Posts de agosto \31\UTC 2010

Seca não prejudicará oferta de energia, diz ministro

31 de agosto de 2010

Economia & Negócios

LEONARDO GOY Agencia Estado

BRASÍLIA – O ministro de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, afirmou hoje que a seca que atinge boa parte do País não prejudicará o abastecimento de energia elétrica e disse que até existe a expectativa de que, na próxima semana, a geração de energia elétrica em usinas térmicas, que usam combustíveis fósseis como gás e carvão, seja reduzida dos atuais 4 mil MW médios para cerca de 2,5 mil MW médios.

Segundo o ministro, isso deve ocorrer, apesar da seca, porque os principais reservatórios do País, que são da Região Sudeste, estão operando a uma taxa equivalente a 92% da média histórica dos últimos 80 anos para o período. As térmicas são acionadas para evitar que as represas fiquem com um nível muito baixo. Assim, o governo manobra o uso de hidrelétricas e termelétricas de modo a manter o nível nos reservatórios até que venham as chuvas, o que deve ocorrer no último trimestre do ano.

A situação dos reservatórios foi um dos temas da reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), encerrada no final da tarde no Ministério de Minas e Energia.

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Investimentos do governo federal batem recorde em julho

31 de agosto de 2010

Agência Brasil

Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil

Brasília – Os investimentos do governo federal bateram recorde em julho, quando, pela Lei Eleitoral, já havia restrições para repasses a estados e municípios. Segundo dados do Tesouro Nacional, os gastos em obras, no mês passado, somaram R$ 4,512 bilhões, o maior valor mensal em 2010.

Julho representou uma mudança em relação aos padrões dos meses anteriores. Pela primeira vez no ano, os valores pagos do Orçamento, do próprio exercício, superaram os restos a pagar – recursos de anos anteriores. De acordo com o Tesouro, os investimentos bancados com verbas deste ano somaram R$ 2,558 bilhões e os restos a pagar atingiram R$ 1,953 bilhão em julho.

No início do ano, o governo inscreveu cerca de R$ 70 bilhões nos restos a pagar na programação de gastos deste ano. A quantia é recorde e representa mais que o dobro da média dos últimos anos, quando esses recursos atingiram cerca de R$ 30 bilhões. O Tesouro evita confirmar se a queda nos restos a pagar em julho ocorreu por causa da antecipação dos empenhos no primeiro semestre para assegurar os repasses às prefeituras e aos governos estaduais.

Em anos eleitorais, as restrições para gastos em investimentos abrangem apenas os convênios entre os entes da Federação, em geral transferências voluntárias da União para estados e municípios. De acordo com a lei, esses repasses estão suspensos desde 3 de julho. Para obras exclusivas do governo federal, não há impedimentos para a liberação de dinheiro do Orçamento.

Apesar de a fatia dos restos a pagar ter recuado no mês passado, os recursos empenhados (contratados) em anos anteriores continuam a responder pela maior parte dos investimentos federais em 2010. No acumulado do ano, os restos a pagar correspondem a R$ 16,869 bilhões, o que equivale a 67% das despesas da União em obras. Até junho, essa parcela era de 72%.

Nos sete primeiros meses de 2010, os investimentos federais somaram R$ 25,144 bilhões, 67% a mais que no mesmo período do ano passado. Na comparação com junho, quando o crescimento acumulado era de 72%, o ritmo de crescimento caiu. A desaceleração, no entanto, ocorreu porque, em julho de 2009, também houve avanço nos investimentos, o que afetou a base de comparação.

Publicada por:   Agência Brasil

MP exige que TAM altere poltronas

30 de agosto de 2010

Jornal da Tarde

Luiz Guilherme Gerbelli

O Ministério Público abriu uma ação contra a TAM Linhas Aéreas para que a empresa aumente a distância entre os assentos e melhore a largura do encosto das poltronas de suas aeronaves.

O principal argumento é que a atual configuração dos assentos fere o Código de Defesa do Consumidor e ainda ofereceriam riscos ao passageiro em caso de pouso forçado.

Na ação, o MP pede que o espaço entre as poltronas passe dos atuais 74 centímetros para 84. Já a largura do encosto deve ser sempre superior a 50 centímetros.

