Posts de 12 de julho de 2010

PSL vive crise interna após registro de candidato à Presidência

12 de julho de 2010

Agência Brasil

Débora Zampier – Repórter da Agência Brasil

Brasília – O PSL reafirmou hoje (12) que o partido mantém a decisão de não lançar candidato à Presidência da República. A polêmica surgiu no sábado (10), quando Américo de Souza – escolhido em convenção como candidato à Presidência pela legenda e cuja candidatura foi descartada posteriormente – fez seu registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 

Em nota, o partido afirmou que o pedido de registro é um direito conferido pela legislação eleitoral, mas que “a decisão da executiva nacional do PSL está mantida e agora o partido aguardará a manifestação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para, caso seja necessário, tomar as medidas cabíveis”. 

Para o secretário nacional do partido, Roberto Siqueira, não há como o TSE deferir a candidatura, pois no último dia 3 de julho o PSL registrou uma ata no tribunal com a decisão que informava à Justiça Eleitoral que a legenda não teria candidato próprio. “Sempre falávamos em nossas reuniões que somente duas coisas impediriam uma campanha presidencial: problemas com a verticalização da campanha e falta de estrutura”. 

Segundo Siqueira, apesar de a estrutura não ter sido definida até o começo de julho, o maior problema para impedir a candidatura de Américo foi a recente resposta do TSE a uma consulta sobre propaganda partidária. O tribunal decidiu que coligações nacionais não poderiam se repetir em nível estadual para fins de propaganda eleitoral, o que prejudicaria diretamente a participação de presidenciáveis nas campanhas regionais. Entretanto, o próprio tribunal recuou e decidiu deixar a questão para ser resolvida somente em agosto. 

Um dos exemplos de problemas que resultariam da candidatura de Américo, caso o TSE mantenha a decisão, está na corrida eleitoral em São Paulo. O PSL apoia a candidatura de Paulo Skaf (PSB), que nacionalmente está coligado à chapa encabeçada pelo PT e PMDB. Com a decisão do TSE, Dilma Rousseff (PT) não poderia aparecer na campanha da coligação. 

Siqueira também disse que a decisão de Américo “não soou bem dentro do partido”. “Ele mesmo havia mandado um email falando que não iria ter esse tipo de atitude. Agora vários presidentes estaduais estão me ligando chateados”, afirmou. No entanto, segundo o secretário nacional do PSL, nenhuma atitude será adotada internamente enquanto o TSE não se posicionar sobre o assunto. 

Américo exerceu vários mandatos como deputado federal (1963 a 1964 e 1966 a 1975) e a última atuação no Congresso Nacional foi como senador (1985 a 1986). Ele declarou ter um patrimônio de R$ 696 mil, constando a participação na empresa Turimar Imobiliária, avaliada em R$ 535 mil. Seu vice é Gilberto de Souza Leal Junior.

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Agência Brasil

Produção de automóveis bate recorde no primeiro semestre de 2010

12 de julho de 2010

Agência Brasil

Alex Rodrigues – Repórter da Agência Brasil

São Paulo – A produção de veículos no mês de junho ficou 5% abaixo do resultado obtido em maio. Apesar da queda nas vendas, o resultado de junho representa um crescimento de 7,7% na comparação com junho do ano passado e uma expansão de 19,1% do total de veículos fabricados no primeiro semestre deste ano em relação aos seis primeiros meses de 2009.

Segundo dados divulgados hoje (12) pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), em junho foram produzidos 306,3 mil veículos, enquanto o mês de maio fechou com 322,5 mil unidades. No primeiro semestre, a produção saltou para 1,75 milhão de unidades – um recorde da indústria automobilística brasileira – contra 1,47 milhão no primeiro semestre de 2009.

As vendas no mercado doméstico subiram 4,6%. Em maio foram licenciados 251,1 mil veículos enquanto em junho esse número subiu para 262,8 mil. O balanço, contudo, é negativo quando comparados os resultados do mês passado com os de junho de 2009, quando foram licenciados 300,2 mil veículos, uma variação de – 12,5%.

