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Fazenda desonera debêntures para projetos específicos

16 de dezembro de 2010

Economia & Negócios

Governo anuncia medidas ‘de desenvolvimento e modernização financeira’ para estimular o financiamento de longo prazo

Fabio Graner, Adriana Fernandes e Eduardo Rodrigues, da Agência Estado

SÃO PAULO – O governo acaba de anunciar as medidas “de desenvolvimento e modernização financeira” cujo objetivo é estimular o financiamento de longo prazo da economia brasileira. A primeira medida anunciada é a desoneração de imposto de renda incidente sobre o rendimento de debêntures emitidas para financiar projetos específicos de infraestrutura. Segundo o Ministério da Fazenda, a desoneração vale para a compra direta ou para a aplicação via fundos de investimento.

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As pessoas físicas que hoje pagariam de 15% a 22,5% de IR terão isenção do imposto nessa modalidade. As pessoas jurídicas terão alíquota de 15% (a nota não explica qual é a tributação atual neste caso). Os investidores estrangeiros (exceto os oriundos de paraíso fiscal) também terão isenção de IR (hoje pagam 15%).

Entre as condições para obtenção do benefício estão: o título terá que ter ‘duration’ de, no mínimo, quatro anos, sem opção de recompra nos dois primeiros anos; rendimento por taxa fixa ou índice de preços; pagamento de cupom com prazo mínimo de 180 dias, emissão total limitada ao valor do projeto e aprovação do projeto de infraestrutura por parte do governo federal.

A Fazenda também anunciou desoneração de IR incidente sobre o rendimento de títulos privados de longo prazo emitidos por empresa não financeira e adquirido por não-residente. O texto da Fazenda não esclarece se, nesse caso, há isenção ou apenas redução do IR incidente nessas operações.

Segundo a Fazenda, a medida ajuda a financiar investimentos, possibilita redução no custo de captação das empresas e diminuiu a necessidade de financiamento público via BNDES. Para o benefício, a regra prevê ‘duration’ mínima de quatro anos, também sem opção de recompra nos dois primeiros anos, rendimento por taxa fixa ou índice de preços, pagamento de cupom com prazo mínimo de 180 dias, emissão por meio de oferta pública e vinculada a um projeto de investimento.

Investimento estrangeiro

O secretário adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Dyogo Oliveira, afirmou que a lógica das medidas anunciadas há pouco é atrair investimentos estrangeiros não especulativos para o financiamento de longo prazo de empresas de projetos produtivos.

Segundo Oliveira, as medidas também incluem pessoas físicas, que poderiam realizar esses investimentos diretamente ou via fundos. O impacto imediato das medidas, disse, é mínimo porque hoje praticamente não há aplicações nessa modalidade de debêntures.

O secretário também adiantou que o fundo de liquidez para títulos privados também anunciado hoje terá cerca de R$ 2 bilhões, equivalentes a 3 pontos porcentuais do compulsório sobre depósitos a prazo, com a finalidade de aumentar a liquidez do mercado secundário.

IOF

O governo também anunciou a redução de 6% para 2% do IOF incidente na entrada de recursos estrangeiros destinados a aplicações em fundos de investimento em participações (FIP) e fundos mútuos de investimento em empresas emergentes (FMIEE). A medida visa a estimular o investimento de longo prazo, segundo a Fazenda.

A última iniciativa anunciada é a permissão para que créditos imobiliários securitizados sejam contabilizados no enquadramento da regra de direcionamento de depósitos de poupança. Pela legislação atual, 65% dos depósitos de poupança têm que ser direcionados para o financiamento imobiliário. A medida, segundo a Fazenda, estimula a “securitização de créditos antigos e libera depósitos de poupança para novos créditos”. De acordo com a Fazenda, o crédito securitizado poderá ser contabilizado por 36 meses, com redução de 1/36 por mês.

Isenção

O secretário de política econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, explicou há pouco que o governo vai isentar do Imposto de Renda (IR) as aplicações de estrangeiros em títulos privados de longo prazo emitidos por empresas não financeiras. A desoneração do IR é voltada para títulos emitidos para financiar investimentos do setor privado. “A medida confere, para os títulos privados de longo prazo, o mesmo tratamento dados aos investidores estrangeiros em títulos públicos”, disse Barbosa.

