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A reclamação do Irã contra Dilma é uma boa notícia para os brasileiros de bem: nossa política externa deixa de abraçar o pária Ahmadinejad

27 de janeiro de 2012

Ricardo Setti

Os criadores de aves e de bovinos certamente não estão gostando, porque as exportações de carne para o Irã podem sofrer represálias, mas, para o governo da presidente Dilma Rousseff, é uma verdadeira condecoração a reclamação feita pelo porta-voz do ditador Mahmoud Ahmadinejad contra a política externa do atual governo brasileiro em relação ao regime delirante dos aiatolás atômicos.

A entrevista do porta-voz pessoal de Ahmadinejad, Ali Akbar Javanfekr, ao jornalista Samy Adghirni, da Folha de S. Paulo, acaba sendo uma boa notícia para os brasileiros de bem.                                Lula, feliz, ao lado do tirano Ahmadinejad em Brasília, em Brasília (Foto: abril.com.br)

“A presidente brasileira golpeou tudo que Lula havia feito”, choramingou o porta-voz. “Ela destruiu anos de bom relacionamento. (…) Lula está fazendo muita falta”.

Relação correta e voto pró-direitos humanos

Na verdade, o governo Dilma não destruiu nada, e continua mantendo uma relação correta com o Irã, sem o calor suspeito e incômodo que emanava do lulalato em direção à ditadura que oprime o antigo reino persa.

A “destruição” a que ele se refere tem na verdade ligação com algo de muito bom ocorrido na política externa: o voto proferido em março na ONU pelo Brasil em favor de uma investigação sobre violações de direitos humanos no Irã.

Amigo do peito de Lula

Lula, como se recorda, era amigão do peito do tirano, recebeu-o em Brasília com tapete vermelho, para horror de aliados tradicionais do Brasil, como os principais países da Europa Ocidental, os Estados Unidos e o Canadá, e foi visitá-lo em Teerã, apesar de Ahmadinejad, com seu projeto de obter a bomba atômica, ter-se tornado um pária perante a maior parte da comunidade internacional.

Atitude ridícula do embaixador do Brasil

Nesse contexto de o Brasil ter diante do Irã uma postura mais alinhada com o mundo civilizado, torna-se particularmente ridícula a atitude do embaixador brasileiro em Teerã, Antonio Salgado, que, em recente evento no Rio de Janeiro, considerou a frase “infeliz” de Ahmadinejad sobre “varrer Israel do mapa” como “aparentemente mal compreendida” no Ocidente.

O governo do Irã já disse e repetiu várias vezes que pretende destruir Israel. Só crianças de colo desconhecem as intenções de Ahmadinejad. “Mal compreendida?” Mal compreendida é a posição do embaixador.

Afinal, ele está em Teerã para defender os interesses do Brasil ou veio ao Rio para defender as péssimas intenções do Irã?

Publicado por:  Coluna do Ricardo Setti

Avançamos pouco em 5 anos

26 de janeiro de 2012

Paulo Rabello de Castro*

Cinco anos fazem grande diferença para um país. Mais ainda na perspectiva dos países concorrentes.

A China colocou mais alguns cavalos de vantagem sobre os demais países no quinquênio de 2008 a 2012.

Estamos começando o quinto ano da chamada Grande Recessão, iniciada com o estouro da bolha em 2008.

Os EUA ainda apresentam uma recuperação manufatureira fraca, sem retornar sequer aos níveis pré-crise.

Salvam-se pelo avanço do agronegócio, das suas indústrias “criativas” e de alta tecnologia, e dos serviços ligados à demanda do governo, pelo enorme déficit federal, inclusive das guerras externas.

Do outro lado do Atlântico, a Europa evitou uma queda livre pela vitalidade competitiva da indústria alemã, bem como de alguns setores de ponta nos países mais bem organizados da área, como Suécia, Finlândia, Noruega e Holanda, entre outros da parte setentrional rica da zona do euro.

Mas o melhor dos mundos para a Europa em 2012 ainda será evitar o colapso da sua economia regional. No caso do Japão, o resultado está longe de ser o pior, no time dos países estancados. Crescerá este ano.

