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O Brasil e a estratégia de dissuação

14 de fevereiro de 2012

Carlos Alberto Pinto Silva*

“No abstrato tudo deve ser considerado com otimismo e cumpre imaginar tanto um lado como o outro, empenhando-se na busca da perfeição e até mesmo alcançando-a. Porém, tudo assume uma forma diferente quando passamos das abstrações à realidade.” Clausewitz.

A integração regional constitui hoje um dos eixos condutores da política externa brasileira, essa aproximação tem ocorrido com os países sul-americanos nos últimos anos em várias vertentes, tais como: infraestrutura; investimentos; turismo; defesa; comércio; políticas públicas; e outras.

As autoridades do governo insistem em enfatizar que o Brasil encara seus vizinhos como parceiros para cooperação militar, e que os investimentos para equipar as Forças Armadas e obter o chamado poder de dissuasão (poderio bélico que desestimula ataques de outros países) têm como alvo nações de outros continentes.

No caso das nações Sul Americanas, não existe um órgão superior que as subordine e que tenha autoridade incontestável para resolver seus conflitos mediante uma simples sentença. Embora exista o experimento da UNASUL, uma instituição baseada em ideologia, criada mais como uma tentativa de diminuir a influência dos Estados Unidos através da OEA, ela não conseguirá aperfeiçoar o relacionamento entre os Estados da região, a ponto de evitar o surgimento de conflitos entre eles, nem obter, com frequência, a resolução amistosa de litígios. Comprovam a afirmação a existência da ONU, OEA, OMC, e a continuação dos desentendimentos comerciais, das crises, conflitos e guerras no mundo atual.

Os possíveis conflitos entre os países da América do Sul podem estar controlados e adormecidos pela busca da integração econômica, comercial e de infraestrutura, juntamente com outras ações que aumentam a confiança mutua entre os Estados. Mas isso não significa que tenha desaparecido a relação de conflitualidade, a hostilidade não se manifesta apenas pela violência física do emprego do meio militar, ela continua a existir por problemas económicos, diplomáticos, psicológicos, populistas, pela debilidade dos Estados, e também, por rompantes nacionalistas e de valores étnico-culturais.

Para se entender o problema da debilidade dos Estados:

“É chamado de “Estado Débil” aquele em que o governo central tem pouco controle prático sobre o seu território. E de “Estado Falido” o “Estado Débil” que não exerce um governo efetivo dentro de suas fronteiras, em função de altas taxas de criminalidade, corrupção extrema, um extenso mercado informal, judiciário ineficaz, interferência militar na política e presença de grupos armados paramilitares ou organizações terroristas controlando de fato parte ou todo o território, ou, ainda, os Estados são débeis ou falidos, quando perdem o controle exclusivo sobre os meios de coação.”

Potencialmente, um “Estado Falido” ou “Débil” é capaz de desestabilizar uma região inteira. Nele florescem fanatismos religiosos, tribais ou étnicos; serve de refúgio a organizações terroristas e criminosas. A multiplicação de forças não estatais, à margem da lei, os diferentes interesses enfrentados, a ingerência de outros Estados, tratando de ampliar sua área de influência, e o colapso dos serviços de Estado, degeneram, sem lugar a dúvidas, em um conflito assimétrico.

A cooperação, a integração e a negociação entre Estados na América do Sul, foram e serão sempre difíceis, por força da complicada questão da assimetria econômica e militar, de resquícios culturais, e de ressentimentos históricos. O Brasil deve exercer o papel que lhe cabe de contribuir de maneira responsável para a imposição (Quando necessária) e manutenção da paz e da tranquilidade regional.

A participação direta do Brasil em conflitos com seus vizinhos é de pequena probabilidade, mas deve estar presente a ideia de que, sucedendo confrontos ou conflitos entre os demais países, caberia ao Brasil, como potencia regional papel destacado no controle da situação e solução da crise. De qualquer forma, embora a maior probabilidade seja de paz, alguma prudência estratégica deve ser adotada.

Diversos fatores que conduzem a possíveis conflitos tais como: interesses comerciais e econômicos prejudicados; não cumprimento de tratados; exploração de riquezas minerais e petrolíferas; antagonismos históricos mal superados; disputa de espaços territoriais; a presença de brasileiros nos países fronteiriços, como os brasiguaios e os brasivianos; e vizinhança entre países estarão sempre presentes no relacionamento entre os Estados Sul Americanos.

O Brasil deve ser sensível à preocupação com os regimes populistas de propensão autoritária, em particular o venezuelano, com seu estranho armamentismo, bem como o da Bolívia e o Equador. O populismo argentino e seus problemas econômicos, em menor amplitude, igualmente devem ser considerados, ponderando principalmente o posicionamento histórico da Argentina em relação ao Brasil e ao Chile. Portanto a Venezuela como elemento principal, a Bolívia, o Equador, o Paraguaie a Argentina podem ser considerados possíveis atores que levem a dificultar a integração na América do Sul.

A Argentina tem sido um problema permanente. Temos boas relações políticas, mas economicamente é difícil lidar com eles.” Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel. 19/01/2012 – O Globo.

Estima-se que cerca de 350 mil brasileiros vivam no Paraguai. Boa parte deles são os chamados “brasiguaios”, que se dedicam à agricultura em regiões próximas à fronteira com o Brasil. Crises periódicas envolvem a situação desses brasileiros no país vizinho. 03/02/2012 – O Globo

É importante lembrar o lançamento por Colômbia, Peru, México e Chile da Área de Integração Profunda (AIP), ou “bloco do Pacífico”. Um dos objetivos é ser um contraponto ao poder regional do Brasil e ao MERCOSUL.