Também as vendas de máquinas agrícolas automotrizes tiveram, em junho, um desempenho abaixo do registrado em maio deste ano. As vendas caíram de 6,4 mil unidades em maio para 6,1 mil no mês passado, o que significa uma variação negativa de 5%. Mas, quando comparado com o resultado de junho do ano passado, a indústria tem o que comemorar. Com 4,2 mil veículos vendidos, o crescimento foi de 42,8%.

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Agência Brasil

Anotações para o capítulo brasileiro da História Universal da Infâmia (2)

12 de julho de 2010

Augusto Nunes

A Era Lula revogou os limites do cinismo, confirmou neste fim de semana a dupla Marco Aurélio Garcia-Celso Amorim com a reiteração da falácia segundo a qual o governo brasileiro ajudou a negociar a libertação de presos políticos cubanos. O conselheiro presidencial para complicações cucarachas tentou costurar a fantasia na sexta-feira: “Nós atuamos na surdina, sem alarde”, mentiu. Abalroado pela informação de que Lula se confessara surpreso com o sucesso das gestões feitas pela Igreja Católica, emudeceu por algumas horas. Recuperou a voz ao saber que o governo espanhol interveio em favor dos presos de consciência.

“A Espanha pegou carona com a gente, viu a bola cair nos pés e chutou”, mentiu Garcia outra vez. “Nosso estilo é mais discreto”, mentiu minutos depois Celso Amorim, o único chanceler da história que, em vez de conversar em voz baixa, tem um chilique por dia. Antes que Lula se atreva a embarcar nessa patifaria, convém reproduzir o que disse o presidente brasileiro em março, quando visitou Cuba para confraternizar com os Irmãos Castro, criticar o dissidente Orlando Zapata por ter morrido no cárcere, trair os presos de consciência trancafiados na ilha e fechar os olhos à greve de fome iniciada pelo psicólogo Guillermo Fariñas. Três momentos da discurseira são suficientes para que se saiba de que lado Lula sempre esteve:

“Lamento profundamente que uma pessoa se deixe morrer por fazer uma greve de fome. Vocês sabem que sou contra greve de fome porque já fiz greve de fome”.

“Eu acho que a greve de fome não pode ser utilizada como pretexto para libertar pessoas em nome dos direitos humanos. Imagine se todos os bandidos presos em São Paulo entrarem em greve de fome e pedirem liberdade”.

“Temos de respeitar a determinação da Justiça e do governo cubanos. Cada país tem o direito de decidir o que é melhor para ele. Não vou dar palpites nos assuntos de outros países, principalmente um país amigo”.

Um post de 14 de março confrontou declarações de Lula com trechos do artigo sobre o mesmo tema publicado no jornal espanhol El País por Oscar Arías, presidente da Costa Rica e prêmio Nobel da Paz. Algumas linhas bastam para fotografar-se a colisão frontal entre um estadista e um candidato profissional:

“Não existem presos políticos nas democracias. Em nenhum país verdadeiramente livre alguém vai para a prisão por pensar de modo diferente. Cuba pode fazer todos os esforços retóricos para vender a ideia de que é uma “democracia especial”. Cada preso político nega essa afirmação. Cada preso político é uma prova irrefutável de autoritarismo. Todos foram julgados por um sistema de independência questionável e sofreram punições excessivas sem terem causado danos a qualquer pessoa”.

Fingir agora que o Planalto e o Itamaraty se interessaram pela sorte dos prisioneiros cubanos que Lula comparou a bandidos comuns, e atraiçoou acintosamente, é mais que um lance eleitoreiro. É uma jogada sórdida. Fingir agora que o governo estendeu o braço solidário ao bravo Guillermo Fariñas, que só depois de saber da libertação dos encarcerados interrompeu a greve de fome no 135° dia, é mais que manobra oportunista. É coisa de canalha. É, também, outra evidência de que as diretrizes da política externa brasileira andam cada vez mais parecidas com as normas não-escritas do regulamento de um clube dos cafajestes.