As esperanças da demanda mundial em 2012 continuam voltadas para a Ásia, com a China no centro, e a Índia ocupando um espaço crescente nesse conjunto.

Os últimos cinco anos, incluindo 2012, farão enorme diferença a favor dos asiáticos, campeões de crescimento, dos quais estamos apenas tomando carona.

É, para nós, o “bônus China”, uma explosão de demanda e de preços pagos pelas commodities brasileiras, minerais e agrícolas, que coincidiu matematicamente com a era Lula, estendendo-se agora ao período Dilma.

O Brasil aproveitou parcialmente este bônus. Acelerou a inclusão social através do crédito consignado, das bolsas assistenciais e dos gastos correntes de governo.

Os dólares das commodities fecharam o buraco da dívida externa, possibilitando também ao brasileiro virar o consumidor mais cobiçado dos paraísos de consumo, em Miami, Nova York, Londres, Madri, e até na Ásia. Autos importados, o sonho de consumo dos brasileiros, saltaram à frente da produção local.

O resumo da “Grande Recessão”, ao final deste ano, será o seguinte: em números redondos, a China terá avançado 60%; enquanto o conjunto da Ásia e India, cerca 50%; e os países de alta renda, apenas 3%, ou seja, a recessão foi para os ricos! Mas, e o Brasil, a América Latina? Estes ficarão a menos do meio caminho entre o extraordinário avanço dos asiáticos e a formidável recessão dos países ricos.

O crescimento acumulado do Brasil, no quinquênio, não passará de 20%, se tanto, só um terço do avanço chinês e apenas em linha com a média mundial. A América Latina, idem.

Não devemos morrer de amores por esse resultado. O Brasil perde muito, em termos relativos, ganhando espaço, exclusivamente, sobre quem está em crise aguda ou estagnado.

O show continua sendo comandado de fora do Brasil e da nossa região. Tivemos muita sorte com o episódio das commodities em alta, mas fizemos e fazemos vista grossa para os ganhos potenciais de produtividade alcançáveis caso fosse implantado no país um modelo econômico de fato racional e que capitalizasse a base da sociedade brasileira.

Por enquanto, só estamos endividando, e muito rápido, a base da nossa população. Não é o que deveria nos interessar a longo prazo.

*Paulo Rabello de Castro é chairman da SR Rating e presidente do Conselho Estratégico da Fecomercio

Publicado por:  Brasil Econômico

Da tragédia ao dano econômico

20 de janeiro de 2012

Rolf Kuntz

Seca no Sul e chuva no Sudeste foram temas centrais do noticiário no começo do ano, com mais um desfile de tragédias e a costumeira comprovação do descaso e da inépcia das autoridades – desta vez com o detalhe escabroso do uso político das verbas do Ministério da Integração. As editorias de Economia demoraram a entrar na cobertura, mas acabaram forçadas a se envolver no assunto, quando o próprio governo divulgou com reservas a nova estimativa de safra e a Vale anunciou problemas na produção de minério de ferro.

O governo apresentou a nova previsão de safra de grãos e oleaginosas na terça-feira, dia 10/1. O levantamento, encerrado em dezembro, estava provavelmente desatualizado, por causa da longa estiagem nos Estados do Sul, principalmente no Rio Grande. Ao comentar os números, o diretor de Comercialização e Abastecimento do Ministério da Agricultura, Edilson Guimarães, chamou a atenção para perdas prováveis nas lavouras de milho, soja, arroz e feijão – principalmente milho.

Carlos Bestetti, gerente de levantamento de safras da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), acrescentou um detalhe sinistro: os efeitos da seca ainda continuariam por algum tempo, talvez por três meses, e as perdas poderiam superar qualquer estimativa atual. Todos os grandes jornais noticiaram, até com destaque, mas só O Estado de S. Paulo publicou chamada na primeira página de quarta-feira, dia 11.

O assunto era da maior importância tanto por causa dos preços internos quanto pelo peso da agropecuária no comércio exterior. Em 2011, o agronegócio faturou US$ 94,6 bilhões com a exportação e o superávit comercial do setor chegou a US$ 77,5 bilhões. Faltou realçar esse detalhe, só explorado com algum destaque pelo Valor, na edição de quarta-feira.