O Brasil, país eminentemente pacífico, precisa da integração e de parceiros na América do Sul, entretanto não pode dispensar a capacidade de persuasão (Meios diplomáticos, jurídicos e políticos) e a dissuasão (Natureza militar). Os demais países não irão acreditar e concluirão ser um blefe a ideia que o Brasil tenha abdicado de sua capacidade de empregar, quando necessário, o poder militar, e de manter a Estabilidade Estratégica na região.

Persuadir e dissuadir são, em última instância, frustrar aventuras hostis ao Brasil e crises/conflitos na América do Sul.

Se a dimensão estratégica do Brasil não corresponde à sua dimensão política, econômica, geográfica e demográfica, é ilógico pretender capacidade de dissuasão militar para participar da ordenação dos cenários regional e muito menos do global.

* Gen Ex /R1 Carlos Alberto Pinto Silva, ex-comandante de Operações Terrestres (COTer), do Comando Militar do Sul, do Comando Militar do Oeste, e Membro da Academia Brasileira deDefesa.

Publicado por:  Defesa Net

Ai se eu me emprego (no BB)

5 de fevereiro de 2012

José Wilson Granjeiro*

“Uma das especialidades mais valorizadas atualmente no quadro do BB é a de estatístico. Outra é a tecnológica”

Eu tinha pouco mais de 19 anos de idade e havia acabado de servir o Exército quando fiz o primeiro concurso de minha vida. Foi para o Banco do Brasil, e não fui aprovado. Fico pensando: se tivesse passado, seria hoje o professor Granjeiro ou um bancário de carreira? Talvez fosse diretor ou vice-presidente; quem sabe até presidente, por que não? Afinal, o atual presidente, Aldemir Bendine, é funcionário de carreira do Banco.

É impossível, claro, saber se minha vida teria tomado um rumo diferente, mas o fato é que esse tropeço foi de grande valia para o meu futuro. Nunca mais fiz concurso para o banco, porém a lição desse inesperado “fracasso” me valeu a aprovação em outros oito concursos públicos e uma carreira como servidor que durou 17 anos, até eu me tornar um empreendedor especializado no ensino para concursos, minha paixão profissional e meu sustento nos dias de hoje.

Conto esse episódio pessoal relacionado ao BB ao me sentar para escrever este artigo sobre o próximo concurso para o banco, que, sem dúvida, será um dos maiores da sua história, tal o interesse que vem despertando entre os concurseiros de todo o país. O movimento de inscrição nas turmas que abrimos no Gran Cursos é prova disso, e a tendência é o interesse aumentar ainda mais nos próximos dias.

A história e as dimensões do Banco do Brasil são fascinantes. Isso, por si só, já é um estímulo para quem deseja seguir carreira na instituição. O banco foi fundado em 12 de outubro de 1808 pelo Rei D. João VI, com um capital de 1.200 contos que só seria integralizado três anos mais tarde, pois a procura pelas ações ficou inicialmente abaixo do esperado pelo rei.

Passados mais de 200 anos, hoje o BB é o primeiro do país em ativos financeiros (R$ 982 bilhões), em volume de depósitos totais (R$ 472 bilhões), em carteira de crédito (R$ 450 bilhões), em base de clientes pessoas físicas (53,7 milhões), em câmbio exportação (28,1% do mercado), em administração de recursos de terceiros (R$ 593 bilhões, o maior da América Latina) e em faturamento de cartão de crédito (19,8% do mercado).

A natureza jurídica do Banco é de sociedade de economia mista, personalidade de direito privado, fruto de descentralização administrativa, vinculada ao Ministério da Fazenda, com capital dividido entre União (68,7%), Previ (11,4%), capital estrangeiro (6,9%), BNDESpar (5%), pessoas físicas (4%) e pessoas jurídicas (3,9%). O agronegócio, o financiamento das exportações e as linhas de crédito para capital de giro são pontos fortes de sua atuação no mercado, além, é claro, da movimentação de contas-correntes por seus milhões de clientes em todo o Brasil.

A missão do Banco do Brasil, nos dizeres de sua filosofia corporativa, é: “Ser um banco competitivo e rentável, promover o desenvolvimento sustentável do Brasil e cumprir sua função pública com eficiência.”

Naturalmente, trabalhar numa instituição desse porte, a qual conta com mais de 5 mil agências e mais de 15 mil postos de atendimento espalhados pelo Brasil, proporciona muitas vantagens. A começar pela possibilidade de fazer carreira até os mais altos postos de direção – a exemplo do atual presidente, que um dia também foi escriturário, como serão os concursados que ingressarem na casa nos próximos meses.

Os novos servidores do banco vão iniciar a carreira com salário de R$ 1.408, mais uma gratificação semestral, mas paga mensalmente, de 25% (R$ 352), para a jornada de 30 horas semanais de trabalho, ou seja, seis horas por dia, de segunda-feira a sexta-feira. Esses valores, somados a outros benefícios, como auxílio-alimentação (R$ 399,30) e cesta-alimentação (R$ 311,08), elevam a remuneração inicial dos novos bancários para R$ 2.470,08.

Conversei com um amigo que trabalha no BB há muitos anos. Ele me explicou que a evolução na carreira obedece a uma série de normas internas, padronizadas para todo o Brasil. Essas normas regulam a ascensão profissional dos funcionários durante toda a carreira na instituição. Um programa intitulado TAO – Talentos e Oportunidades – armazena os dados e as qualificações dos empregados e é capaz de identificar e recrutar um deles em qualquer parte do país para preencher, por exemplo, um cargo em diretoria ou em agência de Brasília.