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Augusto Nunes

Acuado pelo “Rubriquei, mas não traguei”, PT mobiliza centrais sindicais. E elas assinam um documento ilegal e mentiroso

12 de julho de 2010

Reinaldo Azevedo

O governo Lula e seus aliados — em certos casos, asseclas a soldo — cometem mais faltas feias no jogo político do que a Holanda em final de copa do mundo. E não têm nenhuma vergonha de meter o pé no peito do adversário. Na bola, a Holanda acabou sendo punida pela superioridade do adversário, apesar de o juiz ser um moleirão. Na política, o juiz também tem-se mostrado fraco para conter o banditismo. Cinco centrais sindicais assinaram um vergonhoso manifesto contra a candidatura do tucano José Serra à Presidência. Antes de mais nada, e a despeito da mentira essencial que está contida no texto — já falo a respeito —, cumpre destacar: trata-se de um manifesto ilegal, de mais um crime eleitoral escancarado. Direi por quê, depois de uma pequena digressão história, e também vou colocar a verdade em seu devido lugar.

A digressão: máquina milionária com o seu dinheiro

Tio Rei ainda nem tinha barba direito, e estava lá combatendo os chamados “sindicatos pelegos” — até ajudei a fundar um: não me envergonho do meu passado, mas nem sempre me orgulho dele… Adiante. Uma das reivindicações, depois incorporadas pelos sindicatos que formariam a base do PT e pela CUT, era o fim do imposto sindical, aquele dia de trabalho que é surrupiado de todos os trabalhadores, sejam eles sindicalizados ou não. Era um escândalo que algo como aquilo existisse. E continua a ser. No poder, PT e CUT passaram a ser, VEJAM COMO NÃO É ESPANTOSO!, defensores do Imposto Sindical. Em setembro de 2007, Lula enviou ao Congresso um projeto de lei que reconhecia as centrais sindicais. No dia 31 de março de 2008, sancionou a lei aprovada pelo Congresso.

Pois bem: a partir dali, as centrais passaram a ter a chamada “existência legal”; deixavam de ser organizações informais de trabalhadores, por meio da associação de sindicatos e federações. E isso lhes trouxe um enorme benefício: passaram a receber um naco do bilionário Imposto Sindical. Atenção: desde a aprovação da lei até o mês passado, o governo Lula já havia repassado R$ 228 milhões às centrais — ou melhor: o governo, não! Você, leitor, é que deu a grana. Bateram a sua carteira. Nos seis primeiros meses do ano, o Imposto Sindical já havia arrecadado a fabulosa quantia de R$ 1,7 bilhão. CUT e Força Sindical, nesse período, levaram quase R$ 50 milhões cada uma.

Atenção: a lei aprovada no Congresso obrigava as centrais a submeterem esse dinheiro — já que sua origem é um imposto — ao crivo do Tribunal de Contas da União. Sabem o que fez Lula? Vetou esse dispositivo. As centrais, assim, podem usar o dinheiro como lhes der na telha — isso faria parte de sua “autonomia”. Vale dizer: elas são autônomas para gerir a grana, mas o trabalhador não é autônomo para não dar o dinheiro se não quiser. É uma vergonha! Sigamos.

Ilegalidade

Legalizadas as centrais, elas estão proibidas de fazer política partidária. Eu não li ainda o que a chamada grande imprensa dirá a respeito, mas temo que não se atente para tal fato. O Artigo 24 da Lei 9504 e o Artigo 31 da Lei 9096, a dos Partidos Políticos., têm a mesma redação neste particular, a saber:

É vedado, a partido e candidato, receber direta ou indiretamente doação em dinheiro ou estimável em dinheiro, inclusive por meio de publicidade de qualquer espécie, procedente de:

(…)

IV – entidade de direito privado que receba, na condição de beneficiária, contribuição compulsória em virtude de disposição legal;

V – entidade de utilidade pública;

Estamos diante de mais um óbvio capítulo de uso da máquina sindical, agora irrigada pelos milhões da generosidade de Lula com o dinheiro alheio, em favor de uma candidatura. Malandramente, o texto das centrais não faz a defesa da candidatura de Dilma; limita-se a atacar a de Serra, como se campanha negativa não fosse, afinal de contas, campanha.

