Deficiências e Atitudes

29 de julho de 2010 by João Bosco Leal 4 comentários »

João Bosco Leal

A internet tem sido um mundo novo e maravilhoso para a humanidade por diversas razões, sejam culturais, emocionais, educacionais, de lazer, ou para qualquer finalidade que a utilizemos. Através dela podemos consultar e aprendermos tudo o que quisermos, desde dar um nó em uma gravata a conhecer lugares, países, livros, culturas, comércio e uma infinidade de coisas que nem consigo mensurar. Penso que o mesmo ocorre com a maioria das pessoas, e mesmo os mais jovens ainda não conseguem entender a infinidade dessa potencialidade.

Tenho aproveitado muito essa nova tecnologia para conviver mais com meus quatro netos que moram longe de mim, e sem o “Skype”, para conversar e vê-los ao mesmo tempo, penso que essa distância me seria muito difícil. Outra coisa muito utilizada pelas pessoas no uso da internet é o envio de e-mails aos amigos, que apesar de normalmente não possuírem profundidade alguma, serem de piadas, correntes chatérrimas, fotos, filmes, vídeo cacetadas ou outros, em algumas oportunidades eles nos transmitem algo ou, pelo menos, nos fazem pensar.

Foi o que ocorreu há pouco com um e-mail que recebi em que os animais da floresta se reuniram para escolher, entre os três leões lá existentes, qual seria o rei. Após algumas disputas sem vencedores, a última tentativa proposta pelos outros animais para a escolha, foi ver qual dos três conseguiria subir até o topo da montanha mais alta lá existente. Depois de algum tempo os dois primeiros voltaram cabisbaixos, admitindo sua incapacidade de atingir o topo e desistiram. O terceiro leão, porém, declarou que a montanha só o vencera “por enquanto”.

Disse que a montanha tinha toda aquela altura, mas não passaria disso, e ele era jovem, ainda estava crescendo. Por essa atitude, foi o escolhido, tornando-se o rei. O e-mail finalizava dizendo que a montanha tinha altitude e o leão teve atitude. Pensando sobre isso, imaginei as possibilidades da montanha e, realmente, a probabilidade dela crescer é praticamente nula, só com uma erupção em seu cume isso poderia ocorrer.

No entanto, as possibilidades de um terremoto, uma avalanche ou a própria erosão só poderão diminuir sua altitude, o que facilitará sua escalada. Claro que provavelmente o leão já não estará vivo, mas é um otimista, quem sabe uma dessas coisas ocorra enquanto ele cresce.

Depois de um acidente, muita cama, diversas cirurgias, cadeira de rodas e muletas, já se passaram dois anos, tempo em que tive a oportunidade única de pensar, pensar muito, em tudo o que está à minha volta. Agora, reaprendendo a andar com um encurtamento ósseo ocorrido em uma das pernas, começo dar minhas primeiras saídas de casa para o convívio social e percebo nitidamente a surpresa das pessoas, que há tempos não me viam agora me achando ótimo, alegre e me parabenizando pela “força” de haver superado tudo isso.

Depois desse período “pensante”, entendo o motivo dessas pessoas não saberem – como eu não sabia -, de onde vem a “força” daqueles que passam por alguma “turbulência” maior na vida. O ser humano é tão perfeito que essa força é dada a todos os que dela necessitam, exatamente quando isso ocorre. A perda de um filho é, penso eu, a maior dor que um ser humano pode sentir, é uma dor que nos mata, e eu já a senti e aqui estou, vivo. Mas há aqueles que morrem “mais” do que eu morri, e só percebi isso agora, refletindo, quando entendi que precisamos, sempre, olhar para baixo. Sempre há alguém em situação pior que a nossa, motivo pelo qual, creio eu, não termos o direito de nos sentir derrotados com nada que nos ocorre.

Em outro e-mail recebido, soube do seguinte pensamento do grande poeta Mário Quintana, que expressa claramente esse meu pensamento: ‘Deficiente’ é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino”.

Precisamos é ter atitudes para aprender com as experiências passadas e sentidas, superar as dificuldades provenientes das deficiências adquiridas, e delas tirarmos algo de novo, como escrever, o que agora tenho feito. 

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Como passou o tempo

25 de julho de 2010 by João Bosco Leal Veja os comentários »

João Bosco Leal

Sempre me disseram que a vida passa muito rapidamente, mas não sabia que era assim, tão rápido. Nem percebi e, agora, com cinquenta e seis anos, dois filhos e quatro netos, percebo mais claramente, nos pequenos detalhes, como já estou na segunda metade da vida.

Não que não soubesse disso. É claro que uma pessoa com minha idade já passou da metade do que, cronologicamente, teria para viver. Mas não é à idade cronológica que me refiro, e sim às mudanças que estão ocorrendo à minha volta, que me fazem pensar em como já estou “ultrapassado”.

