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A corrupção e o futuro

30 de setembro de 2011

João Bosco Leal

Existem países e continentes com muitas, outros com raríssimas riquezas naturais, o que mostra a capacidade humana de adaptação e de geração de possibilidades nas mais diversas situações.

Com as atuais facilidades de comunicação, é possível ver imagens das enormes diferenças de alimentação, saúde, educação, cultura e riqueza entre os mais diversos povos que habitam a terra, que anteriormente só imaginávamos.

Podemos observar que muitos países com riquezas naturais abundantes são pobres, em todos os sentidos, enquanto outros, bastante desprovidos dessas riquezas conseguem ser ricos, com sua população possuindo um elevado nível cultural e excelente qualidade de vida.

A conclusão é de que as riquezas não são suficientes para proporcionar boa qualidade de vida de uma população, se esta não tiver o conhecimento necessário para sua exploração, se for governada por pessoas incompetentes ou por líderes ditadores e corruptos, que aumentam sua fortuna em detrimento da falta de cultura e da opressão de seus subordinados como temos visto em vários países.

Excluindo-se os casos citados, percebe-se que a saúde é desigual de acordo com as regiões, principalmente por dois fatores: as riquezas naturais ou sua falta – como nas regiões áridas- e a cultura da população.

As consequências de uma acabam gerando outras, como na educação, dificílima de ser alcançada por pessoas pobres, residentes em locais distantes dos centros urbanos ou em países desprovidos de recursos para maiores investimentos na área educacional.

A cultura dos povos influi muito, tanto no alcance de progressos como na manutenção de atrasos, o que é facilmente notado nas diferenças entre os países asiáticos, africanos e sul-americanos, todos com suas características culturais e religiosas distintas.

Além das diferenças climáticas, de riquezas naturais, culturais e religiosas, populações inteiras são prejudicadas por décadas e até por gerações quando submetidas a dirigentes mal intencionados, corruptos ou com ideologias ultrapassadas como podemos ver em diversos desses países e também no nosso.

Países como o Brasil, com riquezas naturais vastíssimas, inigualáveis, ainda não é uma das maiores potências do mundo em decorrência de nossos dois maiores problemas: nossos políticos e a corrupção.

A região nordestina brasileira, ao arrastar seu atraso por décadas, é um exemplo disso, com milhões de pessoas mal alimentadas, sem acesso à educação, despreparadas para a modernidade, simplesmente por estarem, há décadas, comandadas por políticos inescrupulosos que, às suas custas, amealharam e continuam aumentando suas fortunas, dentro e fora do país.

Com os conhecimentos atuais, a aridez regional não pode ser a responsável pela falta de água ou de produtividade de suas terras, pois onde lá se irrigou, a produção frutífera é de qualidade inigualável e tanto a irrigação como a dessalinização da água do mar são técnicas já muito conhecidas e utilizadas em vários países.

Como só aprendemos o que nos mostram, é necessário incentivar uma imprensa totalmente livre, que cada vez mais mostre aos brasileiros os desmandos, roubos e assaltos aos cofres públicos cometidos por nossos políticos, para que, conscientemente, iniciemos uma verdadeira faxina, nos Três Poderes Constituídos.

Persistindo o quadro atual, onde a população nasce, cresce e fica adulta em meio à corrupção, na próxima geração ela sequer será questionada.

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O acesso ao conhecimento

26 de setembro de 2011

João Bosco Leal

Imediatamente após o nascimento, o cérebro da criança inicia sua jornada de conhecimentos terrestres, observando e armazenando informações sobre luz, som e imagens. Depois, já inicia os exercícios de seus comandos motores, ordenando a movimentação das mãos, pés e todos os outros movimentos possíveis do corpo.

Passada a fase inicial, do aprendizado natural, instintivo, os seres humanos só conhecem o que lhe mostram ou ensinam, desde seu idioma aos movimentos físicos necessários para a execução de infinitas possibilidades, como andar de bicicleta e mais tarde dirigir veículos das mais diversas espécies.

Durante esse aprendizado, realizado no lar, na rua, nas escolas e em todos os ambientes frequentados por uma pessoa, ela acaba aprendendo milhares de coisas desnecessárias, impróprias, boas ou ruins, cabendo a cada um usar ou não esse aprendizado, o que faz com que, por suas escolhas, cada um se torne um ser único, inigualável.