Esse amigo me relatou que existe um princípio não escrito na instituição segundo o qual “quem faz a carreira é o funcionário”. A ascensão, segundo o servidor, começa geralmente seis meses depois do ingresso no Banco, com a promoção ao cargo de assistente de gerência em uma das agências ou de assessor em alguma diretoria. Tudo vai depender da capacidade, do interesse e do talento do funcionário: se suas qualidades forem para os negócios bancários, ele alcançará a gerência de uma agência, depois de se tornar assistente de contas ou de relacionamento, em dois ou três anos.

Mas há outro caminho profissional que também premia aqueles que demonstram capacidade e interesse pelo trabalho. Esse caminho é traçado nos órgãos de direção e começa com a promoção a assessor (júnior, pleno e sênior), depois a gerente de divisão, a gerente executivo e, finalmente, a diretor de área. Aliás, para quem não sabe, no Banco do Brasil, só funcionários de carreira podem se tornar diretores. Apenas os cargos de presidente e de vice-presidente (nove, no total) são de livre nomeação pelo presidente da República.

Segundo o meu amigo do BB, obviamente a ascensão depende de avaliações funcionais periódicas (semestrais) e de pontuações que levam em conta inclusive a produtividade do empregado. Para estimular ainda mais o bom desempenho de seus servidores, o banco oferece participação nos lucros para todos os funcionários de carreira, semestralmente, de acordo com a função. Por exemplo, um escriturário pode receber R$ 2 mil e um gerente de agência até R$ 15 mil. Além disso, aqueles que estudam podem ter até 80% do valor de cursos de graduação e de pós-graduação pagos pela instituição. E todos gozam de plano de saúde considerado um dos melhores do país: Cassi.

Os funcionários do Banco do Brasil contam também com um plano de previdência privada para complementar a aposentadoria. A título de contribuição, são descontados mensalmente 3% do salário. Há outras vantagens, como férias de 35 dias a partir do vigésimo ano de trabalho (para quem ingressou no banco antes de 1998); abono de faltas de até 5 dias por ano por motivo de doença na família, nascimento de filho ou falecimento de familiar; e licença-prêmio de 18 dias por ano trabalhado.

A estabilidade no emprego é mais um fator de interesse pelo concurso. Diz o meu amigo do BB que, “hoje, o funcionário só vai pra rua se aprontar”. A despeito disso, o servidor precisa lembrar que estará sendo permanentemente observado. Naturalmente, será recompensado se corresponder às expectativas do banco, que saiu de sua tradicional posição de conforto para disputar o mercado e hoje tem de gerar lucro para seus acionistas, entre os quais o governo federal, o maior deles.

O Banco do Brasil conta hoje com 115 mil funcionários. Dezessete mil deles estão em condições de se aposentar a qualquer momento, daí a grande necessidade de contratar quem for aprovado no concurso deste ano, que vai formar cadastro de reserva. O atual quadro de empregados é consequência da grande expansão do banco na última década, quando o BB adquiriu uma série de instituições financeiras no país e no exterior: Nossa Caixa, Banco do Estado do Piauí, Banco Votorantin e Banco Patagônia, na Argentina. O quadro chegou a ser reduzido de 120 mil (em 1995) para 80 mil funcionários durante o governo Fernando Henrique, quando foram disseminados os planos de demissão voluntária. Mas voltou a crescer na era Lula.

Para quem vai fazer o concurso do Banco do Brasil, atenção para esta dica do meu amigo bancário: uma das especialidades mais valorizadas atualmente no quadro do BB é a de estatístico, com poucos profissionais disponíveis no mercado de trabalho. Outra área em que a carreira interna pode decolar com mais facilidade é a tecnológica, uma grande vantagem para quem tem o domínio dos segredos da informática.

*José Wilson Granjeiro – Após passar em oito concursos, decidiu dedicar a vida aos que sonham com uma vaga no serviço público. Bacharel em Administração, professor e palestrante, é autor de 20 livros e preside a Gran Cursos, escola preparatória de concursos que possui dez unidades no Distrito Federal e seis em outras cidades do Brasil. Sua meta é colocar 1 milhão de alunos na administração pública brasileira. Site: www.professorgranjeiro.com Twitter: @JWGranjeiro

Publicado por:  Congresso em Foco

A reclamação do Irã contra Dilma é uma boa notícia para os brasileiros de bem: nossa política externa deixa de abraçar o pária Ahmadinejad

27 de janeiro de 2012

Ricardo Setti

Os criadores de aves e de bovinos certamente não estão gostando, porque as exportações de carne para o Irã podem sofrer represálias, mas, para o governo da presidente Dilma Rousseff, é uma verdadeira condecoração a reclamação feita pelo porta-voz do ditador Mahmoud Ahmadinejad contra a política externa do atual governo brasileiro em relação ao regime delirante dos aiatolás atômicos.

A entrevista do porta-voz pessoal de Ahmadinejad, Ali Akbar Javanfekr, ao jornalista Samy Adghirni, da Folha de S. Paulo, acaba sendo uma boa notícia para os brasileiros de bem.                                Lula, feliz, ao lado do tirano Ahmadinejad em Brasília, em Brasília (Foto: abril.com.br)

“A presidente brasileira golpeou tudo que Lula havia feito”, choramingou o porta-voz. “Ela destruiu anos de bom relacionamento. (…) Lula está fazendo muita falta”.

Relação correta e voto pró-direitos humanos

Na verdade, o governo Dilma não destruiu nada, e continua mantendo uma relação correta com o Irã, sem o calor suspeito e incômodo que emanava do lulalato em direção à ditadura que oprime o antigo reino persa.

A “destruição” a que ele se refere tem na verdade ligação com algo de muito bom ocorrido na política externa: o voto proferido em março na ONU pelo Brasil em favor de uma investigação sobre violações de direitos humanos no Irã.

