Você abusou

17 de maio de 2013 por João Bosco Leal 8 comentários »        Total caracteres: 3368

João Bosco Leal

DeclaraçãoA dupla Antônio Carlos e Jocafi, totalmente desconhecida pela juventude atual, mas muito famosa quando eu era jovem, fez muito sucesso com uma música cujo refrão era: “Você abusou, tirou partido de mim, abusou”.

“Mas não faz mal, é tão normal ter desamor, é tão cafona, é sofredor, que eu já nem sei se é meninice ou cafonice o meu amor”, dizia a letra.

Hoje observo como essa letra está atualíssima, pois, realmente, na sociedade em que vivemos, parece ser cafona e sofredor amar alguém. O normal é ter desamor, não se apegar a nada ou ninguém.

Falar de amor, declarar-se apaixonado então, parece ser algo inimaginável atualmente, em virtude de “Se o quadradismo dos meus versos vai de encontro aos intelectos, que não usam o coração como expressão”. 

“Você abusou, tirou partido de mim, abusou”, parece ser o único sentimento possível de ser recebido pelos que, como eu, ainda pensa sobre e procura um amor verdadeiro, como o daqueles tempos, quando se buscava uma companheira para conosco permanecer até o apagar das luzes.

“E me perdoe se eu insisto nesse tema, mas não sei fazer poema ou canção que fale de outra coisa que não seja o amor”, continua a letra, exatamente como eu diria àquelas que, atualmente, desprezam um verdadeiro amor.

Outro dia, em uma rede social, li que atualmente, “Os homens querem casar e as mulheres querem transar”, ou seja, está ocorrendo uma inversão enorme de valores entre os da minha geração e os da atual.

Mesmo que não seja para literalmente “transar”, parece que as mulheres – apesar de reclamarem do inverso -, estão mesmo é procurando sair, dançar e beber sem nenhum compromisso, sem se apegar a alguém.

Dão mais importância às saídas com suas amigas, colegas ou parentes do que com um pretendente a ser seu amor. Não pensam em seu futuro. E esse, penso, será o maior problema das que assim agem.

O tempo da diversão também pode ser curtido com um parceiro, e não exclusivamente com pessoas com quem não possua nenhum relacionamento amoroso. Esse tempo passará, elas se cansarão, procurarão um ambiente mais caseiro e aí, certamente você estará só. Seus filhos e netos estarão levando a própria vida e as atuais “amigas” já não estarão mais interessadas em noitadas, danças ou bebidas.

São fases da vida daqueles que não pensam em seu futuro e não poderão ser revertidas quando, já com mais idade, os interesses serão outros, mas não terá com quem viver maravilhosamente tão bem, como os que escolheram estar ao lado de alguém com quem construíram uma história, têm o que conversar e do que se lembrar.

Entretanto, a grande maioria não pensa assim e continua dançando e bebendo cada dia com um, sem pensar no amanhã e muitas vezes até zombando da minoria, que pensa diferente. Mesmo que de mim tirem partido, prefiro fazer parte desse pequeno grupo, dos eternos apaixonados.

E deixar que “o quadradismo dos meus versos vá de encontro aos intelectos, que não usam o coração como expressão”.

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Em busca da felicidade

10 de maio de 2013 por João Bosco Leal 7 comentários »        Total caracteres: 3820

Emoções 01João Bosco Leal

Nos humanos a procura pela felicidade é tão importante que provavelmente jamais tenhamos visto uma pessoa que, de uma forma ou de outra, não a estivesse buscando.

Passamos grande parte de nossas vidas caminhando em determinado direção, imaginando que assim o fazendo chegaremos a algum lugar onde seremos mais felizes do quem hoje somos.

Interessante como nossa visão de felicidade é a de encontra-la em algo, lugar ou alguém que, pensamos, poderá nos proporcionar prazeres e satisfações ainda não conseguidos, ou que preencherá plenamente nossos corações.

Durante essa procura, muitas vezes erramos, sorrimos ou choramos, mas continuamos buscando, pois, realmente, encontrar a felicidade ao lado de alguém não é uma tarefa conseguida por muitos.