Na mesma edição, o Valor destacou na primeira página as dificuldades de produção de minério nas áreas atingidas pelas chuvas, e nisso se adiantou aos outros jornais. A maior parte só apresentou o assunto dois dias mais tarde, quando a Vale já havia divulgado uma informação oficial sobre os efeitos da chuva na atividade em Minas Gerais.

Até aqui, a imprensa parece ter cumprido a tarefa de coletar e transmitir informações. Pelo menos até sexta-feira (13/1), no entanto, ninguém tinha publicado um bom – e até óbvio – material consolidado sobre os prováveis efeitos econômicos da combinação da estiagem com a chuvarada.

Publicado por:  Observatório da Imprensa

As falácias do “poder defensivo”

19 de janeiro de 2012

Carlos Lungarzo

“O ‘martelar’ do discurso militarista não é novo na América Latina. Desde 1828, mais ou menos, Brasil e Argentina concorreram ou se complementaram na tarefa de obter a hegemonia da América do Sul, para pesadelo dos outros países da região”

Em novembro de 2011, numa comissão de parlamentares, o ministro da Defesa, Celso Amorim, saiu em defesa da necessidade de armar o país contra os Estados que cobiçam o petróleo, as florestas e os alimentos brasileiros. Este raciocínio pode ser qualificado de muitas maneiras, mas não de ser original.

No século 19, Napoleão advertia o povo francês sobre a cobiça de todas as monarquias europeias contra a grandeza da França. Já em 1914, o corrupto partido Social Democrata Alemão aprovava os créditos de guerra para o Kaiser, aduzindo que, mesmo que a Alemanha fosse imperialista, a Rússia era muito mais (!). Stalin, cujo maior inimigo era o nazismo, se aliou com este para defender-se de um Estado fraco e paupérrimo como a Polônia, enquanto Hitler advertia sobre o perigo representado pela França, a Inglaterra, os judeus, os ciganos, os gays e os povos eslavos.

Nossos países não quiseram privar-se de participar nestes sangrentos espetáculos de circo: a ditadura argentina (autora de mais de 30.000 assassinatos) conseguiu em 1982 o entusiasta apoio do povo, mostrando como umas míseras ilhas habitadas por menos de 2 mil britânicos havia 150 anos, colocavam em mortal risco a soberania do país. (A ideia dos militares foi boa para a democracia, porque sua derrota apressou sua saída.)

O que, sim, pode ser original no ministro Amorim é a falta de identificação do inimigo. Ele não disse quais seriam, em algum futuro, mesmo remoto, os possíveis candidatos a cobiçar a riqueza brasileira. Ele define sua estratégia como a “construção de um cinturão de paz e boa vontade na América do Sul e de dissuasão para fora do continente”.

Portanto, os países da região não devem estar entre os possíveis cobiçosos. Tampouco pode ser a África, devastada por racismos de todas as nacionalidades. Os grandes territórios com alta população, como a Índia, a China e Rússia, são poderosos “emergentes” que formam o exclusivo clube BRIC e, portanto, não poderiam colocar-se contra seus amigos do oeste. Amorim fez uma ressalva interessante:

“Hoje, estamos fora dos eixos de conflito, mas não posso garantir que isso ocorra no futuro.” Ou seja, o ministro não pretende predizer o futuro, mas mostra um perigo. No entanto, qualquer projeto defensivo com um mínimo de realismo deve imaginar cenários futuros que, se não prováveis, pelo menos sejam possíveis.

Parece ridículo sugerir que o panorama mundial possa mudar tão radicalmente em algumas décadas que o Brasil passe a integrar o conflito de Meio Oriente, ou a participar das crises político-militares asiáticas, ou que a geografia física mude de lugar, colocando o Brasil na fronteira com Israel. O ministro não disse isso, é claro, mas o difuso fantasma da agressão, cuja identidade e percurso não mostra, parece sugerir que tudo pode acontecer se os invejosos de grandeza brasileira se unissem.

