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Os maus bons exemplos de empreendedorismo

16 de maio de 2012

Luiz Vicente Rizzo*

Há uma tendência muito preocupante sendo tratada com muita casualidade por todos. O número de jovens “empreendedores” (entre aspas mesmo) que deixaram ou sequer cursaram uma faculdade vem aumentando dramaticamente desde 2008.

Anualmente, 3 milhões de americanos deixam as universidades – cerca de um terço do total de estudantes que se inscrevem como calouros a um custo estimado de US$ 4,5 bilhões. Destes, 71% têm emprego e 10% deles vão se aventurar em seus próprios negócios, segundo dados do Parents Countdown to College Coach, US Department of Commerce and US Labor Department.

Muitos reputam a uma reação contra o “status quo”, outros a pressões econômicas, já que para terminar um curso universitário em uma boa escola nos EUA gasta-se entre US$ 100 mil e US$ 250 mil por quatro a cinco anos de educação. Outros citam a influência de exemplos como Steve Jobs e Bill Gates, ambos drop-outs (pessoas que saíram de um curso antes de terminá-lo).

Comete-se erro terrível ao usar estes dois como modelos a serem seguidos. Em uma discussão recente com um professor da Wharton/University of Philadelphia, apontei que o problema com exemplos extremos é que só os sobreviventes são lembrados. É claro que uma situação como a destes dois expoentes será sempre lembrada, mas quantos foram os fracassos?

Em todo o mundo podemos enunciar e enumerar diversos empreendedores que percorreram o caminho natural acadêmico e, ainda assim, tinham dentro de si, este espírito e vocação genial para transformar um produto ou serviço em um sucesso no mercado.

Certa vez, falando para uma plateia de graduandos de colégio em San José na Califórnia e preocupado com a propensão, especialmente das minorias étnicas, de enveredar pelo esporte como escape para a pobreza, ou às vezes apenas de uma vida mediana, lembrei-os que para cada Michael Jordan há milhares que ficam pelo caminho, não se sabe seus nomes, onde vivem ou se ainda vivem após a desilusão, pois somente a exceção será lembrada.

É sabido que o empreendedor é aquela pessoa que, por natureza, cria e faz acontecer algo usando a mais pura criatividade, que alguns, inexplicavelmente, possuem de sobra. Porém, não se pode descartar a importância do estudo para que esta área cresça de forma harmoniosa e em concordância com o que se espera de um profissional especialista, como em todas as profissões.

Na escolha pelo empreendedorismo sem formação acadêmica comete-se o mesmo engano.

Há milhares de empreendedores bem sucedidos com e por causa de sua formação acadêmica, para cada um bem sucedido sem esta formação.

Mais ainda, ao não concretizar a formação acadêmica e glorificar a sua ausência, estamos prestando um desserviço a humanidade, negando o que a nossa história insiste em nos mostrar: só se alcança a verdadeira grandeza através do conhecimento, com alguns maus bons exemplos para confirmar a regra.

Transforma o apedeuta em herói por que alguns poucos deles tem bons resultados seria como glorificar um ditador que construiu um punhado de pontes que não caíram.

*Luiz Vicente Rizzo é diretor-superintendente de pesquisa do Instituto de Ensino Albert Einstein

Publicado por:  Brasil Econômico

Semeando vento

15 de maio de 2012

Arthur Virgíllio*

Passados a euforia dos golpes publicitários e o efeito de um modelo em vias de esgotamento, aparecerá a verdade: renúncia ao prosseguimento das reformas estruturais, política fiscal fingidamente austera e na verdade flácida, necessidade de aumentar a taxa Selic em 2013, inflação elevada (sempre bem acima do centro da meta de 4,5%), crescimento medíocre.

O governo Dilma Rousseff ficará marcado por quatro anos de inflação acima de 5% e crescimento médio beirando os 3%.

O governo, desde que o Presidente Lula decidiu que elegeria sua candidata a qualquer preço, abandonou a meta de inflação e o Banco Central deixou de mirar o centro da meta para trabalhar, a peso de maquiagens, o altíssimo teto da banda (6,5%).

A Presidente Dilma, aliás, tem falado muito em juros “europeus” para o Brasil, esquecida de que a inflação é “sul-americana” mesmo. Na Europa, o centro da meta é 2%. Aqui, a gastança e o populismo não permitem que se pense em taxa anual abaixo de 5%.

Todos sabemos que uma economia, no quadro atual, que passe vários anos sob inflação acima de 5%, dá no que já está dando: greves espalhadas pelo Brasil, refletindo justas reivindicações dos trabalhadores para recompor as perdas impostas pela carestia.

Em 15 meses, o governo Dilma acumula inflação, medida pelo IPCA, acima de 8%. Só neste ano, raspa os 2%.

Escrevi, há alguns meses, aqui mesmo neste Blog, que a diretoria do Banco Central tinha sido aparelhada pelo PT. Afirmei que, agora sim, esse partido estreava no comando da economia: protecionismo; BNDES privilegiando, discricionariamente, seus “campeões”, retomada de ideias errôneas do topo “um pouquinho a mais de inflação não faz mal”.