Há ainda os materialistas, que imaginam só serão felizes se estiverem morando em casas enormes, com belos carros na garagem, consumindo bebidas, roupas e acessórios das lojas mais renomadas e frequentemente promovendo festas para seus “amigos”, que em sua grande maioria os criticam dentro de suas próprias casas.

São pessoas pequenas, sem nenhuma autoconfiança, que imaginam ser queridas por aparentarem bens matérias quando, sabemos, as pessoas que frequentam esses ambientes só estão ali para se aproveitar da festa, música, alimentos ou do glamour, mas nunca em busca de uma amizade verdadeira.

Usufruem o que comeram, beberam e ouviram, mas saem do local criticando o tempero ou a quantidade dos alimentos servidos, a qualidade da bebida ou a seleção musical tocada durante o evento. Por maior e melhor que tenha sido o cuidado do promotor para que a festa fosse perfeita, sempre haverá os insatisfeitos com algum detalhe.

Para essas pessoas a aparência e o ter normalmente são muito mais importantes que o ser, pois pelo tamanho de sua inteligência, não conseguem enxergar que durante toda a vida, a única coisa que realmente e permanentemente lhe pertence é sua sombra. Todo o resto é passageiro.

Nossos bens materiais podem ser perdidos em um único negócio mal feito. O físico muda diariamente e, apesar de toda a tecnologia hoje existente, que nos permite “comprar” o que já caiu, ele jamais será o mesmo. A própria cultura, adquirida durante décadas passa a ser perdida, falha, esquecida.

Os anos já se foram, a saúde já não é a mesma, os reflexos são mais lentos, muitas coisas já não podem ser realizadas, mas ao buscar a felicidade em outros locais e junto a outras pessoas nos tornamos tão cegos que acabamos não conhecendo nossa própria sombra, que nunca nos abandonou ou abandonará.

Assim é a felicidade. Pode estar tão próxima que não a enxergamos. E isso ocorre principalmente porque não conhecemos a nós mesmos. Não sabemos objetivamente onde, como, com quem ir, e o que realmente pretendemos de nossas vidas.

É necessário buscar, antes de tudo, nosso autoconhecimento, entendermos o que já fomos, fizemos e o que pretendemos ser. Só conhecendo a si próprio é que teremos a oportunidade de realmente fazer nossas escolhas.

A felicidade de cada um só poderá ser encontrada em seu próprio interior e somente poderá ser compartilhada com alguém que também já a tenha encontrado.

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Ausência

3 de maio de 2013 por João Bosco Leal 9 comentários »        Total caracteres: 3558

João Bosco Leal

Apagar das Luzes 06François La Rochefoucauld resumiu em uma única frase: “A ausência apaga as pequenas paixões e fortalece as grandes” o que, como a grande maioria, passei a vida sem enxergar, apesar de já praticamente um sexagenário.

As diversas e pequenas paixões vividas são praticamente esquecidas quando, depois de encerradas, aqueles que as viveram se afastam, deixam de se ver, se comunicar ou o fazem com pouca frequência.

Entretanto, quando se vive uma grande paixão, a distância física e temporária parece que só a faz tornar-se maior. É a falta que sentimos daquela pessoa que nos faz pensar, lembrar e manter acesa sua chama.

Isso pode ser facilmente constatado entre os apaixonados durante o afastamento provocado por uma simples viagem ou após o fim do relacionamento ou em outro tipo de relacionamento onde o que ocorre não é exatamente a paixão, mas uma grande afinidade ou mesmo o amor, como entre amigos e parentes.

Pessoas que passaram por perdas de vidas em qualquer uma dessas áreas sabem perfeitamente como, apesar de transcorrido o tempo, a ausência só provoca o aumento do sentimento que se tinha por alguém.

A ausência das pessoas que já não vivem e jamais retornarão, de um modo ou de outro terão que ser suportadas por quem a sente, mas a ausência de uma paixão ou amor que só está distante fisicamente pode e deve ser resolvida, extinta.

São raras as pessoas que durante a vida têm a oportunidade de viver uma grande paixão e mais raro ainda, um verdadeiro amor, mas apesar disso ainda vemos pessoas que, tendo essa felicidade, a desperdiça, perde momentos valiosíssimos ao lado daquele que ama.