Além das alterações, o ministério também exige que a empresa pague uma multa equivalente a R$ 50 milhões por indenização ao dano moral coletivo. “O valor é compatível com o lucro da empresa”, diz o promotor

Giovane Serra Azul Guimarães, autor da ação.

Caso as alterações propostas sejam descumpridas pela companhia, Guimarães ainda defende uma multa diária de RS 100 mil.

Segundo o MP, a TAM negou-se a assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para realizar as alterações propostas sem a necessidade de uma ação judicial. “A empresa informou que segue as normas determinadas pela Anac [(Agência Nacional de Aviação Civil) e que não há nada de errado”, conta Guimarães.

Em nota, a empresa aérea afirma que não se manifestará porque ainda não foi citada na ação. Contudo, garantiu que nos voos internacionais a distância entre as poltronas da classe econômica varia entre 79 e 84 centímetros.

A Gol também poderá ser acionada. A companhia aérea analisa o termo e deverá se pronunciar dentro de dez dias, prazo estabelecido pelo ministério. As duas companhias, diz Guimarães, foram convocadas para dar explicações porque representam 90% do mercado nacional.

“O passageiro precisa de uma distância minimamente segura que o permita abaixar e proteger a cabeça em uma situação de emergência como um pouso forçado”, explica Guimarães.

Com as modificações propostas, a TAM teria 18 assentos a menos em cada jato. Em média, os aviões da empresa têm entre 138 e 168 lugares. “Há casos de pessoas que ficam muito tempo sentadas numa mesma posição, o que pode ajudar ao desenvolvimento de trombose. Tal situação fere a saúde do passageiro”, acrescenta o promotor.

No próximo mês, esgota-se o prazo para que as companhias aéreas enviem à Anac relatórios sobre a condição das poltronas.

A intenção é que, a partir de março de 2011, os passageiros possam ser informados sobre as novas configuração das aeronaves.

De acordo com levantamento do MP, das 134 empresas de aviação espalhadas pelo mundo, 124 delas têm um espaçamento entre poltronas da classe econômica maior do que o da TAM.

Segundo o professor de Estratégia e Marketing da FEI, Bráulio Oliveira, o pedido do MP é prejudicial. Para Oliveira, as companhias do setor aéreo já são altamente regulamentadas. “O que o governo precisa é estimular uma concorrência para que novas empresas apareçam no mercado. Dessa forma, o cliente vai poder ter mais opções de escolha”, analisa.

Na avaliação de Oliveira, aéreas que operam rotas no interior do Estado de São Paulo poderiam ganhar força e passar a atuar em destinos mais importantes.

“Não há competidores de peso para brigar pelo mercado. A Anac e Infraero deixaram de ter um papel de fomentar o mercado”, analisa o professor universitário.

Publicada por:   Jornal da Tarde

Celso Arnaldo completa a radiografia da mais estarrecedora entrevista de Dilma

30 de agosto de 2010

Augusto Nunes

A segunda parte do texto de Celso Arnaldo completa a radiografia da entrevista assustadora. Embarquem novamente no trem-bala do horror, amigos. Volto no fim:

Ok, a criança chegou a um hospital de alta complexidade criado por Dilma -– sim, porque ninguém tinha pensado antes num hospital para atender doenças mais graves. O InCor, por exemplo, é uma miragem. O que vai acontecer ali? Agora, sim, Dilma revela o que viu na Bahia que a impressionou tanto:

“Uma proposta que conjuga não só tecnologia de ponta, tecnologia sofisticada pro tratamento da criança, mas também um grande nível de humanização, porque eles usam todo aquela questão do envolvimento da criança, mostrano que a boneca vai, tamém, cuidá da cabeça ou quando a criança é submetida a algum nivel de tratamento mais estressante, tomá os cuidados para garanti que psicologicamente ela se…enfim, ela tenha uma chegada maior a um processo que inclusive é de dor”.

Nos hospitais de Dilma, os doutores serão de uma alegria só — até o dia da “chegada maior” de Dilma pra cuidá da cabeça com a boneca.

Nos longos minutos que se seguem, Dilma se dedica a tentar provar, de novo, que as creches são a diferença entre Bill Gates e Nem do tráfico. Ela repete, no mesmo palavreado vão e leviano, a promessa das 6 mil creches em quatro anos -– mas de novo não explica, nem lhe foi perguntado pela mídia adestrada, porque não convenceu Lula a fazer uma só como protótipo ao longo de oito anos.