Além de físicas, as diferenças podem ser de saúde – pela forma como foram criadas-, educacionais, culturais, sociais e patrimoniais, com cada uma delas provocando outras, nas mais diversas áreas.

As mais fáceis de serem notadas, nos diferentes países ou em regiões distintas de um mesmo país, são as de idioma, pois as pessoas falam de modo, com velocidade, expressões e sotaque diferente de outras, com variações enormes dentro de um mesmo país, ou de muitos que utilizam o mesmo língua.

Como em muitos outros países, nas diversas regiões brasileiras também podemos notar acentuadas diferenças nos traços físicos das pessoas, por conta da origem de seus colonizadores.

O que mais chama a atenção, além de todas essas diferenças é que mesmo com todas elas o ser humano se adapta a qualquer mudança, seja climática, alimentar, de esforços físicos e principalmente de conhecimento.

Pessoas com pouquíssima instrução, residentes em pequenas aldeias, em meios rurais ou em matas, praticamente isoladas, distantes de qualquer grande centro, sabem de coisas sobre as quais muitos professores e doutores não possuem qualquer conhecimento, principalmente em relação à utilização de produtos da natureza para sua alimentação ou como medicamentos.

Mesmo em pessoas com isolamento praticamente total, independentemente da quantidade de anos, a mente está sempre pronta para novos aprendizados, bastando para isso o contato com as informações.

O mesmo pode ser observado nos animais de várias espécies, como as de papagaios e cacatuas que, quando expostos à convivência com humanos acabam falando e até cantando. Recentemente a imprensa divulgou que algumas cacatuas, em seu habitat natural da Austrália e ilhas vizinhas, aprenderam a gritar, falar e cantar em português, pelo contato com papagaios contrabandeados do Brasil, que lá escaparam e alcançaram a natureza.

Com a exposição ao conhecimento, além de educação e cultura, o ser humano acaba possuindo mais saúde, com novos hábitos de higiene e alimentação, transmitindo isso aos seus descendentes que, em virtude dessa mudança dos pais, já nascerão mais saudáveis.

Além de se preservar e aprofundar os estudos dos conhecimentos adquiridos durante gerações por aqueles que viveram da natureza, como os índios e os silvícolas ainda existentes, é preciso colocar à disposição de todos, cada vez mais tipos de conhecimento, literário, histórico, científico e tecnológico, o que fará alcançarmos outros novos mais rapidamente.

As possibilidades de conhecimento humano são infinitas fontes de progresso, mas só possíveis com sua disponibilização geral.

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A dependência humana das novas tecnologias

23 de setembro de 2011

João Bosco Leal

O surgimento de novas tecnologias pode ser observado diariamente, mas apesar de muitas proporcionarem menos trabalho às pessoas, outras lhes tomam mais tempo do que sobraria, pois cada vez mais elas se envolvem em redes sociais, jogos eletrônicos, celulares, smartphones, tablets, net books, GPS, além de um tempo enorme para o aprendizado e manipulação desses produtos.

Dominados todos esses itens já surgem outros mais modernos e as pessoas se tornam cada vez mais dependentes de todos eles, como se percebe na aflição daquelas que esquecem ou perdem um celular, coisa inexistente poucos anos atrás e que, nem por isso, elas deixavam de se comunicar.

A distância da internet ou de um celular atualmente é impensável para milhões de pessoas que já possuem acesso a essas tecnologias o que, penso, precisa ser repensado, pois contas extremamente simples são hoje impossíveis para os jovens que se utilizam de calculadoras até para meras adições ou subtrações em cálculos de trocos, como nos caixas dos supermercados.

São raros os jovens que não se dirigem às salas de aula com pelo menos um equipamento que faz por ele o que deveria saber fazer sem nenhum tipo de ajuda, como cálculos matemáticos e fórmulas de química e física.

Deixando que equipamentos eletrônicos realizem essas operações, os jovens jamais entenderão o caminho utilizado para se chegar a um resultado, o que poderá lhe fazer muita falta em determinadas situações, como a de receber um troco.

Dizem alguns que isso não tem a menor importância, pois muito em breve sequer utilizaremos cheques, papel moeda ou mesmo moedas como forma de se efetuar pagamentos, que somente serão realizados por cartões de crédito e pouco tempo mais adiante, por chips eletrônicos implantados no corpo de cada pessoa, os futuros responsáveis por lançar débitos e créditos em sua conta corrente.