Quando por algum motivo ocorre um afastamento entre um casal que se ama, há os que deixam de reatar o relacionamento por orgulho, opinião de terceiros ou medo de se machucar novamente, mas não há paixões, amores ou mesmo vidas sem riscos, assim como também não haverá produção sem o plantio, sucesso sem trabalho, gravidez sem fecundação ou rosas sem espinhos.

Não podemos deixar de viver por medos, seja de sentirmos dores, acidentes ou perdas de pessoas queridas.

É necessário aceitar, perdoar e esquecer muita coisa, procurar remediar faltas e nos corrigirmos ao invés de só nos desculparmos, mas jamais devemos abandonar uma grande paixão e menos ainda um grande amor, que talvez seja o único de nossa vida.

Ao sentirmos paixão ou amor por alguém, não devemos permitir sua distância física por longos períodos. Se ela não pode se manter próxima, nós é que devemos buscar essa aproximação, mudando de trabalho, cidade ou até de país, rompendo, dessa maneira, qualquer barreira que esteja impedindo viver esse sentimento.

As dores do passado são do passado e nunca cicatrizarão se não dermos os principais passos em direção à sua cura: o perdão e o esquecimento. Precisamos perdoar as faltas, erros e ofensas dos que estão ao nosso lado, vivos, e que conosco podem e querem viver, pois não poderemos fazê-lo após sua partida.

A felicidade só será alcançada por quem vive a vida e não simplesmente passa por ela.

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Ontem, hoje e amanhã.

26 de abril de 2013 por João Bosco Leal 8 comentários »        Total caracteres: 3528

João Bosco LealAuto Conhecimento

Tenho pensado e conversado bastante com amigos sobre como já fui, como sou, e como seriam minhas reações em situações análogas às que me ocorrem atualmente.

É bastante interessante desenvolver esse raciocínio, pois através dele podemos perceber o quanto, com a idade, mudamos, alteramos nossos pontos de vista, crescemos, amadurecemos.

Por outro lado, em alguns aspectos nos tornamos mais jovens, ou até mesmo infantis, com menos preocupações, dando menos importância a muita coisa que antes nos eram caras.

Nossas atitudes em relação a filhos e netos são tão distintas do passado, que até os filhos estranham, pois exigimos bem menos e sorrimos bem mais.

Passamos a não ter interesse algum em ser o que não somos para agradar quem quer que seja e, sobre qualquer assunto, não aceitamos mais as fórmulas prontas.

Normalmente corremos mais riscos do que no passado e nos divertimos com isso. Queremos viver intensamente e não simplesmente passar pela vida.

Em algumas ocasiões e ambientes, as bebidas, mesmo para aqueles que sequer bebem, são absorvidas com menos preocupações com o quanto subirá.

As novas experiências sejam elas comerciais, sentimentais, ou sexuais, são exercidas com muito menos cuidados, temores ou pudores. Muitas ideias deixam de parecer insanas e algumas até procuramos concretizar.

Não queremos mais ser iguais ou parecidos com alguém, mas simplesmente viver a nossa vida como achamos que deve ser vivida.

Nos relacionamentos, ainda que pouco duradouros, gostamos de sentimentos mais fortes, intensos. Deixamos o coração bater mais forte e comandar nossas atitudes. Não nos apaixonamos pela metade. Os apetites são mais vorazes, a imaginação bem mais fértil e os prazeres bem mais intensos.

Muitas coisas que antes pensávamos ser importantes, hoje pouco significam. O que os outros pensam a seu respeito é uma delas. Isso passa a ter pouca valia. Atitudes diferentes de cada um muitas vezes levam outros a se comportarem da mesma maneira, o que leva a mudanças sociais.

Reações adversas às que esperávamos de certas pessoas deixam de nos machucar tanto e passam a ser encaradas com maior normalidade, pois entendemos agora, que cada um é o que é e não o que esperávamos que fosse.

O comportamento em relação a milhares de atividades diárias é totalmente diferente do que seria duas ou três décadas atrás, pois não existe mais a preocupação de acertar sempre.

Adequações aos novos tempos, novas realidades, novos conceitos ou preconceitos acabam ocorrendo, algumas até sem que percebamos.