Segundo o secretário, a estimativa de renúncia fiscal, com essa medida, é “pequena”, da ordem de R$ 60 milhões por ano. Ele informou, ainda, que o incentivo fiscal para debêntures voltadas para o financiamento de infraestrutura é ainda menor, da ordem de R$ 5 milhões por ano. Ele explicou que, nessa medida, o tratamento para debêntures adquiridas por pessoas jurídicas é uma taxação de 15%, exclusivamente na emissão do papel.

Publicada por:  Economia & Negócios

Senado aprova texto do novo Código do Processo Civil

16 de dezembro de 2010

Estadão

Com cerca de mil artigos, o texto encaminhado à Câmara dos Deputados reduzirá em até 70% o período de tramitação de um processo judicial

Rosa Costa / BRASÍLIA – O Estado de S.Paulo

O Senado encerrou nesta quarta-feira, 15, as votações deste ano com a aprovação do novo Código de Processo Civil (CPC), elaborado por uma comissão de juristas e senadores, presidida pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Luiz Fux. Com cerca de mil artigos, o texto encaminhado à Câmara dos Deputados reduzirá em até 70% o período de tramitação de um processo judicial.

Entre as principais inovações está a redução no número de recursos, o fortalecimento do mecanismo de conciliação e a uniformidade das decisões tomada em primeira instância.

Relator do projeto, o senador Valter Pereira (PMDB-MS) afirmou ontem que as mudanças tornarão a Justiça brasileira mais rápida e acessível. Com cerca de 300 artigos a menos do que o código em vigor, o projeto dá um ordenamento mais lógico e objetivo às normas processuais em vigor.

O novo código orienta os juízes de primeiro grau e os tribunais locais a seguir as teses definidas pelos tribunais superiores, antes de tomar decisões ou aceitar recursos. O tribunais superiores, por sua vez, ficam obrigados a tornar públicas mudanças de jurisprudência.

Na semana passado, o Senado também aprovou o projeto de um novo Código do Processo Penal. O documento também terá de ser votado pelos deputados.

Publicada por:   Estadão

TSE decide que votos para fichas-sujas são nulos

16 de dezembro de 2010

Estadão

No futuro, se o Supremo Tribunal Federal (STF) concluir que a Lei da Ficha Limpa não vale em alguns casos, podem ser determinadas mudanças nas bancadas

Mariângela Gallucci / BRASÍLIA – O Estado de S.Paulo

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu na quarta-feira, 15, à noite que os votos dados a candidatos fichas-sujas que não conseguiram o registro de suas candidaturas devem ser considerados nulos. A maioria dos ministros do TSE concluiu que esses votos não devem ser computados para o partido nem para a coligação, mesmo nos casos em que o político disputou a eleição com o registro, mas depois teve uma decisão contrária da Justiça Eleitoral.

O TSE também deixou claro que somente deverão ser diplomados pela Justiça Eleitoral os políticos que estão com seus registros deferidos. As diplomações ocorrem até a sexta-feira, 17. O entendimento do TSE pode provocar algumas mudanças no cálculo das bancadas. E no futuro, se o Supremo Tribunal Federal (STF) concluir que a Lei da Ficha Limpa não vale em alguns casos, podem ser determinadas mudanças nas bancadas.

Por 4 votos a 3, os integrantes do TSE entenderam que a Lei da Ficha Limpa teve o objetivo de desestimular as candidaturas de políticos que não tinham a ficha limpa. De acordo com a maioria dos ministros, se os votos obtidos por esses políticos cujas candidaturas estavam sub judice fossem repassados às legendas ou coligações, o objetivo da lei não seria atingido.

O ministro Arnaldo Versiani afirmou que os partidos poderiam se sentir estimulados a lançar candidato puxador de votos com dúvidas sobre a sua elegibilidade já que herdariam a votação. “A hipótese de que se contava (a votação) para o partido acabou”, afirmou o ministro Marcelo Ribeiro.

Vencido no julgamento, o ministro Marco Aurélio afirmou que era necessário observar as consequências da decisão. Ele disse que o entendimento do tribunal poderá fazer com que no início da legislatura as bancadas ainda não estejam definidas.

