Posts de 16 de julho de 2010

Os cubanos libertados dispensam a falsa alegria de quem lhes negou socorro

16 de julho de 2010

Augusto Nunes

“Fiquei tão feliz com a libertação como fiquei quando fui solto da cadeia em 1980″, fez de conta Lula ao saber do embarque para a Espanha de 11 presos políticos que, há quatro meses, comparou aos bandidos comuns de São Paulo. Como os jornalistas não perguntaram se ficaria igualmente feliz com a soltura dos chefes do PCC, os próprios cubanos cuidaram de implodir a fantasia eleitoreira nesta manhã de quinta-feira, durante a entrevista coletiva concedida em Madri por sete vítimas da ditadura caribenha.

“Lula diz que está feliz com a nossa liberação, mas nós estaríamos felizes se tivesse advogado por Orlando Zapata Tamayo”, lembrou Omar Rodríguez Saludes. “Ele estava apertando a mão de Fidel e Raúl e não advogou nem levantou a voz para salvar uma vida. Aliou-se ao crime e não à Justiça. Zapata teria possibilidades de sobreviver, mesmo que remotas, se Lula tivesse intercedido pessoal e publicamente por ele”.

Depois de contar que os presos de consciência sobreviveram em celas infestadas por ratos e baratas, e escaparam de surtos de dengue e tuberculose na cadeia, Julio César Gálvez deixou claro que todos sabem de que lado o presidente brasileiro está. “O que podemos esperar de Lula?”, perguntou. Nada, sugeriu a resposta.

“Não podemos esquecer que sempre foi amigo de Fidel Castro”, sublinhou Galvez. “Ele não precisa criticar nem felicitar ninguém. Bastaria ser solidário conosco e apoiar a restauração da liberdade e da democracia em Cuba”. Os entrevistados se consideram agredidos pela comparação improvisada por Lula. “Fomos perseguidos porque nossas opiniões não agradam ao governo de Havana”, resumiu Ricardo González Alfonso. “É óbvio que somos diferentes dos criminosos de São Paulo”.

Lula se declarou feliz com a libertação dos presos sem culpa. Celso Amorim ensinou que “esse é o caminho certo”. Marco Aurélio Garcia tentou vender na África a notícia de que o governo brasileiro, com a discrição habitual, participou das negociações que já salvaram 11 vidas. Pena que os três não tenham aparecido em Madri para cumprimentar os cubanos. Descobririam como reage uma plateia não amestrada quando ouve mentiras.

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Augusto Nunes

Campanha de Dilma pede e Planalto suspende distribuição de cartilhas

16 de julho de 2010

Estadão

Decisão foi tomada após conversas entre AGU, departamento jurídico da campanha e Casa Civil

Leandro Colon, de O Estado de S.Paulo / BRASÍLIA 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Palácio do Planalto mandou nesta quinta-feira, 15, a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres interromper a distribuição do kit com cartilhas, livros e cartazes que pede voto para mulheres e inclui um discurso de seis páginas da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff.

Governo promove Dilma em kit por voto em mulheres 

A decisão foi tomada após conversas entre o Advogado-Geral da União, Luís Inácio Adams, o departamento jurídico da campanha de Dilma e integrantes da Casa Civil. A distribuição do kit foi revelada ontem pelo Estado.

Na manhã desta quinta-feira, o advogado da campanha de Dilma, Márcio Silva, telefonou para Luís Inácio Adams, que estava em Porto Alegre, para encontrar uma forma de apagar o incêndio político. Inicialmente, avaliaram que o melhor caminho seria recolher o material. À tarde, após conversas com a secretaria e integrantes da Casa Civil, a decisão tomada pelo governo foi orientar a pasta para Mulheres a negar intuito eleitoral e garantir que não há mais publicações para serem distribuídas – embora nesta quinta o material tenha sido entregue numa conferência sobre mulheres em Brasília.

O episódio abriu uma crise interna porque, questionada, a Secretaria de Comunicação alegou à AGU que não foi consultada anteriormente sobre o assunto pela Secretaria para as Mulheres – responsável pela elaboração e distribuição dos kits. Após a polêmica criada com a declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a favor de Dilma no lançamento do edital do trem-bala, a defesa da campanha petista quer afastar qualquer risco de acusação de abuso de poder econômico. Por isso, adotou o discurso de que, além de não ter conteúdo eleitoral, o kit foi distribuído em junho, antes do início oficial da campanha. “Acabou, não tem mais. Não haverá mais distribuição. E, pelo que verifiquei, o material não é propaganda eleitoral”, disse ontem o advogado da campanha de Dilma, Márcio Silva.

Com dinheiro de um convênio com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a Secretaria para Mulheres – vinculada à Presidência – mandou fazer e distribuir 215 mil cartilhas, 3 mil livros e 20 cartazes que defendem mais mulheres no poder. O material começou a ser enviado em junho, em caixas de papelão, a partidos políticos, deputados, senadores e demais candidatos nos Estados.