Até certo ponto essa tecnologia ajudará muito, como na diminuição de possibilidades dos tipos de roubos e assaltos hoje conhecidos, mas ampliará a de outros, como as transferências eletrônicas não autorizadas, atualmente ainda pouco realizadas, praticadas por criminosos virtuais, os hackers.

Pior do que os problemas para os quais certamente se encontrarão soluções, ou pelo menos serão criadas dificuldades para sua execução, é o progressivo emburrecimento do ser humano, que cada vez mais estará transferindo sua capacidade mental para as máquinas por ele criadas, subutilizando assim a mais perfeita delas, seu cérebro.

A realização mental de contas básicas é um excelente exercício e o não uso da nossa máquina natural, mesmo que em coisas simples, do dia a dia, com o tempo certamente provocará doenças ainda desconhecidas, além de aumentar os casos de outras, como o Alzheimer

Outro dia uma operadora de caixa de supermercado ficou incrédula quando eu lhe informei, de cabeça, o troco que deveria me dar e o caixa apontou exatamente o mesmo valor, inclusive dos centavos.

O uso de equipamentos eletrônicos pode e deve ser até incentivado para facilitar a vida, mas nosso cérebro deve continuar sabendo, no mínimo, os princípios básicos das operações realizadas por eles.

Novas tecnologias estão nos ajudando, mas ao mesmo tempo estão diminuindo a qualidade da educação e tornando as pessoas dependentes de suas próprias invenções.

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Tempo perdido

19 de setembro de 2011

João Bosco Leal

Normalmente, ao despertar, as pessoas já começam a pensar em tudo o que fazer durante o dia, em seu trabalho, nos pagamentos e encontros agendados. Suas cabeças, que até então descansavam, entram em ebulição imediatamente.

Como o motor de um carro, que após um período de descanso deve ser aquecido antes de ser exigido em sua plenitude, o cérebro precisaria ter o retorno às suas atividades de modo menos agressivo.

Frequentemente algum tipo de publicação fala sobre como elas poderiam ou deveriam se comportar em relação a esse tipo de atitude, mas mesmo passando o tempo e já mais amadurecidas, não conseguem se libertar das preocupações com o que será preciso fazer naquele dia ou futuramente.

O interessante é que a maioria das pessoas nunca acorda pensando nas coisas boas que poderão ocorrer naquele dia, mas sempre nas coisas e situações mais difíceis que se aproximam, apesar de algumas pessoas conseguirem acordar sorrindo, sem nada que as preocupe, esperando os fatos ocorrerem para, aí sim, enfrentá-los como preciso for.

Outras, mesmo não resolvendo seus problemas ou honrando seus compromissos, continuam bastante tranqüilas, mas a maioria acorda pensando como deverá proceder para vencer o desafio adiado outras vezes, mas que hoje precisa ser resolvido e na conta que deve ser paga.

Certamente esse é um caminho mais difícil, de gente pontual, responsável, que não suporta ver nada errado e acreditam que, resolvendo os problemas do dia e quitando suas contas, terão mais tranquilidade, mais tempo para se divertir, passear, enfim, viver.

Os dias passam, mas o trabalho, os problemas e as contas continuam, pois assim que um é resolvido aparecem outros e as contas aumentam em igual proporção ao sucesso profissional de cada um.

Como um novo dia sempre virá com novos problemas e contas, cada um deve organizar sua vida de modo a poder dedicar mais tempo à convivência familiar, sua cultura e lazer, ou passará sua vida resolvendo problemas e pagando contas sem realmente viver.

O tempo da permanência humana na terra é um sopro, se comparado às gerações que por aqui já passaram e as futuras, o que deveria nos conscientizar da nossa incompetência ao perder tempo desnecessário com coisas insolúveis, como as que já passaram.

Principalmente quando mais jovens, estamos sempre em busca de novos trabalhos, profissões, com o único propósito de ganhar cada vez mais, enriquecer, para depois aproveitar a vida, nos esquecendo de que tanto o nosso tempo como o de nossos filhos passa e tanto nossa juventude quanto a infância deles não voltará, o que só acabamos percebendo quando não há mais o que fazer.