Mesmo os valores morais da sociedade – muito sólidos em minha educação e na de meus filhos -, em alguns aspectos e no decorrer do tempo vão sendo flexibilizados, tanto que as próprias leis do país são alteradas, de modo a dar cobertura a coisas que em décadas atrás seriam impensáveis, como os casamentos homo afetivos.

As pessoas mudam, crescem, melhoram ou pioram, mas jamais serão as mesmas.

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Os raros amigos

19 de abril de 2013 por João Bosco Leal 12 comentários »        Total caracteres: 3870

João Bosco Leal

Amizade 04Durante a vida conhecemos milhares de pessoas, bonitas, feias, altas, baixas, gordas ou magras que, de uma forma ou outra, passam a fazer parte de nosso círculo de relacionamentos.

Algumas continuam simplesmente nossas conhecidas, colegas, parceiras em alguma atividade social ou comercial. Outras, falsas, se aproximam por interesses diversos, mas poucas, muito poucas, se tornam nossas amigas.

Entretanto, é fácil perceber pessoas utilizando a palavra “amiga” com muita facilidade, quando, na realidade, são raríssimas as verdadeiras amizades que conseguimos construir durante nossa vida.

Normalmente elas chegam devagar e, muitas vezes sem sequer serem notadas, vão conquistando, construindo esse relacionamento em bases sólidas, transparentes, adquirindo seu espaço nas mentes e corações daqueles que como amigas se aproximaram.

São lindas onde mais importa, por dentro. Valorizam suas qualidades e não os seus defeitos, te apoiam, querem te ver crescer, sorrir, te ver feliz.

Estão sempre por perto mesmo que em determinadas ocasiões sequer sejam percebidas, cuidam-nos com muito amor, mas, quando necessário, apontam nossos erros e acertos.

Apesar da natureza e jeito mais rude de ser e de falar de alguns, é com atitudes ou palavras sinceras, mas com carinho e educação, que sugerem mudanças onde estamos errando mais, nos mostrando que, na hora da verdade, ninguém engana a vida.

Por somente desejarem o nosso bem, suas opiniões e ponderações devem ser sempre consideradas mais importantes do que a de simples colegas ou companheiros. Diferentemente destes, que na maioria das vezes são simples possuidores de algum interesse em estar ao nosso lado, em nossa ausência não nos criticam, mas nos defendem.

Ainda que conhecendo nossos defeitos sempre nos apoiam e mesmo quando distantes, as sentimos próximas. Sabemos a elas poder confidenciar todas as nossas intimidades, angústias, medos, segredos ou projetos e com elas contar, nelas confiar, o que nos aproxima cada vez mais.

Buscam não nos trazer os seus problemas, mas soluções para os nossos. Pensam conosco e sobre nós. Conhecem nossos planos e de algum modo deles participam – mesmo que somente com energias positivas -, para que se tornem realidade.

Ajudam em nossas dificuldades, dão-nos paz em meio ao inesperado, sorriem ou choram conosco, e mesmo quando as decepcionamos, possuem bondade, coragem e habilidade necessárias para buscar recomeços.

Com o tempo, a vida se encarrega de colocar cada pessoa em seu devido lugar e você realmente saberá quem são as colegas, parceiras, interesseiras e as verdadeiras amigas. Normalmente, estas aparecem quando e de onde menos se espera.

São pessoas raras, difíceis de encontrar e que diariamente, com palavras, gestos ou atitudes, estão sempre agradando, conquistando, mesmo que quando necessário, nos digam um “não”.

Se, como eu, você possui um verdadeiro amigo, retribua, participe da vida dele como ele participa da sua. Mostre-lhe, com palavras e ações, como sua amizade é importante em sua vida.

Agradeça simplesmente por existirem, pois são raros os que possuem verdadeiros amigos.

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Química

12 de abril de 2013 por João Bosco Leal 8 comentários »        Total caracteres: 3738

João Bosco Leal

Beijo 01Os humanos possuem infinitas variáveis controláveis ou não sobre seus sentimentos afetivos e, durante suas buscas por um parceiro, passam por diferentes fases, mas sempre têm opções ou até mesmo determinadas exigências para essa escolha.

