica nos mostra os bons e os maus exemplos, os erros e acertos cometidos, facilitando nossas escolhas, das ações e atitudes corriqueiras e do caminho a ser seguido com maiores chances de sucesso. Apesar dos novos campos surgidos com as novas tecnologias, a história continua e permanecerá nos ensinando muito, inclusive na área comercial.

Negócios mais ou menos lucrativos já foram exaustivamente tentados, em diferentes países, pontos, climas e para as populações mais variadas, tanto culturalmente como por seu poder aquisitivo, mas ensinamentos óbvios, como o de só procurar vender para quem pode comprar, ainda não foram absorvidos por muitos.

Para nosso crescimento, é necessário, aceitarmos que tudo o que hoje temos e sabemos, devemos a tudo o que as pessoas, há milhões de anos, vem observando, experimentando e testando, nas mais diversas áreas. O que já passou está resolvido, mas se usarmos as experiências vividas como aprendizado, certamente encontraremos lições e exemplos para dúvidas posteriores.

Com a história da humanidade, o passado de outros ou o nosso próprio, aprendemos que amizades, paixões e amores provocam alegrias ou dores, e que quando machucam, não devemos ficar tristes, nos lastimar ou tentar consertar o que já passou, mas procurar não cometer os mesmos erros e continuar tentando, sem nos preocupar com muitos outros que certamente ocorrerão, pois foi com nossas quedas que aprendemos a caminhar.

Os que buscam realizar seus sonhos, tentam, erram, aprendem com os erros e continuam tentando, são os que constroem o mundo.

Aceitar os fatos e ocorrências de nossas vidas como o passado, é o primeiro passo para soluções futuras.

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Vai indo que eu não vou

28 de janeiro de 2012

Carlos Brickmann

Nas ruas, fervia a campanha das Diretas-Já. O PMDB tinha três possíveis candidatos à Presidência da República, na sucessão do general João Figueiredo: o governador mineiro Tancredo Neves (que seria o escolhido, venceria as eleições e não tomaria posse, derrotado por uma doença), o presidente nacional do partido, deputado Ulysses Guimarães, e o governador de São Paulo, Franco Montoro. O PMDB iria unido para a eleição? Resposta de Tancredo a este colunista: “Vai, claro que vai. Cada um de nós se apronta para aproveitar a oportunidade. Quem estiver melhor será o candidato, com apoio dos outros”.

Foi assim. E é assim que Fernando Henrique, de certa forma herdeiro dos três candidatos da época, apreciaria que acontecesse agora: Serra quer ser candidato, Aécio é candidato, Alckmin dissimula sua vontade mas está cada vez mais difícil fingir que não quer. Quem reunisse melhores condições teria o apoio dos outros.

Teria, mas não tem. O problema do PSDB não é escolher o nome: é fazer com que os demais caciques – e isso é o que não falta no partido – o apoiem. É mais fácil ouvir uma crítica de Lula a Fidel Castro do que esperar que os candidatos preteridos no PSDB façam qualquer gesto efetivo de apoio ao escolhido. Se, após a escolha do candidato, eles se abraçarem, pode apartar que é briga.

Todos têm seus motivos. Serra declarou apoio a Alckmin para prefeito e apoiou Kassab. Aécio prometeu apoio a Serra para presidente e foi viajar. Alckmin apoia para prefeito o candidato do PMDB. E, em política, nunca falta troco.

 Publicado por:  Coluna Carlos Brickmann