O PT começou derrapando, por sinal: PIB de 2,7% e inflação de 6.5%. Neste ano, tudo leva a crer que teremos inflação de 5,4% ou 5,5% e PIB novamente abaixo de 3%.

Semeiam vento. Qualquer desastre climático pode botar tudo a perder. Jogam com a sorte. Brincam de Las Vegas.

Depois que o IPCA de abril veio acima do esperado (o mercado apostava em 0,59% e a realidade cravou 0,64%, refletindo pressão sobre os preços de alimentos e serviços), suponho que o governo já esteja “idealizando” novas medidas para maquiar a alta dos preços.

Em 2011, alguns subterfúgios foram empregados, no final do exercício, para que a inflação pudesse “caber” no centro da meta.

Para 2012, a cesta de produtos que compõem o IPCA teve seus pesos alterados. O resultado será a “diminuição” em 0,4% ou 0,5% da inflação ao ano. Trocando em miúdos: sem maquiagem, a inflação de 2011 teria beirado os 7%. E a de 2012 beiraria os 6%.

2013 herdará inflação forte do ano velho. E aí o Banco Central terá de aumentar a Selic ou deixar o dragão galopar. Como esta segunda hipótese seria estúpida demais, podem os leitores e as leitoras ter como certa a elevação das taxas de juros no próximo ano. 

*Arthur Virgílio é diplomata e foi líder do PSDB no Senado

Publicado por:  O Globo – Blogs

Veto ao veto?

15 de maio de 2012

Ricardo Galuppo*

A presidente Dilma Rousseff tem até o próximo dia 25 de maio para se pronunciar sobre o Código Florestal aprovado pelo Congresso. E, conforme declarou ontem a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvati, deve vetar dispositivos da lei aprovada pela Câmara dos Deputados no dia 25 de abril.

Pode até vetar o texto na íntegra, por que não? É uma prerrogativa do Executivo. Faz parte da democracia e quanto a isso não há o que discutir. Ocorre, no entanto, que a última palavra, nesse caso, não cabe a Dilma. Uma vez vetado, o texto retornará ao Congresso – que, no limite, poderá derrubar o veto da presidente. É uma prerrogativa do Poder Legislativo.

A hipótese do veto ao veto é difícil mas não é impossível. Se acontecer, haverá gritaria entre os ambientalistas. As ONGs farão protestos, o Greenpeace se manifestará e não faltará quem diga que o Brasil vive na contramão da história. Mas terá que ser acatada.

Também surgirá uma multidão de “analistas” que jogará questão na vala comum das dificuldades de relacionamento do governo com a “base aliada”. Pouca gente, no entanto, investigará a verdadeira causa da confusão. E ela é simples.

Ao contrário do que se diz por aí, o Congresso não é a expressão perfeita da sociedade brasileira. Não é mesmo. Um exemplo já citado mais de uma vez neste espaço é o seguinte: todos os 271 mil eleitores de Roraima, somados, não conseguem eleger um único deputado federal em São Paulo – onde o coeficiente eleitoral é superior a 300 mil votos.

Uma das consequências desse preconceito inaceitável contra o eleitor dos estados de maior densidade eleitoral é que os temas do interesse de São Paulo, do Rio de Janeiro e de Minas Gerais nunca são levados em conta. Por consequência, os temas de interesse da população urbana (que é a maioria dos brasileiros) sempre ficam em segundo plano.

Não é preciso ser um matemático arguto para concluir que os deputados que estão sob a pressão dos movimentos que defendem o veto ao Código Florestal estão em minoria. Todos os “analistas” tentam entender a Câmara dos Deputados por sua representação partidária.

A questão regional poucas vezes é levada em conta. Pois observe os seguintes números: na votação do último dia 25 de abril, o Código que interessava os ruralistas foi derrotado em apenas quatro unidades da federação: São Paulo (41 votos contra o novo código e 26 a favor), Rio de Janeiro (25 a 15), Distrito Federal (4 a 3) e Sergipe (4 a 1).

Percebe-se, aí, que a pressão contra o Código é em unidades onde o peso do eleitorado urbano é elevado. Em outros dois estados – Amazonas (3 a 3) e Alagoas (4 a 4), houve empate.

Nos demais 21 estados, o Código foi aprovado, por mais barulho que tenha existido. Os deputados desses estados estão como uma peça de ferro incandescente entre o martelo e a bigorna: sofrem a pressão dos meios de comunicação e das ONGs contra o documento de Paulo Piau e, ao mesmo tempo, sofrem a pressão das comunidades do interior, a quem pedem votos nas campanhas eleitorais.

Nenhum parlamentar, no Congresso, pensa no significado de seu voto para o país. Pensa na sua região e na própria reeleição. Ponto final. A questão da proporcionalidade entre os estados é apenas uma das muitas que o Brasil precisa enfrentar, mas prefere varrer para debaixo do tapete.

*Ricardo Galuppo é publisher do Brasil Econômico

Publicado por:  Brasil Econômico

Sapato 42 para pé 37

15 de maio de 2012

Percival Puggina* 

Gosto de analogias. E foi essa que me ocorreu quando li, em ZH, que sobram vagas para cotistas na UFRGS. Pode? No Brasil pode. Calça e sai andando.