Depois da creche, o processo de “atendimento integral” das crianças da presidente Dilma passa evidentemente pela escola. Está em marcha uma revolução que faria o companheiro Paulo Freire parecer uma professorinha de quermesse:

“Já existe 10 mil, em torno de 10 mil escolas no Brasil, é, de ensino, de ensino fundamental, de ensino mé…., de ensino fundamental e médio, de ensino básico, portanto…”

Interrompida pelo Controle Social da Mídia. Se a presidente Dilma passou com louvor na prova de saúde, nessa questão da escola ela precisa estudar um pouquinho mais. Vamos deixar para a próxima?

Uma jornalista então quer saber: por que esse interesse tão súbito da presidente pela “criança integral”?

Atenção para a resposta, professor Sirio Possenti:

– Eu vô sê vó!!

E isso desperta em vovó Dilma não só instintos avoengos como essa dedicação integral à criança, que ela justifica com uma máxima inédita:

– As crianças são o futuro deste país.

Até aqui, Dilma falara sem ser questionada. Timidamente, uma repórter parece perguntar se essa tal Rede Cegonha já não existe em algum lugar. A presidente se irrita, pela primeira vez:

“O Rede Cegonha é uma criação do Rio de Janeiro. Não é nossa. É uma parte também do Mãe Coruja, de Pernambuco. Essa mania das pessoas se adonarem de projetos que estão em curso no Brasil é errado.”

Taí: gostei do “se adonarem” -– em 11 meses de caçada, é a primeira expressão original, e correta, que ouço de Dilma. Mas quem está se adonando dos projetos alheios é a presidente Dilma, não é não?

O SAMU Cegonha, que “nós criamos”, também já não existe, presidente?

“O SAMU Cegonha inclusive ele existe, tem até uma cegonha pintada naquela parte branca da….do…..”

A presidente parece ter até desistido da conclusão do pensamento quando vem o sopro redentor:

– Da ambulância.

– Da ambulância, né?

Seria cômico, se não fosse trágico: nos próximos quatro anos, é isso aí.

Brilhante como sempre, o texto de Celso Arnaldo colide estrondosamente com a indigência mental da sucessora que Lula inventou. Também por isso, não dou por liquidada a disputa pela Presidência da República. Falta um mês para a votação. No calendário político isso é uma eternidade. É mais que suficiente para que a oposição mostre ao Brasil o que vem por aí com a mesma nitidez e objetividade que marcam todos os posts sobre a candidata aqui publicados. Tempo para desconstruir a farsa existe de sobra. O que tem faltado à campanha de José Serra é lucidez, coragem, valentia e, sobretudo, vontade de vencer.

Acompanho confrontos eleitorais desde que nasci. Dois anos depois de derrotado na estreia como candidato a prefeito, e dois anos antes de conquistar o cargo que exerceria quatro vezes, meu pai vivia como sempre viveu: em campanha. Primeiro em Taquaritinga, na região e no Estado de São Paulo, depois como jornalista, testemunhei incontáveis duelos do gênero em todos os níveis — sempre na fila do gargarejo. Sei o que estou dizendo ao afirmar que Dilma Rousseff é a adversária que todo candidato pede a Deus. O problema é que, até agora, José Serra também tem sido.

Publicado por:  Augusto Nunes

Dilma nega discussão sobre cargos para eventual governo

30 de agosto de 2010

Reuters Brasil

BRASÍLIA (Reuters) – A candidata ao Planalto Dilma Rousseff (PT) voltou a negar que cargos de um eventual governo petista estejam em discussão, em meio a rumores de que aliados já negociam ministérios e cargos estratégicos.

Para a candidata, o momento é de fazer propostas, e não de especular sobre a composição de governo.

De acordo com ela, discutir cargos agora seria “colocar o carro na frente dos bois.”

“A discussão de governo não cabe nesse momento”, disse Dilma a jornalistas neste domingo. “Qualquer discussão de nome da minha parte e de minha campanha é factóide. Eu desautorizo todas as especulações sobre quem quer que seja, ocupar qualquer que seja o cargo.”

Durante entrevista a jornalistas, pouco antes de entrar no estúdio onde grava os programas eleitorais para a TV, Dilma afirmou que irá aumentar para 40 milhões o número de pessoas com acesso à internet de banda larga.