Há recursos de candidatos barrados pela Ficha Limpa que ainda terão de ser julgados, inclusive pelo STF. Se esses candidatos obtiverem vitórias no futuro, cálculos terão de ser refeito e bancadas terão de ser remontadas.

“Quando o eleitor digita o número do seu candidato, ele vota não apenas no candidato. Vota simultaneamente no partido e no candidato”, afirmou Marco Aurélio. Mas ele fez questão de opinar que “no Brasil não se tem partido político”. “Nós chegamos até certa altura a imaginar que havia um”, afirmou.

O TSE tomou a decisão ao julgar um recurso envolvendo o candidato a deputado estadual pelo Amapá Ocivaldo Serique Gato. Num primeiro momento, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Estado tinha concedido o registro ao candidato. No dia da eleição, ele estava com o registro. Mas posteriormente, no dia 6 de outubro, o TSE reformou a decisão e concluiu que o político não poderia ter obtido o registro.

Publicada por:  Estadão

Governo retoma IOF de 2% sobre algumas operações

16 de dezembro de 2010

Folha.com  

JULIANA ROCHA
MÁRIO SÉRGIO LIMA
SHEILA D’AMORIM
DE BRASÍLIA

O pacote de medidas do governo para estimular o crédito privado de longo prazo, anunciado nesta quarta-feira, também inclui a redução de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) sobre algumas operações. O imposto foi elevado em outubro para conter a desvalorização do dólar.

O IOF será eliminado quando as operações de compra e vendas dos títulos privados ocorrerem em até 30 dias. “Muitas vezes esses títulos não rendem nada porque o IOF come todo o rendimento”, explicou Mantega, acrescentando que essa é mais uma medida para aumentar a liquidez dos títulos de longo prazo.

O IOF pago por fundos de investimentos de “private equity” e de mercados emergentes quer aplicam em títulos de renda fixa também será reduzido de 6% para 2%.

Hoje, todos os estrangeiros que investem em títulos públicos pagam o imposto mais alto. Mas Mantega afirmou ontem que essas instituições já provaram que fazem aplicações de longo prazo.

O aumento de IOF de para 6% em outubro tinha o objetivo de penalizar especuladores e desestimular a saída de capitais de curto prazo do país.

MEDIDAS

O governo federal anunciou nesta quarta-feira um pacote de medidas para estimular o financiamento privado de longo prazo. Entre as mudanças está a desoneração de Imposto de Renda para os títulos emitidos para financiamento de projetos de infraestrutura.

“As principais linhas de atuação têm por objetivo a desoneração do financiamento privado a projetos de infraestrutura, o desenvolvimento do mercado de títulos privados de longo prazo, o estímulo à recuperação de crédito rural e crédito pessoal e o incentivo à securitização de créditos imobiliários”, informou o Ministério da Fazenda.

Segundo o ministério, empresas criadas para gerir projetos de infraestrutura (chamadas de Sociedade de Propósito Específico) poderão emitir debêntures (títulos de dívidas de empresas que terão desoneração do IR sobre o rendimento.

A desoneração é válida tanto para empresas e pessoas físicas que comprem esses títulos diretamente, quanto para fundos de investimentos.

“Os grandes projetos voltaram. Foi necessário tomar medidas de crédito de longo prazo. Queremos que o setor privado entre [nessa área] para repartir a responsabilidade com o BNDES. Se não, o Luciano vai ficar muito cheio de dinheiro, mais que o Tesouro”, disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao anunciar as medidas no Palácio do Planalto, ao lado do presidente do BNDES, Luciano Coutinho.

Pessoas físicas e estrangeiros que queiram comprar esses títulos terão isenção de IR. Hoje, o imposto sobre o rendimento é de 15%. Para empresas que queiram adquirir os títulos, o imposto caiu de 34% para 15%.

O ministro não anunciou qual será a renúncia fical das medidas.

As principais condições para obter o benefício são: o título tem que ter prazo de vencimento de no mínimo 4 anos para caracterizar uma operação de longo prazo. Não pode ter opção de recompra nos dois primeiros anos e a emissão está limitada ao valor do projeto de infraestrutura que vai financiar.

Empresas que não formam consórcios específicos de infraestrutura também poderão emitir títulos de longo prazo para financiar esses projetos com benefícios dados pelo governo. Essas empresas não poderão ser financeiras.

