Posts de 4 de julho de 2010

A farra diminuiu, mas as despesas…

4 de julho de 2010

Correio Braziliense 

O sistema de compra de passagens aéreas para deputados foi alterado há um ano, mas a economia aos cofres públicos não é sentida – o dinheiro não gasto com bilhetes acaba servindo para outras finalidades 

Lúcio Vaz

Doze meses após a implantação do novo sistema de compra de passagens aéreas pelos deputados, é possível saber quanto dinheiro público a Câmara desperdiçou com esse gasto nos últimos anos. Quando veio a público a farra das passagens, com a compra de centenas de bilhetes para viagens ao exterior, cada deputado tinha uma cota fixa para esses gastos, com valores muito acima do mercado. O que sobrava era torrado durante o ano em viagens de lazer. Agora, as passagens são custeadas com a cota única para despesas do mandato, que também inclui divulgação, consultorias, combustível e manutenção de escritório.

Somando o segundo semestre de 2009 ao primeiro semestre deste ano, os gastos com passagens somaram R$ 32 milhões. Nos últimos quatro anos, havia atingido uma média anual de R$ 82 milhões. O desperdício chegava a R$ 50 milhões anuais, ou R$ 200 milhões por mandato. Dinheiro suficiente para construir 10 mil casas populares.

A Câmara prefere destacar a economia que foi feita na aquisição de bilhetes aéreos no último ano, mas essa argumentação é relativa. Antes da mudança no sistema de compras, cada deputado contava com uma verba indenizatória de R$ 15 mil por mês. A cota para as passagens variava por estado.

No novo modelo, as antigas cotas de passagens, telefone e correios foram incluídas na cota única “para o exercício da atividade parlamentar”, que quase dobrou para a maioria dos deputados. Tudo o que é economizado em bilhetes aéreos sobra para os outros gastos, como aluguel de imóvel para escritório, locação de carros e até de aviões. Ou seja, o dinheiro poupado numa despesa acaba sendo usado em outra. O deputado Zé Vieira (PR-MA), por exemplo, torrou R$ 139 mil com táxi-aéreo no primeiro semestre deste ano. Ele visitou 10 cidades em seis viagens. Em algumas delas, percorreu quase 1,5 mil quilômetros. Isso seria inviável em anos anteriores. O limite da antiga verba indenizatória era de R$ 90 mil por semestre, para todas as despesas da “atividade parlamentar”.

Levantamento

Levantamento feito no Siafi (sistema informatizado que registra os gastos do governo federal) pela ONG Contas Abertas mostra que os deputados gastaram R$ 82 milhões por ano, em média, com passagens aéreas no período de 2005 a 2008. O ano passado foi atípico. No primeiro semestre, ainda estava em vigor o antigo modelo. As despesas somaram R$ 33,4 milhões. A partir de julho, entrou em vigor a cota única. Os gastos caíram para R$ 19,5 milhões no segundo semestre, sendo que R$ 10,2 milhões foram torrados em dezembro.

No primeiro semestre de 2010, foram registradas despesas de R$ 11,8 milhões até 29 de junho. Compras feitas em maio ou junho ainda podem ser computadas, porque há atrasos na apresentação de comprovantes de despesas. De qualquer modo, as compras feitas no período completo de 12 meses somam R$ 32,3 milhões. E ninguém deixou da fazer os deslocamentos aos estados de origem.

“Nossa! Tudo isso?”

O deputado Chico Alencar (PSol-RJ), eterno fiscal das mordomias da Câmara, ficou abismado com o tamanho do desperdício apurado pelo Correio, mas também destacou os aspectos positivos da mudança. “Nossa! Tudo isso? O desperdício era realmente enorme. Mas o novo modelo prova que é possível aproveitar melhor os recursos públicos quando o seu uso é mais racional. Isso tudo é um aprendizado. Sempre se pode fazer de um limão uma limonada. Mas o mérito disso tudo é de vocês da imprensa, que denunciaram os abusos”, comentou.

O site da Câmara registra gastos de R$ 3,9 mil com passagens para Alencar no primeiro semestre. Ele lembra que faltam alguns comprovantes, mas assegura que a despesa não será muito acima desse valor. “Dá para pagar tudo sem problema. Tem passagem para o Rio a cento e poucos reais.”