Amigo do peito de Lula

Lula, como se recorda, era amigão do peito do tirano, recebeu-o em Brasília com tapete vermelho, para horror de aliados tradicionais do Brasil, como os principais países da Europa Ocidental, os Estados Unidos e o Canadá, e foi visitá-lo em Teerã, apesar de Ahmadinejad, com seu projeto de obter a bomba atômica, ter-se tornado um pária perante a maior parte da comunidade internacional.

Atitude ridícula do embaixador do Brasil

Nesse contexto de o Brasil ter diante do Irã uma postura mais alinhada com o mundo civilizado, torna-se particularmente ridícula a atitude do embaixador brasileiro em Teerã, Antonio Salgado, que, em recente evento no Rio de Janeiro, considerou a frase “infeliz” de Ahmadinejad sobre “varrer Israel do mapa” como “aparentemente mal compreendida” no Ocidente.

O governo do Irã já disse e repetiu várias vezes que pretende destruir Israel. Só crianças de colo desconhecem as intenções de Ahmadinejad. “Mal compreendida?” Mal compreendida é a posição do embaixador.

Afinal, ele está em Teerã para defender os interesses do Brasil ou veio ao Rio para defender as péssimas intenções do Irã?

Publicado por:  Coluna do Ricardo Setti

Avançamos pouco em 5 anos

26 de janeiro de 2012

Paulo Rabello de Castro*

Cinco anos fazem grande diferença para um país. Mais ainda na perspectiva dos países concorrentes.

A China colocou mais alguns cavalos de vantagem sobre os demais países no quinquênio de 2008 a 2012.

Estamos começando o quinto ano da chamada Grande Recessão, iniciada com o estouro da bolha em 2008.

Os EUA ainda apresentam uma recuperação manufatureira fraca, sem retornar sequer aos níveis pré-crise.

Salvam-se pelo avanço do agronegócio, das suas indústrias “criativas” e de alta tecnologia, e dos serviços ligados à demanda do governo, pelo enorme déficit federal, inclusive das guerras externas.

Do outro lado do Atlântico, a Europa evitou uma queda livre pela vitalidade competitiva da indústria alemã, bem como de alguns setores de ponta nos países mais bem organizados da área, como Suécia, Finlândia, Noruega e Holanda, entre outros da parte setentrional rica da zona do euro.

Mas o melhor dos mundos para a Europa em 2012 ainda será evitar o colapso da sua economia regional. No caso do Japão, o resultado está longe de ser o pior, no time dos países estancados. Crescerá este ano.

As esperanças da demanda mundial em 2012 continuam voltadas para a Ásia, com a China no centro, e a Índia ocupando um espaço crescente nesse conjunto.

Os últimos cinco anos, incluindo 2012, farão enorme diferença a favor dos asiáticos, campeões de crescimento, dos quais estamos apenas tomando carona.

É, para nós, o “bônus China”, uma explosão de demanda e de preços pagos pelas commodities brasileiras, minerais e agrícolas, que coincidiu matematicamente com a era Lula, estendendo-se agora ao período Dilma.

O Brasil aproveitou parcialmente este bônus. Acelerou a inclusão social através do crédito consignado, das bolsas assistenciais e dos gastos correntes de governo.

Os dólares das commodities fecharam o buraco da dívida externa, possibilitando também ao brasileiro virar o consumidor mais cobiçado dos paraísos de consumo, em Miami, Nova York, Londres, Madri, e até na Ásia. Autos importados, o sonho de consumo dos brasileiros, saltaram à frente da produção local.

O resumo da “Grande Recessão”, ao final deste ano, será o seguinte: em números redondos, a China terá avançado 60%; enquanto o conjunto da Ásia e India, cerca 50%; e os países de alta renda, apenas 3%, ou seja, a recessão foi para os ricos! Mas, e o Brasil, a América Latina? Estes ficarão a menos do meio caminho entre o extraordinário avanço dos asiáticos e a formidável recessão dos países ricos.

O crescimento acumulado do Brasil, no quinquênio, não passará de 20%, se tanto, só um terço do avanço chinês e apenas em linha com a média mundial. A América Latina, idem.

Não devemos morrer de amores por esse resultado. O Brasil perde muito, em termos relativos, ganhando espaço, exclusivamente, sobre quem está em crise aguda ou estagnado.

O show continua sendo comandado de fora do Brasil e da nossa região. Tivemos muita sorte com o episódio das commodities em alta, mas fizemos e fazemos vista grossa para os ganhos potenciais de produtividade alcançáveis caso fosse implantado no país um modelo econômico de fato racional e que capitalizasse a base da sociedade brasileira.

Por enquanto, só estamos endividando, e muito rápido, a base da nossa população. Não é o que deveria nos interessar a longo prazo.

*Paulo Rabello de Castro é chairman da SR Rating e presidente do Conselho Estratégico da Fecomercio

Publicado por:  Brasil Econômico

Da tragédia ao dano econômico

20 de janeiro de 2012

Rolf Kuntz

Seca no Sul e chuva no Sudeste foram temas centrais do noticiário no começo do ano, com mais um desfile de tragédias e a costumeira comprovação do descaso e da inépcia das autoridades – desta vez com o detalhe escabroso do uso político das verbas do Ministério da Integração. As editorias de Economia demoraram a entrar na cobertura, mas acabaram forçadas a se envolver no assunto, quando o próprio governo divulgou com reservas a nova estimativa de safra e a Vale anunciou problemas na produção de minério de ferro.