A desinformação a serviço da mentira

Na convenção do PSDB — e o trecho integra o documento entregue ao TSE — afirmou o presidenciável tucano:

“Fui também o autor da emenda à Constituição brasileira que instituiu o que veio a ser o Fundo de Amparo ao Trabalhador, o FAT. O Fundo, hoje, é o maior do Brasil e é patrimônio dos trabalhadores brasileiros (…) Graças ao FAT, também, tiramos o seguro-desemprego do papel e demos a ele a amplitude que tem hoje. O seguro-desemprego dormia há mais de 40 anos nas gavetas. (…)”

Como as palavras fazem sentido, fica evidente que ele afirmou ser o AUTOR DA EMENDA À CONSTITUIÇÃO QUE INSTITUIU o que recebeu, depois, o apelido de FAT. Qual emenda? A 239, a saber:

Art. 239. A arrecadação decorrente das contribuições para o Programa de Integração Social, criado pela Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público, criado pela Lei Complementar nº 8, de 3 de dezembro de 1970, passa, a partir da promulgação desta Constituição, a financiar, nos termos que a lei dispuser, o programa do seguro-desemprego e o abono de que trata o § 3º deste artigo. (Regulamento)

§ 1º – Dos recursos mencionados no “caput” deste artigo, pelo menos quarenta por cento serão destinados a financiar programas de desenvolvimento econômico, através do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, com critérios de remuneração que lhes preservem o valor.

§ 2º – Os patrimônios acumulados do Programa de Integração Social e do Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público são preservados, mantendo-se os critérios de saque nas situações previstas nas leis específicas, com exceção da retirada por motivo de casamento, ficando vedada a distribuição da arrecadação de que trata o “caput” deste artigo, para depósito nas contas individuais dos participantes.

§ 3º – Aos empregados que percebam de empregadores que contribuem para o Programa de Integração Social ou para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público, até dois salários mínimos de remuneração mensal, é assegurado o pagamento de um salário mínimo anual, computado neste valor o rendimento das contas individuais, no caso daqueles que já participavam dos referidos programas, até a data da promulgação desta Constituição.

§ 4º – O financiamento do seguro-desemprego receberá uma contribuição adicional da empresa cujo índice de rotatividade da força de trabalho superar o índice médio da rotatividade do setor, na forma estabelecida por lei.

O FAT, com esse apelido, criado neste Artigo 239, FOI REGULAMENTADO pela Lei 991/88. As centrais mentem quando dizem que a lei “criou” o fundo.

Desonestidade como tática

O manifesto, ilegal, é de uma escandalosa desonestidade intelectual. Usa a tática de atribuir ao adversário afirmações que ele não fez para, em seguida, desmentir o que nunca foi dito. As palavras do presidenciável tucano são muito claras: “Fui também o autor da emenda à Constituição brasileira que instituiu o que veio a ser o Fundo de Amparo ao Trabalhador (…) Graças ao FAT, também, tiramos o seguro-desemprego do papel”. Como se nota, não se diz “o” criador nem de uma coisa nem de outra.

Os sindicalistas, abusando da ignorância alheia e pondo a própria a serviço da candidata do PT, afirmam que seu grande aliado José Sarney criou o seguro-desemprego. Se for assim, o dispositivo já estava na Constituição de 1946. O decreto do Plano Cruzado tratava do auxílio, que chegou a poucos trabalhadores. O motivo era simples: faltava uma fonte de financiamento.

Tática eleitoral

- Quanto vão se interessar em saber o que realmente aconteceu?