Com essas medidas, Mantega espera que os títulos se tornem mais atrativos para investidores e reduza po custo desses investimentos.

Mercado secundário

Para garantir a liquidez desses títulos, o governo vai criar um fundo que terá o papel de ser o criador de mercado desses papéis. O fundo, que será privado, vai comprar e vender as debêntures ajudando a formar o preço e garantir que sempre haverá comprador caso o investidor queira se desfazer da aplicação.

Para formar esse fundo, será destinado 3 pontos percentuais do depósito compulsório sobre depósitos a prazo. O BNDES também vai ajudar, mas o presidente do banco não informou quanto vai depositar no novo fundo.

VEJA AS MEDIDAS

1 – Debêntures

1.1 – Emissão de debêntures por SPE (Sociedade de Propósito Específico) para projeto específico terá desoneração do IR incidente sobre o investimento, válida para compra direta ou aplicação via fundo de investimento.

1.2 – Investimentos de pessoa física (que hoje tem alíquota de 15% a 22,5%) e de não residente (15%, exceto de paraíso fiscal) serão isentas e de pessoa jurídica (alíquota de IRPJ e CSLL) será exclusiva de 15%.

1.3 – Condição para obtenção do benefício: Papel com prazo de no mínimo quatro anos e no máximo de seis anos, sem opção de recompra nos dois primeiros anos, rendimento por taxa fixa ou índice de preços, pagamento de cupom (juros intermediários) com prazo mínimo de 180 dias, emissão limitada ao valor do projeto e aprovação do projeto de infraestrutura pelo governo.

2 – Títulos privados de longo prazo (emitidos por empresa não financeira e adquiridos por não residentes)

2.1 – Desoneração do IR sobre rendimento de títulos emitidos para financiar o investimento, o que diminui necessidade de financiamento do BNDES e possibilita redução dos custos de captação das empresas.

2.2 – Condições: iguais às de debêntures, mais emissão por oferta pública pela CVM e sem necessidade de aprovação do governo.

3 – Fundo de Liquidez para títulos privados (direcionamento de 3 pontos percentuais do compulsório sobre depósito à prazo)

3.1 – Criação de fundo para aumentar liquidez do mercado de títulos privados, com colocação diária de propostas de compra e venda. A administração será feita por entidade a ser selecionada ou constituída pelo setor privado e poderá haver recursos adicionais do BNDES.

4 – Redução da tributação sobre mercado de capitais, com revisão tributária para ampliar liquidez e desenvolver mercado de títulos públicos e privados.

4.1 – Eliminação de IOF de até 30 dias sobre compra e venda de títulos privados e modificação na tributação sobre rendimentos periódicos (negociação de títulos fora da data de pagamento do cupom não gerará tributação adicional).

5 – Letras financeiras terão regulamentação da oferta pública via CVM e autorização para emissão de letras financeiras pelo BNDES, que será uma fonte alternativa de financiamento, especialmente para linhas não prioritárias, reduzindo necessidade de empréstimos da União ao banco e com limite anual de emissão.

6 – Desoneração do IOF câmbio, sobre fundos de investimento em participações e fundos mútuos de investimento em empresas emergentes:

6.1 – Redução do IOF na entrada de recursos de 6% para 2%, estimulando o investimento de longo prazo.

7 – Securitização de crédito imobiliário, com permissão para contabilizar esses créditos no direcionamento de depósitos da poupança (em 65%), estimulando a renegociação de créditos antigos e liberando depósitos de poupança para novos créditos. Crédito securitizado pode ser contabilizado por 36 meses, com redução de 1/36 por mês.

* Fonte: Ministério da Fazenda

Publicada por:  Folha.com  

Polícia apreende armas em ação contra o sindicato dos motoristas para investigar mortes

16 de dezembro de 2010

Folha.com

RAPHAEL MARCHIORI
MARIANA DESIDÉRIO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
ANDRÉ CARAMANTE
DE SÃO PAULO

Armas apreendidas nesta quarta-feira em uma megaoperação da polícia contra a diretoria do Sindmotoristas (Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano) de São Paulo têm calibres compatíveis com as usadas em assassinatos de dois diretores da instituição.