Aliás, com as tais de cotas, criou-se uma inadequação nas duas pontas do fio em que se enreda e desequilibra a sociedade brasileira. Quem assistisse às sessões nas quais o STF se manifestou pela constitucionalidade das cotas no vestibular da UnB poderia imaginar que a Lei Áurea, decorridos 124 anos, ganhava um upgrade decisivo e definitivo. Era como se a desigualdade social causada pelos séculos de escravidão estivesse sendo resolvida por dez homens e uma sentença. Não, não estou exagerando. Quem exagerou na retórica e na cena foram os ministros. Com a adoção de cotas, reiteradamente proclamada como transitória para não ser inconstitucional (palavras dos próprios, seguindo o relator), servia-se, enfim, “justice sociale à la suprême” no cardápio da universidade brasileira. Tudo provisório porque, graças a essa breve degustação, o Brasil logo apresentaria ao mundo uma fisionomia mais simétrica. Não fosse provisório, seria inconstitucional, claro… Retórica de fancaria, enganosa, mas ao gosto da tese e da turma.

É bom que saibamos: hoje, constitucional é o que a maioria do STF tem por justo. Ou por necessário. Ou por conveniente. Ou por correspondente ao clamor das ruas. Ou por imperioso ensinar às ruas. A escolha de qualquer desses critérios depende do caso e da opção de cada ministro. Basta, depois, para explicar o inexplicável, pinçar os dóceis princípios constitucionais e manipulá-los como massinha de moldar. Não subestimem a situação aplicando-lhe certas ideias que andam por aí a respeito de insegurança jurídica. A coisa é bem mais grave. Querem uma evidência? Os canais de tevê das duas casas do Congresso perdem audiência. É no canal do STF que acontece a real action, onde estão as novas celebridades, e onde as grandes questões se decidem. Que parlamento, que nada! E não esqueçam: o sistema de indicação dos ministros do Supremo foi concebido quando a reeleição presidencial era vedada. Em tese, a cada quatro anos mudariam os critérios de escolha. Hoje, oito dos onze membros da corte foram recrutados pela corrente política que encilhou o poder há mais de uma década.

Por outro lado, enquanto sobra sapato na ponta da universidade, a ponta do ensino fundamental anda de pé no chão. Para cada beneficiário de cotas raciais em atos de formatura do Ensino Superior, centenas de crianças com produção de melanina semelhante à do formando estão recebendo uma educação inicial de péssima qualidade. É equivocado afirmar que se cristalizam assim as injustiças sociais. Assim elas se reproduzem! Multiplicam-se, celeremente, na falta de planejamento familiar e numa realidade socioeducacional que só é vista de julho a setembro, em ano de eleição.

O STF deu mais uma prova de que a justiça discrimina. Se duvidar, pergunte às ruas. No subsolo do Brasil, nas senzalas do século 21, quem não faz discriminações, raciais ou sociais, leitor, é a injustiça. Ali, brancos, pretos e pardos são irmãos na miséria. Porque ocupam a franja do tecido social, dispõem do mesmo ensino público de péssima qualidade, abandonado pelo caminho por milhões de crianças, analfabetas funcionais, que ficam sem o molde da chave que abriria a porta dos salários dignos e dos méritos acadêmicos. Não fosse bastante, ainda serviram como cobaias para experiências pedagógicas tão fajutas e ruinosas quanto ideológicas e renitentes.

Publicado por:  Blog do Percival Puggina

Pobres alunos, brancos e pobres…

15 de maio de 2012

Vejam a atualidade do texto publicado em 17 de setembro de 2009

Sandra Cavalcanti*

Entre as lembranças de minha vida, destaco a alegria de lecionar Português e Literatura no Instituto de Educação, no Rio. Começávamos nossa lida, pontualmente, às 7h15min. Sala cheia, as alunas de blusa branca engomada, saia azul, cabelos arrumados. Eram jovens de todas as camadas. Filhas de profissionais liberais, de militares, de professores, de empresários, de modestíssimos comerciários e bancários.

Elas compunham um quadro muito equilibrado. Negras, mulatas, bem escuras ou claras, judias, filhas de libaneses e turcos, algumas com ascendência japonesa e várias nortistas com a inconfundível mistura de sangue indígena. As brancas também eram diferentes. Umas tinham ares lusos, outras pareciam italianas. Enfim, um pequeno Brasil em cada sala.

Todas estavam ali por mérito! O concurso para entrar no Instituto de Educação era famoso pelo rigor e pelo alto nível de exigências. Na verdade, era um concurso para a carreira de magistério do primeiro grau, com nomeação garantida ao fim dos sete anos.

Nunca, jamais, em qualquer tempo, alguma delas teve esse direito, conseguido por mérito, contestado por conta da cor de sua pele! Esta estapafúrdia discriminação nunca passou pela cabeça de qualquer político, nem mesmo quando o país viveu os difíceis tempos do governo autoritário.