Quando criança, ou mesmo quando adolescente, nas escolas ou em casa, tínhamos regras e horários para brincar, estudar ou qualquer outra atividade. Todos se dirigiam aos mais velhos como “senhor”, independentemente do grau de conhecimento ou parentesco. Isso fazia com se mantivesse um determinado senso hierárquico, dentro ou fora de casa, que a meu ver ajudava muito na educação e formação do caráter dos jovens.

Desde o primário, todos ficavam de pé quando o professor entrava na sala de aula e só se sentavam quando este autorizava. Quarenta anos atrás eu frequentava aulas na faculdade de paletó e gravata, exigência que só acabou em minha época, depois de muita cobrança do diretório acadêmico dos alunos daquela faculdade. Era um absurdo, num país com o nosso clima, mas era a regra, “em respeito aos mestres”.

Alguns anos depois, a “igualdade” tão sonhada pelas mulheres tirou-as de casa para o trabalho e as crianças passaram a ficar aos cuidados de avós, de babás ou de creches. Talvez por “culpa”, esses pais mais ausentes do convívio diário com os filhos, começaram a “ficar com dó” de repreender um filho mais rispidamente quando necessário, ou até de dar-lhes uma boa palmada, pois só viam os mesmos à noite e, então, como “recompensa” por sua ausência, eles começaram a “fazer concessões”, que não existiram na sua própria educação.

Atualmente, crianças e jovens não são cobrados por regras, horários, nem por respeito, seja com os seus, os próximos ou com estranhos. Passam o dia diante de uma televisão, um computador ou um jogo eletrônico qualquer, mas de estudar ou praticar esportes, nada. Tudo que os filhos fazem atualmente é “lindo”, porque é “novinho”, “ainda é jovem”, “a juventude é assim mesmo”, ou “com a idade isso passa”. As meninas dormem na casa dos namorados e vice versa, e tantas outras “diferenças” de meu tempo que não conseguiria resumir.

Penso que as consequências são visíveis em todas as camadas sociais. Têm sido muito frequente os casos de filhos que não respeitam os pais, chegando a agredi-los tanto verbal como fisicamente, o mesmo ocorrendo entre alunos e professores. Não se vê mais respeito algum com nenhuma pessoa mais velha e nenhuma espécie de hierarquia social. Todos são “você”, “tio”, ou qualquer outra designação do gênero. Parece ser uma bobagem, a diferença entre chamar alguém de “você” ou “senhor”, mas aí começa a ser quebrada, para a criança, a diferença hierárquica que ela deveria entender haver entre ela, seus pais e os mais velhos. Esta é a base da boa educação.

Agora, um projeto de lei recentemente assinado pelo presidente Lula pretende proibir qualquer tipo de repreensão física aos filhos, taxando de “crime” até mesmo uma simples palmada, que nunca fez mal a ninguém da minha geração ou de todas as outras que nos antecederam nos milhares de anos. Será uma nova experiência na maneira de se educar filhos e, por consequência, de se criar uma nova sociedade. No meu tempo, já “passado”, experiências eram feitas com animais, cobaias, e não com seres humanos, menos ainda com filhos.

Ainda bem que já não estarei aqui, pois não quero ver os resultados.

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As extravagâncias da política externa do governo Lula

22 de julho de 2010 by Admin Faça o seu comentário »

João Bosco Leal

Ao ler que o Presidente Lula autorizou a criação de uma nova embaixada do Brasil em Tuvalu – e sentindo-me ignorante por não conhecer o país -, continuei a leitura em busca de respostas que satisfizessem minha curiosidade. Soube então que Tuvalu é um agrupamento de nove atóis de coral, perto da Polinésia, no oceano Pacífico, onde, desde que foi instituída a monarquia constitucional, a Rainha Elizabeth II é a chefe de Estado e quem nomeia o governador-geral. O Parlamento, composto por 15 membros, é quem indica o primeiro-ministro, que manda de fato.

A capital de Tuvalu é Funafuti, onde residem 4.500 pessoas, de uma população total de 13.000 tuvaluanos, que habita “toda” a Tuvalu. A economia é baseada na exportação da polpa seca do coco, chamada copra, e no pandano, uma planta comestível também usada em artesanato, e a renda total é complementada pelo arrendamento da bandeira nacional a navios de origens tão suspeitas quanto as atividades de seus tripulantes.

O total dessas fontes de renda mantém o PIB local por volta de US$ 15 milhões e, como em Tuvalu não há emissoras de rádio ou de televisão, quem deseja manter-se informado tem como única fonte as edições quinzenais do único jornal do lugar, que possui uma tiragem total estacionada em 500 exemplares.

Fico a me perguntar sobre os motivos que levariam qualquer país do mundo a abrir uma embaixada em Tuvalu, em busca de que tipo de conveniência, política, econômica, ou o que estaria por trás dessa atitude do governo Lula e do “grande” estrategista da política externa Celso Amorim. A resposta está na própria matéria que leio, quando esta diz que o embaixador brasileiro na Nova Zelândia recebeu a missão de garantir o endosso de Tuvalu aos devaneios brasileiros de conseguir uma vaga no Conselho de Segurança da ONU, pleiteada por Lula a mais de sete anos.