Algumas são praticamente generalizadas, como a de que a parceira deverá ser educada e pertencer a uma determinada classe social, mas as outras são muito pessoais.

Ser alta ou baixa, magra ou gordinha, loira ou morena, gostar de cinema, teatro, dançar ou de comer em restaurantes, apreciar programas noturnos ou ser mais caseira, ser fumante, gostar de bebidas alcoólicas, a maneira de se vestir, sua atração por joias e a ambição financeira serão itens analisados.

Mas, para que o relacionamento seja mantido, outras avaliações normalmente são consideradas, como a atração física, intelectual e a exigência de um grau de escolaridade no mínimo compatível entre os dois.

Uma troca de olhares diferente, mais intensos, será determinante na aproximação inicial entre duas pessoas, mas posteriormente, todas essas questões serão normalmente colocadas e dependendo de cada pessoa, podem possuir maior ou menor importância.

Entretanto, nenhuma dessas condições terá tanta importância quando ocorrerem os primeiros toques, quando em um simples dar as mãos, um leve carinho na face com as costas dos dedos, ou no primeiro beijo – já dado diversas vezes na troca de olhares antes de tocar a boca -, os dois precisam sentir uma determinada e inexplicável “química”.

Se isso ocorrer, mesmo que várias das exigências anteriores não existam, é muito provável que os dois tentarão, mas caso contrário – sequer com todas elas existindo -, certamente nem uma tentativa ocorrerá.

A ambiguidade das sensações – da intensidade quase agressiva de um homem durante a relação sexual, mesclada com a suavidade de seus carinhos posteriores ou da delicadeza natural da mulher, que nessa hora aceita e gosta dessa agressividade -, provocam maravilhosas experiências físicas e muita excitação.

Apesar disso, só o beijo dos lábios que se tocam e sentem desejos, de línguas que penetram e são sugadas pelo companheiro, da troca de salivas que não provocam repulsas – mas aumentam a intimidade -, poderá confirmar ou não se os dois formarão um novo casal.

Independentemente de todas as opções de escolha, como cor do cabelo, da pele, da altura, do peso, idade, educação, cultura, posição econômica ou social que possam ter feito para se aproximar de alguém, serão as variáveis totalmente incontroláveis da “química” dos toques, da pele e do beijo que decidirão sobre o início e a permanência de um relacionamento ou um romance.

Por mais que todas as exigências tenham sido preenchidas, será essa química quem determinará se os dois permanecerão juntos ou não como um casal que – em caso afirmativo – iniciará um romance.

Para se iniciar um relacionamento, milhares de detalhes podem ser exigidos, mas a ocorrência da “química” da pele e do beijo será, sempre, totalmente incontrolável e inexplicável.

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O outro lado

5 de abril de 2013 por João Bosco Leal 4 comentários »        Total caracteres: 3528

João Bosco Leal

Aurora Boreal 01Do nascer ao por do sol, em locais planos, ondulados ou com serras, naturais ou já repletos de construções, durante a vida nossos olhares alcançam milhares de horizontes com inimagináveis possibilidades de diferenças, mas nunca iguais.

Admirando-os, cada um os vê de uma forma, enxerga outro detalhe, outra cor ou sombra. E independentemente do lado para o qual nos dirigimos, a cada passo, o que se vê é alterado, surgem novas imagens e possibilidades.

Assim é a vida, repleta de escolhas que podem e devem ser realizadas a cada momento, cada passo, diariamente. Todos possuem, igualitariamente, a chance de optar para que lado, quando e como seguir seu caminho.

Alguns são mais difíceis que outros, mas geralmente recompensam melhor quem por eles seguiu, como as montanhas, de difícil escalada, mas a vista de quem atinge seu cume jamais será admirada por quem não a subiu.

Alguns horizontes estão tão distantes que muitos sequer tentam alcançá-lo, permanecendo onde estão por julgar ser aquele um bom lugar para se estabelecer e lá interrompem sua caminhada.

Perdem a chance de, alcançando aquele ponto que parecia distante, admirar novas paisagens, oportunidades e aí sim, escolher entre estas ou aquelas, que para trás deixou.