Num passado recente, além de custear as viagens de namoradas, atores globais, mulheres, filhos e cabos eleitorais (veja memória), os deputados também usavam a cota pessoal para pagar bilhetes para depoentes em comissões técnicas da Câmara. Outros usavam as cotas para arcar com deslocamentos ao Parlamento do Mercosul (Parlasul), como é o caso do deputado Cláudio Diaz (PSDB-RS). O Legislativo brasileiro não bancava essas despesas. Mas a cota dos parlamentares gaúchos (R$ 11,4 mil) cobria os gastos. No primeiro semestre deste ano, a Câmara registra despesas de R$ 16 mil com bilhetes aéreos para Diaz.

Memória

Desperdício descoberto

Em abril do ano passado, o site Congresso em Foco divulgou um levantamento completo das viagens de lazer feitas por deputados, familiares e afiliados políticos utilizando as sobras das cotas de passagens aéreas. Pelo menos 261 parlamentares viajaram para o exterior, muitos deles acompanhados de mulheres e filhos, com dinheiro da Câmara. O deputado Dagoberto Nogueira (PDT-MS) foi o recordista, com 40 bilhetes. O deputado Fábio Faria (PMN-RN) custeou viagens da então namorada, a apresentadora de TV Adriane Galisteu, e de atores da TV Globo, como Sthefany Brito.

A divulgação dos dados revelou que muitos bilhetes haviam sido desviados por funcionários dos gabinetes parlamentares. A Câmara abriu sindicância para investigar quatro deputados e 45 funcionários em 39 gabinetes. Pelo menos 19 servidores foram demitidos, mas nenhum parlamentar foi punido até agora. A Casa considerou que a prática de utilizar a sobra das passagens para viagens particulares não era ilegal, pelo menos até a edição do Ato da Mesa nº 43/2009, que limitou essa utilização aos próprios deputados e servidores do gabinete expressamente autorizados. O ato também criou a “cota para exercício da atividade parlamentar”, unificando todas as despesas consideradas necessárias ao mandato.

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Correio Braziliense 

Projeto de lei aprovado no Senado torna mais duro o combate ao crime organizado

4 de julho de 2010

Correio Braziliense 

E fecha cerco aos políticos financiados por essas organizações com aumento da pena e cassação de mandato 

Maria Clara Prates

Uma novela que se arrasta há 20 anos, 15 projetos de lei depois, está próxima do que se pode chamar de final feliz para o Brasil, com a aprovação da legislação de combate ao crime organizado. O Projeto de Lei nº 6.578/2009 – que define o que é organização criminosa, estabelece técnicas avançadas de investigação, propõe aumento de pena e cassação de mandato e é duro com políticos financiados por esses grupos -, foi aprovado no Senado e deverá ser votado ainda este ano na Câmara dos Deputados.

O relator do projeto, deputado federal João Campos (PSDB-GO), disse que apresentará ainda esta semana seu voto, antecipando que não vai propor alteração no texto aprovado pelos senadores para que a nova legislação possa ser votada em plenário. “O Parlamento está devendo isso para o Brasil. Decidi manter o texto para evitar o retorno ao Senado que, antes de dar a redação final, ouviu diferentes setores da sociedade”, disse. Para Campos, esse esforço é necessário também para que se evite que o projeto seja empurrado para a próxima legislatura.

O procurador da República em Minas Gerais, Rodrigo Prado, reforça a necessidade da nova legislação e ainda comemora a qualidade do texto. Ele diz que o esforço de votação é mesmo necessário para evitar que a tramitação do projeto de lei de combate ao crime organizado coincida com o da reforma do Código de Processo Penal, que será apresentado em setembro. “O texto do novo código é tão extenso e revolucionário, que exigirá inúmeras audiências públicas, travando completamente a pauta do Congresso.” Prado reforça ainda a tese de que a legislação chega tarde, mas tem a força de dar segurança jurídica para investigações e julgamento dos casos de crime organizado.