O governo apresentou a nova previsão de safra de grãos e oleaginosas na terça-feira, dia 10/1. O levantamento, encerrado em dezembro, estava provavelmente desatualizado, por causa da longa estiagem nos Estados do Sul, principalmente no Rio Grande. Ao comentar os números, o diretor de Comercialização e Abastecimento do Ministério da Agricultura, Edilson Guimarães, chamou a atenção para perdas prováveis nas lavouras de milho, soja, arroz e feijão – principalmente milho.

Carlos Bestetti, gerente de levantamento de safras da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), acrescentou um detalhe sinistro: os efeitos da seca ainda continuariam por algum tempo, talvez por três meses, e as perdas poderiam superar qualquer estimativa atual. Todos os grandes jornais noticiaram, até com destaque, mas só O Estado de S. Paulo publicou chamada na primeira página de quarta-feira, dia 11.

O assunto era da maior importância tanto por causa dos preços internos quanto pelo peso da agropecuária no comércio exterior. Em 2011, o agronegócio faturou US$ 94,6 bilhões com a exportação e o superávit comercial do setor chegou a US$ 77,5 bilhões. Faltou realçar esse detalhe, só explorado com algum destaque pelo Valor, na edição de quarta-feira.

Na mesma edição, o Valor destacou na primeira página as dificuldades de produção de minério nas áreas atingidas pelas chuvas, e nisso se adiantou aos outros jornais. A maior parte só apresentou o assunto dois dias mais tarde, quando a Vale já havia divulgado uma informação oficial sobre os efeitos da chuva na atividade em Minas Gerais.

Até aqui, a imprensa parece ter cumprido a tarefa de coletar e transmitir informações. Pelo menos até sexta-feira (13/1), no entanto, ninguém tinha publicado um bom – e até óbvio – material consolidado sobre os prováveis efeitos econômicos da combinação da estiagem com a chuvarada.

Publicado por:  Observatório da Imprensa

As falácias do “poder defensivo”

19 de janeiro de 2012

Carlos Lungarzo

“O ‘martelar’ do discurso militarista não é novo na América Latina. Desde 1828, mais ou menos, Brasil e Argentina concorreram ou se complementaram na tarefa de obter a hegemonia da América do Sul, para pesadelo dos outros países da região”

Em novembro de 2011, numa comissão de parlamentares, o ministro da Defesa, Celso Amorim, saiu em defesa da necessidade de armar o país contra os Estados que cobiçam o petróleo, as florestas e os alimentos brasileiros. Este raciocínio pode ser qualificado de muitas maneiras, mas não de ser original.

No século 19, Napoleão advertia o povo francês sobre a cobiça de todas as monarquias europeias contra a grandeza da França. Já em 1914, o corrupto partido Social Democrata Alemão aprovava os créditos de guerra para o Kaiser, aduzindo que, mesmo que a Alemanha fosse imperialista, a Rússia era muito mais (!). Stalin, cujo maior inimigo era o nazismo, se aliou com este para defender-se de um Estado fraco e paupérrimo como a Polônia, enquanto Hitler advertia sobre o perigo representado pela França, a Inglaterra, os judeus, os ciganos, os gays e os povos eslavos.

Nossos países não quiseram privar-se de participar nestes sangrentos espetáculos de circo: a ditadura argentina (autora de mais de 30.000 assassinatos) conseguiu em 1982 o entusiasta apoio do povo, mostrando como umas míseras ilhas habitadas por menos de 2 mil britânicos havia 150 anos, colocavam em mortal risco a soberania do país. (A ideia dos militares foi boa para a democracia, porque sua derrota apressou sua saída.)

O que, sim, pode ser original no ministro Amorim é a falta de identificação do inimigo. Ele não disse quais seriam, em algum futuro, mesmo remoto, os possíveis candidatos a cobiçar a riqueza brasileira. Ele define sua estratégia como a “construção de um cinturão de paz e boa vontade na América do Sul e de dissuasão para fora do continente”.

Portanto, os países da região não devem estar entre os possíveis cobiçosos. Tampouco pode ser a África, devastada por racismos de todas as nacionalidades. Os grandes territórios com alta população, como a Índia, a China e Rússia, são poderosos “emergentes” que formam o exclusivo clube BRIC e, portanto, não poderiam colocar-se contra seus amigos do oeste. Amorim fez uma ressalva interessante:

“Hoje, estamos fora dos eixos de conflito, mas não posso garantir que isso ocorra no futuro.” Ou seja, o ministro não pretende predizer o futuro, mas mostra um perigo. No entanto, qualquer projeto defensivo com um mínimo de realismo deve imaginar cenários futuros que, se não prováveis, pelo menos sejam possíveis.

Parece ridículo sugerir que o panorama mundial possa mudar tão radicalmente em algumas décadas que o Brasil passe a integrar o conflito de Meio Oriente, ou a participar das crises político-militares asiáticas, ou que a geografia física mude de lugar, colocando o Brasil na fronteira com Israel. O ministro não disse isso, é claro, mas o difuso fantasma da agressão, cuja identidade e percurso não mostra, parece sugerir que tudo pode acontecer se os invejosos de grandeza brasileira se unissem.

Ora, se considerarmos um cenário que tenha um mínimo de factibilidade, os inimigos futuros do Brasil não podem estar muito longe. Quantos séculos deveriam passar para que uma potência asiática pudesse ocupar territorialmente a América do Sul usando armas e navios convencionais, e estabelecer linhas de abastecimento de milhares de quilômetros numa guerra nuclear?

(Se falarmos em armas nucleares, estaríamos em outra hipótese de conflito, que já foi adiantada pelo falecido vice-presidente e repetida até o esgotamento por diversos chefes militares. Mas o ministro da Defesa parece ter o bom critério de não referir-se a isso, pelo menos por enquanto.)