Depois daquele horizonte pode haver campos mais férteis, água em abundância, riquezas diversas ou até algo ainda desconhecido aos outros seres humanos.

Lá poderemos encontrar o que sempre buscamos, motivo pelo qual sempre terão mais chances aqueles não medem esforços em busca de novos horizontes, físicos ou culturais.

Nas oportunidades surgidas, são as decisões pessoais, escolhas dos que possuem mais ou menos coragem, ousadia e disposição para lutas e sacrifícios, que determinarão o sucesso ou o fracasso de cada um, como pode ser facilmente observado nos imigrantes nordestinos.

Muitas vezes estamos cansados das tentativas fracassadas, das quedas, dos caminhos já percorridos e das dores sentidas, mas será a determinação por alcançar o objetivo que nos levará um passo adiante, uma nova caminhada e ao sucesso.

Entretanto, é muito comum vermos pessoas que erraram, caíram ou se perderam e não buscam acertar, se levantar, reencontrar o caminho certo e ao recebem ajuda, pequena, um simples apoio, algumas continuam por si, enquanto outras insistem em permanecer no erro.

A educação pode incentivar ou desestimular o interesse das pessoas pelo crescimento cultural, financeiro e social, assim como o poder aquisitivo facilita ou dificulta as realizações, mas não as impedem.

Porém, o tamanho da ambição de cada pessoa e em todas as camadas sociais é totalmente distinto. Isso pode ser facilmente verificado entre garis, juízes de direito, médicos, advogados, engenheiros, qualquer outro profissional ou entre pessoas sem cultura.

Em todas as áreas, só obtém sucesso aqueles que por ele lutam, enquanto aqueles que não buscam acabam perdendo a oportunidade de alcançá-lo.

Nada virá ao encontro daquele que não se dispôs a explorar o que existe do outro lado.

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Relacionamentos

29 de março de 2013 por João Bosco Leal 6 comentários »        Total caracteres: 4234

João Bosco Leal

Amizade 01O relacionamento humano é, provavelmente, a experiência mais difícil para todos, pois para que o mesmo se torne maduro, duradouro, quando os dois já seguirão um mesmo caminho, com metas e objetivos comuns, são necessárias insistências, concessões, renúncias e superação de dificuldades.

As pessoas, que um dia se encontraram, vieram de locais com educação, nível social e cultural distintos, o que certamente exige habilidade de ambos para começarem qualquer tipo de relacionamento, como amizades, paqueras, namoros ou casamentos.

Além disso, ambas possuem um passado, que pode ou não ser aceito pelo outro, mas nem por isso deve ser ocultado. Pelo contrário, o conhecimento de seu passado é fundamental para que seu parceiro, amigo ou namorado a conheça em profundidade e goste de você como é, com seu passado, pois foi com seus erros e acertos, quedas e levantes que você se tornou o que é hoje.

Os relacionamentos amorosos começam de diversas maneiras, mas normalmente é a atração física que provoca a primeira aproximação. O conhecimento, a conversa, os primeiros toques e beijos podem provocar uma enorme paixão, mas só isso jamais levará ao amor, que precisará ser construído ao longo do tempo.

A história está repleta de casos de relacionamentos em que as pessoas se conheceram, namoraram durante anos para depois se casarem, mas acabaram se separando, enquanto muitos casamentos – que dão certo e são duradouros -, ocorrem entre pessoas desconhecidas, que tiveram sua união combinada pelos pais ou imaginada por amigos que os apresentaram.

Esse tipo de união faz com que as pessoas comecem o relacionamento contando, um ao outro, fatos de seu passado, que muitas vezes levam a lembranças agradáveis ou dolorosas da vida de cada um, o que, indiretamente, vai provocando amizade, intimidade e cumplicidade entre os dois e isso é que fará surgir o verdadeiro amor.

Pelo simples fato de estarem sendo confessadas, as lembranças dolorosas já percorrem um longo caminho para que sejam esquecidas e as dores por elas provocadas sejam cicatrizadas. Todavia as que deveriam e não foram confessadas, se conhecidas através de terceiros, mostrarão a seu parceiro a feição de uma pessoa desconhecida, que pode ter sido tudo, menos sua cúmplice.