Polícia investiga PMs e diretores do sindicato dos motoristas por mortes
Polícia apreende R$ 50 mil com ex-presidente do sindicato

De acordo com a delegada Alexandra de Agostini, do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), foram apreendidas 13 armas dos calibres 380, 38, 22 e.40. Algumas dessas armas são de policiais militares e outras de membros do sindicato.

O revólver calibre 22, que não tinha registro, estava com um irmão de um motorista do sindicato, que foi preso por porte ilegal de arma. As demais tinham registro. Segundo a delegada, os representantes do sindicato, cujas armas foram apreendidas, alegam que andavam armados por estarem com medo e para se defender.

Foram cumpridos 21 mandados de busca e apreensão, autorizados pela juíza Élia Kinosita Bulman, do 2º Tribunal do Júri da Capital. O objetivo da megaoperação foi recolher provas na investigação de membros do Sindmotoristas que podem estar ligados aos assassinatos de Sérgio Augusto Ramos, 48, o Serjão, em outubro, e de José Carlos da Silva, 50, o Irmão da Sambaíba, mês passado.

As duas vítimas eram diretores de base do sindicato e foram mortas de maneira semelhante: por uma dupla de matadores que estava em uma motocicleta.

Também foram apreendidos computadores, munições e R$ 59.400, dos quais R$ 55.400 estavam escondidos dentro de uma panela na casa de Edvaldo Santiago, ex-presidente do Sindmotoristas, no Campo Limpo (zona sul). Os outros R$ 4.000 foram encontrados na casa de um policial militar do 47º Batalhão. Santiago afirmou que o dinheiro apreendido foi declarado no Imposto de Renda. Ele nega envolvimento na morte de Ramos e Sambaíba.

Dentre as casas de diretores do Sindmotoristas vistoriadas pela polícia estão as do presidente da entidade, Isao Hosogi, o Jorginho, e do diretor de finanças, José Valdevan de Jesus Santos, hoje vereador em Taboão da Serra (Grande SP), conhecido como Valdevan Noventa e já investigado pela polícia por suspeita de elo com a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). Santos sempre negou relação com o grupo criminoso. José Ilton Pereira, o Zé Ilton, diretor jurídico do Sindmotoristas é outro alvo da operação do DHPP.

POLICIAIS MILITARES

Em uma outra frente da operação do DHPP, os policiais investigam a suspeita de envolvimento de oito policiais militares ligados ao Sindmotoristas. Sete desses PMs trabalham como seguranças particulares de três diretores do sindicato. Três deles são integrantes da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), espécie de tropa especial da PM paulista.

O oitavo PM investigado pelo DHPP trabalha na região do Jardim Peri (zona norte de São Paulo), mesma área onde foi assassinado em 12 de novembro o sindicalista Irmão da Sambaíba. Ele é suspeito de ter envolvimento no crime, segundo a delegada Agostini.

Segundo a delegada Alexandra, sete equipes da corregedoria da Polícia Militar acompanharam o cumprimento dos mandados de busca e apreensão contra os PMs.

A assessoria da Polícia Militar informou a Corregedoria da corporação investiga o caso e que a prática do “bico”, caso seja comprovada, é passível de suspensão.

Cerca de um mês antes de sua morte, durante uma reunião com trabalhadores do transporte público e de diretores do Sindmotoristas na zona norte, Sambaíba teria sacado uma arma e dito que iria cobrar a verba que não recebia do Sindmotoristas havia três meses.

Essa discussão com ameaças foi, segundo a investigação, contra o diretor Zé Ilton. À polícia, ele nega qualquer participação na morte.

Depois da briga, Sambaíba teria passado a tentar reunir provas dos desvios de verba no sindicato para entregar à polícia e ao Ministério Público e, com isso, despertou a ira dos diretores da entidade.

O outro diretor de base da entidade morto recentemente, Sérgio Ramos, era opositor e denunciava desde janeiro a corrupção no sindicato.

Ramos também foi morto a tiros quando dois homens em uma motor o perseguiram. O crime foi no dia 25 de outubro, quando ele distribuía panfletos sindicais em uma garagem de ônibus da zona sul de São Paulo.

16 MORTOS

A disputa pelo poder entre sindicalistas do transporte público paulistano já causou a morte de ao menos 16 pessoas nos últimos 18 anos, aponta investigação da polícia e do Ministério Público.