- Quantos vão cuidar de demonstrar que as centrais atribuem ao adversário o que ele não disse para depois desmentir o não-dito?

- Quantos vão se lembrar de que o manifesto é escandalosamente ilegal?

O PT ficou acuado pelo documento “Rubriquei, mas não traguei” e tenta sair do córner atribuindo ao outro mentiras que não foram ditas e tentando transformar as verdades ditas em mentiras. Trata-se de uma outra etapa do jogo pesado e sujo. A dos dossiês falhou. Agora, chegou a hora da falsificação da história.

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Reineldo Azevedo

Alterações na legislação jogam meio bilhão em multas pelo ralo

12 de julho de 2010

Correio Braziliense 

Alterações na legislação eleitoral feitas recentemente tornam mais estreito o prazo de fiscalização de doações irregulares. Como a decisão é retroativa, joga no lixo, segundo procuradores, o trabalho feito em outras eleições 

Alessandra Mello

Cerca de meio bilhão em multas aplicadas pela Justiça Eleitoral por doações irregulares feitas por pessoas físicas e jurídicas desde as eleições de 2006 vão redundar em nada por causa de uma mudança feita pela Justiça Eleitoral há menos de dois meses. Quem alerta é o procurador regional eleitoral de Minas Gerais, Felipe Peixoto Braga Netto, crítico das mudanças recorrentes nas regras eleitorais.

“A instabilidade nas decisões judiciais é imensa”, lamenta o procurador, citando alterações recentes feitas pelo Congresso, por meio da minirreforma eleitoral aprovada em setembro, e pelo próprio Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As mudanças foram feitas faltando menos de um ano para a disputa, muitas delas retroativas. O procurador cita ao menos três casos que, em sua avaliação, comprometem a legitimidade das eleições.

Uma delas, segundo ele, é a redução drástica do prazo para a propositura da ação a respeito das doações irregulares feitas acima dos tetos estabelecidos pela lei (2% do rendimento bruto para pessoas jurídicas e 10% para físicas). No entendimento em vigor até maio, tais ações poderiam ser propostas até o fim do mandato. Agora, o prazo máximo é de seis meses (180 dias) a partir da diplomação dos candidatos eleitos em outubro.

Segundo Felipe Peixoto, essa decisão pode anular a espantosa cifra de R$ 500 milhões de multas aplicadas em todo o Brasil por doações irregulares resultantes de cerca de 5 mil ações propostas pelo Ministério Público em todo o país. “Se considerarmos as multas aplicadas no país, relativamente às doações irregulares, chegaremos na cifra de R$ 500 milhões. Só aqui em Minas obtivemos uma condenação de quase R$ 15 milhões.”

Legitimidade

De acordo com o procurador, essa não é a única dificuldade para atuação da instituição, principalmente no que diz respeito a contas de campanha, imposta por mudanças abruptas das regras eleitorais. Até ano passado, segundo ele, as ações de investigação por causa de contas de campanha podiam ser propostas a qualquer tempo, até o fim dos mandatos, regra em vigor desde 1997. Esse também era o entendimento do TSE, mas partir da minirreforma eleitoral, aprovada em setembro do ano passado pelo Congresso Nacional, esse prazo foi reduzido para 15 dias, contados a partir da data de diplomação dos eleitos.

“É realmente difícil compreender o porquê de mudanças assim. Isso claramente dificulta o controle(1) da normalidade e da legitimidade das eleições.” Segundo ele, essa redução é desnecessária e ofende a proporcionalidade. “É difícil tutelar a lisura do processo eleitoral com normas como essa.” Pela legislação, os candidatos têm 30 dias depois das eleições para apresentar as contas de campanha para a Justiça Eleitoral, que têm de estar julgadas até oito dias antes da diplomação. “Portanto, temos uma estreitíssima margem de apenas três semanas, após a primeira apreciação judicial das contas, para ajuizamento de representação.”