No livro, há um discurso de seis páginas feito por Dilma num seminário no ano passado. Já a capa da cartilha, intitulada Mais Mulheres no Poder Plataforma 2010, traz a imagem de um botão verde com a expressão “confirma” – similar ao contido nas urnas eletrônicas – e a frase “eu assumo este compromisso”. Embora o conteúdo desse material tenha sido elaborado em 2008 e o do livro em 2009, a impressão na gráfica ocorreu só em maio deste ano.

Após a revelação do episódio, a secretaria para Mulheres recebeu a ordem para retirar qualquer propaganda do governo em publicações a serem feitas ou distribuídas durante a campanha, inclusive do site “Mais Mulheres no Poder”, que está em nome de Sônia Malheiros Miguel, subsecretária de Articulação Institucional e Ações Temáticas. Ela é quem assina uma carta, com data de 18 de junho, enviada ao Congresso em que relata aos parlamentares detalhes sobre o livro e a cartilha. O site em nome de Sônia recebe recursos do governo, conforme mostra edital de contratação de consultoria para a página.

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Estadão

Índios cobram R$ 563 mil por gastos com protestos

16 de julho de 2010

Estadão

VANNILDO MENDES – Agência Estado

Indígenas de quatro etnias que ocupam desde janeiro a Esplanada dos Ministérios estão exigindo da União uma indenização de R$ 563 mil pelos supostos gastos que tiveram até agora com o movimento, deflagrado para revogar o decreto que provê a reforma administrativa da Fundação Nacional do Índio (Funai). Numa rústica planilha, escrita a mão e entregue à Presidência da República, ao Ministério da Justiça e à Funai, os líderes do movimento indígena detalham gastos de R$ 440 mil com viagens das delegações que vieram dos Estados, além de R$ 119,9 mil com alimentação dos manifestantes e outros R$ 3.360 com diárias de hotel. Encabeça o documento, assinado por vários líderes do movimento, o índio Raimundo Castro, da etnia Guajajara.

No último sábado, depois de esgotadas todas as tentativas de saída espontânea, o acampamento foi desmanchado por tropas das Polícias Federal, Militar e Civil, em cumprimento a ordem judicial. Derrotados na primeira batalha, os índios trouxeram reforços e voltaram à Esplanada, onde agora circulam pelo dia e à noite se recolhem a pensionatos e abrigos próximos à Funai. Sobrevivem com doações de comida e agasalhos de populares.

O Ministério da Justiça, ao qual a Funai é vinculada, informou que não vai pagar a conta porque no orçamento da Pasta não há previsão de gastos com o financiamento de manifestações, acampamentos ou protestos de movimentos sociais. Informou também que está fora de cogitação a revogação do decreto, destinado a dar agilidade e eficiência à Funai, cuja máquina administrativa, segundo auditoria interna, estava emperrada por inchaço e deficiências gerenciais.

Introduzida no final do ano passado pelo decreto presidencial número 7.056, de 2009, a reforma extinguiu 40 administrações regionais, 337 postos indígenas e substituiu antigos servidores da Funai que mantinham relações estreitas com caciques e coordenavam os programas assistenciais do governo. Muitos desses postos eram ocupados por chefes indígenas.

Durante as negociações para desocupação da área, em junho, quando a Justiça deu ultimato para remoção do acampamento, o governo comprometeu-se a custear o transporte de volta e alimentação dos manifestantes. Aceitou também bancar hospedagem para que 20 dirigentes do movimento ficassem em Brasília para as negociações. O Ministério informou que está mantida a oferta de diárias de hotel para esses negociadores e ônibus para retorno dos manifestantes.

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Estadão

PF indicia 80 por fraude em concursos como exame da OAB

16 de julho de 2010

Estadão

Operação Tormenta investiga suposta quadrilha que fraudava exames há pelo menos 16 anos

Fabiana Marchezi, do estadão.com.br

SÃO PAULO – Cerca de 80 pessoas foram indiciadas pela Polícia Federal até esta quinta-feira, 15, em razão da Operação Tormenta, que investiga uma suposta quadrilha com ramificação nacional que fraudava concursos públicos em todo o País há pelo menos 16 anos.

A quadrilha também teria fraudado a segunda etapa do terceiro exame aplicado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A OAB disse que “é a principal interessada no esclarecimento da fraude e está acompanhando as investigações da PF”.

O grupo tinha acesso antecipado ao caderno de questões das provas. Os candidatos que participavam do esquema tinham acesso às respostas por meio de ponto eletrônico durante os concursos.

A operação foi deflagrada há um mês e já ouviu mais cem pessoas. Outras cem ainda devem ser ouvidas nos próximos 40 dias, até a conclusão do inquérito. Na ocasião, a PF prendeu os 12 principais operadores da quadrilha, todos em São Paulo. Foram cumpridos 34 mandados de busca e apreensão na Grande São Paulo, Rio de Janeiro, Baixada Santista e região de Campinas.

Entre os presos está o suposto chefe do esquema e um agente da Polícia Rodoviária Federal. Todos foram levados para a delegacia da PF em Santos, onde foram ouvidos e, depois, removidos para a Custódia da PF em São Paulo.