Nossas energias devem ser direcionadas para a realização de coisas pelas quais realmente vale a pena viver, como estar sempre o mais próximo possível dos filhos e netos e aproveitar os incontáveis prazeres que a vida oferece.

Cada minuto perdido em nossas vidas jamais será reposto e só depende de nós como utilizá-lo melhor, principalmente ouvindo os mais velhos, que não viveram plenamente e por isso sabem onde erraram.

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Portas abertas

16 de setembro de 2011

João Bosco Leal

Em uma rede social reencontrei uma querida amiga de juventude que me enviou um texto de Maria Beatriz Marinho dos Anjos, ‘O laço e o abraço’, erroneamente declarado como de autoria de Mário Quintana, onde a autora faz relações entre um laço e vários sentimentos humanos como amizade, carinho e amor, de um modo simples, espetacular.

Dizia que o laço era engraçado, que se enroscava, mas não embolava. Que por mais que o laço apertasse algo, um presente, um vestido ou um cabelo, quando tinha uma de suas pontas puxada liberava totalmente o que envolvia, sem tirar ou perder nenhum pedaço.

É interessante como, com um exemplo tão simples, o autor consegue nos levar a pensamentos tão diversos e a perceber como isso se encaixa em uma quantidade imensurável de assuntos da vida, da infância à maturidade.

Amizades, paqueras, namoros ou casamentos, nunca foram e jamais serão mantidas com proibições, amarras ou condições, o que só acabamos entendendo com nossa maturidade.

O egoísmo humano pode ser observado desde nossa infância, como na situação sempre lembrada por todos, em que o menino dono da bola quer levá-la embora e acabar com o jogo quando algo na partida não lhe agrada.

Pessoas se comportam como se pudessem ser donas de outras pessoas, assim como de objetos que lhes pertencem, não percebendo que a única maneira de se manter alguém ao seu lado é fazendo com que ela tenha prazer em sua companhia.

Novas experiências, como assistir a um filme atual, ler um livro, sair para um lanche com uma amiga ou reencontrar pessoas queridas, só farão bem às pessoas, independentemente de sua condição social, cultural ou de seu estado civil.

Os que buscam impedir o encontro ou reencontro de sua parceira com novas ou antigas amizades, só conseguirão que a mesma tenha que fazer isso às escondidas, ficando privada inclusive de partilhar, com eles mesmos, o quanto se sentiu bem e se emocionou ao rever parte de sua história. Impedirão que a felicidade da parceira seja ainda maior, podendo com ele partilhar seus sentimentos e emoções.

Abrindo totalmente as possibilidades, os amigos ou parceiros só estarão conosco se realmente for o seu desejo, o que, consequentemente, tornará o relacionamento muito mais interessante e com muito maiores chances de felicidade mútua, pois como diz Quintana, o laço segura, mas não amarra, permitindo que se desfaça a qualquer momento, sem tirar pedaços.

A imaturidade é que nos faz ter o medo da perda e procurar os mais diversos tipos de tentativas de amarrações, sejam proibitivas, emocionais, pactuais ou contratuais, com ou sem testemunhas, mas que jamais serão efetivas se realmente não houver a única possibilidade viável: a vontade do outro.

Só com a maturidade acabamos percebendo algo por nós antes ignorado, ou sequer considerado, em qualquer tipo de relacionamento: A inutilidade de uniões desejadas unilateralmente. Pessoas, independentemente de sua proximidade ou parentesco, jamais serão felizes ao nosso lado se isso não for o que querem.

Abrindo e deixando suas portas permanentemente abertas, todos entrarão e sairão quando quiserem, só permanecendo ao nosso lado os que realmente desejarem.

O ambiente iluminado e saudável é o que está com as portas e janelas abertas, permitindo a entrada da luz do sol, do luar, das correntes de ar e dos pássaros, que vem cantar sua felicidade.

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O que nos pertence

12 de setembro de 2011

João Bosco Leal

Recebi um texto bastante interessante sobre uma pessoa que havia morrido intempestivamente e iniciou um bate papo com aquele ser diferente, a morte, que havia vindo buscá-la. A pessoa perguntava então sobre o que poderia levar, desde bens materiais, amigos, até o próprio corpo.