Os relatos de cada um fazem inclusive com que o outro possa entender os motivos de determinadas atitudes do parceiro e sua maior ou menor sensibilidade em relação a determinados assuntos. Com esse conhecimento fica mais fácil evitar situações desagradáveis, como comentários infelizes, o que torna a convivência mais alegre.

Os fatos desagradáveis, tristes e dolorosos do passado também abrem portas para que um possa amparar o outro, fazendo com que se tornem mais amigos. Isto é uma base fundamental para qualquer relação madura e saudável, onde não importa quem mais viveu, distâncias percorreu, erros cometeu, dificuldades superou, escolas cursou ou dinheiro ganhou.

O maior conhecimento entre os dois os fará caminhar na mesma direção, por caminhos que os conduzirá ao mesmo lugar, criar projetos comuns e tentar realizar sonhos e desejos comuns, ou mesmo os do outro e assim o verdadeiro amor será construído, em bases sólidas, sobre pedras e não sobre areia.

Está dentro de cada um o poder de alcançar a própria felicidade, mas nos relacionamentos humanos ela necessariamente passa pela transparência, franqueza e honestidade, pois só o que é verdadeiro permanecerá.

Somente quando seu parceiro aceita seu passado, apoia seu presente e incentiva seu futuro poderá ocorrer um relacionamento duradouro.

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Alto Risco

22 de março de 2013 por João Bosco Leal 5 comentários »        Total caracteres: 4230

João Bosco Leal

mulheresHá pouco tempo uma amiga me contou que, durante uma viagem de turismo que fez com um grupo de conhecidas, pensou haver encontrado seu príncipe encantado. Eram cinco mulheres e guiadas por outra da cidade onde estavam, foram a um bar onde havia pista de dança.

Ela, mulher já madura – de quem já se esperava menos inocência -, dança com um desconhecido que a encanta com suas conversas e galanteios, a ponto de imaginar haver ali encontrado seu príncipe encantado.

Como normalmente ocorre, naquela mesma noite, ou no dia seguinte, vivem o que para ela foi uma inesquecível noite de amor, onde além do amante encontrou aquele galanteador, que tudo dela ouvia, mostrava interesse, elogiava seus dotes físicos e intelectuais, mas no dia posterior ele volta para sua noiva, esposa ou cidade.

Ainda sonhando e sem saber da outra, durante meses ela liga, manda e-mails com mensagens apaixonadas, fotos, tenta um reencontro, mas tudo acabou ali. Ele é boa pinta, bom de papo, dança bem, fala que havia encontrado nela o que buscou durante toda a vida e, com isso, consegue a única coisa que realmente pretendia: uma boa noite de sexo.

Já havia ouvido centenas de histórias como essa, mas ainda acho incrível como uma pessoa, já com meio século de vida ainda acredita nesse tipo de conto de fadas.

No último carnaval, numa boate, a mesma conheceu um homem e, de madrugada, alegando estar com fome e por julgar que ele havia bebido muito,  leva-o a uma lanchonete em seu próprio carro. De lá voltaram para que ele pegasse o próprio carro, e segundo ela, o encontro não passou disso.

Como uma pessoa que pelo menos teoricamente já deveria possuir um pouco de juízo pode ser tão irresponsável a ponto de sair só, de madrugada, de carro com um desconhecido, só porque ele era conhecido de outros conhecidos seus? Ouve-se muito falar sobre violência e até crimes ocorridos em aventuras como essas, mas parece que algumas gostam de correr esse risco.

Do mesmo grupo e na mesma viagem anteriormente citada, uma delas, fazendeira do pantanal - que normalmente é flagrada ligando para o namorado das outras da própria turma, cantando-os ou contando tudo o que as outras fazem ou fizeram -, saiu com o motorista de taxi que as conduzia de um local ao outro e, no dia seguinte, ao voltarem ao mesmo clube de dança, levou-o junto e lá custeou suas despesas, para depois passarem mais uma noite juntos.