Estes dias compareci aos festejos de uma de minhas turmas, numa linda Missa na antiga Sé, já completamente restaurada e deslumbrante. Eram os 50 anos da formatura delas! Lá estavam as minhas normalistas, agora alegres senhoras, muitas vovós, algumas aposentadas, outras ainda não. Lá estavam elas, muito felizes. Lindas mulatas de olhos verdes. Brancas de cabelos pintados de louro. Negras elegantérrimas, esguias e elegantes. Judias, com aquele ruivo típico… E as nortistas, com seu jeito de índias. Na minha opinião, as mais bem conservadas… Lá pelas tantas, a conversa recaiu sobre esta escandalosa mania de cotas raciais. Todas contra! Como experimentadas professoras, fizeram a análise certa. Estabelecer igualdade com base na cor da pele? A raiz do problema é bem outra. Onde é que já se viu isso? Se melhorassem de fato as condições de trabalho do ensino de primeiro e segundo grau na rede pública, ninguém estaria pleiteando este absurdo.

Uma das minhas alunas, hoje, é titular na UERJ. Outra é desembargadora. Várias são ainda diretoras de escolas. Duas promotoras. As cores, muitas. As brancas não parecem arianas. Nem se pode dizer que todas as mulatas são negras. Afinal, o Brasil é assim. A nossa mestiçagem aconteceu. O país não tem dialetos, falamos todos a mesma língua. Não há repressão religiosa. A Constituição determina que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza! De qualquer natureza! Portanto, é inconstitucional querer separar brasileiros pela cor da pele. Isso é racismo, e racismo é crime inafiançável e imprescritível. Perguntei: qual é o problema, então? É simples, mas é difícil.

A população pobre do país não está tendo governos capazes de diminuir a distancia econômica entre ela e os mais ricos. Com isso, instala-se a desigualdade na hora da largada. Os mais ricos estudam em colégios particulares caros. Fazem cursinhos caros. Passam nos vestibulares para as Universidades públicas e estudam de graça, isto é, às custas dos impostos pagos pelos brasileiros, ricos e pobres. Os mais pobres estudam em escolas públicas, sempre tratadas como investimentos secundários, mal instaladas, mal equipadas, mal cuidadas, com magistério mal pago e sem estímulos.

Quem viveu no governo Lacerda, lembra-se ainda de como o magistério público do ensino básico era bem considerado, respeitado e remunerado. Hoje, com a cidade do Rio devastada após a administração de Brizola, com suas favelas e seus moradores entregues ao tráfico e à corrupção, e com a visão equivocada de que um sistema de ensino depende de prédios e de arquitetos, nunca a educação dos mais pobres caiu a um nível tão baixo.

Achar que os únicos prejudicados por esta visão populista do processo educativo são os negros é uma farsa. Não é verdade. Todos os pobres são prejudicados: os brancos pobres, os negros pobres, os mulatos pobres, os judeus pobres, os índios pobres!

Quem quiser sanar esta injustiça, deve pensar na população pobre do país, não na cor da pele dos alunos. Tratem de investir de verdade no ensino público básico. Melhorar o nível do magistério. Retornar aos cursos normais. Acabar com esta história de exigir diploma de curso de pedagogia para ensinar no primeiro grau. Pagar de forma justa os professores, de acordo com o grau de dificuldades reais que eles tem de enfrentar para dar as suas aulas. Nada pode ser sovieticamente uniformizado. Não dá.

Para aflição nossa, o projeto que o Senado vai discutir é uma barbaridade do ponto de vista constitucional, além de errar o alvo. Se desejam que os alunos pobres, de todos os matizes, disputem em condições de igualdade com os ricos, melhorem a qualidade do ensino público, economizem os gastos em propaganda, cortem as mordomias federais, as estaduais e as municipais, impeçam a corrupção e invistam nos professores e nas escolas publicas de ensino básico.

O exemplo do esporte aí está: já viram algum jovem atleta, corredor, negro ou não, bem alimentado, bem treinado e bem qualificado, precisar que lhe dêem distancias menores e coloquem a fita de chegada mais perto? É claro que não. É na largada que se consagra a igualdade. Os pobres precisam de igualdade de condições na largada. Foi isso o que as minhas normalistas me disseram na festa dos seus 50 anos de magistério! Com elas foi assim.

* Sandra Cavalcanti, professora, jornalista, foi deputada federal constituinte, secretária de Serviços Sociais no governo Carlos Lacerda, fundou e presidiu o BNH no governo Castelo Branco.

Publicado por:  Instituto Millenium

Os cofres públicos

14 de maio de 2012

Merval Pereira

Até parece que o deputado Miro Teixeira, do PDT do Rio, estava adivinhando quando, antes mesmo de a CPI começar formalmente seus trabalhos, anunciou que um dos objetivos principais deveria ser a garantia de que o dinheiro eventualmente desviado dos cofres públicos fosse devolvido.Por isso, encaminhou proposta de indisponibilidade dos bens de pessoas e empresas suspeitas de envolvimento no escândalo.

Num país em que o dinheiro roubado dos cofres públicos quase nunca é restituído, essa seria uma decisão fundamental da CPI. Segundo dados oficiais da Controladoria-Geral da União (CGU), do total de recursos desviados em casos de corrupção na esfera federal em 2011, só 15,39% foram recuperados, num total de R$ 2,14 bilhões. A meta para este ano é aumentar para 25% essa restituição.