De fato, os únicos que poderiam ameaçar o Brasil (se decidirmos levar a sério o novo apocalipse), são os Estados Unidos e a União Europeia.

A cobiça a que se refere Amorim parece representada em várias manifestações dos Estados Unidos há muitos anos. Por um lado, a referência recorrente à Amazônia, algumas insinuações sobre o subsal (ou “pré-sal” como se diz no Brasil), certo desconforto da Casa Branca pelo aparente “orgulho nacionalista” do Brasil, a fraternidade brasileira (sincera?) com os países que os americanos chamam de “Eixo do Mal”, e outros sintomas isolados.

O discurso populista cívico-militar no Brasil parece interessado em mostrar que o país pode ter sua soberania ameaçada pelos Estados Unidos, apesar da colaboração que existiu sempre entre ambos os Exércitos. Obviamente, ninguém é tão pouco diplomático para dizer isso com todas as letras, mas a advertência está colocada implicitamente. Ninguém reagiu há alguns anos quando o então chanceler ameaçou pequenos países como o Equador e a Bolívia por tentar questionar o saqueio a que foram submetidos por empresas brasileiras. No entanto, é possível que o atual establishment pense que talvez a população apoiasse o crescimento das FFAA, se temesse que os antigos amigos americanos pudessem tornar-se poderosos inimigos.

Segundo Amorim, a sociedade e o Parlamento deveriam entender que as forças armadas são “mais ou menos, como um seguro de vida. Você pode viver 80 anos sem precisar de um, mas sempre pode haver um imprevisto.” (Dito seja de passagem, a comparação suscita algumas dúvidas; se houver algum imprevisto que me obrigasse a usar meu seguro de vida, isso quer dizer que devo estar morto. Talvez o ministro quis dizer “seguro de saúde”.)

Mas as novas declarações dos Estados Unidos nos dias 4 e 5 de janeiro de 2012 modificam um pouco este panorama, caso Amorim tenha pensado nos Estados Unidos como possível “cobiçador”. Com efeito, a prometida redução do orçamento militar americano deve ir acompanhada do direcionamento de parte das verbas restantes para recursos tecnológicos diferentes dos recursos da guerra convencional.

O Pentágono parece querer concentrar-se em robótica, cibernética e inteligência artificial para garantir seu predomínio naval em Oriente. Se o Brasil quiser se defender realmente de uma ação americana, deveria desenvolver armas que neutralizem o uso de instrumentos bélicos de alta tecnologia, os quais, se não excedessem as condições econômicas do país, sem dúvida excederão o conhecimento técnico-científico que o país possui. Ou será que os Estados Unidos venderiam armas cibernéticas ao Brasil para que se defenda dele mesmo?

O “martelar” do discurso militarista não é novo na América Latina. Desde 1828, mais ou menos, Brasil e Argentina concorreram ou se complementaram na tarefa de obter a hegemonia da América do Sul, para pesadelo dos outros países da região, como Paraguai, que nunca se recuperou do extermínio a que foi submetido.

Mas, após a derrota das Falklands/Malvinas, a Argentina perdeu a possibilidade de tornar-se um subimperialismo viável. Portanto, e apesar de todos os protestos de soberania e “altivez” nacional, a Casa Rosada talvez aceitasse a aliança de “boa vontade” proposta por Amorim. Um sério indício é que setores moderadamente fascistas (não me refiro ao nazismo católico, ainda bastante poderoso na Argentina, e dono de uma xenofobia ímpar) cobram do governo atual um maior comedimento com o Brasil. Como o Palácio San Martín não quer surpresas, nestes dias foi aprovada uma lei antiterrorista exigida pelos Estados Unidos.

Enquanto se espera a oportunidade de usar o “seguro de vida”, o Brasil, a Venezuela e a Argentina, usando esta aliança de boa vontade, poderiam fortalecer seus exércitos para reavivar planos de protagonismo castrense na região. Muitos países que hoje são considerados “malditos” e “párias” não seriam desprezíveis para uma aliança oriunda do Terceiro Mundo, especialmente num momento de crise no Primeiro.

Um futuro de reativação bélica nas Américas, que parecia abandonado após Malvinas, não é certamente alentador para países com democracias frágeis, formais, isoladas internacionalmente, e inimigas dos direitos humanos. Por outro lado, também é evidente que a subordinação de qualquer projeto do país ao ritmo de sabres e botas pode ser quase tão nociva como um verdadeiro golpe de Estado.

Publicado por:  Congresso em Foco

O futuro que nós queremos

18 de janeiro de 2012

Fábio Feldmann*

Na semana que passou algumas notícias chamaram atenção: a autorização para entrada de carne suína brasileira nos EUA e, quase simultaneamente, a suspensão da importação de suco de laranja brasileiro por contaminação de um fungicida.

Se de um lado a boa notícia significa a abertura de um mercado enorme para as exportações do país, por outro lado a má notícia traz preocupação pelo fato de que, se o suco de laranja é prejudicial à saúde dos americanos, certamente os mesmos malefícios são previsíveis para os nossos compatriotas.

Há muito tempo enfrentamos barreiras à exportação de produtos brasileiros por motivos dos mais variados, sendo que em situações como a do suco de laranja sempre surge quem diga que se trata apenas de medidas protecionistas com o objetivo de impedir o acesso aos produtos brasileiros. Ponto.

Lembro que na década de 70 se comercializavam, nas prateleiras dos supermercados brasileiros, carnes enlatadas com rótulos em inglês que se introduziam no mercado nacional por não atenderem critérios da legislação americana.

E aqui eram vendidos como de melhor qualidade por serem “produtos de exportação”.