Essa também certamente é a resposta do motivo pelo qual o Brasil, no atual governo, não cria embaixadas, mas praticamente espalha verdadeiros “comitês de campanha” em qualquer país que tenha direito a voto nesse pleito, seja a Bélgica ou Tuvalu. Aí está a explicação para tanta irresponsabilidade na ampliação, em massa, das representações diplomáticas realizadas pelo Itamaraty de Celso Amorim.

Sim, porque, pelo descrito, Tuvalu é menor do que milhares de bairros, isso mesmo, bairros, de cidades brasileiras de pequeno porte. E, economicamente, que interesse o país teria em Tuvalu, que justifique a abertura de uma embaixada brasileira? Não precisamos de nada, internamente, no Brasil, onde se aplicaria melhor esse dinheiro?

O governo Lula tem perdido sucessivas eleições na sede da ONU em Nova York, e, ao que parece, quer continuar tentando para ver se, como ocorreu aqui com suas candidaturas, um dia vence. Provavelmente como troco pelas derrotas, tem se afastado dos tradicionais aliados brasileiros, tanto políticos quanto econômicos, e passou a se aproximar, cada vez mais, de aberrações políticas e comerciais como o Irã, a Venezuela e Cuba. Parece que não consegue enxergar que todos esses países juntos não possuem a população de um único estado brasileiro como São Paulo nem a economia ou população de qualquer outro estado brasileiro de médio porte econômico.

Nos últimos anos, a política externa do atual governo brasileiro só tem feito favores e concessões econômicas aos países dos “companheiros” Evo Morales da Bolívia, Fernando Lugo do Paraguai, Néstor e Cristina Kirchner da Argentina, Fidel e Raúl Castro de Cuba, e Hugo Chávez da Venezuela, além, é claro, da nova paixão pelo Irã de Mahmoud Ahmadinejad.

Ainda bem que estamos no final deste governo. Espero que o próximo presidente tenha menos ambição por se tornar um grande estadista, pois sabemos que isso não se impõe ou se compra. Ou se é ou não. E Lula não é.

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A justiça brasileira priorizando o indivíduo em detrimento da sociedade

18 de julho de 2010 by João Bosco Leal 2 comentários »

João Bosco Leal

Tenho acompanhado, pela imprensa, a enorme quantidade de países que já permitem, aos casais homossexuais, tratamento, direitos e obrigações, antes só destinados aos casais heterossexuais.

No Brasil, como em outros países, já se reconhece a sociedade fato, como se fosse uma espécie de união estável, e o companheiro passa a ter o direito à herança do outro, à sua inclusão nos planos de saúde como dependente, ao pagamento de pensão em casos de separações, e, ultimamente, também tem sido permitida a adoção de crianças por estes casais, sejam de homossexuais femininos ou masculinos.

Também é permitida a mudança de sexo, inclusive com o pagamento da cirurgia pela seguridade social. Nesses casos, a justiça brasileira já autorizou a mudança também dos documentos da pessoa operada, com alteração inclusive de sua certidão de nascimento.

Não tenho a intenção de discutir nenhum desses direitos já concedidos pela justiça brasileira em consonância com a comunidade internacional. Não é o caso.

O que me causou admiração foi saber que a justiça brasileira, em pelo menos um caso recente, além de autorizar a cirurgia para a troca de sexo e a alteração de todos os documentos, determinou que não houvesse nenhuma observação sobre tal circunstância na certidão de nascimento do individuo.

Comecei a imaginar a situação da pessoa que conhece outra, ambos adultos, e, apaixonados, resolvem se casar, sendo que um dos dois passou por uma cirurgia de mudança de sexo e teve seus documentos alterados, sem qualquer ressalva sobre esse pequeno detalhe.

Caso não ocorra a confissão, espontânea, por parte do operado, teoricamente teremos problemas com o futuro desse casal, que, por exemplo, não poderá ter filhos e, para quem casa normalmente esse é um desejo comum.

Teremos, então, um dos dois com seu sonho de constituição de uma família destruído, sem a menor chance de ser concretizado, e com o total amparo judicial, que inclusive impede os cartórios de revelar as alterações realizadas. E isso é apenas uma das possíveis consequências.

Parece brincadeira, mas não é, pois, de acordo com publicações jurídicas, a justiça brasileira já tomou pelo menos uma decisão como essa e, isto continuando, no futuro, o que hoje pode parecer muito distante, imaginação, poderá estar ocorrendo com um filho ou uma filha, e no meu caso já estão ambos casados, ou um neto, meu, seu ou de um amigo ou parente.

Claro que estou fazendo divagações, suposições, mas, se esse tipo de alteração, tanto cirúrgica quanto de documentos, é realizado sem qualquer tipo de ressalva nos registros públicos, todo o imaginado poderá ocorrer.

E, então, me questiono, é justo? A justiça brasileira tem esse direito?