Servidor público

Em seus 36 artigos, a nova lei aperta a corda no pescoço dos mais distintos tipos de atuação dos grupos criminosos organizados, mas tem um foco voltado, em especial, para aqueles que lesam o estado, como políticos e servidores públicos. Depois de definir o que é o crime, no artigo 2º do texto estabelece que se enquadram em penas que variam de três a 10 anos de prisão todos os que fraudam concursos públicos, licitações de qualquer modalidade ou concessões e ainda aqueles que financiam campanhas políticas como forma de garantir ou facilitar a ação do grupo criminoso.

No Brasil, o que não faltam são exemplos de fraudes em licitações por organizações criminosas, como ocorreu com a Máfia dos Sanguessugas, que, por meio de emendas parlamentares, superfaturaram a compra de ambulâncias para beneficiar parlamentares. Hoje, está sob apuração de uma força-tarefa formada pela Polícia Federal, Tribunal de Conta da União e Controladoria Geral da União um novo esquema, e não menos danoso, envolvendo também emendas parlamentares para financiamento de festas no interior com objetivo de beneficiar empresas fantasmas.

Além das penalidades mais duras, outro mecanismo promete também ação mais incisiva contra o crime organizado ao autorizar o juiz do caso a determinar, de imediato, o afastamento de suas funções de servidores públicos envolvidos com os grupos criminosos organizados, assim como a perda do mandato eletivo de políticos. Para ter ideia da importância do texto, basta lembrar o envolvimento do juiz da 12ª Vara Federal de Minas, Weliton Militão, denunciado por venda de liminares para a liberação do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) a cidades devedoras do INSS em 2008, que permaneceu exercendo suas funções, até ser aposentado compulsoriamente por decisão do Conselho Nacional de Justiça.

Regras uniformes

Para se dimensionar o rigor do texto do projeto de lei da nova legislação para combate ao crime organizado, o advogado Adilson Rocha, conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/MG) e presidente da Comissão de Assuntos Penitenciária, afirma que 80% de todos os crimes previstos no Código Penal podem ser enquadrados na nova definição. Isso porque pode ser considerada organização criminosa a associação de três ou mais pessoas, estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas, para a prática de crime com pena igual ou superior a quatro anos. Rocha, que considera também a legislação um avanço para o país, defende, entretanto, que o artigo 1º detalhe melhor as características da criminalidade organizada para evitar distorções.

O conselheiro explica que, da forma atual, um simples furto, que tem pena mínima de três anos, pode ser enquadrado como crime organizado. “Esse problema pode terminar por inviabilizar a aplicação da lei”, raciocina. Segundo Rocha, o texto para análise na Câmara dos Deputados é uma nova roupagem oferecida à Lei nº 9.034, de 1995, também de combate à criminalidade organizada, que nunca chegou a ser aplicada no Brasil, em sua totalidade. “Ela previa a participação do juiz também na investigação e inviabilizou a sua aplicação prática”, afirma o conselheiro. O procurador da República, Rodrigo Prado, discorda da interpretação e garante que o Código Penal tem 11 títulos e apenas três deles são atingidos pelo texto do projeto de lei.

O procurador Rodrigo Prado afirma que um dos passos mais importantes do novo texto é a uniformização de regras para institutos importantes de coleta de provas, como a colaboração premiada, a alienação antecipada de bens e a infiltração de investigadores. A importância dessas regras pode ser medida pelo grande volume de bens apreendidos no país, que terminam sendo liberados ou perdem o valor em razão da impossibilidade de conservação. O assunto é tratado no artigo 30 do Projeto de Lei nº 6.574/2009, que autoriza a alienação antecipada pelo magistrado de bens que estiverem sujeitos a qualquer grau de deterioração, quando houver dificuldade para sua manutenção.

Outro avanço para o procurador é a previsão de tornar obrigatório para empresas de telefonia, assim como as de transporte, de manter, por cinco anos, informações de números telefônicos, destino de ligações, bem como registros das viagens. E determina ainda que os dados sejam disponibilizados não apenas ao juiz, mas também ao Ministério Público e à autoridade policial. “Esta flexibilização é importante, porque, muitas vezes, para obter um simples endereço ou dados cadastrais no Tribunal Regional Eleitoral, enfrentamos uma verdadeira burocracia.” Nem mesmo a internet escapou. Os provedores da rede mundial terão que manter por seis meses, à disposição das mesmas autoridades, dados eletrônicos como dia, hora e origem das mensagens.

