João Bosco Leal
Extensiva a muitos outros prefeitos, das milhares de cidades do nosso Brasil
Senhor prefeito,
A grande parcela da população campo-grandense que sempre o apoiou, fazendo com que chegasse até aqui, sabe de suas ambições políticas e, penso, poderá continuar lhe apoiando para postos mais elevados.
Entretanto, gostaria de lhe indicar um ponto onde sua administração poderia melhorar muito, na acessibilidade, atendendo assim uma população hoje enorme no país e que, com o avanço da medicina, tende a crescer muito.
Campo Grande hoje é muito atrasada nesse ponto. Sete meses atrás escrevi um texto sobre o tema, mostrando que a nova sede da Agetran, exatamente a que deveria dar o exemplo no trânsito, não possuía estacionamentos para deficientes físicos ou pessoas com qualquer outro tipo de necessidade especial.
Ao lá comparecer para retirar uma licença de estacionamento em vagas exclusivas, constatei o fato e imediatamente apontei o problema para o responsável local. Quando retornei, vinte dias após, para buscar a autorização que em outras capitais como Curitiba é expedida na hora, percebi que haviam colocado uma vaga para idosos e outra para deficientes físicos no estacionamento dos funcionários, de acesso proibido ao público.
O texto, intitulado “Um crime contra a cidadania”, foi publicado em www.joaoboscoleal.com.br no dia 01/10/10, inclusive com fotos, e republicado em mais 10 blogs, sites ou jornais de todo o país, como lá mesmo pode ser constatado.
A sede do Agetran, apesar de hoje com os portões do estacionamento abertos, continua com somente uma vaga para cada tipo, idosos e deficientes, quando a própria Lei Federal 10.098 de 19/12/2000, em seu artigo 7º, com mais de dez anos de vigência, determina que existam 2 % do total das vagas de estacionamento para cada.
O Parque de Exposições Laucídio Coelho, da ACRISSUL, motivo de muitos debates recentes, e que, conforme suas próprias declarações, é um ponto tradicional de lazer da população , possui, em seu estacionamento central uma única vaga para deficientes físicos e duas para idosos defronte a sede do IAGRO, e mais nenhuma em qualquer outro local do imenso parque, como diante dos pavilhões de leilões.
E essa única vaga destinada aos deficientes é permanentemente usada por um dos funcionários do órgão que é cadeirante, ou seja, não há vagas para deficientes onde, diariamente, centenas de produtores rurais são obrigados a comparecer para recolher impostos que movimentam a economia municipal e estadual.
Ao visitar a Morada dos Baís, centro de diversos eventos culturais da capital, fiquei ainda mais surpreso. Uma exposição de arte que lá está sendo realizada, ocupa várias salas, uma inclusive no andar superior. Mas não se passa de uma sala para outra sem que se suba ou desça escadas. Não há rampas de acesso às salas ou um elevador que transporte pessoas ao piso superior.
No dia do lançamento da atual exposição, coincidentemente chamada “Condutores de Alegria”, seis pessoas que lá estavam não puderam conhecê-la toda, por não conseguirem subir escadas. Com toda a tecnologia hoje disponível, mesmo sendo um prédio tombado pelo patrimônio histórico do município, arquitetos competentes devem lhe apresentar soluções para essa execução sem que haja interferência na arquitetura do mesmo.
Prefeito sonhe alto em sua carreira, mas lembre-se de que para continuá-la precisa de votos, e a parcela de pessoas que hoje possui algum tipo de necessidade especial, segundo o IBGE, é de 15% da população brasileira.
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João, muito oportuno o tema abordado hoje e fiquei surpreso com os dados do IBGE de que ,15% da nossa população tem alguma limitação fisica.