A lista de Miro incluía o bicheiro Carlinhos Cachoeira, o senador Demóstenes Torres, o empresário Fernando Cavendish, dono da construtora Delta, e empresas fantasmas ligadas à empreiteira identificadas nas investigações da Polícia Federal.

Com o anúncio da venda da empreiteira para uma empresa de outro ramo de negócio que tem o BNDES como sócio – a J&FParticipações é uma holding que controla a empresa de alimentos JBS, a de higiene e limpeza Flora, a de papel e celulose Eldorado Brasil e o banco Original – Miro pediu imediatamente ao Ministério Público Federal providências para impedir a venda, com o objetivo de garantir que, em caso de condenação por corrupção, o dinheiro possa ser restituído.

Para tanto, pediu que fossem relacionados e tornados indisponíveis todos os bens da empreiteira, para evitar “essencialmente que bandidos encontrem no crime uma atividade lucrativa e vantajosa”.

O procurador regional da República Nívio de FreitasSilva Filho requereu a abertura de inquérito civil público para apurar possíveis irregularidades na venda da construtora Delta ao grupo J&F, e o pedido será analisado pela área de Patrimônio Público, que pode estar sendo afetado já que o BNDES, um banco público, tem 30% da empresa.

O temor é de que a venda faça parte da desconstrução da empreiteira que estava em curso desde que a CPI foi instalada, com o objetivo de tentar fazer com que ela desaparecesse do noticiário, e pelo visto da vida real também. A Delta já saíra das obras do Maracanã e da Petrobrás, como que para se desligar dos governos estadual do Rio e federal, onde, ao final de 2011 era a principal fornecedora do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com contratos avaliados em mais de R$ 2 bilhões.

A prisão de seu diretor para o Centro-Oeste, Claudio Abreu, fez com que o relatorda CPI quisesse restringir as investigações da empreiteira àquela região do país, e mesmo depois das evidências de que essa atitude fora rejeitada pelaCPI, ele insiste em começar as investigações sobre a empreiteira pelo diretor preso.

Como o próprio deputado Miro Teixeira disse na abertura dos trabalhos, quando se discutia a organização dos depoimentos, “réu preso tem preferência”. O que não quer dizer que o empreiteiro Fernando Cavendish não tenha necessariamente que ser ouvido, ainda mais agora, depois do anúncio da venda em tempo recorde.

A CPI terá condições de investigar qual a verdadeira relação do bicheiro Carlinhos Cachoeira com a empreiteira, pois a promiscuidade dos negócios de ambos sugere que Cachoeira tem mais a ver com a Delta do que os documentos demonstram.

As transferências de dinheiro da Delta para empresas do bicheiro estão sendo também investigadas, depois dos depoimentos dos delegados da Polícia Federal que atuaram nas operações Vegas e Montecarlo.

“Se a Delta fez transações com empresas fantasmas, se envolveu em negócios escusos, como é que a solução é vendê-la? Eles metem o dinheiro no bolso?”, questiona o deputado Miro Teixeira, que pediu ao MPF o cancelamento do negócio como “medida assecuratória”.

Publicado por:  O Globo – Blogs

O repórter e o promotor

14 de maio de 2012

Carlos Brickmann*

Grupos empresariais e jornalistas que se intitulam progressistas vislumbram na CPI uma oportunidade de atingir a revista Veja e seu diretor de Redação em Brasília, Policarpo Jr.

O motivo é curioso: nas gravações dos telefonemas de Carlinhos Cachoeira, o bicheiro afirma que foi o fornecedor de várias notícias divulgadas por Policarpo. Mas afirma também que Policarpo não é gente sua: só publica o que confirma e acha que vale a pena.

O ex-ministro José Dirceu tem dito que frases desse tipo indicam que Policarpo Jr. e a Veja têm relações com o crime organizado. “Jornalistas progressistas”, seja lá isso o que for, afirmam que a Folha de S.Paulo e O Globo blindam a Veja nas investigações.

Besteira: se algum jornalista ou alguma empresa tem relações com o crime organizado, o caminho não é esse. Jornalista se relaciona com todo tipo de gente para obter informações; e esse relacionamento só é incorreto se envolver subordinação à fonte (e, no caso, é incorreto mesmo que a fonte seja um Prêmio Nobel) ou o recebimento de favores, presentes ou pagamentos.

Quem quiser informações de bandidos, para elaborar o noticiário, tem de relacionar-se com bandidos. Não é o caso de um promotor, ou de um juiz, cujos contatos precisam ser cuidadosamente selecionados, e que podem perfeitamente encontrar-se com autores de malfeitos na sala do tribunal.

Personalizando, Policarpo Jr. pode, sem problemas, ter relacionamento com Carlinhos Cachoeira; já Demóstenes Torres não podia. Aliás, há mais gente que não deveria relacionar-se com empresários zoológicos e o fez. Se a CPI correr solta, se a Polícia Federal abrir de vez o inquérito, o Brasil vai ferver.