Com previsão de investimento de 3 bilhões de reais, a proposta faz parte do Plano Nacional de Banda Larga, lançado pelo governo federal em maio.

“O objetivo é que o governo seja um impulsionador da concorrência”, afirmou a candidata.

(Por Maria Carolina Marcello)

Publicada por:  Reuters Brasil

Serra diz que Dilma desrespeita eleitor ao cantar vitória

30 de agosto de 2010

Reuters Brasil

SÃO PAULO (Reuters) – O candidato à presidência da República pelo PSDB, José Serra, criticou sua opositora Dilma Rousseff (PT) neste domingo por ela ter sugerido na véspera que após as eleições a rivalidade eleitoral acaba e poderia “estender a mão” a quem quisesse compartilhar do governo dela.

“Eu acho que essa declaração tem uma certa falta de respeito para com as pessoas. É alguém sentando na cadeira a mais de um mês da eleição”, disse Serra a jornalistas.

“Me pareceu uma atitude pouco respeitosa com os eleitores”, complementou.

A candidata petista fez a declaração no sábado, quando foi divulgada mais uma pesquisa na qual aparece em primeiro lugar na disputa. Segundo o Ibope, Dilma tem 51 por cento da preferência do eleitorado, contra 27 por cento de Serra, uma vantagem de 24 pontos percentuais e ganharia no primeiro turno.

O candidato esteve neste domingo na Associação dos Nordestinos do Estado de São Paulo (Anesp), acompanhado da sua esposa Monica Serra.

Serra fez um discurso recheado de promessas para a região Nordeste do país –onde o PT tem grande força–, como irrigar regiões mais áridas. Ele convocou a plateia a pedir votos das famílias que continuam na região.

“Eu queria pedir para vocês que me conhecem mais de perto que escrevam pras suas famílias no Nordeste”, disse Serra ao final do evento.

(Por Fernado Cassaro)

Publicada por:  Reuters Brasil

Mobilidade urbana demanda compromisso de longo prazo de novos governantes

30 de agosto de 2010

Agência Brasil

Vinicius Konchinski – Repórter da Agência Brasil

São Paulo – Centros urbanos brasileiros estão à beira de um apagão no seu sistema de transporte. Uma pesquisa da Fundação Dom Cabral (FDC) aponta que, sem investimentos, São Paulo vai praticamente parar daqui a quatro anos; avenidas do Rio de Janeiro ficarão intransitáveis em oito; e Belo Horizonte e Porto Alegre terão lentidão permanente em suas vias daqui a 12 anos.

A solução dos problemas da mobilidade urbana é um dos desafios do próximo presidente da República e governadores, que serão eleitos este ano, e dos atuais prefeitos. Durante os quatro anos de mandato, os governantes terão de colaborar parar minimizar as falhas no transporte coletivo e no sistema viário das principais cidades brasileiras.

Para a solução definitiva do problema, porém, compromissos a longo prazo serão essenciais. Especialistas em mobilidade urbana afirmam que só com o comprometimento de investimentos em obras de longa maturação será possível desafogar o trânsito das metrópoles.

“Precisamos de compromisso”, diz o coordenador do núcleo de Infraestrutura e Logística da FDC, Paulo Resende. “No Brasil, o político acha que tem que desconstruir o que seu antecessor fez. Isso prejudicou os investimentos em transporte durante a década de 90 inteira.”

Em entrevista à Agência Brasil, Resende afirmou que a frota das grandes regiões metropolitanas aumenta cerca de 15% por ano. A cada cinco anos, o número de carros nessas áreas dobra.

Para ele, só obras de grande porte podem acomodar toda essa demanda ou criar alternativas para que a população possa deixar seu carro em casa. O problema que essas obras levam tempo para ser concluídas e, por isso, muitas vezes acabam deixadas de lado.

“O político não quer iniciar uma linha de metrô, por exemplo, que só será inaugurada depois que ele não estiver mais no cargo”, disse. “Acaba investindo em pequenas intervenções, que melhoram algumas coisas, mas não resolvem o problema definitivamente”, completou.