Hoje, no mundo globalizado em que a informação está mais disponível, certamente tal prática é de difícil aceitação por parte dos consumidores nacionais. O próprio setor empresarial brasileiro entende hoje a necessidade de valorizar a certificação de origem e qualidade com o objetivo de alcançar melhor remuneração.

Aliando-se a isso o fato de que as grandes redes de varejo no Brasil também estão “abraçando” a causa da sustentabilidade, existem razões para se supor que os padrões internacionais passem a ser incorporados pelo mercado nacional.

O ambientalismo, por sua vez, “está pagando o preço do seu sucesso”, de acordo com o embaixador André Corrêa do Lago, um dos responsáveis pelas negociações climáticas e da Rio+20.

Concordo inteiramente com esta visão de que o patamar de consciência ambiental hoje é incomparavelmente maior do que há três décadas e que o grande desafio do ambientalismo é como incorporar esse sucesso de modo a avançar concretamente na implementação de uma nova “visão de mundo”.

Na agenda da Rio+20, a ideia de se discutir “uma economia verde” sinaliza, em princípio, nesta direção. Entretanto, o documento inicial divulgado pelas Nações Unidas – The Future We Want – é absolutamente decepcionante, exatamente porque foi incapaz de incorporar o que surgiu de novo no mundo nos últimos anos.

A ideia de termos uma economia que incorpore os novos elementos dessa visão de mundo é o grande desafio, como tem assinalado brilhantemente o economista Ricardo Abramovay em seu documento “Transição para um nova economia”.

E estas preocupações deveriam constar necessariamente da agenda daqueles que planejam a economia brasileira, assegurando que a mesma, na produção de seus bens e serviços e consumo, incorpore estas novas demandas da sociedade.

Infelizmente ainda vemos no Brasil um enorme conservadorismo na compreensão de que há necessidade de o poder público liderar esse processo de tornar a nossa economia mais verde ou sustentável mediante políticas públicas adequadas.

Enfim, há que pensar o futuro que nós queremos com imaginação criativa: é o que está faltando nas discussões da Rio+ 20.

*Fábio Feldmann é Consultor em sustentabilidade

Publicado por:  Brasil Econômico

Missão Constitucional

12 de janeiro de 2012

Paulo Carvalho Espíndola*

Não faltarão companheiros para criticar-me, mas não consigo ficar calado diante da vulgarização.

Trabalhei no Comando de Operações Terrestres (COTER) do Exército Brasileiro e vi lá profissionais muito dignos às voltas com as Missões Subsidiárias. O que são elas? Se chover, a governalha chama o Exército Brasileiro (EB) para acorrer no socorro aos atingidos pelas chuvas. Se não chove, lá vai o Exército a fazer não sei o quê. Agora, vejo o Exército acionado para prevenir o acesso da febre aftosa na fronteira de Estados brasileiros com o Paraguai.

Pasmo, vi pela televisão soldados apoiados por viaturas blindadas para cumprir essa missão exótica. Qual a finalidade de um carro de combate nessa circunstância? Dar tiros de canhão nos caminhões de gado contaminados ou matar a tiros de canhão os agentes biológicos que possam ameaçar o rebanho do centro-oeste? E se derem tiros, qual seria o respaldo ao desrespeito aos direitos humanos ou coisa que o valha?

Mais preocupado ainda fiquei com a oferta da presidenta de empregar o EB nos Estados do sul, para fazer face à seca que lá se abate. Perdoem-me companheiros doutos em missões subsidiárias, mas no sul? Ainda enxergo valia no Nordeste, o eterno desvalido pela politicalha. Porém os estados nordestinos hoje exibem pujança econômica alheia a qualquer esgar de providências dessa governalha. Como dizia um grande comandante que tive, o Brasil cresce de noite, quando essa canalha dorme, inebriada pela farra com que faz com o nosso dinheiro. Cresce, sim, de noite, por essa força inercial que vem de todos nós.

Os terroristas e criminosos do colarinho branco, por medo ou revanchismo, intentam em reformar a missão constitucional das Forças Armadas. Defesa interna é uma expressão maldita para eles. Entendem que a ordem interna só é ameaçada por intempéries. Aí, sim, mandam os milicos que eles resolvem, enquanto, a governalha, sorve o caro uísque da prostituição moral.

Não tem jeito. Mudaram a missão constitucional das Forças Armadas. Mesmo que não tenha sido por resolução desse podre legislativo, mas na prática.

Não custa muito. Em breve, veremos o Exército ser chamado para apartar briga de cachorros, a Marinha para torpedear baleias assassinas e a Força Aérea a abater urubus.

Dizem que somos a quinta ou sexta economia do mundo. Dessa forma, qualquer republiqueta virá afrontar-nos. Empregue, Dilma, a sua Força Nacional de Segurança, já que nossas Forças Armadas, desarmadas, estão no estrito cumprimento da missão Constitucional da sua governalha. Antes, num ato de misericórdia, prenda todos os asseclas do seu ministério. O Exército não tem por missão prender ninguém, muito menos você, que já foi presa no passado por graves crimes.

E a vida continua…

*Paulo Carvalho Espíndola é Coronel Reformado.

Publicado por:  Alerta Total

Troca de papéis

17 de dezembro de 2011

Antonio Alvarenga* 

O Brasil vem acompanhando as idas e vindas do processo de votação do novo Código Florestal na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. Em meio às discussões, assistimos a atores, cantores, escritores, sociólogos, religiosos, entre outros, emitirem as mais variadas opiniões sobre o tema.

Na verdade, na maioria são apenas palpites. Parece futebol, em que todos se julgam 190 milhões de especialistas. Participar do encaminhamento de assunto tão importante para o país e tentar influência-lo faz parte do jogo democrático.