A guerra sempre foi motivada pelo controle de um caixa dois de meio milhão de reais ao mês que, segundo as investigações, vão parar nas mãos de diretores do Sindmotoristas, representante de motoristas e cobradores de ônibus em São Paulo.

O dinheiro seria desviado de contratos de planos de saúde da categoria, da compra de cestas básicas para os funcionários e de convênios com empresas, como farmácias e lojas de sapatos.

Há, ainda, uma parte da investigação que tenta saber se os diretores do Sindmotoristas fazem vista grossa para evitar denúncias sobre condições de trabalho de motoristas, cobradores e fiscais.

Na avaliação da polícia e da Promotoria, a entidade se transformou numa “central de corrupção” travestida de defensora da categoria.

De 1992 até agora, mesmo com mudanças na cúpula da diretoria, o roteiro dos crimes é muito parecido: um sindicalista contrariado começa a divulgar denúncias de desvio de verbas do sindicato ou de cobrança de propinas. Aparece morto meses depois.

Em meio à guerra, outras ligações suspeitas aparecem, como no caso do diretor de finanças Valdevan Noventa, investigado pela polícia sob suspeita de lavar dinheiro para traficantes da facção criminosa PCC.

O mandado de busca e apreensão contra Valdevan, segundo a Polícia Civil, não foi cumprido. Isso porque o diretor de finanças havia fornecido à polícia o endereço de familiares de sua esposa, no qual nunca morou. Por conta disso, revela Alexandra, “ele também poderá responder por falsidade ideológica”.

A Folha tenta sem sucesso entrevistar o atual presidente do Sindmotoristas, Isao Hosogi, desde o final de outubro. Jorginho sempre prefere se manifestar via o jornal do sindicato, “O Veículo”, no qual nega desvios de verba e envolvimento nos crimes.

Em outubro, por exemplo, uma “edição extra” do jornal sobre o assassinato de sindicalista Ramos, que havia gravado um vídeo no qual dizia que Jorginho era “o único interessado” em sua morte.

“Quero transmitir a seus amigos e familiares as condolências da diretoria, e dizer que estamos inteiramente à disposição dos órgãos públicos”, afirmou Jorginho.

Publicada por:   Folha.com

Aumento aprovado pelo Congresso poderá custar R$ 1,8 bilhão para cidades

16 de dezembro de 2010

Folha.com

DANIEL RONCAGLIA – DE SÃO PAULO

As cidades poderão sofrer um impacto de até R$ 1,8 bilhão nas suas contas por causa do aumento no salário dos deputados, senadores, ministros e presidente, segundo cálculos da CNM (Confederação Nacional de Municípios).

Câmara aprova aumento de salário do Executivo e Legislativo para R$ 26,7 mil
Em votação relâmpago, Senado aprova aumento de salários no Legislativo e Executivo

A entidade lembra, no entanto, que o aumento do teto salárial das Câmaras dos Vereadores só acontecerá na próxima legislatura, que será eleita em 2012. A lei proíbe o aumento no salário dos parlamentares na própria legislatura.

Nesta quarta-feira, a Câmara dos Deputados e o Senado aprovaram para R$ 26,7 mil o reajuste do subsídio no Legislativo e no Executivo.

Pelo texto aprovado, os deputados e senadores terão um aumento de 61,8%, uma vez que recebem atualmente R$ 16,5 mil, além dos benefícios. No caso do presidente da República e do vice, que recebem atualmente R$ 11,4 mil, o reajuste será de 133,9%. O aumento dos ministros será maior ainda, pois eles recebem R$ 10,7 mil.

Os parlamentares, o presidente, o vice e os ministros estão sem reajuste desde 2007. A inflação no período, porém, foi inferior a 20%.

A proposta entrou em pauta de surpresa e foi aprovada em votações relâmpagos.

EFEITO CASCATA

A CNM lembra que a Constituição limita o salário dos deputados estaduais em 75% do recebido na Câmara dos Deputados.

Apenas no Rio Grande do Sul, o salário é menor –94% do teto.

Com isso, os estaduais poderão subir o subsídio de R$ 12.375 para R$ 20.025.

Na Assembleias Legislativas, esse reajuste será de R$ 128,7 milhões por ano.

A confederação lembra que os salários dos vereadores são vinculados aos dos deputados estaduais.

O teto nas Câmaras dos Vereadores varia de 20% a 75% dependendo do tamanho da cidade.

