Posts de 25 de julho de 2010

Lobão e aliados montam esquema para ter domínio sobre Serra Pelada

25 de julho de 2010

Estadão

Investigação. Projeto de retomada da exploração do garimpo ganhou força quando senador esteve no comando do Ministério de Minas e Energia, e envolve um emaranhado de empresas abertas no Brasil e no Canadá, além de pagamentos suspeitos a cabos eleitorais

Leonencio Nossa e Rodrigo Rangel – O Estado de S.Paulo

Uma operação articulada pelo senador e ex-ministro de Minas e Energia Edison Lobão está por trás do projeto de retomada da exploração de ouro no lendário garimpo de Serra Pelada, no sul do Pará. A operação envolve pagamentos suspeitos a cabos eleitorais de Lobão e um emaranhado de empresas – algumas de fachada – abertas no Brasil e no Canadá.

O projeto de retomada da exploração do garimpo ganhou força quando Lobão esteve no comando do ministério, de janeiro de 2008 a março deste ano. Com aval do governo, a exploração será feita pela Serra Pelada Companhia de Desenvolvimento Mineral, empresa criada a partir de um contrato entre a desconhecida Colossus Minerals Inc., com sede em Toronto, no Canadá, e a Cooperativa dos Garimpeiros de Serra Pelada (Coomigasp), que reúne 40 mil garimpeiros e detém os direitos sobre a mina.

Este ano, por duas vezes o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a programar visita a Serra Pelada para anunciar a reabertura do garimpo. Mas as duas viagens foram canceladas de última hora. Nas palavras de um auxiliar do presidente, a desistência se deu porque o Planalto avaliou que o acordo com a Colossus é prejudicial aos garimpeiros. “Os leões querem ficar com todo o ouro”, disse o assessor.

Por ordem da Presidência, o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) e o ministério tiveram de firmar um termo de compromisso com a Colossus em que a empresa canadense se compromete a ajustar cláusulas do contrato com potencial de prejuízo aos garimpeiros. Até o fechamento desta edição nada havia mudado.

Como senador e depois como ministro, Lobão atuou pessoalmente em várias frentes, dentro e fora do governo, para possibilitar o negócio. Primeiro, operou para formalizar a Coomigasp como proprietária do garimpo.

Nos bastidores, ainda em 2007, como senador, Lobão atuou para conseguir que o governo federal convencesse a Vale, até então detentora da mina, a transferir à cooperativa seus direitos de exploração de ouro e outros metais nobres em Serra Pelada. A Vale submeteu a proposta a seu conselho de administração, que concordou em atender ao pedido de Brasília e, em fevereiro de 2007 assinou um “termo de anuência” repassando à cooperativa dos garimpeiros o direito de explorar a mina principal.

No ano passado, já com Lobão ministro, o governo fez nova gestão em favor do negócio e obteve da Vale os direitos sobre mais 700 hectares de Serra Pelada.

Ao Estado, o secretário de Geologia e Mineração, Claudio Scliar, que elogia o desempenho de Lobão na condução da reabertura de Serra Pelada, admitiu ser amigo de geólogos brasileiros que integram o comando da Colossus, como Pérsio Mandetta, Darci Lindenmeyer e Augusto Kishida. “O Darci chegou a ser meu chefe no passado”, diz.

Controle. Garantido formalmente o direito da Coomigasp de operar no garimpo, Lobão lançou outra ofensiva. Desta vez, para tomar o controle da cooperativa. Num processo conturbado, marcado por ações judiciais e violência, garimpeiros do Maranhão ligados ao ex-ministro conseguiram assumir a Coomigasp.

É justamente nessa época que surge a Colossus. A proposta de contrato com a empresa foi aprovada a toque de caixa pelos associados da cooperativa. Pelo acerto, a Colossus entra com capital e tecnologia e a cooperativa cede seus direitos sobre a mina. Pesquisas autorizadas pelo DNPM indicam haver pelo menos 20 toneladas de ouro no subsolo de Serra Pelada. Geólogos com acesso às sondagens mais recentes afirmam, porém, que a quantidade pode passar de 50 toneladas.