As respostas, sempre negativas, mas explicadas com delicadeza, davam conta que os bens materiais não lhe pertenciam, só haviam sido emprestados, os amigos eram peças do caminho, os filhos, do mundo, o corpo, da terra e, finalmente, concluindo que literalmente nada levaria, perguntou então o que na vida que acabara fora realmente dele. A resposta foi que dele sempre foi cada segundo de existência, o tempo.

Refletindo sobre o texto, percebi sobre como nunca me preocupei com a única coisa que realmente me pertence, o tempo, que pode ser utilizado como e quando eu quiser.

Sobre o tempo passado, penso que poderia ter brincado, estudado, lido, trabalhado, ou qualquer outra atividade em maior ou menor quantidade do que fiz, mas isso agora já não interessa, pois não há como mudar.

Cuidar mais ou menos da saúde, beber, fumar ou praticar esportes, em qualquer quantidade, também é uma opção de cada um e o que fiz com essas alternativas também não poderá ser alterado.

Desenvolvendo raciocínios como esses, acabo percebendo coisas que poderia ter feito de outra maneira e quantas repetiria, mas que minha única alternativa atual é, analisando esse passado, tentar corrigir as escolhas erradas e fazer muito mais das que acertei.

Seria insensatez repetir erros que já me convenci realmente terem sido erros, como voltar a fumar quando já havia parado. Mas vejo pessoas conscientes, maduras, repetirem erros como esse, com as mesmas desculpas sempre utilizadas por todos, que estavam em uma fase difícil, ansiosos, etc…, sem pensar no bem mais precioso que possui: a vida, ou na daqueles que os cercam, como seus filhos.

Depois de determinada idade, nossa vida passa a incluir outras pessoas, como esposa, filhos e até netos, que não podem nos impedir de realizar nada, mas sofrerão as consequências de nossos erros, como uma doença provocada por bebidas ou cigarros, o que imagino ser motivo suficiente para que todos tenhamos mais responsabilidades com as decisões que tomaremos, em qualquer área, de relacionamento, comercial ou de lazer.

Os prazeres terrenos como os da leitura, esportes, aventuras ou mesmo os físicos, são incontáveis e cada um de nós possui o dom de poder escolher o que mais lhe agrada, mas quando isso envolve outras pessoas é necessário também levarmos em consideração os riscos de nossas opções, para que suas consequências não afetem exatamente aqueles a quem mais queremos bem.

Já errei bastante em muitas áreas e não me arrependo de praticamente nenhum deles, à exceção daqueles que hoje percebo, provocaram dor em meus filhos, como meu recente acidente e suas consequências. Entendo agora que um dos prazeres por mim escolhido, as viagens de moto, foram fantásticas, me deram muito prazer, mas também provocaram sérias consequências, em mim e nos meus.

Como desde nosso nascimento estamos cada vez mais estamos próximos da conversa com aquela que virá nos acompanhar na última viagem, precisamos estar sempre atentos para a única coisa que realmente nos pertence: nosso tempo e como o utilizamos.

Vivendo sem muito querer, mas nunca deixando de tentar tudo o que se quer, ser ou ter, seremos e teremos tudo o que pudermos ser, ou ter, sem provocar dor em nossos próximos.

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Responsabilidades políticas

9 de setembro de 2011

João Bosco Leal

Tenho percebido, claramente, um pequeno despertar da sociedade brasileira com as ocorrências políticas dos últimos anos. Convocações para marchas e manifestações começam a surgir sistematicamente, com algumas sendo realizadas, principalmente contra a corrupção.

Algumas propostas de desobediência civil também já aparecem, mas por ser radicalmente contra, sequer discuto o mérito da questão, pensando ser esse caminho, o daqueles que continuam com idéias baseadas em princípios ideológicos guerrilheiros, que já foram testados e fracassaram em diversas partes do mundo.

O país precisa, pelo contrário, de brasileiros que, legalmente, se candidatem e assumam todos os cargos públicos que estiverem aptos a executar e, com isso, realizar uma verdadeira faxina nesse país, pois entendo que a mudança precisa ser em todos os níveis, de todos os poderes, Executivo, Judiciário e Legislativo.

Não se pode mais conviver com a situação atualmente posta, quando José Sarney está em seu quarto mandato como presidente do Senado, sua família há décadas comanda politicamente o Maranhão, estado mais pobre e atrasado do país, mas, quando acusado, não poder ser tratado “como qualquer um”, como disse o ex-presidente Lula, por já haver sido Presidente da República.