Publicada por:  Folha.com

Mantega anuncia equipe do Ministério da Fazenda no governo Dilma

16 de dezembro de 2010

Correio Braziliense 

Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou nesta quarta-feira (15) a equipe que o acompanhará na pasta a partir de janeiro. Do time atual, saem o secretário executivo, Nelson Machado, e o secretário da Receita Federal, Otacílio Cartaxo. O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, permanece no cargo e terá a função de conter os gastos públicos em 2011.

No mês passado, Augustin teve o nome anunciado na Secretaria de Fazenda do Rio Grande do Sul, no mandato do governador eleito Tarso Genro. Ele, no entanto, recebeu convite para permanecer em Brasília e aceitou.

Na Receita Federal, Carlos Alberto Barreto assumirá no lugar de Otacílio Cartaxo, que teve a gestão marcada pelos escândalos de vazamento de sigilos fiscais de contribuintes. Barreto foi secretário adjunto na gestão de Jorge Rachid na Receita e, atualmente, preside o conselho que julga recursos administrativos de contribuintes ao Fisco.

O atual secretário de Política Econômica, Nelson Barbosa, passará a ser o secretário executivo, segundo homem mais importante no ministério, substituindo Nelson Machado. Márcio Holland de Brito assumirá a Secretaria de Política Econômica, no lugar de Barbosa.

Diretor do Departamento Econômico do Itamaraty, Márcio Cozendey irá para a Secretaria de Assuntos Internacionais da Fazenda. O diplomata foi um dos principais executores da política de retaliação comercial aos Estados Unidos no caso dos subsídios do algodão.

Os nomes foram divulgados em nota oficial do ministério. Permanecem no cargo, além de Augustin, a procuradora-geral da Fazenda Nacional, Adriana Queiroz de Carvalho, e o secretário de Acompanhamento Econômico, Antônio Henrique Silveira.

Piublicada por:   Correio Braziliense 

Câmara aprova aumento dos salários de parlamentares, ministros e presidente

16 de dezembro de 2010

 Correio Braziliense

O projeto precisa ser aprovado pelo Senado, o que deverá ocorrer ainda hoje 

Agência Brasil

A Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (15/12), projeto de lei que reajusta os salários dos deputados, senadores, ministros, do vice-presidente e presidente da República. Pelo texto aprovado pelos deputados, em votação simbólica, o salário dos parlamentares, do presidente, vice e dos ministros será de R$ 26.723,13 a partir de 1º de fevereiro do ano que vem, quando tomam posse os novos deputados e senadores.

O projeto precisa ser aprovado pelo Senado, o que deverá ocorrer ainda hoje. Pela Constituição, cabe aos deputados e senadores aprovarem o reajuste dos parlamentares para a legislatura seguinte. Como essa legislatura encerra-se em 31 de janeiro, os parlamentares pretendem concluir a votação do reajuste antes do recesso parlamentar, que começa no dia 22 de dezembro. 

Se os senadores aprovarem o texto, caberá ao presidente do Congresso Nacional, senador José Sarney (PMDB-AP), promulgar o projeto de decreto legislativo apresentado pela Mesa Diretora da Câmara. 

Pelo texto aprovado há pouco, deputados e senadores, que ganham atualmente R$ 16,5 mil, terão a partir de fevereiro um reajuste de 61,8%, mais as vantagens que recebem além dos salários. O reajuste para o salário de presidente da República será de 133,9%, já que hoje o salário do chefe do Executivo é de R$ 11,4 mil. Para os ministros de Estado, que recebem R$ 10,7 mil, o reajuste será ainda maior. 

No caso do reajuste dos parlamentares, haverá um efeito cascata, já que pela Constituição deputados estaduais e distritais recebem um percentual do vencimento dos parlamentares federais. 

Com a aprovação do projeto, deputados, senadores, presidente da República, vice-presidente e ministros de Estado passam a ter salários equiparados aos dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e, assim, passam a receber o teto salarial.