A unanimidade sobre a eficácia do atual texto não é a toa, para entendê-la basta conhecer como o projeto de lei começou a ser desenhado. Segundo Rodrigo Prado, o debate sobre a definição e os mecanismos de produção de prova foram discutidos durante os encontros anuais de Estratégia Nacional de Combate à Lavagem de Dinheiro (Encla), que reúnem diversas entidades envolvidas no combate a este tipo de criminalidade.

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Correio Braziliense 

Com Dilma ou Serra, PMDB será governo

4 de julho de 2010

Correio Braziliense 

Caso a petista seja derrotada nas urnas em outubro, peemedebistas acreditam que o partido vai compor a base de um eventual mandato do tucano 

Josie Jeronimo

Com os pés na campanha de Dilma Rousseff (PT) e alguns braços nos palanques de José Serra (PSDB), o PMDB torce para chegar ao Palácio do Planalto com Michel Temer, vice da presidenciável petista. Mas seja quem for o presidente eleito no próximo ano, os peemedebistas são unânimes ao dizer que o partido vai compor a base do governo.

Se Dilma vencer as eleições, o céu de brigadeiro do PMDB ficará completo. O partido já se prepara para fazer indicações na composição do governo e barganhar cota maior de cargos ministeriais com os petistas. No Congresso, a sigla trabalha com a possibilidade de eleger 110 deputados federais e já tem nome engatilhado para emplacar no comando da Câmara. “A Presidência da Câmara é do PMDB. Temos a expectativa de fazer a maior bancada e já existe acordo prévio pelo nome do Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). O primeiro biênio é do PMDB e depois será a vez do PT”, resume o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Mas uma vitória de Serra não compromete os planos do PMDB, segundo Cunha. “A gente luta por ela, mas se a presidenta não for a Dilma, podemos até manter o mesmo tipo de acordo para a Presidência da Câmara.”

Os acordos multipartidários da sigla e a divisão dos aliados entre palanques tucanos e petistas funcionam como estratégia de aproximação dos dois presidenciáveis. Se os tucanos elegerem o próximo presidente, aliados de primeira hora de Serra, como o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), o governador André Puccinelli (PMDB-MS) e o presidente do partido em São Paulo, Orestes Quércia, fariam o papel de integrar a legenda a um possível governo tucano, explica o deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR). “Se o Serra ganhar, ele (o PMDB) continua no governo. Até porque a tradição do PMDB é essa aderência, vai devagarinho, vai costurando. Em um primeiro momento prevalece quem trabalhou para o presidente vencedor. Mas nós temos gente trabalhando para o Serra e para a Dilma”.

Oposição

O deputado Waldemir Moka (PMDB-MS), presidente da Comissão Mista de Orçamento, afirma que apesar de Temer estar oficialmente do lado de Dilma, o peemedebista lida bem com os correligionários que decidiram apoiar Serra na disputa de outubro. Moka é pré-candidato ao Senado pelo Mato Grosso do Sul e, ao lado do governador Puccinelli, deve pedir votos para o tucano no estado.

A situação confortável do partido no próximo ano também é destacada pelo deputado Leonardo Quintão (PMDB-MG). O mineiro argumenta que apesar de PMDB e PT caminharem formalmente juntos na eleição deste ano, no Congresso jamais a bancada dos partidos formaria oposição ao governo. “Se Dilma não ganhar, o PMDB terá que rever seus planos. O Serra ganhando, o partido fica em uma situação de cautela, mas não se governa sem o apoio do PMDB. Se o PT e o PMDB estiverem na oposição, fica muito difícil para o governo alcançar qualquer tipo de tramitação saudável no Congresso. Todo governo vai querer o PMDB na sua base, então o Serra vai certamente se aproximar.”

No Senado, a indicação do presidente da Casa é feita pelo critério da maior bancada. O senador José Sarney (PMDB-AP) também será substituído em 2011. Nos corredores do Congresso, a piada do momento é que independentemente de Serra ou Dilma, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) deve manter o posto de líder do governo. Jucá transita bem entre tucanos e petistas e já foi vice-líder do governo Fernando Henrique Cardoso na Casa, antes de virar aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O peemedebista também é cotado para ser o novo presidente do Senado.