O arquiteto e urbanista Jorge Wilheim, que participou da elaboração do plano diretor dos municípios de São Paulo e Curitiba, ressaltou que a reorganização do sistema de transporte público nas grandes cidades é fundamental para o deslocamento das pessoas. Segundo ele, estações de metrô têm de ter estacionamento para bicicletas e carros. Devem ser também interligadas a linhas de ônibus que trafegam por corredores exclusivos do transporte coletivo. “Isso não é fácil, custa caro e demanda tempo. Pelo menos 15 anos. Mas é preciso que os governantes assumam o compromisso de pelo menos iniciar as obras”, disse.

De acordo com o diretor-superintendente da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), Marcos Bicalho dos Santos, seriam necessários cerca de R$ 10 bilhões anuais por pelo menos uma década para criar sistema de transporte público eficiente em todas as cerca de 50 cidades com mais de 500 mil habitantes do país.

O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da mobilidade urbana, principal programa de investimento no setor de transportes urbanos, contém projetos orçados em R$ 11,4 bilhões. Lançado em janeiro, o programa planeja os investimentos na mobilidade das 12 cidades-sede da Copa do Mundo até 2014. Para Santos, ainda é pouco. “O PAC é um começo”, avalia. “Não podemos ficar limitados às cidades da Copa. Muitas cidades ainda precisam de investimento”, completou.

Publicada por:   Agência Brasil

Definição sobre a poupança vai levar mais alguns meses

30 de agosto de 2010

Economia & Negócios

Decisão do STF suspendeu tramitação dos recursos referentes aos planos Bresser, Verão e Collor I

Roberta Scrivano, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO – Os investidores que pleiteiam na Justiça a correção da caderneta de poupança de três planos econômicos (Bresser, Verão e Collor I) terão de esperar mais alguns meses para saber o rumo que suas ações terão.

Isso porque, após uma decisão positiva tomada quarta-feira pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre as ações individuais, o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu na sexta-feira a tramitação de todos os recursos de poupadores.

“Agora, quem tem ação precisa esperar. E é bom esperar torcendo para que o julgamento do STF seja positivo aos poupadores”, diz Alexandre Berthe, advogado que está cuidando de alguns casos sobre o tema.

Na prática, todas as decisões anunciadas pelo STJ quarta-feira não estão valendo, inclusive os índices de correção monetária aplicados às poupanças. Na ocasião, ficaram definidos 26,06% para o Plano Bresser; 42,72% para o Plano Verão; 44,8% para o Collor I; e 21,87% para o Plano Collor II.

“Se não houvesse a suspensão, apesar de os índices já terem sido definidos, os poupadores que entraram com ações individuais teriam de esperar os julgamentos. Provavelmente, os resultados seriam positivos aos cidadãos”, diz Alberto Haim Fux, coordenador de contencioso cível do escritório Rosenbaum, que tem 50 ações individuais.

As ações individuais que já transitaram em julgado (ou seja, que já passaram por todas as instâncias judiciais, nas quais não cabe mais recurso) não terão alteração no resultado, segundo os advogados consultados.

Ações coletivas. As ações coletivas – ou seja, as impetradas por órgãos de defesa do consumidor, instituições, entidades de classe – foram derrubadas pelo STJ na quarta-feira. Essa decisão também está suspensa.

A princípio, a notícia parece positiva aos poupadores que entraram com ação em grupo para pleitear a correção da poupança, mas segundo Berthe, “isso é só uma impressão.” “Não dá para garantir, mas é muito difícil que o STF altere essa decisão”, completa.

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Migração de crédito entre bancos emperra no País

30 de agosto de 2010

Economia & Negócios

Regulamentada em 2006, a chamada portabilidade não deslanchou

Yolanda Fordelone e Roberta Scrivano, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO – A portabilidade do crédito – regulamentada no fim de 2006 – ainda não deslanchou. Burocracia, pouca informação aos clientes e falta de interesse dos bancos em desenvolver a modalidade são os principais fatores que explicam a estagnação, segundo órgãos de defesa do consumidor.

A possibilidade de migrar o crédito de uma instituição para outra em busca de melhores taxas e sem custos é “uma iniciativa louvável”, reconhece Maria Inês Dolci, do ProTeste. “Mas ainda há muito a ser aperfeiçoado”, completa. Mesma opinião têm o Procon-SP e o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec).