Um abraço,
Ze Mario
Otimo artigo, precisamos mesmo chamar a atenção de nossos mandatarios que so´sabem cobrar de alguns(não entendo porque so´alguns em que cumprir a lei) e não fazem o dever de casa.
um abraço
Eleanor
Grannnnnnnde João Bosco,é gente assim com visão que nós estamos precisando,que tal vc se candidatar para algum cargo público???? Sem demagogia,estou falando o que penso.
a situação dos deficientes é tão precária neste país que chega ao alarmismo! Parabéns João não desista desta campanha, Carmen Mayrink Veiga sofre de Paraparesia Espástica Tropical, doença que limita seus movimentos; então, tornou-se ativista pela causa dos cadeirantes, conseguindo que rampas de acesso e outras facilidades que são indispensáveis para deficientes físicos fossem instaladas em grandes hotéis como o Copacabana Palace, restaurantes e em patrimônios tombados como o Teatro Municipal do Rio de Janeiro, que ganhou um elevador panorâmico específico para cadeirantes, que Carmen inaugurou, mas ela só conseguiu seus feitos para os lugares nobres e as ruas? os lugares públicos? estes ainda continuam precários o que é lamentável…Boa sorte em sua campanha João, sou 100% solidária
João
Valeu a pena aguardar para ler seu texto. Parabéns!!!
Os “ocupantes” de cargos públicos deveriam lembrar apenas de uma frase: Cumpra-se a Lei.
Assim poderíamos (com) viver sabedores de nossos deveres e direitos sem discordar das altas taxas de impostos que são iguais a todos os habitantes. Isso faz uma diferença enorme entre quem são os “ocupantes” de cadeira e que são os “cadeirantes”.
BeiJÔ
Caro João, fico um tanto constrangida em nome dos arquitetos responsávies pela reforma da Morada dos Bais entre 1993 a 1995, pelo fato da reforma em que foi transformado o sobrado dos Bais em um Centro Cultural, não terem adaptado com melhor acessibilidade.
Tenho certeza que nosso Prefeito, que é muito sensível, irá no futuro porporcionar cada vez mais esta acessibilidade em toda a cidade.
Abraços
Janine Tortorelli
Gestora Morada dos Bais
João, parabéns pelo artigo. Realmente Campo Grande está muito distante dos grandes centros quando o assunto é acessibilidade. O artigo chama a atenção das autoridades em relação ao direito legítimo de ir e vir dos cidadãos, sejam deficientes físicos ou não. Infelizmente o que vemos em Campo Grande são calçadas danificadas e abandonadas. Basta caminhar pelo centro da cidade para ver as condições das calçadas, além da sugeira acumulada (sequer há cestos para coleta de lixo!). Em frente ao Banco do Brasil localizado na esquina da rua Treze de Maio com a av. Afonso Pena a calçada do canteiro central há anos está danificada e a prefeitura nada faz para repará-la. É impossível a qualquer cadeirante atravessar aquela avenida usando a faixa de segurança existente naquele local. Esperamos que o prefeito determine a execução dos reparos o quanto antes. Sugiro que você convide o prefeito para dar uma volta no centro da cidade, será de grande valia. Pequenos reparos podem representar muito, inclusive evitar quedas e lesões dos pedestres. Abraços, boa sorte e que você continue escrevendo bons e relevantes artigos. Geraldo Moretzsohn.
Pois é João, não entendo como esses projetos são aprovados pela prefeitura, já que ignoram a acessibilidade.
Parabéns João Bosco: Seu artigo será um marco, pois se trata da saúde e bem estar dos nossos irmãos. Nosso alcaide, em sua nobre missão, além de médico, profissão essa relevante, que visa a saúde, bem estar e tranquilidade, principalmente aos idosos e incapacitados, com certeza pautará em sua agenda o seu pleito como prioridade, pois o caráter de um homem é determinado pelas suas atitudes.
Abraços, Frida.
João, muito oportuna sua carta, pois todos temos os mesmos direitos, e também acho um absurdo o descaso com as leis. Este é só um dos diversos exemplos.
Parabéns por mais este texto.
Abs.
Carmen