O procurador destaca que uma representação dessa natureza “não pode e não deve ser feita sem uma análise detida e atenta” das informações. “Muitas vezes precisamos diligências acerca dos meios de arrecadação de recursos e o perfil dos gastos efetuados para que se possa, com mínima margem de segurança, identificar irregularidades. E isso vale para o universo de todos os eleitos.” Além desse prazo curto, o procurador aponta outra dificuldade. É que, segundo ele, os partidos têm até o ano seguinte das eleições para prestar contas, o que impede que seja feito um confronto entre gastos das legendas e balanços apresentados pelos candidatos, pois já expirou o prazo para a impugnação.

Instabilidade

O advogado eleitoral Wederson Advincula cita outras decisões conflitantes que, em sua avaliação, tumultuam a eleição e causam instabilidade para quem atua em defesa dos eleitores. Segundo ele, conviviam na Justiça dois prazos conflitantes para a apresentação de recurso em condenação por compra de voto. Para a Justiça eleitoral mineira, o prazo era de 72 horas; para o TSE, 24 horas. “Esse conflito persistiu e gerou cassações, como a do prefeito de Mariana, Roque Camelo (PMDB), eleito em 2008, até que o TSE decidiu padronizar o assunto, e estabelecer o prazo de três dias”, comenta o advogado.

Ele também critica o prazo de 180 dias para propor ações por doações irregulares. “Esse prazo não existe na lei e não deveria ser criado pela Justiça Eleitoral do nada.” Parte desse problema ele atribuiu à falta de uma reforma eleitoral de consistência e de um juizado eleitoral especializado e permanente. “A Justiça eleitoral encarna os Três Poderes em um só. Ela é a única que administra, legisla e julga questões eleitorais.”

1 – Redução de danos

Para identificar muitas irregularidades, o Ministério Público depende do cruzamento de informações prestadas pelos candidatos à Justiça Eleitoral com dados da Receita Federal sobre o faturamento das empresas e do Imposto de Renda dos doadores, o que muitas vezes exige tempo. O TSE já informou que pretende disponibilizar de forma mais rápida este ano, antes da diplomação dos eleitos, o cruzamento de dados sobre doações para viabilizar o trabalho de fiscalização do Ministério Público.

“Isso claramente dificulta o controle da normalidade e da legitimidade das eleições”- Felipe Peixoto Netto, procurador regional eleitoral de Minas Gerais

Entenda as mudanças

Investigação Eleitoral

Como era

As ações de investigação eleitoral — para apurar irregularidade nas contas de campanha — fundamentadas no artigo 30-A da Lei nº 9.504/97 podiam ser propostas a qualquer tempo, até o fim dos respectivos mandatos. Esse também era o entendimento do Tribunal Superior Eleitoral.

Como ficou

As ações de investigação eleitoral só podem ser propostas em até 15 (quinze) dias contados da diplomação do candidato eleito.

Quem mudou

Congresso Nacional, por meio da Lei nº 12.034, promulgada em 29 de setembro de 2009

Doações irregulares

Como era

Não havia prazo na legislação para a propositura da ação a respeito das doações irregulares. A jurisprudência do TSE entendia que tais ações poderiam ser propostas até o fim do mandato, segundo a resolução nº 22.250/06.

Como ficou

As representações fundadas em doações irregulares só podem ser propostas até 180 dias (seis meses) contados da diplomação dos candidatos. A decisão é retroativa, isto é, beneficia quem já foi condenado anteriormente.

Quem mudou

Tribunal Superior Eleitoral

Contas rejeitadas

Como era

O TSE entendia que as contas rejeitadas impediam a obtenção da quitação eleitoral

Como ficou

Atualmente, as reprovações, pela Justiça Eleitoral, das contas de campanhas não impedem a obtenção da quitação eleitoral. Assim, quem teve as contas reprovadas está quite com a Justiça Eleitoral. Só não está quite quem deixa de prestar as contas

Quem mudou

Congresso Nacional

Publicada por:

Correio Braziliense