A barreira de Ayres Brito

»O vice-presidente do STF, ministro Carlos Ayres Britto, rejeitou recursos de quatro políticos que pretendiam driblar a Lei da Ficha Limpa. O deputado federal João Pizzolatti Júnior (PP-SC), que tentava a reeleição, o ex-prefeito e ex-vice de Montes Claros (MG), Athos Pereira e Sued Botelho, e o candidato a vereador paranaense Juarez Oliveira tiveram os pedidos de registro negados. “Se não é qualquer condenação judicial que torna um cidadão inelegível, mas unicamente aquela decretada por um ‘órgão colegiado’, apenas o órgão igualmente colegiado do tribunal ad quem é que pode suspender a inelegibilidade.” O argumento foi utilizado para rejeitar o recurso do ex-prefeito e ex-vice de Montes Claros. Já o candidato a vereador teve o pedido negado porque não cabe ao STF examinar casos de liminar que busquem atribuir efeito suspensivo a recurso especial eleitoral.

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Correio Braziliense

Eliminação do Brasil da Copa provoca encalhe de R$ 85 milhões em produtos verde e amarelo

4 de julho de 2010

Agência Brasil

Alana Gandra – Repórter da Agência Brasil 

Brasília – A eliminação do Brasil da Copa do Mundo da África do Sul resultou em um estoque encalhado de produtos verde e amarelo da ordem de R$ 85 milhões em todo o país, entre camisetas, vuvuzelas, cornetas e outros itens temáticos. A estimativa foi feita hoje (4) pelo professor de marketing de varejo da Fundação Getulio Vargas e diretor da Associação Comercial do Rio de Janeiro, Daniel Plá. Somente no estado do Rio, segundo ele, R$ 8,5 milhões em estoque devem ficar encalhados. 

“Os lojistas, de fato, estavam esperando vender ainda muitos produtos verde e amarelo. Agora, fica muito difícil vender, mesmo com até 50% de desconto”, disse Daniel. Ele acha que “até a indústria de televisores vai ser afetada”. Algumas lojas já estão dando desconto de 10% a 15% nos aparelhos, porque esperavam que as vendas continuassem aquecidas até a próxima semana, quando ocorrerá o encerramento da Copa. “Todo mundo esperava que o Brasil fosse até a final.” 

O saldo, porém, é positivo, destacou Daniel. Ele disse que o comércio tradicional sai ganhando, uma vez que os produtos verde e amarelo representam uma fração reduzida do faturamento do setor: menos de 5% do total. “É quase como uma inversão do que se previa”. A perda de R$ 1 bilhão projetada para o comércio do Rio de Janeiro, caso o Brasil fosse até a final da Copa, ficou estancada, assinalou Daniel. No caso do Brasil como um todo, a perda estimada era de R$ 10 bilhões.

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Agência Brasil

Brasil e Argentina discutem agronegócio e questões sanitárias

4 de julho de 2010

Agência Brasil

Danilo Macedo – Repórter da Agência Brasil

Brasília – Os ministros da Agricultura do Brasil, Wagner Rossi, e da Argentina, Julian Domínguez, se reunirão nesta segunda-feira (5), em Brasília, para tratar de questões sanitárias e fitossanitárias e o comércio de produtos do agronegócio entre os dois países. O encontro faz parte do acordo estabelecido há um mês, em Buenos Aires, que prevê que os dois países se reúnam a cada três meses.

De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), a troca de produtos do agronegócio entre o Brasil e a Argentina movimentou, apenas nos cinco primeiros meses deste ano, quase US$ 2 bilhões. Enquanto os argentinos gastaram US$ 495,7 milhões na compra de produtos brasileiros, exportaram US$ 1,48 bilhão.

Também será assinado um memorando de entendimento entre a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária da Argentina (Inta) para troca de tecnologias e experiências.

O ministro argentino vem ao Brasil acompanhado de secretários de governo e empresários do setor. A reunião está marcada para às 16 horas no gabinete do ministro.

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Agência Brasil