Durante um almoço na casa de uma do grupo, presenciei a mesma ligar para um advogado conhecido delas e dizer a ele que estava perdendo de não estar ali, onde se encontravam várias mulheres loucas para “dar”. O que um homem que ouve isso deve pensar a respeito de todas as que ali se encontram? Mesmo as que nada disso disseram estão incluídas na proposta, pois afinal, ela disse que ali estavam “várias” mulheres com o mesmo desejo.

Enfim, é um grupo do que popularmente se conhece como “cobra comendo cobra” em que as mulheres saem com o primeiro que aparece, e – no caso da fazendeira do motorista de taxi e do telefonema -, mesmo que ele seja o caso de uma das outras “amigas”.

Minha surpresa é maior quando lembro estar me referindo a um grupo de mulheres que, ao menos teoricamente – por serem todas profissionais liberais, empresárias, financeiramente autossuficientes, donas de casas próprias, fazendas, escritórios e consultórios -, não teriam posturas como estas.

Frequentar grupos de pessoas onde a moral e a ética não são sequer consideradas, é sempre uma atitude de alto risco.

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Quem realmente ama

15 de março de 2013 por João Bosco Leal 4 comentários »        Total caracteres: 3692

João Bosco Leal

Casal 08Mesmo que simplesmente por instinto de preservação da espécie, desde a juventude, todo ser humano está em busca de um grande amor, com quem possa constituir uma família e envelhecer junto.

Durante essa busca, surgem pessoas bastante diferentes, oriundas de diversos locais, com graus de educação, instrução, posições econômica e social totalmente distintas das suas.

Bastante comuns, as mentiras, deslealdades e traições, quando descobertas, não permitem a sobrevivência de nenhum relacionamento sadio. Por estes motivos, sempre fui e serei um apaixonado pela transparência e lealdade em tudo, o que certamente dificulta as tentativas e, consequentemente, os acertos.

Mas a continuidade das buscas aumenta as possibilidades dos relacionamentos serem mais duradouros, abrindo a possibilidade esperada de uma paixão se transformar em amor.

É o que me faz estar sempre buscando, pois a vida, a honestidade, o trabalho e as mulheres, admito, são minhas grandes paixões.

Desde a infância são elas – as mães -, que nos transmitem os primeiros ensinamentos e o aprendizado, nossos maiores tesouros, pois aqueles que aprenderam mais sempre terão maiores chances.

Tenho paixões ideológicas e por alguns hobbies – como as motos -, mas com as mulheres, mesmo aquelas da infância e juventude, a intensidade com que costumo viver minhas paixões é sempre enorme, vibrante, o que me torna um eterno apaixonado, encantado por elas.

Apesar de algumas experiências piores e independentemente do tempo que duraram, não me arrependo das paixões que tive por nenhuma das mulheres que passaram por minha vida.

Com todas pude aprender algo e mesmo que a convivência não tenha continuado, valeu a pena pela experiência que pude adquirir.

Cada uma me mostrou seus erros e acertos e apontou os meus, de modo que, corrigindo aqueles em que concordava estar errado, e evitando aproximação de pessoas que possuíam os mesmos da anterior, pude ao menos tentar melhorar a cada novo relacionamento.

Penso que devemos continuar buscando, nos apaixonando, mesmo que na maioria das vezes errando, até encontrarmos o amor que tanto desejamos.

Apesar de hoje eu ser, praticamente, um sexagenário, confesso que, até agora, só por uma pessoa senti esse amor verdadeiro, maduro e profundo, tão maravilhoso, sublime, que só quem já o viveu pode descrever.

Nele não há cobranças, segredos ou dúvidas, mas transparência, cumplicidade, amizade, carinho e liberdade. A integração é tanta que não há lugar para a palavra “eu”, mas só para “nós”. Os planos, ideias, projetos, dúvidas, medos e aflições são totalmente compartilhados.

Quem já viveu algo assim não aceita mais uma relação onde isso não ocorra. Procura alguém que queira viver o mesmo ou algo ainda maior, o que torna a nova busca quase impossível.

É raro encontrar um amor verdadeiro, mas a procura é deliciosa e mesmo com os erros, sentimos, aprendemos, vivemos e a recompensa, quando o encontramos, surge em forma de milhares de emoções fascinantes.

Quem realmente ama, da vida nada quer além de viver esse amor.

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