A propósito, este colunista não acredita que o Brasil vá ferver. 

*Carlos Brickmann é jornalista e diretor da Brickmann&Associados

Publicado por:  O Globo – Blogs

O Dilema da Oposição

14 de maio de 2012

Marcos Coimbra*

Em mais um de seus elegantes artigos, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso repetiu coisas conhecidas. Lá estavam, por exemplo, o cosmopolitismo de sempre e as contradições que marcam seu pensamento de uns anos para cá. Disse, porém, algo novo.

Publicado no último domingo, o texto tem o título “Política e Moral” e foi escrito a propósito do livro recém lançado de um amigo – e ex-comensal dos tempos de Palácio da Alvorada -, o sociólogo francês Alain Touraine.

Aos 86 anos, Touraine permanece ativo na discussão dos rumos de seu país e dedica o ensaio à campanha bem sucedida de François Hollande, que terminou por levá-lo à vitória contra Sarkozy e a se tornar o primeiro presidente socialista francês desde Mitterrand.

Mas não foi isso que motivou o artigo de FHC.

Discutir as reflexões do colega foi uma oportunidade para que exibisse sua familiaridade e conhecimento da situação internacional. Transitando com facilidade entre temas tão complexos quanto o cotidiano das sociedades avançadas e os acontecimentos recentes nos países árabes e na China, FHC deixou claro que não pendurou as chuteiras: provou que – a seu modo – entende tudo que acontece no mundo.

(Daí, provavelmente, vem sua preferência por assinar-se “sociólogo”, deixando em segundo plano a menção a que “foi presidente da República” – um modo curioso de dizer quem é (não seria engraçado se Lula continuasse a se apresentar como “sindicalista”?).

Não foi, no entanto, apenas para mostrar-se cidadão do mundo que FHC decidiu comentar o livro.

Ele mesmo explica a razão: “Porque, mutatis mutandi, também no Brasil se sentem os efeitos da crise (da sociedade industrial)” diagnosticada por Touraine. Que adviria da “petrificação” das instituições e de sua perda de legitimidade, em um mundo regido por um economicismo que nega espaço ao humanismo.

Para enfrentá-la, seria necessário ir além da social-democracia, e libertar o “pensamento político da mera análise econômica”. Nas palavras de FHC: “É preciso contrapor os temas morais ao predomínio do econômico”.

Como fazê-lo?

O caminho estaria em sair do espaço convencional da política, superar os partidos, buscar as ruas. Como diz o ex-presidente: “Só os movimentos sociais e de opinião, movidos por um novo humanismo expresso por lideranças respeitadas, pode despertar a confiança perdida”.

Talvez seja uma receita adequada para o sociólogo Fernando Henrique.

Mas será boa para os partidos de oposição? Se só os movimentos sociais são confiáveis, para que serviriam os partidos – incluído o PSDB?

O ex-presidente se sente bem no papel de “sábio maduro”. Afinal, integra o grupo dos Elders (os “Anciãos”), que congrega lideranças experientes do mundo inteiro – de Desmond Tutu a Jimmy Carter. E tem proposto a discussão de temas polêmicos, como a descriminalização do uso de drogas leves.

Quem lideraria o “novo humanismo”? Quem conseguiria transformar o “rosário do mal-estar cotidiano” dos brasileiros e mobilizá-los? Quem melhor que ele?

Mas seria com esse discurso que as oposições deveriam se apresentar nas próximas eleições municipais? Ou na sucessão de Dilma?

É difícil acreditar que Fernando Henrique não perceba que a agenda da vasta maioria da sociedade brasileira nada tem de “pós-econômica”. Que a discussão relevante para ela é como alcançar níveis satisfatórios de vida, de acesso ao consumo e aos bens públicos.

E que não compreenda que não será inventando prioridades que as oposições terão de volta o apoio popular que perderam. 

*Marcos Coimbra é sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi

Publicado por:  O Globo – Blogs

Tudo que vicia começa com c

14 de maio de 2012

Ricardo Mallet

Os vícios vêm como passageiros, visitam-nos como hóspedes e ficam como amos. – Confúcio

Há momentos na vida de um ser humano em que ele se vê sem nada realmente interessante pra fazer. Assim, sem companhia, computador ou iPod e com celular fora de serviço, numa viagem de ônibus para Cruz Alta, fui obrigado a me divertir com os meus próprios pensamentos. Por alguma razão que ainda desconheço, minha mente foi tomada por uma ideia um tanto sinistra: vícios.

Refleti sobre todos os vícios que corrompem a humanidade. Pensei, pensei e, de repente, um insight: tudo que vicia começa com a letra c! De drogas leves a pesadas, bebidas, comidas ou diversões, percebi que todo vício curiosamente iniciava com cê.

Inicialmente, lembrei do cigarro que causa mais dependência que muita droga pesada. Cigarro vicia e começa com a letra c. Depois, lembrei das drogas pesadas: cocaína, crack e maconha. Vale lembrar que maconha é apenas o apelido da cannabis sativa que também começa com cê.

Entre as bebidas super populares há a cachaça, a cerveja e o café. Os gaúchos até abrem mão do vício matinal do café mas não deixam de tomar seu chimarrão que também – adivinha – começa com a letra c.