O potencial de sucesso da mina é a principal razão da trama. Um ex-funcionário do gabinete de Lobão no Senado encarregou-se de articular e defender o contrato com a Colossus. Antonio Duarte, que se apresenta como assessor do ex-ministro, chegou a criar uma entidade, a Associação Nacional dos Garimpeiros de Serra Pelada (Agasp-Brasil), para funcionar como linha auxiliar da Coomigasp na defesa do consórcio.

No escritório em Brasília que serve como sede da Agasp e sucursal da Coomigasp, fotos de Lobão na parede evidenciam a relação de proximidade entre o ex-ministro e os encarregados de tocar o negócio com a empresa canadense.

“Quem é contra esse projeto é contra os garimpeiros”, diz Raimundo Nonato Ramalho, de 77 anos, vice-presidente da Agasp, apontando para um dos quadros de Lobão. “Esse aí é o nosso patrono, o melhor ministro de Minas e Energia que o Brasil já teve porque conseguiu reabrir Serra Pelada.”

Antônio Duarte, o presidente da associação, não é o único egresso do Senado. Na joint venture surgida da associação da Colossus com a Coomigasp, há outro ex-funcionário da Casa, o advogado Jairo Oliveira Leite. Também ligado a Lobão, Leite representa a cooperativa de garimpeiros na direção da companhia.

Além de facilitar o negócio a partir do cargo, o ex-ministro e candidato à reeleição ao Senado chegou a participar pessoalmente das articulações em torno do negócio. O Estado teve acesso a um vídeo que mostra Lobão, no ministério, reunido com representantes da Colossus e da Coomigasp para tratar da parceria.

Lama. Apesar do discurso de que o consórcio com a Colossus traria bons resultados, o texto inicial do contrato firmado entre a cooperativa e a empresa canadense já indicava prejuízo para os garimpeiros: eles ficam, literalmente, com a lama da mina e com uma fatia menor do lucro.

A Colossus já entrou na sociedade com 51% de participação na nova empresa. A Coomigasp ficou com 49%. Pouco depois, sempre com a anuência dos diretores da cooperativa ligados a Lobão, a Colossus conseguiu ampliar sua participação para 75%.

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Estadão

Índios ocupam canteiro de obras de usina em Mato Grosso

25 de julho de 2010

Agência Brasil

Mariana Jungmann – Repórter da Agência Brasil

Brasília – Cerca de 300 índios de oito etnias diferentes estão ocupando a entrada do canteiro de obras da Usina Hidrelétrica de Dardanelos, na cidade Aripuanã, em Mato Grosso, e impedindo a entrada e saída de 100 trabalhadores que vivem dentro da área.

Segundo o coordenador da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Juína (MT), Antônio Carlos Ferreira Aquino, os índios reivindicam ações de reparação porque a hidrelétrica está sendo construída em cima de um cemitério sagrado para eles. “Eles não querem dinheiro em mãos”, explica Aquino. “O que eles querem é um programa de sustentabilidade da área que venha a ressarcir a perda que eles tiveram com esse sítio arqueológico”, completa o coordenador da Funai.

De acordo com ele, não há violência no local, que está ocupado desde as 5h da manhã de hoje. Mas o gerente de Meio Ambiente da Companhia Águas da Pedra, responsável pela usina, Paulo Rogério Novaes, diz que tem receio pelos trabalhadores que estão presos dentro da área. “Eles disseram que, se em dois dias não aparecerem autoridades para resolver o problema, vão colocar fogo em todo o canteiro de obras”, alega Novaes.

Na versão dele, o que os índios reivindicam são condições sociais melhores, como acesso à educação e à saúde, melhoria das estradas de acesso às aldeias e inclusão no programa Luz para Todos. “São problemas que o Estado tem que resolver, mas eles acham que são responsabilidades da usina”, afirma o gerente da Águas da Pedra.

Segundo ele, a hidrelétrica não funcionará com represas e seu impacto ambiental é baixo. Com isso, os índios não seriam atingidos diretamente pela obra, uma vez que a aldeia mais próxima fica a 42 quilômetros de distância. “Mas nós temos um programa de ações mitigadoras que trata de medidas de apoio social. Só que esse programa foi entregue à Funai em 2005 e até hoje não obtivemos resposta. Queremos fazer alguma coisa, mas estamos esperando para saber o que e como”, alega Novaes.