As mudanças dos comportamentos sociais sempre ocorreram, e desde o início da humanidade o ser humano tem realizado essas alterações, buscando o interesse geral, da maioria e das minorias, almejando sempre uma melhor convivência em sociedade, onde todos possuam as mesmas oportunidades, direitos e obrigações.

Claro que nem sempre se consegue tudo, mas a busca incessante de todos, desde o início, e em qualquer país, possui, com certeza, essa finalidade.

Entretanto, não podemos permitir que, para atender o interesse de uma minoria, seja colocada em risco a maioria. O assunto precisa ser repensado.

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A Crítica ; A Tribuna News ; Blog do Cachorro Louco ; Campo Grande NewsJornal Bandeirantes News ; Jornal Dia Dia ; Ponto de Vista ; Prosa e Política

O Palácio do Planalto e a Copa do Mundo de 2014

15 de julho de 2010 by João Bosco Leal 2 comentários »

João Bosco Leal

Assistindo a um jornal pela televisão, ouvi a notícia de que a reforma do Palácio do Planalto, que ainda não foi encerrada, já consumiu R$ 100 milhões, e que o escritório de Oscar Niemeyer, autor do projeto original, alega que a mesma foi muito mal feita, com materiais de péssima qualidade, e que já havia informado isso antes, por escrito, ao governo.

Comecei a me questionar sobre os valores e achei que deveria haver algo errado na informação, pois penso que para o cidadão comum, e para um engenheiro, construtor de obras sólidas, realizadas com matérias de boa qualidade, está claro que com esse valor consegue-se construir, no mínimo, três prédios como aquele. Mesmo imaginando-se o desperdício de dinheiro do contribuinte, tão comum no poder público, penso que se construiria, ao menos, dois prédios iguais àquele.

Mas daí a se pensar que esse dinheiro foi gasto somente na reforma do mesmo, e que, além disso, arquitetos de renome internacional alegam que a reforma foi muito mal feita e com materiais de baixa qualidade, que inclusive poderiam comprometer a estrutura do imóvel, já é algo inimaginável para esse contribuinte, que, afinal, é quem está pagando essa conta.

Se existe assim tanta diferença entre o que poderia ser, e o que foi feito, me pergunto: onde foi parar esse dinheiro? Onde estão a Controladoria Geral da União e o Ministério Público Federal? Por que não exigem uma perícia técnica no local para acabar com esse questionamento? Afinal, quem hoje lá está, quem mandou fazer, quem executou a reforma e seus responsáveis vão passar, sair de lá, morrer, e o prédio, pelo menos em tese, deveria lá permanecer. E, se isso não ocorrer dessa maneira, quem será responsabilizado?

Essas coisas no Brasil estão ocorrendo com muita frequência, principalmente no atual governo, e, se assim já está, penso em como será daqui até 2014, quando o país sediará a Copa do Mundo. Basta ver as declarações da FIFA, nesta semana, de que “tudo”, em termos de preparativos, está atrasado. Se já vi este filme antes, é assim mesmo que ocorrerá, de última hora. Assim, como todas as obras deverão ser realizadas por empresas “especializadas” e, também por falta de tempo hábil, muitas concorrências e licitações acabarão sendo dispensadas e entregues à “única” empresa capaz, que preenchia os requisitos formais e se apresentou.

Mesmo sendo totalmente contra qualquer tipo de regime totalitário, tenho que fazer algumas perguntas e as respostas, a meu ver, são óbvias. Quem realizou qualquer grande obra de infraestrutura no Brasil nos últimos 50 anos? Obras destinadas ao fornecimento de energia, transporte, portos, ferrovias, hidrovias e grandes rodovias? Alguém conhece algum dos governantes responsáveis por qualquer dessas obras, que neste momento certamente estão em sua mente, que saiu do governo ou morreu rico? Como sei as respostas que estão passando por sua cabeça, fico aliviado de não ser o único brasileiro que ainda pensa.

Os que assim não pensam, são exatamente os que, em outra época, sequestravam, assaltavam e matavam, tentando mudar o regime político do país. Depois fugiram e agora aí estão no governo, roubando, tentando acabar com os que no passado os reprimiram, e que nada constroem no país, ou, quando o fazem, é como estão fazendo no Palácio do Planalto e farão com a infraestrutura necessária para a Copa do Mundo de 2014.

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O Brasil suportará

11 de julho de 2010 by João Bosco Leal Faça o seu comentário »

João Bosco Leal

Enquanto no Brasil os apagões energéticos continuam, e grande parte deles por falta de mais torres de transmissão, o consórcio binacional Itaipu construirá torres de transmissão de energia ligando a usina à capital paraguaia, Assunção, a pedido do “companheiro” Fernando Lugo.