No entanto, é preciso ter seriedade e embasamento técnico. Há muita desinformação, emotividade, interesses e, em alguns casos, má-fé no trato das questões ambientais no Brasil.

Os alarmistas de plantão fazem previsões catastróficas, na maioria das vezes sem qualquer fundamento científico. Há também os ingênuos, que divulgam inverdades em um embalo conservacionista.

Alguns ambientalistas confundem os produtores rurais, responsáveis pela interiorização do desenvolvimento brasileiro, com simples “desmatadores”. É preciso diferenciar desmatamento predatório de terra cultivada.

A maioria dos cinco milhões de produtores rurais brasileiros tem consciência da necessidade de preservação ambiental. Ninguém preza mais os recursos naturais do que os agricultores.

Eles sabem que a deterioração de suas terras significa perda de sua capacidade produtiva e, consequentemente, de seu patrimônio. É claro que há exceções. Existem aqueles que agridem o meio ambiente por desconhecimento técnico ou falta de educação ambiental.

Existem também alguns poucos produtores, com visão de curto prazo, que desmatam irregularmente. Esses devem ser punidos. Hoje já se dispõe de eficientes sistemas de monitoramento por satélites capazes de acompanhar e fiscalizar desmatamentos ilegais.

No caso do novo Código Florestal, ninguém pode duvidar da isenção e da seriedade do ministro Aldo Rebelo, histórico militante comunista, que fez um trabalho exemplar como relator do projeto na Câmara dos Deputados.

Após visitar diversas regiões do país e conhecer de perto a realidade dos produtores e seus problemas, Aldo Rebelo foi sensato e justo. E a ministra Izabella Teixeira tem pautado sua participação no governo pelo equilíbrio e o bom senso.

Apesar do bombardeio de palpites e desinformações, o bom senso tem prevalecido. A proposta aprovada pelo Senado não é a ideal, mas é boa. Preserva o meio ambiente, recupera áreas degradadas e incentiva a economia verde.

Obteve-se um equilíbrio entre a preservação ambiental e a produção rural. Somos uma nação que precisa crescer, proporcionar emprego e boas condições de vida aos brasileiros.

O Brasil tem condições de se tornar o maior produtor de alimentos e de biocombustíveis do mundo, preservando seu meio ambiente e sua biodiversidade.

É inaceitável impedir nosso progresso por conta dos falsos argumentos preservacionistas disseminados por fundamentalistas ou pessoas de boa-fé, mas tecnicamente despreparadas. Cada um precisa cumprir o seu papel.

*Antonio Alvarenga é presidente da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA)

Publicado por:  Brasil Econômico

Um samba no funiculì, funiculà*

11 de dezembro de 2011

Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa

Brasileira nascida em 1937, neta de italianos, resolvi comparar a vida de uma Maria Elena italiana com a minha.

Se nascesse no Veneto, como meus nonni, estaria sob o império do Duce e enfrentaria a II GG. Sofreria muito pois a bacia do Ádige, rio que banha Cavàrzere, cidade de onde viemos, foi bombardeada sem trégua.

No fim da guerra eu teria oito anos e certamente sentiria a miséria que a guerra deixa atrás de si. É provável que ficasse sabendo que o rei já era, que o maledetto Mussolini estava morto e que agora a Itália era uma república.

Presenciaria a recuperação da economia, o renascimento da indústria, o renascer das artes plásticas, do cinema e da sacrossanta ópera. Sem esquecer o Milan, a Juventus e companhia bella, claro!

Quem tem Roma, Veneza, Florença, Nápoles e a potência de Milão, pode se virar. O turismo recuperou sua força e na década de 60 a Itália já estava rica novamente.

Tudo cor de rosa? Não. A luta entre o rosso de Moscou e a púrpura do Vaticano, longe de ser simpática como a travada entre Don Camillo e o honorável Peppone no cinema e na literatura, foi cruel e fez a Itália padecer muito. Para tudo se acabar num Berlusconi…

A lira foi substituída pelo euro, a Europa está de quatro e mais uma vez os países banhados pelo Mediterrâneo são os primeiros a sofrer. Nesse ponto estaria a Maria Elena, uma vechietta enfurecida com o bunga-bunga do fanfarrão.

Já a Maria Helena está no melhor dos mundos. Na terra onde canta o sabiá, onde a natureza é gentil, onde hoje reinam a Ordem e o Progresso.

Tirando alguns poucos eventos ocorridos entre outubro de 1937 e janeiro de 2003, o Brasil esteve parado, mas sem grandes traumas. Não eramos, digamos.

Houve uma ligeira perturbação em 1964, o Estado e determinados cidadãos, às vezes esquecidos que o brasileiro é tão bonzinho, se estranharam, coisa leve, nada que impeça o convívio harmonioso entre os anistiados e aqueles que detinham o poder nas mãos e lhes concederam a anistia.

De repente, a bênção, o milagre, o Lulopetismo. Agora somos.

Saúde Pública perfeita, Agricultura, Educação,Transportes, tudo a pleno vapor, não temos mais miséria, uma nação exemplo: três classes.

C, D, E se fundiram na B; depois vem a A, mínima, e a seguir, a AA, tamanho nano. Tecido social ma-ra-vi-lho-so.

Se alguém duvidar, peço que responda: em que outro lugar do mundo cairiam sete ministros sem nem um solavanco nas instituições? Hein? Hein?

O Brasil está pronto, acabado. E num patamar tão elevado que só uma preocupação move certos líderes do partido do governo: regular a mídia.

Eles têm razão. Só falta mesmo isso.

* ouça funiculì, funiculà

Publicado por:  Blog do Nobolat