Os exames mais visados pelo grupo envolviam carreiras estratégicas de Estado, como auditor da Receita Federal, policial federal, oficial da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e peritos de agências reguladoras.

O valor do gabarito variava de US$ 50 mil a 150 mil (cerca de R$ 270 mil). Além do concurso da PF, o grupo teve acesso privilegiado às provas do Exame de Ordem, que acabou cancelado em março deste ano, e do concurso da Receita Federal para auditor fiscal, realizado em 1994.

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Estadão

TSE recebe 30 pedidos de impugnação para candidatos a governos estaduais

16 de julho de 2010

Estadão

Cinco governadores que concorrem à reeleição estão na lista

Rodrigo Alvares, do estadão.com.br

SÃO PAULO – O Tribunal Superior Eleitoral recebeu 30 pedidos de impugnação de candidatos aos governos estaduais para as eleições deste ano. Cinco governadores estão na lista: Sérgio Cabral (PMDB-RJ), Roseana Sarney (PMDB-MA), Ana Júlia Carepa (PT-PA), Teotônio Vilela Júnior (PSDB-AL) e Omar Aziz (PMN-AM). Nomes como o do ex-presidente Fernando Collor (PTB-AL) e do ex-senador Joaquim Roriz (PSC-DF) também estão sob análise.

Além de Collor, dos seis postulantes ao governo de Alagoas, quatro receberam apresentações de impugnação: Ronaldo Lessa (PDT), que, em 2004, foi condenado a três anos de inelegibilidade por abuso de poder econômico; Jeferson Piones (PRTB) e o governador tucano Teotônio Vilela Júnior. O PSDB é o partido que tem mais registros questionados – 4.

No Distrito Federal, quatro dos sete candidatos aguardam aprovação. O ex-senador Joaquim Roriz, cujo pedido de impugnação registra desde “renúncia a mandato desde o oferecimento de representação ou petição capaz de autorizar a abertura de processo por infringência a dispositivo da Constituição e ausência de quitação de multa imposta pela Justiça Eleitoral (MPE). Ele também declarou guardar em casa R$ 160 mil em dinheiro vivo.

O petista Agnelo Queiroz, de acordo com o TRE-DF, teve suas contas rejeitadas em virtude de irregularidade insanável que configura ato doloso de improbidade administrativa. Newton Lins (PSL) Rodrigo Dantas (PSTU) completam o cenário.

No Maranhão, Roseana Sarney responde por abuso de poder econômico, enquanto seu antecessor, Jackson Lago (PDT) é questionado por causa da Lei da Ficha Limpa.

Ana Júlia Carepa (PA) não declarou seus bens à Justiça Eleitoral, assim como Rogério Novaes (PV-SC). Já o ex-governador de Sergipe João Alves Filho (DEM) declarou ter uma biblioteca que contém joias, quadros, objetos de arte, de coleção e antiguidade avaliada em R$ 6.939,72.

Os pedidos foram feitos pelas procuradorias eleitorais com base na Lei da Ficha Limpa, ausência de quitação eleitoral, rejeição de contas de gestores públicos, abuso do poder econômico com sentença de inelegibilidade, condenação por improbidade administrativa e demissão do serviço público. e as decisões devem sair até o dia 5 de agosto.

Os tribunais têm até 5 de agosto para realizar os julgamentos e publicar seus acórdãos. O candidato que tiver o registro indeferido pelo tribunal pode recorrer ao TSE e, enquanto aguarda o novo julgamento, continuar a campanha. Para o TSE, o prazo para julgar os recursos vai até 19 de agosto.

Confira abaixo a lista de candidatos que receberam pedidos de impugnação:

Acre

Antônio Neres (PRTB)

Alagoas

Fernando Collor (PTB)

Jeferson Piones (PRTB)

Mario Agra (PSOL)

Ronaldo Lessa (PDT)

Teotônio Vilela Júnior (PSDB)

Amapá

Camilo Capiberibe (PSB)

Jorge Amanajas (PSDB)

Amazonas

Alfredo Nascimento (PR)

Omar Aziz (PMN)

Distrito Federal

Agnelo Queiroz (PT)

Joaquim Roriz (PSC)

Newton Lins (PSL)

Rodrigo Dantas (PSTU)

Goiás

Washington Fraga (PSOL)

Marta Jane (PCB)

Marconi Perillo (PSDB)

Maranhão

Jackson Lago (PDT)

Roseana Sarney (PMDB)

Saulo Costa (PSOL)

Mato Grosso

Mauro Mendes (PSB)

Wilson Santos (PSDB)

Minas Gerais

Zé Fernando Aparecido (PV)

Pará

Ana Júlia Carepa (PT)

Piauí

Francisco Macedo (PMN)

Rio de Janeiro

Sérgio Cabral (PMDB)

Rio Grande do Norte

Bartô Moreira (PRTB)

Sandro Pimentel (PSOL)

Simone Dutra (PSTU)

Sergipe

João Alves Filho (DEM)

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Estadão