Ora, se considerarmos um cenário que tenha um mínimo de factibilidade, os inimigos futuros do Brasil não podem estar muito longe. Quantos séculos deveriam passar para que uma potência asiática pudesse ocupar territorialmente a América do Sul usando armas e navios convencionais, e estabelecer linhas de abastecimento de milhares de quilômetros numa guerra nuclear?

(Se falarmos em armas nucleares, estaríamos em outra hipótese de conflito, que já foi adiantada pelo falecido vice-presidente e repetida até o esgotamento por diversos chefes militares. Mas o ministro da Defesa parece ter o bom critério de não referir-se a isso, pelo menos por enquanto.)

De fato, os únicos que poderiam ameaçar o Brasil (se decidirmos levar a sério o novo apocalipse), são os Estados Unidos e a União Europeia.

A cobiça a que se refere Amorim parece representada em várias manifestações dos Estados Unidos há muitos anos. Por um lado, a referência recorrente à Amazônia, algumas insinuações sobre o subsal (ou “pré-sal” como se diz no Brasil), certo desconforto da Casa Branca pelo aparente “orgulho nacionalista” do Brasil, a fraternidade brasileira (sincera?) com os países que os americanos chamam de “Eixo do Mal”, e outros sintomas isolados.

O discurso populista cívico-militar no Brasil parece interessado em mostrar que o país pode ter sua soberania ameaçada pelos Estados Unidos, apesar da colaboração que existiu sempre entre ambos os Exércitos. Obviamente, ninguém é tão pouco diplomático para dizer isso com todas as letras, mas a advertência está colocada implicitamente. Ninguém reagiu há alguns anos quando o então chanceler ameaçou pequenos países como o Equador e a Bolívia por tentar questionar o saqueio a que foram submetidos por empresas brasileiras. No entanto, é possível que o atual establishment pense que talvez a população apoiasse o crescimento das FFAA, se temesse que os antigos amigos americanos pudessem tornar-se poderosos inimigos.

Segundo Amorim, a sociedade e o Parlamento deveriam entender que as forças armadas são “mais ou menos, como um seguro de vida. Você pode viver 80 anos sem precisar de um, mas sempre pode haver um imprevisto.” (Dito seja de passagem, a comparação suscita algumas dúvidas; se houver algum imprevisto que me obrigasse a usar meu seguro de vida, isso quer dizer que devo estar morto. Talvez o ministro quis dizer “seguro de saúde”.)

Mas as novas declarações dos Estados Unidos nos dias 4 e 5 de janeiro de 2012 modificam um pouco este panorama, caso Amorim tenha pensado nos Estados Unidos como possível “cobiçador”. Com efeito, a prometida redução do orçamento militar americano deve ir acompanhada do direcionamento de parte das verbas restantes para recursos tecnológicos diferentes dos recursos da guerra convencional.

O Pentágono parece querer concentrar-se em robótica, cibernética e inteligência artificial para garantir seu predomínio naval em Oriente. Se o Brasil quiser se defender realmente de uma ação americana, deveria desenvolver armas que neutralizem o uso de instrumentos bélicos de alta tecnologia, os quais, se não excedessem as condições econômicas do país, sem dúvida excederão o conhecimento técnico-científico que o país possui. Ou será que os Estados Unidos venderiam armas cibernéticas ao Brasil para que se defenda dele mesmo?

O “martelar” do discurso militarista não é novo na América Latina. Desde 1828, mais ou menos, Brasil e Argentina concorreram ou se complementaram na tarefa de obter a hegemonia da América do Sul, para pesadelo dos outros países da região, como Paraguai, que nunca se recuperou do extermínio a que foi submetido.

Mas, após a derrota das Falklands/Malvinas, a Argentina perdeu a possibilidade de tornar-se um subimperialismo viável. Portanto, e apesar de todos os protestos de soberania e “altivez” nacional, a Casa Rosada talvez aceitasse a aliança de “boa vontade” proposta por Amorim. Um sério indício é que setores moderadamente fascistas (não me refiro ao nazismo católico, ainda bastante poderoso na Argentina, e dono de uma xenofobia ímpar) cobram do governo atual um maior comedimento com o Brasil. Como o Palácio San Martín não quer surpresas, nestes dias foi aprovada uma lei antiterrorista exigida pelos Estados Unidos.