A conclusão das obras da Usina de Dardanelos está prevista para até o fim deste ano. A expectativa tanto do coordenador da Funai quanto do gerente da Águas da Pedra é que autoridades do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), do Ministério de Minas e Energia e da Funai, em Brasília, cheguem à região no norte de Mato Grosso amanhã (26).

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Agência Brasil

Como passou o tempo

25 de julho de 2010

João Bosco Leal

Sempre me disseram que a vida passa muito rapidamente, mas não sabia que era assim, tão rápido. Nem percebi e, agora, com cinquenta e seis anos, dois filhos e quatro netos, percebo mais claramente, nos pequenos detalhes, como já estou na segunda metade da vida.

Não que não soubesse disso. É claro que uma pessoa com minha idade já passou da metade do que, cronologicamente, teria para viver. Mas não é à idade cronológica que me refiro, e sim às mudanças que estão ocorrendo à minha volta, que me fazem pensar em como já estou “ultrapassado”.

Quando criança, ou mesmo quando adolescente, nas escolas ou em casa, tínhamos regras e horários para brincar, estudar ou qualquer outra atividade. Todos se dirigiam aos mais velhos como “senhor”, independentemente do grau de conhecimento ou parentesco. Isso fazia com se mantivesse um determinado senso hierárquico, dentro ou fora de casa, que a meu ver ajudava muito na educação e formação do caráter dos jovens.

Desde o primário, todos ficavam de pé quando o professor entrava na sala de aula e só se sentavam quando este autorizava. Quarenta anos atrás eu frequentava aulas na faculdade de paletó e gravata, exigência que só acabou em minha época, depois de muita cobrança do diretório acadêmico dos alunos daquela faculdade. Era um absurdo, num país com o nosso clima, mas era a regra, “em respeito aos mestres”.

Alguns anos depois, a “igualdade” tão sonhada pelas mulheres tirou-as de casa para o trabalho e as crianças passaram a ficar aos cuidados de avós, de babás ou de creches. Talvez por “culpa”, esses pais mais ausentes do convívio diário com os filhos, começaram a “ficar com dó” de repreender um filho mais rispidamente quando necessário, ou até de dar-lhes uma boa palmada, pois só viam os mesmos à noite e, então, como “recompensa” por sua ausência, eles começaram a “fazer concessões”, que não existiram na sua própria educação.

Atualmente, crianças e jovens não são cobrados por regras, horários, nem por respeito, seja com os seus, os próximos ou com estranhos. Passam o dia diante de uma televisão, um computador ou um jogo eletrônico qualquer, mas de estudar ou praticar esportes, nada. Tudo que os filhos fazem atualmente é “lindo”, porque é “novinho”, “ainda é jovem”, “a juventude é assim mesmo”, ou “com a idade isso passa”. As meninas dormem na casa dos namorados e vice versa, e tantas outras “diferenças” de meu tempo que não conseguiria resumir.

Penso que as consequências são visíveis em todas as camadas sociais. Têm sido muito frequente os casos de filhos que não respeitam os pais, chegando a agredi-los tanto verbal como fisicamente, o mesmo ocorrendo entre alunos e professores. Não se vê mais respeito algum com nenhuma pessoa mais velha e nenhuma espécie de hierarquia social. Todos são “você”, “tio”, ou qualquer outra designação do gênero. Parece ser uma bobagem, a diferença entre chamar alguém de “você” ou “senhor”, mas aí começa a ser quebrada, para a criança, a diferença hierárquica que ela deveria entender haver entre ela, seus pais e os mais velhos. Esta é a base da boa educação.

Agora, um projeto de lei recentemente assinado pelo presidente Lula pretende proibir qualquer tipo de repreensão física aos filhos, taxando de “crime” até mesmo uma simples palmada, que nunca fez mal a ninguém da minha geração ou de todas as outras que nos antecederam nos milhares de anos. Será uma nova experiência na maneira de se educar filhos e, por consequência, de se criar uma nova sociedade. No meu tempo, já “passado”, experiências eram feitas com animais, cobaias, e não com seres humanos, menos ainda com filhos.

Ainda bem que já não estarei aqui, pois não quero ver os resultados.