Para se assegurar do fornecimento do produto em caso de novos apagões elétricos, o Brasil fez um acordo para a aquisição de uma quantidade enorme de gás da Bolívia, bem maior que nosso atual consumo, e pagará por todo ele, mesmo não utilizando, para ajudar o país do “companheiro” Evo Morales, o mesmo que, pelo preço pago, praticamente surrupiou os ativos da Petrobrás naquele país e está expulsando os brasileiros que lá possuem terras e vivem da agricultura.

Ao mesmo tempo em que, no Brasil, membros do atual governo reconhecem que o país não suporta um crescimento constante superior a 5,5% ao ano por não possuir infra-estrutura para isso, o Brasil construirá em Cuba, por solicitação dos “companheiros” irmãos Castro, aeroportos e hotéis, infra-estrutura básica para a recuperação do turismo na ilha caribenha.

Contra tudo e todos, que inclusive contavam com o chancela da ONU, o Brasil abraçou a causa do enriquecimento de urânio pelo Irã, que o mundo todo entende ter fins militares, visando, em troca do “apoio”, exportar etanol para o país do “companheiro” Mahmoud Ahmadinejad, de irrisória população consumidora. Após isso, já tivemos problemas com barreiras à exportação de carne para os Estados Unidos, França e Rússia, os grandes consumidores mundiais de diversos produtos brasileiros.

Também contra o mundo todo, o Brasil acolheu o “companheiro” chapeludo Manuel Zelaya na embaixada brasileira de Honduras, que foi transformada em um pensionato da equipe do ex-presidente, deposto por pretender aplicar um golpe contra a Constituição daquele país, perpetuando-se no poder.

Nosso governo não reconhece as FARC da Colômbia como um grupo terrorista, até porque já se provou o envolvimento de “companheiros” de São Bernardo do Campo, que chegavam a guardar, em sua casa, dinheiro desse grupo, proveniente da venda de drogas e destinado à aquisição de armas.

A Eletrobrás construirá várias usinas hidrelétricas no Peru, que, em troca, venderá ao Brasil a energia que não utilizar, e, enquanto isso, no Brasil, os “verdes”, ignorantes a serviço de ONGs internacionais, fazem de tudo para impedir a construção de novas usinas hidrelétricas, alegando que as águas vão invadir áreas e, com isso, provocarão a mudança de local de alguns animais ou mesmo de seres humanos que lá habitam.

A corrupção no atual governo é tão grande, e alastrada em tantos níveis, de todos os poderes, que a população exigiu, com milhões de assinaturas, a criação de uma lei conhecida como “Ficha Limpa”, que teoricamente aboliria da política os corruptos e ladrões lá instalados. Advogados a serviço desses ladrões já estão procurando brechas jurídicas que impeçam que isso ocorra com seus “clientes”, que a justiça já declarou culpados.

O Presidente da República brasileiro acaba de declarar, pela imprensa, que o Brasil irá repassar tecnologia agrícola e de TV digital para a África do Sul, e que a quer como “parceira comercial” em vários outros projetos, como na construção de aviões militares.

A política externa brasileira realmente é excelente, para os “companheiros”, e não para os brasileiros, mas estou certo de que o país suportará e sobreviverá a todos os Lulas e a todos corruptos e ladrões.

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A estúpida busca pela liderança regional

8 de julho de 2010 by João Bosco Leal Veja os comentários »

João Bosco Leal

A imprensa divulgou que, entre 2004 e 2010, a sociedade brasileira teve um prejuízo de R$ 7 bilhões só com acordos de integração energética com os países vizinhos, promovidos pelo atual governo. Essa perda sofrerá um acréscimo de mais R$ 13 bilhões até o ano de 2023, quando totalizará R$ 20 bilhões. Certamente, essa sociedade gostaria de entender o porquê de tantos prejuízos com os vizinhos em um único setor, o energético, se além desse, o Brasil já tem feito muitas concessões em diversas outras áreas do relacionamento comercial no Mercosul.

Tudo indica, pelas informações divulgadas, que a relação entre o Brasil e esses países tem sido, no atual governo, de pai para filho. Tanto que o Brasil permitiu a nacionalização de ativos da Petrobrás pela Bolívia, que pagou a metade do que valiam, e a revisão do contrato da compra de gás que a empresa tem com o país.

Lula aceitou a perda de patrimônio do Brasil e de brasileiros, sem qualquer questionamento ao “companheiro” Evo Morales. O novo acordo, negociado entre Lula e Morales, renderá, para a Bolívia, US$ 1,2 bilhão até o ano de 2019, além do efeito retroativo, que obrigou a Petrobrás a um desembolso de US$ 480 milhões em favor da estatal boliviana de petróleo YPFB, e nos obriga a pagar por determinado volume de gás, utilizado ou não.

O tratado firmado por Brasil e Paraguai em 1973 previa a construção de Itaipu com recursos 100% brasileiros e a hidrelétrica pertenceria aos dois países. Em troca, toda a energia não utilizada pelo país vizinho seria vendida ao Brasil por um preço já estabelecido, de acordo com valores internacionais de energia, e corrigido pelos mesmos padrões. O Paraguai utiliza somente 8% da energia produzida por Itaipu, e vende os outros 42% ao Brasil.