Enquanto se espera a oportunidade de usar o “seguro de vida”, o Brasil, a Venezuela e a Argentina, usando esta aliança de boa vontade, poderiam fortalecer seus exércitos para reavivar planos de protagonismo castrense na região. Muitos países que hoje são considerados “malditos” e “párias” não seriam desprezíveis para uma aliança oriunda do Terceiro Mundo, especialmente num momento de crise no Primeiro.

Um futuro de reativação bélica nas Américas, que parecia abandonado após Malvinas, não é certamente alentador para países com democracias frágeis, formais, isoladas internacionalmente, e inimigas dos direitos humanos. Por outro lado, também é evidente que a subordinação de qualquer projeto do país ao ritmo de sabres e botas pode ser quase tão nociva como um verdadeiro golpe de Estado.

Publicado por:  Congresso em Foco

O futuro que nós queremos

18 de janeiro de 2012

Fábio Feldmann*

Na semana que passou algumas notícias chamaram atenção: a autorização para entrada de carne suína brasileira nos EUA e, quase simultaneamente, a suspensão da importação de suco de laranja brasileiro por contaminação de um fungicida.

Se de um lado a boa notícia significa a abertura de um mercado enorme para as exportações do país, por outro lado a má notícia traz preocupação pelo fato de que, se o suco de laranja é prejudicial à saúde dos americanos, certamente os mesmos malefícios são previsíveis para os nossos compatriotas.

Há muito tempo enfrentamos barreiras à exportação de produtos brasileiros por motivos dos mais variados, sendo que em situações como a do suco de laranja sempre surge quem diga que se trata apenas de medidas protecionistas com o objetivo de impedir o acesso aos produtos brasileiros. Ponto.

Lembro que na década de 70 se comercializavam, nas prateleiras dos supermercados brasileiros, carnes enlatadas com rótulos em inglês que se introduziam no mercado nacional por não atenderem critérios da legislação americana.

E aqui eram vendidos como de melhor qualidade por serem “produtos de exportação”.

Hoje, no mundo globalizado em que a informação está mais disponível, certamente tal prática é de difícil aceitação por parte dos consumidores nacionais. O próprio setor empresarial brasileiro entende hoje a necessidade de valorizar a certificação de origem e qualidade com o objetivo de alcançar melhor remuneração.

Aliando-se a isso o fato de que as grandes redes de varejo no Brasil também estão “abraçando” a causa da sustentabilidade, existem razões para se supor que os padrões internacionais passem a ser incorporados pelo mercado nacional.

O ambientalismo, por sua vez, “está pagando o preço do seu sucesso”, de acordo com o embaixador André Corrêa do Lago, um dos responsáveis pelas negociações climáticas e da Rio+20.

Concordo inteiramente com esta visão de que o patamar de consciência ambiental hoje é incomparavelmente maior do que há três décadas e que o grande desafio do ambientalismo é como incorporar esse sucesso de modo a avançar concretamente na implementação de uma nova “visão de mundo”.

Na agenda da Rio+20, a ideia de se discutir “uma economia verde” sinaliza, em princípio, nesta direção. Entretanto, o documento inicial divulgado pelas Nações Unidas – The Future We Want – é absolutamente decepcionante, exatamente porque foi incapaz de incorporar o que surgiu de novo no mundo nos últimos anos.

A ideia de termos uma economia que incorpore os novos elementos dessa visão de mundo é o grande desafio, como tem assinalado brilhantemente o economista Ricardo Abramovay em seu documento “Transição para um nova economia”.

E estas preocupações deveriam constar necessariamente da agenda daqueles que planejam a economia brasileira, assegurando que a mesma, na produção de seus bens e serviços e consumo, incorpore estas novas demandas da sociedade.

Infelizmente ainda vemos no Brasil um enorme conservadorismo na compreensão de que há necessidade de o poder público liderar esse processo de tornar a nossa economia mais verde ou sustentável mediante políticas públicas adequadas.

Enfim, há que pensar o futuro que nós queremos com imaginação criativa: é o que está faltando nas discussões da Rio+ 20.

*Fábio Feldmann é Consultor em sustentabilidade

Publicado por:  Brasil Econômico