As entidades afirmam que, em muitos casos, os bancos procuram incentivar a portabilidade em públicos que oferecem menor risco, como os aposentados ou pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

 

 

 

 

 

 

 

“O que vem acontecendo é que os bancos procuram as operações de consignado, cujos juros já são baixos e a portabilidade normalmente nem diminui tanto a taxa”, explica Renata Reis, técnica do Procon-SP.

O Banco Central (BC) argumenta que muitas vezes a portabilidade não é exercida porque, quando o devedor manifesta o interesse de migrar a dívida, o próprio banco a renegocia, para não perder o cliente.

“Esses clientes que não mudam de banco não são captados nas estatísticas”, diz o chefe de normas do BC, Sergio Odilon dos Anjos. “Quanto ao tipo de público atendido, cabe a cada instituição avaliar o cliente que mais lhe convém.”

Maria Inês, da ProTeste, confirma que, em muitos casos, quando o cliente procura o banco avisando que tem interesse em portar um crédito para outra instituição, há uma negociação dos valores e taxas. “Por isso, muitas vezes, no início do processo da portabilidade, o cliente já é convencido a manter o crédito no mesmo lugar.”

Burocracia

A portabilidade não deveria ser demorada, segundo os especialistas consultados pela reportagem. “Teoricamente, o processo é simples”, diz Maria Inês, da ProTeste. Na portabilidade, o novo banco deve pagar à instituição originária da dívida o crédito devido e o cliente passa a ter um empréstimo ou financiamento com o outro banco.

Mas o processo moroso de aprovação de crédito, que deve ser todo refeito no novo banco, também emperra o aumento das transações. “Essa parte eu questiono. Se o cliente já conseguiu a aprovação do crédito em um banco e está com o pagamento em dia, por que ele precisa novamente apresentar os documentos e as garantias?”, indaga a diretora da ProTeste.

Na hora de efetuar a portabilidade, George Ohanian, professor do Insper, recomenda que o cliente fique de olho no Custo Efetivo Total. “O devedor deve estar atento à comparação entre os dois empréstimos para avaliar se a portabilidade realmente vale a pena.”

Segundo Anjos, do BC, a ideia de criar a portabilidade foi promover a concorrência entre os bancos. “O aumento da concorrência resulta na diminuição da taxa de juros e do spread bancário”, explica. Nesse processo, o principal beneficiado é o cliente.

Ohanian, do Insper, critica, no entanto, a falta de divulgação da portabilidade do crédito. “Ao contrário da portabilidade criada em outros setores como o de telefonia celular, não há muita propaganda desse direito”, argumenta.

A reportagem procurou os três maiores bancos do País – Banco do Brasil (BB), Itaú Unibanco e Bradesco –, mas nenhum quis se pronunciar.

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Angra dos Reis vira a maior exportadora do País

30 de agosto de 2010

Economia & Negócios

AE Agencia Estado

SÃO PAULO – Nem só de iates luxuosos e barcos de pesca vive hoje o tráfego marítimo de Angra dos Reis, balneário turístico no litoral sul-fluminense, a 150 quilômetros do Rio. O fluxo de grandes petroleiros é cada vez maior na região, reflexo de mudanças na logística de petróleo da Petrobras, que levaram a cidade ao posto de maior exportadora do País.

Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento (Secex), Angra dos Reis exportou US$ 5,064 bilhões entre janeiro e julho deste ano, um crescimento de 110% com relação ao mesmo período do ano anterior. Em 2010, a cidade ultrapassou tradicionais exportadores como São Paulo e Santos na lista dos municípios com maior receita em comércio exterior do País.

Do total exportado por Angra, 99,36% refere-se a petróleo bruto e 0,43% a combustíveis e lubrificantes para os petroleiros. Ou seja, praticamente não há outro bem exportável na cidade. E, curiosamente, Angra dos Reis não produz uma gota de petróleo: todo o óleo que passa pelo município vem de campos produtores em alto mar, principalmente na Bacia de Campos. Angra é o sexto maior arrecadador com royalties do País, com uma receita acumulada entre janeiro e julho de R$ 51,4 milhões.

A cidade se tornou hoje uma espécie de hub exportador de petróleo, concentrando a produção da Bacia de Campos e transferindo-a a grandes petroleiros que levam a commodity para países importadores, principalmente China, Índia e EUA. O Brasil exportou este ano uma média de 623,5 mil barris por dia, volume superior ao registrado pelo Equador e próximo ao do Catar, dois países-membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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