Em campanha política, concorrendo à presidência da república daquele país, o “companheiro” Fernando Lugo declarava que, se eleito, iria exigir a revisão do acordo para a elevação dos preços de venda de energia ao Brasil. Eleito, o “companheiro” cobrou e Lula aceitou alterar os valores pagos ao Paraguai, de US$ 120 para US$ 360 milhões por ano, além de iniciar a construção, custeada por Itaipu, de uma linha de transmissão de energia em território paraguaio, ligando Itaipu à capital Assunção.

Após o “apagão” elétrico ocorrido no ano passado, ao invés de investir na melhoria e modernização da interligação de nossas linhas de transmissão, e aceitando palpites dos “verdes” do Brasil e do exterior contrários à construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, o governo brasileiro passou a adquirir energia elétrica da Venezuela, por acordo celebrado com o “companheiro” Hugo Chávez, para o reforço do fornecimento à região Norte do país, exatamente a que será atendida por Belo Monte.

Em viagem a Cuba, o presidente Lula declarou que o Brasil tem muito interesse no progresso daquele país e, portanto, financiará para eles obras de infraestrutura, como aeroportos e hotéis. Todas essas atitudes para com os países da América Latina, dizem os especialistas, é em função da pretensão de nosso presidente de fazer com que tanto ele quanto o Brasil se tornem líderes regionais.

E o Brasil, presidente Lula? Tenho lido declarações de membros de seu próprio governo, de que não seria “prudente” crescermos mais de 5,5% ao ano, pois não temos infraestrutura rodoviária, portuária e aeroportuária para isso. Também não possuímos, senhor presidente, infraestrutura em diversas áreas, como na da saúde e da educação. Brasileiros estão morrendo soterrados por não terem onde morar, tendo que construir seus barracos na base de morros que anteriormente haviam sido depósitos de lixo, sem nenhuma atitude contrária do governo.

Para sermos líderes dessa região, senhor presidente, basta entender que a população conjunta de todos esses países é menor do que a metade da população brasileira e, portanto, já somos muito mais interessantes, comercialmente, do que qualquer um destes. Isso já nos coloca naturalmente como líderes. Comparado a estes países, também o somos em diversos outros setores, como no do agronegócio, industrial e do comercio, tanto interno quanto externo, e, portanto, líderes nós já somos, não precisamos procurar ser.

Comércio se faz com os que precisam e podem comprar, e não com os que só podem vender. E ajuda, senhor presidente, nós podemos e devemos, sim, dar aos vizinhos e parceiros, mas a partir do momento em que a nossa população estiver totalmente atendida em, no mínimo, saúde, educação, moradia e segurança, coisa que, com certeza, está muito longe de ser.

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O legislador hipócrita

4 de julho de 2010 by João Bosco Leal 4 comentários »

João Bosco Leal

Através da imprensa, soube de alguns fatos que me levaram a um raciocínio que deve ser o mesmo de milhares de brasileiros: o governo federal duplicou, de janeiro a junho de 2010, a média mensal dos gastos com propaganda, em relação ao mesmo período de 2007, 2008 e 2009. Isso vem ocorrendo sistematicamente, em todos os anos de eleição, quando se faz de tudo para ganhar as próximas eleições, mesmo que sejam atos irregulares ou que prejudicarão o país.

O Brasil está tentando repatriar U$ 13 milhões, depositados em uma conta bancária na Suíça, que seria de Fernando Sarney, filho do atual Presidente do Senado, José Sarney. O governo brasileiro solicitou ao governo suíço que transformasse o bloqueio administrativo do dinheiro, já realizado preventivamente por aquele governo, em bloqueio criminal, porque o mesmo seria resultante de atividades ilícitas. Segundo o inquérito, parte do dinheiro seria resultante de desvios da obra da ferrovia Norte-Sul, um dos projetos prioritários do PAC.

Os ministros responsáveis pela área econômica e da previdência garantiram, de todas as formas possíveis, que o governo não poderia conceder um aumento aos aposentados superior aos 6,14 %, proposto por este para votação no Congresso Nacional.

O Congresso, em ano de eleição, para ganhar votos e, além disso, para jogar um problema nas mãos do Presidente da República e, com isso, tentar criar uma situação que poderia prejudicar a campanha da candidata do governo, concedeu um aumento de 7,72 %, que foi imediatamente criticado pelos ministros, alegando que o aumento concedido era uma irresponsabilidade dos congressistas, e que seria vetado pelo Presidente da República. E o presidente, que não poderia correr o risco de prejudicar a campanha de sua candidata, concedeu o reajuste proposto pelo Congresso e, com isso, tenta conseguir mais votos diante dos eleitores dessa classe social.

Soube também pela imprensa que os candidatos gastam hoje para se eleger, dependendo do cargo pleiteado, entre 10 e 100 vezes mais do que ganharão durante todo o seu mandato de quatro anos. E isso é o que é declarado oficialmente, fora o que, todos sabem, não é declarado.