Nos últimos dez anos a corrupção tomou proporções jamais vistas no país, tanto que atualmente já estamos vendo até ministros e senadores se dirigirem a um quarto de hotel para audiências com aquele que o Procurador Geral da República acusa de “Chefe da Quadrilha” do Mensalão do PT.

Alguns afirmam que a corrupção sempre existiu e que não se pode responsabilizar um determinado governo ou partido, mas o que facilmente se constata, até por notícias recentemente publicadas, é que nenhum ex-presidente do chamado “regime militar” saiu do governo com algum bem material a mais do que quando entrou. Todos eram e continuaram sendo homens de poucas posses e assim morreram. Literalmente, isso não é o que recentemente assiste a população brasileira.

Não estou defendendo o regime militar, simplesmente fazendo constatações e, sem dúvida, essa foi a época em que mais se investiu na infraestrutura brasileira, como pode ser facilmente comprovado pela época das construções de todas as nossas principais hidrelétricas, rodovias, ferrovias e hidrovias. Após décadas sem investimentos e com as manutenções insuficientes, o que vemos atualmente no país é um verdadeiro fracasso, quando se refere aos investimentos nessas áreas fundamentais para qualquer projeto de crescimento.

Enquanto os cidadãos conscientes da população brasileira não se rebelarem e, como verdadeiros donos do poder, remover de seus cargos essas pessoas, como estão fazendo nos países árabes com seus tiranos e aqui já fizemos com o Presidente Collor, essa situação não será alterada.

Porém, como não vejo cidadãos brasileiros dispostos a assumir os cargos públicos hoje dominados pelos corruptos, penso que a questão fundamental a ser tratada é a conscientização política da população e o incentivo à introdução dos homens de bem na vida pública.

Derrubar os corruptos sem que cidadãos patriotas e bem intencionados assumam seus postos, certamente provocará um caos ainda maior no país, com pessoas mais inescrupulosas assumindo esses cargos.

Precisamos mudar o quadro atual, colocando os corruptos em seu devido lugar, a cadeia, mas, além disso, precisamos de um projeto duradouro, de longo prazo, para que o país não volte a ter pessoas assim, com cargos em nenhum dos poderes constituídos.

Só exterminaremos definitivamente a corrupção nos cargos públicos, com a entrada, na vida pública, de homens de bem, com intenções exclusivamente patrióticas, como alguns que já governaram este país.

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Políticas destrutivas

5 de setembro de 2011

João Bosco Leal

A grande maioria dos artistas, intelectuais e jornalistas brasileiros sempre se esforçou muito pelo crescimento do Partido dos Trabalhadores, PT, e, depois de várias tentativas fracassadas, festejou muito com a posse de Lula na Presidência da República.

A bandeira do partido sempre foi a da honestidade, do fim da corrupção a defesa dos interesses dos trabalhadores e a implantação do socialismo no país. As críticas ao capitalismo selvagem e às privatizações das empresas estatais eram também bandeiras do partido.

Na grande maioria dos estados brasileiros centenas de seus membros tomaram posse nos mais diversos cargos dos três poderes constituídos, alguns eleitos, mas a grande maioria indicado simplesmente por pertencer aos quadros do partido.

As diversas correntes internas desse partido passaram a querer impor ao país seus ideais socialistas, marxistas, leninistas, maoístas, comunistas, ou qualquer outro do gênero, mas demorou muito pouco para que a população começasse a perceber o fracasso da implantação de muitas idéias atualmente indefensáveis desses regimes políticos, como a reforma agrária, onde bilhões de reais foram gastos.

Nenhum resultado positivo, seja na independência econômica das famílias assentadas ou no aumento da produção agrícola brasileira foi alcançado, apesar de alguns dados governamentais mascararem dados, dizendo que a agricultura familiar produz hoje a grande maioria do leite, feijão, mandioca, hortaliças e das granjas de aves do país, quando na realidade esses produtos sempre foram produzidos pelos pequenos produtores rurais, o que é muito diferente de assentados pela reforma agrária.

Os pequenos agricultores, sitiantes, sempre existiram, e durante décadas foram, e continuam sendo, os responsáveis pela produção dos produtos não mecanizados como as hortaliças, principalmente pela não viabilidade econômica da mecanização de pequenas áreas. Diversos municípios brasileiros são famosos pela concentração de colônias de descendentes de imigrantes de países distintos, que se dedicavam a produções específicas, como aves e ovos, onde a família toda trabalha.