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Ministro do TSE multa Serra por propaganda antecipada

25 de julho de 2010

Estadão

VANNILDO MENDES – Agência Estado

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aplicou hoje multa de R$ 5 mil ao candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, da coligação “O Brasil pode mais”. A punição, imposta pelo ministro Joelson Dias, atingiu também os religiosos Cesino Bernardino, Reuel Bernardino e José Lima Damasceno por propaganda antecipada em favor do tucano no 28º Congresso Internacional de Missões dos Gideões Missionários, realizado no último 1º de maio em Camboriú (SC), antes, portanto, do início do período de propaganda política.

Essa foi a terceira multa aplicada ao tucano, quase metade do número de sanções que até agora atingiram sua principal concorrente na corrida presidencial, a petista Dilma Rousseff (7). O ministro observou que algumas declarações feitas durante o ato foram sobre as ações de Serra como ministro da Saúde e governador de São Paulo, o que seria permitido. Mas ele concluiu que o candidato infringiu a legislação quando “buscou angariar a simpatia do público”, transmitindo, a seu ver, “não só a ideia de que reuniria as condições ou aptidão” para ocupar a Presidência, “bem como divulgando as ações políticas implementadas”.

O ministro ressaltou a semelhança entre expressões ditas por Serra como “nós vamos fazer mais” e “podemos fazer mais e melhor”, em alusão ao nome da coligação. Quanto aos religiosos, Dias destaca que eles não só associaram o nome de Serra ao cargo postulado como manifestaram “expressamente” apoio ao candidato, pelo qual fizeram a oração da vitória. O ministro relatou que Reuel Bernardino inclusive convocou os presentes a apoiar Serra “orando pelo candidato que, espera, seja eleito”.

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Estadão

 



TSE suspede direito de resposta do PT no site do PSDB

25 de julho de 2010

Radar Político

Andrea Jubé Vianna / BRASÍLIA

O ministro Henrique Neves, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), concedeu, na tarde deste sábado, 24, efeito suspensivo ao recurso do PSDB contra o direito de resposta do PT às recentes declarações do candidato a vice na chapa de José Serra, Índio da Costa (DEM-RJ). Em entrevista ao portal “Mobiliza PSDB”, o democrata associou o PT ao narcotráfico e às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Leia a resposta do PT às declarações de Índio da Costa

Isso significa que o portal tucano não está obrigado a veicular o vídeo com a resposta do PT enquanto o plenário do TSE não julgar o recurso, o que só vai acontecer em agosto. Na decisão, o relator ressaltou que o efeito suspensivo “é limitado à veiculação da resposta”, reafirmando a proibição de divulgar a entrevista no sítio tucano.

Neves não viu prejuízo no adiamento da divulgação da resposta petista, “tendo em vista que o conteúdo da resposta tem sido livremente informado e comentado”. Trechos do documento circulam na mídia desde ontem, depois que o PT divulgou o conteúdo da resposta à imprensa.

Entretanto, o advogado do PT, Admar Gonzaga, discorda do relator, até porque a resposta não chegou à internet. “É claro que [o direito de resposta] perde a força. Além disso, anima o PSDB a novas calúnias”, lamentou. “Se o tribunal não der cartão amarelo, haverá novas agressões”, concluiu.

Gonzaga preparava nova representação contra o PSDB porque a mídia não havia sido veiculada até o momento. Ele entregou o vídeo ontem na sede do PSDB, mas a equipe de advogados tucana aguardava a manifestação do relator sobre o efeito suspensivo.

No vídeo de resposta, um locutor lê o seguinte texto: “O PT condena o terrorismo e rejeita a violência política contra qualquer cidadão, no Brasil ou fora do País. O PT, por meio de suas administrações municipais, governos estaduais e, especialmente, na Presidência da República, combate com firmeza a violência, o tráfico de drogas e o crime organizado, onde quer que ele se manifeste”.

A resposta, que foi aprovada pelo TSE, também menciona a criação do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci) pelo governo federal e a vigilância nas fronteiras. “Em nenhum outro governo a Polícia Federal recebeu tanto apoio e atuou com tanta eficácia contra o crime organizado”, diz.

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Radar Político