Assim, gostaria muito de não fazer um juízo errôneo de alguém que procura ser um político partidário neste país, mas fico me questionando, querendo mesmo entender, o que leva uma pessoa a pagar para trabalhar. Sim, porque matematicamente, na prática, é isso o que ocorre. Ou há algo de muito errado que o eleitor não sabe.

Imagino, então, que centenas, milhares ou mesmo milhões de brasileiros, ao tomar conhecimento desses números, assim como eu, ficam imaginando coisas que não deveriam ocorrer no país, como o elevado grau de corrupção constatado nos mais diversos setores da política nacional, mas que infelizmente vêm ocorrendo muito, principalmente no governo atual, como a própria imprensa tem noticiado e a Polícia Federal tem mandado diversos casos para a justiça.

Entre esses brasileiros que se escandalizam diariamente com esse tipo de notícia, certamente existem centenas, ou milhares, que poderiam prestar um excelente serviço ao país, mas se recusam, só de pensar nesses números. Pensam, é claro, que, se precisam de tanto dinheiro para se eleger, mesmo que dispusessem de tal, precisariam necessariamente se corromper para, no mínimo, recuperar o dinheiro investido.

Se esse raciocínio está correto, e penso que sim, ocorre aí uma exclusão efetiva dos homens de bem, e uma seleção canalizada especificamente para os corruptos. E essa situação não se altera justamente porque quem deveria votar as alterações necessárias são exatamente, salvo raríssimas exceções, os corruptos e ladrões que continuam sugando a pátria em benefício pessoal e que, como se vê, continuarão legislando em benefício próprio e dos seus.

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Interesses políticos

1 de julho de 2010 by João Bosco Leal Veja os comentários »

João Bosco Leal

A grande maioria dos líderes sindicais – políticos classistas – que conheci abandonou totalmente os interesses pelos quais lutava ao deixar a política classista para entrar na política partidária. Esses políticos classistas a que me refiro eram patronais, mas pelo que tenho observado isso ocorre em todas as categorias, sejam patronais, laborais ou de autônomos.

Procuro entender o que é que muda na cabeça de um homem em relação a seus princípios, objetivos e interesses, se este, quando passa de um setor para outro dentro da mesma sociedade, transforma tanto o seus focos, se esta permanece com os mesmos problemas.

Em determinada ocasião, quando ainda era presidente de uma entidade de classe, viajei mais de 500 km para me encontrar com um político famoso, que já havia sido também uma liderança classista de enorme expressão nacional, talvez o maior que já passou pelo país, para entregar-lhe, em mãos, e discorrer sobre uma proposta da entidade que então presidia, propondo a inclusão de 2 quilos de charque em cada cesta básica distribuída no país pelo governo federal.

Expliquei que fizemos um estudo sobre o assunto e ficou claro que essa inclusão, além de melhorar muito a alimentação da população de menor poder aquisitivo, que recebia a cesta, criaria uma infinidade de empregos e renda para outras famílias, como as que trabalham nas charqueadas, pois teriam de aumentar a produção; nos frigoríficos, que teriam que abater mais para abastecer esse novo mercado; no transporte, tanto das propriedades rurais para os frigoríficos, como dali para as charqueadas e, finalmente, para os centros de distribuição, além de aumentar consideravelmente o consumo de carne bovina, o que certamente geraria mais ganhos para os produtores e impostos para o governo.

Na ocasião, ouvi um sonoro “não”, que ele não tinha o menor interesse em promover essa nossa proposta, pois a cesta básica era um plano do governo de outro partido, que não o dele, e, portanto, não pretendia em hipótese alguma melhorar projetos de outros políticos. Para mim, na época, foi um choque, pois sua origem política classista era exatamente desse meio e, agora, como político partidário, tinha essa postura? Por quem esse deputado foi eleito? Para defender os interesses de quem? Que tipo de raciocínio é esse que leva um homem a se virar contra suas origens para defender, agora, seus próprios interesses, em detrimento de quem o criou?

Na política classista rural são muitos os exemplos como esse, mas percebo claramente que também na política classista dos trabalhadores, rurais ou urbanos, isso ocorre muito. Basta pensarmos um pouco e já nos depararemos com o nome de diversos políticos partidários que tiveram sua origem nas políticas classistas, como o nosso presidente da República e outros diversos membros de seu partido político. Os trabalhadores rurais também apoiaram a conversão de diversos de seus políticos classistas em políticos partidários, que muito rapidamente deixaram os interesses de suas origens para cuidar de outros, muitas vezes não muito dignos.

Mesmo no exterior temos diversos exemplos semelhantes, de político classista que se tornou político partidário, como Lech Walesa, do Sindicato Solidariedade, da Polônia, que, de eletricista no Estaleiro Lênin em Gdänsk, transformou-se, como político classista, em um líder reconhecido mundialmente, por se insurgir contra o comunismo, e, ao se tornar presidente da República daquele país, resultou em enorme fracasso.