Outros produtos, de subsistência para as famílias assentadas, como a mandioca, que pode produzida com mão de obra totalmente desqualificada, normalmente só é produzida para consumo próprio, não gerando nenhum retorno econômico.

O desencanto com esses ideais também pode ser observado na idéia de estatizações, da contrariedade às privatizações, que levaram ao colapso praticamente total e generalizado da infraestrutura brasileira comandada pelo governo, como rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos, além da geração de energia.

Declarações de ministros da própria área econômica do governo confirmam a impossibilidade do país crescer a taxas superiores a 5% ao ano, por falta de infraestrutura que suporte um crescimento dessa ordem, até pequeno em comparação aos outros países do grupo chamado BRIC.

Além de todos os fracassos apontados na tentativa de implantação de regimes políticos já abandonados em todos os países onde foram tentados, em nosso país os governos do Partido dos Trabalhadores estão se notabilizando pela grande quantidade de escândalos, quase sempre relacionados a incalculáveis desvios de recursos públicos.

Para se manter no poder depois de tantas acusações de corrupção, o partido político que sempre prometeu moralidade, associou-se aos tradicionais coronéis nordestinos, que continuam enriquecendo cada vez mais, às custas de uma população cada vez mais miserável.

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Responsabilidades paternas

2 de setembro de 2011

João Bosco Leal

Na semana passada viajei para visitar meus netos e confesso que talvez essa seja a coisa que, no passado, deveria ter feito com muito mais freqüência, apesar de que praticamente durante metade de sua idade atual estivesse impossibilitado por reais motivos de saúde.

Mas como nenhum passado pode ser refeito, o importante é tratar do tempo que dispomos atual e futuramente, aproveitando as possibilidades, como a de observar a fantástica semelhança de preservação e continuidade que existe entre os seres humanos, os animais e vegetais.

Como homem criado no campo e acostumado a comparar tudo o que observo no ser humano com o que ocorre na fauna e flora, vejo a maravilha da natureza em cada detalhe dos movimentos e sons emitidos pelos netos.

Reconhecer nos netos características de seus filhos, como morder a língua levemente exposta ao executar tarefas simples, como apertar um parafuso, ou o formato da cabeça de outro, que quando olhada por trás é exatamente como a do avô, chega a ser engraçado, mas é uma coisa maravilhosa quando pensamos em transmissões genéticas.

Um se parece mais com a família materna e outro com a paterna, mas todos carregam características das duas famílias, seja aparentemente, no comportamento, ou até no jeito de falar. Assim como nossos filhos, os netos são diferentes entre eles, mas todos carregam características familiares que os marcarão para sempre.

Essas características são transmitidas geneticamente, mas nossa responsabilidade começa depois destas, com os ensinamentos em casa, complementados pelas pelos das escolas, companhias e ambientes que freqüentarão.

Conversando com um de meus filhos em um desses mesmos dias, surgiu o assunto, com um exemplo concreto, de como as influências externas ao lar podem alterar completamente os princípios de uma pessoa e assim, notarmos diferenças enormes de caráter e honestidade entre pessoas filhas dos mesmos pais, que receberam a mesma educação em casa, mas freqüentaram ambientes com princípios muito diferentes.

As influencias externas ocorrem em todos os campos, morais, culturais, comerciais ou outros, e na formação de nossos filhos e netos, tanto o que é desejável quanto o que não seria, será por eles absorvido fora do lar, apesar de existirem alguns lares, felizmente raros, onde a influência paterna é mais prejudicial do que benéfica, por serem alcoólatras, drogados, agressores e muitas outras possibilidades de exemplos terríveis para a criação e formação de uma criança, quando toda influencia externa provavelmente seria melhor que a do lar.

Geralmente, até por amor, os pais influenciam de maneira positiva a criação de seus filhos, mas precisam estar conscientes de sua responsabilidade não só dentro do lar, como também das escolas e ambientes freqüentados pelos mesmos, o que não é uma tarefa simples, implicando na participação intensiva dos pais em todos eles.