Refletindo sobre este padrão, cheguei à resposta da questão que por anos atormentou minha vida: por que a Coca-Cola vicia e a Pepsi não? Tendo fórmulas e sabores praticamente idênticos, deveria haver alguma explicação para este fenômeno. Naquele dia, meu insight finalmente revelara a resposta. É que a Coca tem dois cês no nome enquanto a Pepsi não tem nenhum. Impressionante, hein?

E o chocolate? Este dispensa comentários. Vícios alimentares conhecemos aos montes, principalmente daqueles alimentos carregados com sal e açúcar. Sal é cloreto de sódio. E o açúcar que vicia é aquele extraído da cana.

Algumas músicas também causam dependência. Recentemente, testemunhei a popularização de uma droga musical chamada “créeeeeeu”. Ficou todo o mundo viciadinho, principalmente quando o ritmo atingia a velocidade… cinco.

Nesta altura, você pode estar pensando: sexo vicia e não começa com a letra c. Pois você está redondamente enganado. Sexo não tem esta qualidade porque denota simplesmente a conformação orgânica que permite distinguir o homem da mulher. O que vicia é o “ato sexual”, e este é denominado coito.

Pois é. Coincidências ou não, tudo que vicia começa com cê. Mas atenção: nem tudo que começa com cê vicia. Se fosse assim, estaríamos salvos pois a humanidade seria viciada em Cultura.

Publicado por:  Blog do Ricardo Mallet

Carta aberta ao Senador Renan Calheiros por Thereza Collor

13 de maio de 2012

Thereza Collor

Em carta aberta dirigida a Renan Calheiros, Thereza Collor, como testemunha pessoal da carreira política do senador presidente do Senado Federal, afirma que personalidades doentias como a dele são capazes de vender até as mães para subir na vida ! Veja

Carta aberta ao Senador Renan Calheiros

Vida de gado. Povo marcado. Povo feliz.

As vacas de Renan dão cria 24 h por dia. Haja capim e gente besta em Murici e em Alagoas!

Uma qualidade eu admiro em você: o conhecimento da alma humana. Você sabe manipular as pessoas, as ambições, os pecados e as fraquezas. Do menino ingênuo que fui buscar em Murici para ser deputado estadual em 1978, que acreditava na pureza necessária de uma política de oposição dentro da ditadura militar, você, Renan Calheiros, construiu uma trajetória de causar inveja a todos os homens de bem que se acovardam e não aprendem nunca a ousar como os bandidos.

Você é um homem ousado. Compreendeu, num determinado momento, que a vitória não pertence aos homens de bem, desarmados desta fúria do desatino que é vencer a qualquer preço. E resolveu armar-se. Fosse qual fosse o preço, Renan Calheiros nunca mais seria o filho do “seo” Olavo, a digladiar-se com os poderosos Omena, na Usina São Simeão, em desigualdade de forças e de dinheiros.

Decidiu que não iria combatê-los de peito aberto, Descobriria um atalho, um ou mil artifícios para vence-los, e, quem sabe um dia, derrotaria a todos eles, os emplumados almofadinhas que tinham empregados, cujo serviço exclusivo era abanar , por horas, um leque imenso, sobre a mesa dos usineiros para que os mosquitos de Murici (em Murici até os mosquitos são vorazes) não mordessem a tez rósea de seus donos: Quem sabe um dia, com a alavanca da política, não seria Renan Calheiros, o dono único, coronel de porteira fechada, das terras e do engenho, onde seu pai, humilde, costumava ir buscar o dinheiro da cana, para pagar a educação de seus filhos, e tirava o chapéu para os Omena, poderosos e perigosos. Renan sonhava ser um big shot, a qualquer preço. Vendeu a alma, como o Fausto de Goethe, e pediu fama e riqueza, em troca.

Quando você e o então deputado Geraldo Bulhões, colegas de bancada de Fernando Collor, aproximaram-se dele, aliaram-se, começou a ser parido o novo Renan. Há quem diga que você é um analfabeto de raro polimento, um intuitivo. Que nunca leu nenhum autor de economia, sociologia ou direito. Os seus colegas de Universidade diziam isto. Longe de ser um demérito, esta sua espessa ignorância literária, faz sobressair, ainda mais, seu talento de vencedor. Creio que foi a casa pobre, numa rua descalça de Murici, que forneceu a você o combustível do ódio à pobreza e a ser pobre. E Renan Calheiros deci-diu que se a sua política não serviria ao povo em nada, a ele próprio serviria, em tudo. Haveria de ser recebido em Palácios, em mansões de milionários, em congressos estrangeiros, como um príncipe, e quando chegasse a esse ponto, todos os seus traumas banhados no rio Mundaú, seria rebatizados em fausto e opulência. “Lá terei a mulher que quero, na cama que escolherei. Serei amigo do Rei.”

Machado de Assis, por ingênuo, disse na boca de um dos seus personagens: “A alma terá, como a terra, uma túnica incorruptível”. Mais adiante, porém, diante da inexorabilidade do destino do desonesto, ele advertia: “Suje-se gordo! Quer sujar-se? Suje-se gordo!”.