A história nos mostra que o líder classista é um político nato, surgido em seu meio, que, com a política de classes, lidera os seus em busca do interesse comum àquele grupo. O político partidário é aquele eleito por diversos segmentos de uma sociedade para cuidar dos interesses gerais da mesma. Salvo raríssimas exceções, não são, nem deverão ser, a mesma pessoa.

Ese artigo foi publicado nos seguintes veículos de comunicação:

A Crítica ; A Tribuna News ; Alerta Total ; Campo Grande News ; Eduardo Marcondes ; Google MS ; Jornal Bandeirantes News ;  Jornal Dia Dia ; Ponto de Vista ; Prosa e Política ; Três Lagoas MS ; Web 10

O Brasil é uma piada

27 de junho de 2010 by João Bosco Leal 4 comentários »

João Bosco Leal

A imprensa nacional tem divulgado, nos últimos anos, notícias que provocariam, em qualquer outro país do mundo, uma verdadeira revolução, ou, no mínimo, promoveriam uma operação “mãos limpas”, como a ocorrida na Itália anos atrás.

Diariamente a população toma conhecimento de tantas falcatruas que já está se tornando comum ver cenas de deputados com dinheiro em meias, cuecas, bolsas e outros lugares nem imaginados pelo cidadão trabalhador, que paga os impostos e, afinal, é o verdadeiro dono do dinheiro que está sendo roubado no país.

Graças a instituições que, ao que parece, além do Exército Brasileiro, são as únicas nas quais o brasileiro ainda pode confiar, quais sejam, o Ministério Público Federal e a Polícia Federal, ultimamente têm sido colocados na cadeia deputados, governadores, membros do Congresso Nacional, além de acusados, oficialmente, outros tantos, como o próprio Secretário Nacional de Justiça, que, apesar do cargo, era “mui amigo” daquele que é acusado de ser o chefe do contrabando chinês no país.

Deputados envolvidos com crimes políticos são cassados, ou renunciam para não sê-lo, mas continuam como elementos importantíssimos no governo federal e no comando nacional de seu partido, além de continuar falando em nome destes, tanto no Brasil como no exterior, fazendo lobby e ganhando fortunas na intermediação de negócios não muito claros, junto a ministérios e empresas públicas.

Acabo de ler mais uma notícia que me faz questionar se o General De Gaulle não tinha razão ao declarar que “O Brasil não é um país sério”. Uma empresa, canadense, a Colossus Minerals, declarou haver encontrado, em Serra Pelada, no Pará, dois depósitos com alta concentração de ouro e platina, aumentando ainda mais as expectativas de existência de muitas reservas minerais ainda não descobertas na região. No mesmo dia, as ações da empresa tiveram uma valorização de 8,8% na Bolsa de Toronto.

Esses depósitos foram encontrados a 150 metros ao norte e a 50 metros a oeste da zona central de Serra Pelada. Isso mesmo, a 150 e a 50 METROS do centro daquela tradicionalíssima região de mineração. Em 2007, a empresa fez uma parceria com a Cooperativa dos Garimpeiros de Serra Pelada para explorar 100 hectares de terra em Serra Pelada, mas, em março deste ano, a mesma empresa já adquiriu mais de 770 hectares de novos terrenos na região, para exploração futura.

Ao ler a notícia, como brasileiro, sem nenhum exagero, até meus batimentos cardíacos se alteraram. Isso realmente está ocorrendo? E sem que ninguém do governo investigue o que realmente ocorreu? O Ministério Público Federal precisa iniciar imediatamente uma profunda investigação sobre os fatos relatados na notícia a que me refiro, para sabermos quem é que ganhou com isso. Sim, porque, como já ocorrido em situações parecidas, de estatais que foram trocadas por moedas e em meses passaram a valer milhões, as investigações indicam que ocorreu um enorme tráfico de influência para que isso ocorresse, e alguém ganhou fortunas, em prejuízo do país.

Acredito que estaria ocorrendo algo de muito irregular nessa situação. Ou, então, serei obrigado a acreditar que todos nós brasileiros somos tão inocentes, tão incapazes, que não conseguimos encontrar um depósito com um “grau muito alto” de ouro, como diz a matéria, a 50 ou a 150 metros ou, ainda que fosse, a quilômetros de distância do centro do local onde durante anos extraímos ouro, e para isso precisamos de uma empresa canadense, que agora terá todos os créditos dessa exploração, deixando no local os buracos vazios.

Creio, com todo esse meu coração brasileiro acelerado, que o Ministério Público Federal iniciará, imediatamente, investigações sobre o caso, ou, pior, terei que acreditar que o Brasil é uma piada.

Esse artigo foi publicado nos seguintes veículos de comunicação:

A Crítica ; A Tribuna News ; Alerta Total ; Blog do André de Moura ; diHITT ; Fortal Web ; Jornal Bandeirantes News ; Jornal Dia Dia ; Ponto de Vista ; Prosa e Política ; Veja Brasil