Publicada por:  Correio Braziliense

Rio é o Estado que mais cortou gastos com segurança, aponta estudo

15 de dezembro de 2010

MSN Estadão

Por Gabriel Pinheiro, estadao.com.br

SÃO PAULO – Mesmo diante das estatísticas criminais em alta, o Rio de Janeiro foi o Estado brasileiro que mais cortou gastos com segurança pública. No ano passado, a área recebeu 24,6% menos recursos em comparação a 2008 – passou de R$ 4,9 bilhões para R$ 3,7 bilhões. No mesmo período, o País destinou R$ 45,6 bilhões ao setor, o que representa crescimento de 15,43%. Os dados são do Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Apresentado nesta terça-feira, 14, o relatório mostra que o setor mais prejudicado com os cortes na segurança pública do Rio foi informação e inteligência – em 2008, a área teve investimento de R$ 70,5 milhões, contra R$ 26 milhões em 2009, uma queda 63,14%. No mesmo período, houve aumento nos índices de homicídio doloso (0,7%) e latrocínio (5,6%).

‘Enquanto em 2008 o Rio de Janeiro gastava uma média de R$ 310,00 por habitante com segurança pública, em 2009 esse valor caiu para R$ 232,00, inferior aos R$ 270,00 observados em 2006, início da série histórica disponível neste Anuário’, aponta o estudo.

Além do Rio, somente Roraima aparece na contramão da tendência nacional de aumento de gastos com a segurança, com uma redução de 7,6% nos investimentos nos dois últimos anos. Em 2008, foram destinados R$ 137 milhões à área, enquanto em 2009 o valor passou para cerca de R$ 127 milhões.

O estudo aponta que São Paulo segue como o Estado brasileiro que mais destina recursos ao setor. Entre 2008 e 2009, foi registrado crescimento de 12,96% nos gastos com a área, indo de R$ 8,9 bilhões para R$ 10,1 bilhões. Em seguida aparece Minas Gerais, que repassou R$ 4,9 bilhões à segurança pública em 2008 e R$ 5,6 bilhões em 2009, um crescimento de 13,32%.

‘Em valores nominais, todos os Estados aumentaram suas despesas com a área acima da inflação acumulada nesse mesmo período (40,4% pelo IPCA). Entretanto, em termos relativos, municípios e União estão, proporcionalmente, investindo mais do que as Unidades da Federação em segurança pública’, conclui a pesquisa.

Repercussão. À tarde, o governador do Rio, Sérgio Cabral (PDMB), contestou a pesquisa. De acordo com o governador, em 2009 os gastos com inativos e pensões de policiais civis e militares passaram a ser contabilizados como custos de previdência, e não mais nas contas do setor de segurança. A mudança, segundo Cabral, justifica a redução nos números do setor.

Publicada por: MSN Estadão

Temer cobra ‘cautelas verbais’ se Ciro for confirmado na equipe de Dilma

15 de dezembro de 2010

Estadão

Deputado criou desafeto com vice nas eleições deste ano, depois de ter comentado aliança entre PT e PMDB

João Domingo, de o Estado de S.Paulo

BRASÍLIA – Desafeto de Ciro Gomes (PSB), o vice-presidente eleito, Michel Temer, disse acreditar que, se for mesmo confirmado no ministério de Dilma Rousseff, o deputado terá de tomar as devidas “cautelas verbais que o cargo exigirá”.

A incontinência verbal de Ciro irritou o PMDB ao longo dos últimos meses. Sem nenhuma reserva, o deputado costuma atacar o partido. Numa entrevista, ao comentar a aliança do PMDB com o PT para a disputa presidencial, Ciro se referiu assim aos dirigentes peemedebistas:

“Quem manda no partido não tem o menor escrúpulo. Nem ético nem republicano. Nem compromisso público. Nada.” E sobre o PMDB, ele usou esta expressão para se referir ao partido: ” É um ajuntamento de assaltantes”. Temer chegou a examinar a possibilidade de processá-lo.

Como a presidente eleita convidou Ciro para seu ministério, não restou a Temer outra alternativa a não ser desejar que o deputado contenha-se nos comentários. Quanto à decisão de Dilma, o vice comentou apenas: “É uma escolha da presidente.” E lembrou que Ciro precisa moderar seus comentários, especialmente em respeito à presidente e a seu vice.

Renúncia

Temer disse que renunciará hoje à presidência da Câmara. Mas ficará no cargo de deputado até o dia 31. Temer é também presidente do PMDB. Dará o lugar ao senador Valdir Raupp (RO).

Publicação: Estadão