Os princípios morais, éticos, religiosos, de educação, respeito e saúde, são de fundamental importância no contexto geral da formação de um jovem e precisam ser entendidos dessa forma pelos pais, pois aqueles com formações sólidas nesses aspectos dificilmente se envolverão com os problemas mais graves da sociedade atual.

Os veículos de comunicação ultimamente têm mostrado, com bastante freqüência, comportamentos sociais no mínimo diferentes do que os pais e avós atuais estavam acostumados a ver e isso pode e deve ser debatido nos lares, entre pais e filhos, até para que entendam que aceitar uma escolha é diferente de achá-la o normal.

Como pais e avós, precisamos entender que a formação familiar é, e continuará sendo, a principal base de toda sociedade, independentemente da religião, regime político, ou posição social e cultural de cada indivíduo.

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Inclusão social

29 de agosto de 2011

João Bosco Leal

É interessante como a observação da vida nos mostra coisas que jamais imaginaríamos, apesar de estarem ao nosso lado diariamente desde o nascimento. São as coisas mais comuns, abundantes, tão próximas e tão importantes que não se fazem notar, como o ar que respiramos.

Confesso que nunca observei ou dei atenção a coisas que atualmente considero importantíssimas, como a acessibilidade, praticamente inexistente ou, quando existe, totalmente desrespeitada em nosso país.

Imagino que isso deve ocorrer com a grande maioria das pessoas, pois o egoísmo natural do ser humano é tão grande que ele só se sente o que lhe faz falta, como percebo agora que sempre foi o que me ocorreu.

Sempre respeitei coisas que, penso, a maioria das pessoas aprendeu em casa ou na escola, como as vagas nos estacionamentos destinadas a pessoas com necessidades especiais, como deficientes físicos ou idosos.

Entretanto, só depois de ser um desses é que realmente passei a observar o atraso existente em nosso país quanto à observação, pelo poder público e pela população, de regras básicas que deveriam ser observadas para a inclusão dessas pessoas na plenitude da vida em sociedade.

A ocupação indevida das raras vagas nos estacionamentos destinadas a idosos ou deficientes físicos, por madames, jovens ou qualquer outro tipo de pessoa é corriqueira e as explicações são sempre as mesmas: foi rapidinho, era só por um instante, ou algo semelhante.

E exatamente nesse momento, enquanto essa rara vaga era ocupada, rapidinho, por quem não devia, a pessoa para quem ela havia sido destinada chega e como ela estava ocupada, foi obrigada a procurar outra, normalmente bem mais distante, e vir caminhando, com toda sua dificuldade.

Órgãos públicos em geral são os maiores infratores, raramente possuindo vagas, senhas para atendimento preferencial, ou qualquer outro tipo de facilidade para essas pessoas, principalmente, imagino, por um motivo muito simples: os políticos só pensam em quantidade de votos e defender minorias nunca foi a atividade de quem quer ser lembrado e escolhido pela maioria. Como o IBGE mostrou em sua última pesquisa que os idosos ou portadores de algum tipo de deficiência, seja auditiva, visual ou de locomoção, já são 15% da população brasileira, ou algo próximo de 18 milhões de eleitores, provavelmente os políticos que tomarem conhecimento dessa pesquisa começarão a repensar seu comportamento.

Participando recentemente de uma exposição de obras de um artista amigo, realizada na Casa da Cultura de Campo Grande, MS, uma capital de estado, não pude ver toda a coleção, pois a maioria estava no andar superior, de acesso impossível para um cadeirante, ou qualquer outra pessoa com dificuldades de subir uma escada, pois essa Casa da Cultura não possui um elevador que leve ao andar superior.

Por se tratar de um prédio histórico, os arquitetos responsáveis pela última reforma do prédio não se preocuparam, ou não foram capazes, mesmo com toda a tecnologia atual disponível, de encontrar uma alternativa para adicionar um elevador, ou de acabar com as escadas existentes entre uma sala e outra do prédio, para permitir o acesso indiscriminado das pessoas, sem influir arquitetonicamente no prédio.

Atualmente todos discutem a inclusão social dos menos favorecidos, com preocupações com saúde, educação, moradia e lazer, mas situações como essa mostram, na prática, o desrespeito com que a sociedade brasileira trata esses seus irmãos.

Nenhuma sociedade poderá crescer sem a inclusão total de todos os seus, independentemente de idade, instrução, raça, cor, credo, ou necessidades.

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