Renan Calheiros, em 1986, foi eleito deputado federal pela segunda vez. Neste mandato nascia o Renan globalizado, ge-rente de resultados, ambição à larga, enterrando, pouco a pouco, todos os escrúpulos da consciência. No seu caso nada sobrou do naufrágio das ilusões de moço! Nem a vergonha na cara. O usineiro João Lyra patrocinou esta sua campanha com US 1.000.000. O dinheiro era entregue, em parcelas, ao seu motorista Milton, enquanto você esperava bebericando, no antigo Hotel Luxor, av. Assis Chateaubriand, hoje Tribunal do Trabalho. E fez uma campanha rica e impressionante, porque entre seus eleitores havia pobres universitários comunistas e usineiros deslumbrados, a segui-los nas estradas poeirentas das Alagoas, extasiados com a sua intrepidez em ganhar a qualquer preço. O destemor do alpinista, que ou chega ao topo da montanha, e é tudo seu, montanha e glória, ou morre. Ou como o jogador de pôquer, que blefa e não treme, que blefa rindo e cujos olhos indecifráveis intimidam o adversário. E joga tudo. E vence. No blefe.

Você, Renan não tem alma, só apetites, dizem. E quem na política brasileira a tem? Quem neste Planalto, “centro das grandes picaretagens nacionais” atende no seu comportamento a razões e objetivos de interesse público? ACM, que na iminência de ser cassado, escorregou pela porta da renúncia e foi reeleito como o grande coronel de uma Bahia paradoxal, que exibe talentos com a mesma sem cerimônia com que cultiva corruptos? José Sarney, que tomou carona com Carlos Lacerda, com Juscelino, e, agora, depois de ter apanhado uma tunda de você, virou seu “pai velho”, passando-lhe a alquimia de 50 anos de malandragem? Quem tem autoridade moral para lhe cobrar coerência de princípios? O presidente Lula, que deu o “golpe do operário”, no dizer de Brizola, e hoje “hospeda” no seu Ministério um office boy do próprio Brizola? Que taxou os aposentados, que não o eram, nem no Governo de Collor, e dobrou o Supremo Tribunal Federal? No velho dizer dos canalhas, “todos fazem isto”, mentem, roubam, traem. Assim, senador, você é apenas o mais esperto de todos, que, mesmo com fatos gritantes de improbidade, de desvio de conduta, pública e privada, tem a quase unanimidade deste Senado de Quasimodos morais para “blinda-lo”. E um moço de aparência simplória, com um nome de pé de serra, Siba, é o camareiro de seu salvo conduto para a impunidade, e fará de tudo, para que a sua bandeira, absolver Renan no Conse-lho de Ética, consagre a “sua carreira”. Não sei se este Siba é prefixo de sibarita, mas, como seu advogado in pectore, vida de rico ele terá garantida. Cabra bom de tarefa, olhem o jeito sestroso com que ele defende o “chefe”. É mais realista que o Rei. E do outro lado, o xerife da ditadura militar, que, desde logo, previne: “quero absolver Renan”. Que Corregedor! Que Senado!

Vou reproduzir aqui o que você declarou possuir de bens em 2002 ao TRE. Confira, tem a sua assinatura: 1) Casa em Brasília, Lago Sul, R$ 800 mil, 2) Apartamento no edifício Tartana, Ponta Verde, R$ 700 mil, 3) Apartamento no Flat Alvorada, DF, de R$ 100 mil, 4) Casa na Barra de S Miguel de R$ 350 mil E SÒ. Você não declarou nenhuma fazenda nem uma cabeça de gado!! Sem levar em conta que seu apartamento no Edifício Tartana vale, na realidade, mais de R$ 1 milhão e sua casa na Barra de São Miguel, comprada de um comerciante farmacêutico, vale R$ 3.000.000.

Só aí, Renan, você DECLARA POSSUIR UM PATRIMONIO DE CERCA DE R$ 5.000.000. Se você, em 24 anos de mandato, ganhou BRUTOS, R$ 2 milhoes, como comprou o resto? E as fazendas, e as rádios, tudo em nome de laranja? Que herança moral você deixa para seus descendentes. Você vai entrar na história de Alagoas como um político desonesto, sem escrúpulos e que trai até a família. Tem certeza de que vale a pena?

Um vez, há poucos anos, perguntei a você como estava o maior latifundiário de Murici. E você respondeu: “Não tenho uma tarefa de terra. A vocação de agricultor da família é o Olavinho”. É verdade, especialmente no verde das mesas de pôquer!

O Brasil inteiro, em sua maioria, pede a sua cassação. Dificilmente você será condenado. Em Brasília, são quase todos cúmplices. Mas olhe no rosto das pessoas na rua, leia direito o que elas pensam, sinta o desprezo que os alagoanos de bem sentem por você e seu comportamento desonesto e mentiroso. Hoje, perguntado, o povo fecharia o Congresso. Por causa de gente como você

Thereza Collor

Publicado anteriormente por Mendonça Neto no Jornal Extra Online, de Maceió

Publicado por:  Jornal do Brasil